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terça-feira, 4 de outubro de 2016

10 opiniões e ações inacreditáveis de integrantes do PSOL


Que o PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) é uma contradição ambulante, qualquer cidadão que acompanha a política brasileira já sabe. Até mesmo o nome do partido é um paradoxo insolúvel: como já restou demonstrado dezenas de vezes ao longo das últimas décadas, "socialismo" e "liberdade" são dois conceitos antagônicos e inconciliáveis (perguntem aos cubanos, que precisam de autorização para sair da ilha socialista). A postura do PSOL no Congresso Nacional também é uma demonstração inequívoca de contradição: declarava-se como oposição ao governo do PT (Partido dos Trabalhadores), mas foi um dos três únicos partidos a votar de maneira unânime contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff (junto com o PC do B e o próprio PT). Com uma "oposição" assim, que governo precisaria de aliados?

Entretanto, as contradições do PSOL não me assustam tanto quanto as opiniões e ações de integrantes do partido e da própria agremiação acerca de certos temas. Cuidado, leitor: ao digitar o número desse partido na urna eletrônica, não duvido que seus dedos fiquem vermelhos, pingando sangue. Abaixo, estão 10 situações que deveriam causar calafrios em qualquer pessoa que defenda, de fato, a democracia e a liberdade. O blog recomenda que, antes de prosseguir, o leitor deixe um balde por perto.

I) O deputado Glauber Braga homenageando o terrorista Carlos Marighella


Para quem não sabe quem foi Carlos Marighella, vale a pena se informar: ele foi um dos fundadores e comandantes do grupo terrorista Ação Libertadora Nacional (ALN), que realizou assaltos a bancos, caminhões, carros, trens pagadores e cidadãos comuns, e, em setembro de 1969, sequestrou o embaixador norte-americano Charles Elbrick. A principal obra intelectual de Marighella foi o "Minimanual do Guerrilheiro Urbano", em que ensinava detalhadamente táticas de violência e terrorismo.

II) Glauber não é o único: Marcelo Freixo também enaltece "o poeta guerrilheiro" Marighella



III) Juliano Medeiros homenageando o ditador genocida Fidel Castro

Em texto publicado no site do PSOL, na véspera do 90º aniversário de Fidel Castro, Juliano Medeiros, dirigente nacional do partido, teceu loas ao ditador cubano, como se este fosse um exemplo a ser seguido, e um dos seres humanos mais bondosos da história. Ninguém que preze a democracia pode, em sã consciência, elogiar tanto o grande líder da segunda ditadura mais longeva do planeta, no poder ininterruptamente desde 1959, responsável pela execução sumária de centenas de opositores. Como se não bastasse, Juliano encerra o primeiro parágrafo exaltando outros três famosos genocidas do século XX: Vladimir Lenin, Ho Chi Minh e Mao Tsé Tung. Este último é, simplesmente, o maior assassino da história da humanidade, com cerca de 77.000.000 de mortes nas mãos, de acordo com o historiador norte-americano Rudolph J. Rummel. É ou não é assustador saber que um partido político brasileiro idolatra facínoras como esses?

IV) Apoio explícito e incondicional aos governos Chávez e Maduro na Venezuela

Em 11 de abril de 2013, por ocasião das eleições na Venezuela, o PSOL publicou em seu site nota de apoio a Nicolás Maduro: "Por coerência não poderíamos nos furtar a assumir posição diante das próximas eleições, previstas para 14 de abril, declarando nosso apoio  à candidatura de Nicolás Maduro, por expressar a continuidade dos valores da Revolução Socialista Bolivariana" (sic). Semanas antes, num "encontro socialista" em Buenos Aires, Luciana Genro já havia feito discurso em defesa do governo da Venezuela. Em 2015, o PSOL reiterou seu apoio ao regime venezuelano. Para quem não sabe, a Venezuela vive hoje uma ditadura, com eleições fraudadas, repressão covarde a manifestações e prisões políticas. Este violento "governo bolivariano", apoiado com tanta veemência pelo PSOL, levou o país vizinho à maior crise econômica de sua história.

V) Luciana Genro idolatrando Che Guevara em Havana


A foto acima, por si só, já demonstra o imenso apreço de Luciana Genro por Che Guevara (aquele assassino que defendeu fuzilamentos de opositores na ONU), e pela ditadura cubana. Entretanto, não custa reler trecho de uma antiga nota do PSOL: "Cuba continua sendo uma grande referência revolucionária e seu futuro depende muito do que aconteça em nosso continente. Se continuam os processos abertos na Venezuela, Equador e Bolívia, Cuba não ficará isolada, pois aumentará a chance de fortalecimento da ALBA, uma nova forma de integração latino americana livre das políticas neoliberais que tanto massacram o nosso povo, proposta esta que infelizmente não tem sido apoiada pelo governo brasileiro".

VI) Ataques frequentes e deliberados à liberdade de expressão

O PSOL tem a "liberdade" no nome, mas, na prática, demonstra não ter apreço nenhum por ela. Repetidas vezes ao longo dos últimos anos, o partido defendeu explicitamente a censura a opiniões contrárias. Vejam alguns dos casos:

Nas palavras do Partido da Causa Operária, um outro partido de esquerda, mas que defende de fato a liberdade: "A liberdade de expressão completa e irrestrita é uma condição 'sine qua non' para a existência das outras liberdades democráticas; ela é uma liberdade que engloba toda a sociedade e que precede todas as liberdades individuais. O primeiro dos direitos democráticos deve ser o de pensar, e naturalmente transmitir suas ideias sem medo de repressão, e para isso não pode estar entre os poderes do Estado decidir o que os cidadãos devem pensar e qual conteúdo pode ou não ser veiculado; não é atribuição do Estado decidir como podem ou não ser transmitidas essas ideias".

Para o PSOL, entretanto, a liberdade de expressão parece só valer se for para defender as suas próprias ideias.

VII) Renato Cinco, o vereador do PSOL carioca que supostamente defende as mulheres em seu discurso, para minutos depois chamar uma cidadã de "idiota" e "débil mental", dentro da Câmara dos Vereadores:


VIII) Marcelo Freixo, em comício: "O que estão fazendo com Lula é um absurdo!"

Mesmo com todas as evidências e provas já apresentadas em desfavor de Luiz Inácio Lula da Silva, o deputado Marcelo Freixo ainda defende o ex-presidente, acusado pelo Ministério Público Federal de ser o grande chefe da organização criminosa responsável pelo maior assalto a cofres públicos na história da civilização. "Não dá para se calar diante do que estão fazendo", disse o psolista, em comício durante sua campanha para prefeito do Rio de Janeiro. Sim, Freixo ainda acredita que Lula está sendo perseguido pelo Poder Judiciário e pelo Ministério Público. E ainda tem  cara-de-pau de dizer que o PSOL faz oposição ao PT? Repito: com uma "oposição" assim, governo nenhum precisaria de aliados. Depois, Freixo reclama quando é acusado de defender bandidos...

IX) O apoio ao criminoso italiano Cesare Battisti

Cesare Battisti, criminoso italiano, em meio a seus amigos brasileiros.
O primeiro à esquerda é Chico Alencar; o grisalho barbudo no centro é Ivan Valente.
Os dois são deputados federais pelo PSOL.

Cesare Battisti, militante de extrema-esquerda e criminoso condenado por participação em quatro homicídios na Itália, vive em liberdade no Brasil, graças ao asilo concedido pelo ex-presidente Lula. O país europeu insiste pela extradição, para que Cesare cumpra lá as sentenças recebidas por seus crimes. O PSOL sempre demonstrou apoio ao assassino - vide a foto acima e a nota no próprio site do partido.

X) O assassino italiano Achille Lollo é um dos fundadores do PSOL.

Na noite de 16 de abril de 1973, na Itália, o "jornalista" de extrema-esquerda Achille Lollo pôs fogo na residência do opositor Mario Mattei, quando ele estava com a esposa e seis filhos em casa. Dois dos filhos de Mario morreram queimados naquele triste episódio: Virgilio (de 22 anos) e Stefano (de 8 anos). Achille foi condenado pela Justiça da Itália a 18 anos de prisão, no caso que ficou conhecido como Rogo di Primavalle. Enquanto respondia em liberdade ao processo, Achille fugiu para Angola, e depois veio para o Brasil, onde vive há mais de vinte anos. Aqui, essa boa alma italiana militou no PT, e depois fundou o PSOL, sendo considerado por muitos como um dos principais ideólogos do partido. Sim, um monstro que incendiou uma casa com 8 pessoas dentro, 5 delas crianças, é um dos fundadores e principais pensadores do PSOL. Dá pra dormir com esse barulho?

Você consegue mesmo ignorar estas situações? Você consegue votar em um partido que defende ditadores genocidas, como Fidel Castro e Mao Tsé Tung? Você consegue votar em um partido que apoia o regime tirano da Venezuela? Você consegue votar em um partido que defende Lula? Você consegue votar em um partido que idolatra terroristas e assassinos? Você consegue votar em um partido que repetidamente defende censura a jornalistas e opositores?

Você consegue?

PCFilho

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Um ensaio sobre liberdade de expressão


Amigos, considero muito saudável o recente acirramento dos debates políticos no Brasil: finalmente, a população está se interessando por política, está procurando se informar, e essa conscientização é fundamental para que as coisas melhorem enfim, a médio e longo prazos. Entretanto, tenho notado nas discussões um preocupante e repetido desrespeito a um dos valores fundamentais da democracia: a liberdade de expressão.

Um exemplo: na histórica sessão da Câmara dos Deputados que votou o prosseguimento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o deputado Jair Bolsonaro fez um discurso polêmico, citando Carlos Alberto Brilhante Ustra, suposto torturador durante o Governo Militar (nunca houve comprovação das acusações contra ele - e mesmo que houvesse, ele teria sido beneficiado pela Lei da Anistia, como foi a própria presidente Dilma). A fala de Bolsonaro, naturalmente, gerou muitas críticas e reações negativas, especialmente por parte de simpatizantes da esquerda (que, hipocritamente, não se escandalizaram com os discursos homenageando terroristas sanguinários favoráveis à sua causa, como Carlos Marighella e Carlos Lamarca).

Até aqui, tudo bem, as críticas de lado a lado são parte do debate. O problema surge quando entidades e cidadãos passam a defender a tese de que Bolsonaro (ou qualquer outro deputado) não poderia ter feito o discurso que fez, que teria cometido um crime, ou que deveria ser cassado pelo que falou. A seção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), por exemplo, divulgou que solicitará a cassação do parlamentar por causa de seu discurso. Querem violar a liberdade de expressão de um representante do Povo, na Casa do Povo. Isto, sim, é um atentado violento contra a nossa democracia.

Os parlamentares são inimputáveis por suas falas na tribuna, e têm que ser mesmo. Se nem os nossos representantes legitimamente eleitos tiverem o direito de expressar suas opiniões na tribuna do Congresso Nacional, então não estamos mais em um estado democrático de direito, e vivemos oficialmente em um regime de exceção. Vocês percebem a gravidade disso? Se até um parlamentar puder ser condenado pelo que diz, coitado do cidadão comum que ousar dar uma opinião sobre algum assunto polêmico. É capaz de acabar preso, sem direito a fiança.

Eu sempre me posiciono a favor da liberdade absoluta de expressão. Uma sociedade que condena seus cidadãos por suas opiniões pode ser qualquer coisa, menos democrática. Está escrito ainda no preâmbulo da nossa Constituição de 1988: a liberdade é um dos valores supremos da nossa sociedade. E um valor supremo é um valor supremo: direito inalienável de todo cidadão, que não pode ser violado, que não pode ser rasgado, que não pode ser tocado. Todo e qualquer ataque à liberdade em nosso solo deve ser repudiado com veemência.

A OAB-RJ deveria estar mais preocupada com outro deputado do Rio de Janeiro, o senhor Jean Wyllys, que, de maneira premeditada, como mostram as gravações de vídeo, cuspiu no rosto de Jair Bolsonaro. Esta atitude, sim, uma agressão inaceitável, dentro da Casa do Povo, contra um dos representantes do Povo. Esta, sim, uma atitude passível de cassação do mandato, conforme prevê o Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados.

Precisamos decidir se queremos ou não ser uma sociedade democrática e livre. Democracia com crime de opinião não é democracia. Como diz uma certa letra de música, "paz sem voz não é paz, é medo". Posso falar?

PCFilho

domingo, 6 de abril de 2014

E Rachel Sheherazade foi retirada do ar...


Não houve jogo do Fluminense hoje, então vou escrever sobre outra coisa, talvez menos importante. Ou mais, pois o assunto é gravíssimo.

Há algumas semanas, o Governo Federal ameaçou retirar todas as verbas publicitárias do canal SBT, terceira emissora mais relevante do país, de acordo com as pesquisas. Coisa de uns 150 milhões de reais por ano. Grana pra chuchu. E o motivo é evidente: a jornalista Rachel Sheherazade vinha colocando o dedo nas feridas do Partido dos Trabalhadores.

Na época, comentei com amigos: isto é uma inconfundível tentativa de censura. O governo do PT estava, por meio de uma chantagem, forçando o SBT a calar sua profissional.

Conseguiu. Hoje, Rachel Sheherazade foi afastada do ar pelo canal SBT.

Por favor, me respondam: vivemos mesmo em uma democracia?

Fatos como este me levam a pensar que não.

PCFilho

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Mais censura...

"Lutem até o fim!", eis o singelo conteúdo da faixa.

Já noticiei neste blog dois episódios de censura a manifestações de torcedores nos estádios (vejam aqui e aqui). Em ambos os casos, as faixas foram expostas e posteriormente retiradas por ordem da polícia.

E o que já estava ruim, ficou pior. Agora, acreditem, a censura é prévia. Todo cidadão que desejar estender uma faixa nas arquibancadas de estádios cariocas deve encaminhar um e-mail ao GEPE (Grupamento Especial de Policiamento em Estádios), solicitando autorização.

OK, é uma invasão, mas a gente tenta entender: vai que um idiota resolve fazer uma apologia ao nazismo... Porém, os policiais censores estão com tolerância zero...

O torcedor Lauro Cernicchiaro, idealizador da singela faixa "Lutem até o fim!", que praticamente simboliza o espírito do Fluminense desde 2009, tem tido a solicitação sistematicamente recusada pelos policiais (vejam a notícia no Netflu). E sem justificativa: a resposta é sempre um seco "Negado".

Eles acham mesmo que "Lutem até o fim!" é alguma espécie de incitação à violência? Não consigo conceber que um ser humano seja capaz de tamanha estupidez. (talvez eu devesse acreditar mais em um sábio professor da faculdade, que diz que "Deus limitou a inteligência do homem, mas não limitou a burrice!")

O próprio conceito da censura já é abominável. O fato de ela ser prévia aumenta o absurdo. E agora, além de tudo isso, ela ainda é executada com tamanha intransigência?

Enquanto isso, torcedores visitantes são tratados como lixo, em todo o Brasil, conforme nos revela o relato do amigo Emiliano Tolivia, sobre sua incrível viagem a Belo Horizonte no domingo passado...

Enquanto isso, torcedores sofrem nas mãos de cambistas, conforme o relato da amiga Jessyca Ponce, sobre sua jornada para conseguir exercer o direito da meia-entrada...

Perguntar não ofende: no assunto "futebol", a Polícia está mesmo se preocupando com os problemas certos?

PC

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Sobre a censura aos torcedores do Náutico


O principal assunto das mesas-redondas de segunda-feira foi a faixa estendida pelos torcedores do Náutico, com os dizeres "não irão nos derrubar no apito!!!". O árbitro Leandro Pedro Vuaden se recusou a dar início à partida, enquanto a tal faixa não fosse recolhida na arquibancada do Estádio dos Aflitos. Solicitou aos policiais que a retirassem, e assim atrasou o início da partida em mais de quinze minutos. O nome disso? Censura: cerceamento da liberdade de expressão, direito constitucional de todo cidadão brasileiro. Um desrespeito ultrajante, um absurdo descabido, uma vergonha total.

(Cabe dizer que eu mesmo já fui vítima de censura parecida, junto com um grupo de amigos, no Maracanã, em 2010 - relembrem aqui. Até hoje não me conformo com o ocorrido).

O protesto dos capibaribes não usou nem incentivou qualquer tipo de violência ou preconceito e, convenhamos, é menos agressivo até que muitos cânticos entoados nos estádios país afora. O veto ao seu conteúdo é, portanto, injustificável. É exemplo do que nunca mais deveria acontecer na nossa sociedade.

O caso teve bastante repercussão, como era esperado (recomendo o ótimo texto de Thiago Arantes). Entretanto, a reação de alguns comentaristas na televisão me causou espanto.

Na noite desta segunda-feira, assisti a uma discussão surreal no programa "Bem Amigos", do canal de TV por assinatura Sportv. No debate, houve várias vozes, acreditem se quiserem, defendendo a inaceitável censura sofrida pelos torcedores do Náutico. Um atrás do outro, desfilando argumentos no mínimo hipócritas. Ver jornalistas apoiando censura, justo aqui no Brasil, é muito triste. Até o velhíssimo Alberto Helena Júnior, que certamente viveu os piores anos de censura no Brasil, tentou defender o que não tem defesa. O único na mesa-redonda a discordar do absurdo foi Wagner Vilaron, cabe registrar aqui a honrosa exceção.

Poucas horas depois, a coisa piorou: no Jornal da Globo (em rede nacional de TV aberta), Luís Roberto (apresentador do "Bem Amigos") e William Waack endossaram o triste veto aos torcedores do Náutico. Tive vontade de perguntar aos grandiosos jornalistas por quê eles fazem um chilique daqueles quando são eles os censurados.

Um dos argumentos utilizados foi dizer que "o futebol é um espetáculo privado, que tem custos". Seguiu-se a comparação tosca com "uma festa em sua casa em que alguém chegasse com uma faixa ofensiva". Confesso, nutro até uma certa admiração pela coragem que o sujeito tem de proferir um raciocínio deste nível para milhares de telespectadores. E já vejo até a moda pegando, e o árbitro mostrando o cartão vermelho para cada torcedor que gentilmente o mandasse para aquele lugar - essa ofensa gravíssima que quase nunca é ouvida nos estádios brasileiros. Se o sujeito xingar a mãe do larápio, então, acabará até preso.

Liberdade de expressão, a gente vê por aqui. E aí?

PC

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Denúncia de censura no Maracanã


Amigos, a vitória do Fluminense sobre o Flamengo foi, sem dúvida, de lavar a alma de qualquer tricolor. Saímos todos em êxtase do Maracanã, festejando uma vitória que vale bem mais que os três pontos na tabela.

Houve, porém, uma ocorrência muito triste antes do jogo, no Estádio Mario Filho. Um grupo de torcedores comuns havia organizado um protesto pacífico contra as arbitragens que prejudicaram o Tricolor nas três primeiras rodadas (em especial a última, de Leonardo Gaciba, no jogo Corinthians 1 x 0 Fluminense). A manifestação consistiu em simplesmente estender uma faixa com os dizeres "O MINISTÉRIO DA SAFADEZA ADVERTE: ROUBE COM MODERAÇÃO".

Convenhamos: a frase (de autoria do amigo Fabiano) é criativa e bem humorada. A aprovação era quase unânime, todos os torcedores que liam apreciavam, riam, ou aplaudiam a iniciativa.

Infelizmente, o GEPE (Grupamento Especial de Policiamento nos Estádios) não concordou com o protesto. Quinze minutos após estendermos a faixa, fomos obrigados a retirá-la, por ordem do comandante do dia. Os tricolores ao redor indignaram-se. Exigimos explicações, mas o máximo que ouvimos foi "ordem superior" e "a frase não tem a ver com o clube" (!!!???).

(a quem interessar possa, informo que o trio de arbitragem olhou na direção da faixa demoradamente, logo após entrar em campo, momentos antes da retirada)

Frise-se que a proibição da exibição da faixa não se deu por causa do local específico em que ela estava, e sim por causa de seu conteúdo. Amigos, sabem qual é o nome disso?

Censura. Cerceamento à liberdade de expressão.

Nenhum nome é citado diretamente, ninguém é ofendido moralmente, não há sequer palavrão. As manifestações verbais usuais contra as arbitragens nos estádios são muito menos educadas que nossa frase escrita. E, no entanto, fomos vergonhosamente censurados pela força policial.

Deixo no ar perguntas que não sei responder. Precisaremos de uma liminar para estender nossa faixa novamente? Tivemos nosso direito à livre expressão desrespeitado? Deveríamos ser indenizados por isso? A quem devemos recorrer? Com a palavra, os homens da Lei.

PC

PS: em uma rápida busca na internet, encontrei um protesto similar da torcida do Vasco em São Januário, em 2009, este citando o nome de Leonardo Gaciba (foto abaixo). Em 2007, uma torcida em Natal também realizou um protesto nesses moldes. Por que fomos censurados, e eles não?
(protesto da torcida do Vasco em 2009)