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quinta-feira, 25 de junho de 2026

História - África do Sul x Canadá



A fase de mata-mata da Copa do Mundo de 2026 começará com um duelo entre as seleções de África do Sul e Canadá, no domingo 28. Será o primeiro jogo de mata-mata em uma Copa do Mundo para ambas as equipes.

As duas seleções se enfrentaram uma única vez na história: um amistoso realizado em Durban, em 2007, com vitória sul-africana por 2 a 0, gols de Teko Modise.

Segue a lista de resultados do confronto:
20/11/2007 - África do Sul 2 x 0 Canadá - ABSA Stadium (Durban, África do Sul)
28/06/2026 - África do Sul x Canadá - SoFi Stadium (Inglewood, EUA)

PCFilho

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Geometria – A bandeira da África do Sul


‪O desenho acima é o esquema para a construção da bandeira nacional da África do Sul, com A = 45, B = 10, C = 6, D = 2. Ignorando as cores, a bandeira tem um eixo de simetria horizontal. Quais são as áreas ocupadas por cada cor na bandeira?‬

‪(The drawing above is the scheme for the construction of the national flag of South Africa, with A = 45, B = 10, C = 6, D = 2. Ignoring the colors, the flag has a horizontal axis of symmetry.‬ What are the areas occupied by each color on the flag?)‬

PCFilho

terça-feira, 4 de março de 2014

História - Brasil x África do Sul


A Seleção Brasileira principal já enfrentou a África do Sul em 5 partidas, tendo vencido todas elas:
24/04/1996 - África do Sul 2 x 3 Brasil - First National Bank Stadium (Johannesburg)
07/12/1997 - África do Sul 1 x 2 Brasil - Ellis Park (Johannesburg)
25/06/2009 - África do Sul 0 x 1 Brasil - Ellis Park (Johannesburg)
07/09/2012 - Brasil 1 x 0 África do Sul - Morumbi (São Paulo)
05/03/2014 - África do Sul 0 x 5 Brasil - Soccer City (Johannesburg)

A Seleção Olímpica jogou uma partida contra a África do Sul:
17/09/2000 - África do Sul 3 x 1 Brasil - Brisbane Cricket Ground (Brisbane, Austrália)

PCFilho

terça-feira, 22 de junho de 2010

Au revoir, Domenech!


Terminou o jogo África do Sul 2 x 1 França. Sempre educado, o treinador brasileiro dos Bafana Bafana, Carlos Alberto Parreira, dirigiu-se ao técnico francês, para cordialmente cumprimentá-lo. Raymond Domenech se recusou a receber o aperto de mão.

Ambas as seleções foram eliminadas no grupo A. Mas a África do Sul de Parreira pelo menos sai de cabeça erguida. A França de Domenech volta para Paris sem nenhuma vitória (empatou com o Uruguai e perdeu para México e África do Sul).

Quem Domenech pensa que é para dar um fora em Parreira? Ambos disputaram uma final de Copa do Mundo, Parreira em 1994, Domenech em 2006. O brasileiro venceu, o francês perdeu. Hoje Domenech demonstrou que os deuses do futebol fizeram bem em tirar-lhe a suprema glória do futebol mundial. Ele nunca mereceu erguer a Copa do Mundo.

Faço minhas as palavras do pé-de-uva: "Foi um fato lamentável. Ele não é querido na França e acho que há razões suficientes para isso".

Não à toa, a demissão de Domenech já estava desenhada. Assumirá o ex-zagueiro Laurent Blanc, que certamente fará um trabalho melhor que o antecessor, que escolhia seus convocados pelo horóscopo.

Au revoir, Domenech!

História - África do Sul x França


Amigos, África do Sul e França já se enfrentaram em três oportunidades, uma delas pela Copa do Mundo de 1998, disputada na terra de Napoleão Bonaparte. Confira a lista de jogos:
11/10/1997 - França 2 x 1 África do Sul - Félix Bollaert (Lens, França)
12/06/1998 - França 3 x 0 África do Sul - Vélodrome (Marseille, França)
07/10/2000 - África do Sul 0 x 0 França - Ellis Park (Johannesburg, África do Sul)

O confronto de 1998 foi válido pela primeira fase daquele Mundial, e foi apitado pelo brasileiro Márcio Rezende de Freitas. A França abriu o placar aos 35 do primeiro tempo, com gol de cabeça de Dugarry, após escanteio cobrado por Zidane. Aos 33 do segundo tempo, Issa (contra) assinalou o segundo tento francês. Já nos acréscimos, Henry fechou o placar: 3 a 0.

PC

(fonte: site da FFF)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

História - África do Sul x Uruguai


Amigos, África do Sul e Uruguai se enfrentaram apenas duas vezes até hoje. No primeiro jogo, válido pela Copa das Confederações de 1997, os uruguaios venceram por 4 a 3, em uma partida eletrizante. O segundo jogo, disputado em Johannesburg, terminou empatado sem gols:
17/12/1997 - Uruguai 4 x 3 África do Sul - King Fahd (Al Riad, Arábia Saudita)
12/09/2007 - África do Sul 0 x 0 Uruguai - Ellis Park (Johannesburg, África do Sul)

PC

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Os Bafana Bafana mereciam mais


Amigos, o empate é o pior dos resultados no futebol, já dizia o Profeta décadas atrás. Nesta sexta-feira, centenas de milhões de pessoas ao redor do planeta pararam o que estavam fazendo para assistir aos jogos de abertura da Copa do Mundo da África do Sul. E o que vimos? Dois empates. Vinte e dois jogadores em cada uma das partidas, suando até a última gota, para tudo terminar sem um vencedor. Ao final das batalhas, baixou em todos nós um colossal sentimento de frustração coletiva.

No segundo jogo, França e Uruguai foram ainda mais irritantes, pois além de empatarem, o fizeram sem gols. O zero a zero é a negação do futebol. Deveria ser um placar proibido, por toda a sensação de tristeza e impotência que causa. Além do escore em branco, o futebol exibido pelos dois selecionados esteve muito abaixo do esperado para dois escretes que já levantaram a taça. Na Celeste Olímpica, o destaque positivo foi o aguerrido Forlán, apesar do incrível gol perdido. Os sete metros e quebrados da trave se escancararam diante do louro atacante uruguaio, e ele chutou a bola para longe, isolando a chance clara. Na França, não destaco ninguém positivamente. Negativo é o treinador Domenech, que - acreditem, amigos - não convoca nenhum jogador do signo de escorpião. A França já foi eliminada de Mundiais pelo Brasil (em 1958, degaulleada, 5 a 2), pela Itália, pela Alemanha. Em 2010, os franceses serão eliminados pela astrologia.

O melhor do dia foi o primeiro jogo, o da África do Sul de Nelson Mandela. O eterno líder não estava presente no estádio, devido à tragédia que se abateu sobre sua família (a morte de sua bisneta na véspera). Mas deve ter visto pela TV os Bafana Bafana de Parreira jogarem um futebol alegre, e acima de tudo digno. Os anfitriões mereceram a vitória, apesar do grande esforço dos mexicanos. Quando já venciam por 1 a 0, os sul-africanos tiveram um pênalti claríssimo ignorado pelo árbitro do Uzbequistão. Um pênalti de almanaque, que provavelmente decidiria o confronto. Logo depois, o gol do México calou as vuvuzelas. Já no apagar das luzes, o bom atacante Mphela - o mesmo que já sofrera a penalidade - quase desempatou, mas a bola Jabulani preferiu beijar o pé da trave, caprichosamente. Definitivamente, os Bafana Bafana mereciam mais que um empate hoje.

O maior espetáculo do futebol continua amanhã, com destaque para a batalha Argentina x Nigéria. A imprensa mundial só fala em Messi, que Messi faz, que Messi acontece. Mas se este escriba fosse colocar fichas nesta partida, faria suas apostas na zebra africana. Ele acha que a vitória da Nigéria já está escrita há trinta séculos, e que o jogo será apenas uma formalidade, um mero cumprimento do vaticínio.

PC

História - África do Sul x México

(imagem: site da FIFA)

Amigos, daqui a pouco África do Sul e México fazem o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2010.

Sul-africanos e mexicanos já se enfrentaram em 3 partidas, com 2 vitórias do México e 1 triunfo da África do Sul. O México assinalou ao todo 9 gols, contra 4 tentos da África do Sul.

Confira a relação completa de partidas:
06/10/1993 - México 4 x 0 África do Sul - (Los Angeles, Estados Unidos)
07/06/2000 - México 4 x 2 África do Sul - (Dallas, Estados Unidos)
08/07/2005 - África do Sul 2 x 1 México - Carson (Los Angeles, Estados Unidos)

PC

segunda-feira, 7 de junho de 2010

História - Brasil x Seleções Africanas

Jogo Brasil x Argélia em 2007.

Amigos, hoje Brasil e Tanzânia se enfrentarão pela primeira vez na história, em Dar es Salaam, capital do país africano. O amistoso será a última partida do escrete antes da Copa do Mundo de 2010.

Em toda a história, a Seleção Brasileira principal já enfrentou seleções africanas em 25 oportunidades, com 24 vitórias e 1 derrota:
29/04/1960 - Egito* 0 x 5 Brasil - Estádio do National Club (Cairo/EGI)
01/05/1960 - Egito* 1 x 3 Brasil - Estádio Municipal (Alexandria/EGI)
06/05/1960 - Egito* 0 x 3 Brasil - Estádio Zamalek (Cairo/EGI)
17/05/1963 - Egito 0 x 1 Brasil - Nasser Stadium (Cairo/EGI)
17/06/1965 - Argélia 0 x 3 Brasil - Estádio Nacional Cinco de Julho (Oran/ALG)
03/06/1973 - Argélia 0 x 2 Brasil - Estádio Nacional Cinco de Julho (Argel/ALG)
06/06/1973 - Tunísia 1 x 4 Brasil - Estádio Cartago (Túnis/TUN)
22/06/1974 - Brasil 3 x 0 Zaire - Parkstadion (Gelsenkirchen/ALE)
06/06/1986 - Brasil 1 x 0 Argélia - Jalisco (Guadalajara/MEX)
24/06/1994 - Brasil 3 x 0 Camarões - Stanford Stadium (San Francisco/EUA)
27/03/1996** - Brasil 8 x 2 Gana - Benedito Teixeira (São José do Rio Preto/SP)
24/04/1996 - África do Sul 2 x 3 Brasil - First National Bank Stadium (Johannesburg/AFS)
13/11/1996 - Brasil 2 x 0 Camarões - Pinheirão (Curitiba)
09/10/1997** - Brasil 2 x 0 Marrocos - Mangueirão (Belém)
07/12/1997 - África do Sul 1 x 2 Brasil - Ellis Park (Johannesburg/AFS)
16/06/1998 - Brasil 3 x 0 Marrocos - La Beaujoire (Nantes/FRA)
31/05/2001 - Brasil 2 x 0 Camarões - Kashima Stadium (Ibaraki/JAP)
11/06/2003 - Nigéria 0 x 3 Brasil - Abuja National Stadium (Abuja/NGA)
19/06/2003 - Camarões 1 x 0 Brasil - Stade de France (Saint-Denis/FRA)
27/06/2006 - Brasil 3 x 0 Gana - Westfalenstadion (Dortmund/ALE)
27/03/2007 - Brasil 1 x 0 Gana - Rasunda (Solna/SUE)
22/08/2007 - Brasil 2 x 0 Argélia - Mosson (Montpellier/FRA)
15/06/2009 - Brasil 4 x 3 Egito - Free State Stadium (Bloemfontein/AFS)
25/06/2009 - África do Sul 0 x 1 Brasil - Ellis Park (Johannesburg/AFS)
02/06/2010 - Zimbábue 0 x 3 Brasil - Estádio Nacional (Harare/ZIM)
* O Egito formava com o Iêmen a "República Árabe Unida".
** Jogos não considerados nas estatísticas da FIFA.

A Seleção Olímpica fez os seguintes jogos contra equipes africanas:
12/10/1964 - Brasil 1 x 1 Egito - Estádio Olímpico (Tóquio/JAP)
18/10/1968 - Brasil 3 x 3 Nigéria - Cuauhtémoc (Puebla/MEX)
03/08/1984 - Brasil 2 x 0 Marrocos - Rose Bowl (Pasadena/EUA)
18/09/1988 - Brasil 4 x 0 Nigéria - Daejeon Stadium (Daejeon/COR)
25/07/1996 - Brasil 1 x 0 Nigéria - Orange Bowl (Miami/EUA)
28/07/1996 - Brasil 4 x 2 Gana - Orange Bowl (Miami/EUA)
31/07/1996 - Nigéria 4 x 3 Brasil - Sanford Stadium (Athens-GA/EUA)
17/09/2000 - África do Sul 3 x 1 Brasil - Brisbane Cricket Ground (Brisbane/AUS)
23/09/2000 - Camarões 2 x 1 Brasil - Brisbane Cricket Ground (Brisbane/AUS)
16/08/2008 - Brasil 2 x 0 Camarões - Shenyang Olympic (Shenyang/CHN)

PC

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Recordar é viver - Um time, um país

Johanesburgo, 24 de junho de 1995.

Às duas horas da tarde daquele sábado, o Ellis Park já estava lotado: 62 mil pessoas aguardavam ansiosas a final da Copa do Mundo de Rúgbi de 1995. Ainda faltava uma hora para o início do jogo entre o Springboks (a seleção da África do Sul) e o All Blacks (a seleção da Nova Zelândia). Os neozelandeses eram os grandes favoritos, pois contavam com as maiores estrelas do rúgbi mundial, incluindo o lendário Jonah Lomu, o Pelé do rúgbi. Mas a nação sul-africana, mais unida do que nunca, acreditava no milagre.

Para entender a grandeza do momento, é necessário voltar alguns anos no tempo. A África do Sul vivia o apartheid, regime de segregação racial mais cruel da face da Terra. A minoria branca, formada majoritariamente por bôeres, vivia nas ricas cidades. A maioria negra habitava os subúrbios, em condições desumanas. Os vagões dos trens eram separados por raças. As próprias ruas eram divididas entre ruas de brancos e ruas de negros. No documento do sujeito, aparecia a sua raça: branco, índio, mestiço ou negro. Dependendo da classificação, o sujeito tinha mais ou menos direitos. Dependendo da classificação, o sujeito era um cidadão, ou um marginal.

Nelson Mandela era um negro e, portanto, um marginal. Desde muito jovem, já demonstrava liderança e carisma. Em agosto de 1962, Nelson foi preso pelo regime, por fazer parte da oposição. Passaria os vinte e sete anos seguintes na prisão, junto com diversos outros líderes negros. Durante esse tempo, amadureceu a sua idéia de uma África do Sul unida, com brancos e negros convivendo pacificamente em um regime multirracial, em que todos possuíssem direitos iguais. Utopia, diziam todos ao seu redor. Afinal, se um dia a maioria negra conseguisse tomar o poder, provavelmente empreenderia uma vingança avassaladora contra os brancos, que passariam a odiar ainda mais os negros, num ciclo vicioso interminável. A idéia de Nelson era mesmo utópica, e nem mesmo os seus companheiros de luta conseguiam acreditar na possibilidade de ela se tornar uma realidade.

O rúgbi era o esporte preferido dos brancos na África do Sul, especialmente dos bôeres. Os negros preferiam o futebol, e particularmente odiavam o rúgbi, por ele ser um símbolo do sistema que os oprimia. Mais especificamente, o Springboks e seu uniforme verde-e-dourado eram muito odiados pelos negros. Cito um exemplo: em 1970, o All Blacks (seleção da Nova Zelândia) estava realizando uma excursão à África do Sul, e foi à cidade de Upington realizar uma partida contra o North West Cape, maior time local, orgulho dos bôeres da cidade. No pequeno estádio, com capacidade para nove mil pessoas, havia um pequeno setor para os negros, sob sol causticante. Nesse espaço, a torcida era entusiasmada, para os neozelandeses! O All Blacks massacrou a equipe local por 26 a 3, e os negros presentes vibraram muito com a derrota daqueles brancos gigantes que os humilhavam todos os dias.

Os negros odiavam os brancos, odiavam o Springboks, e odiavam também o seu uniforme verde-e-dourado, e também o hino nacional da África do Sul (Die Stem), e também a bandeira da África do Sul. Por sua vez, os brancos odiavam os negros, e a sua canção de liberdade (Nkosi Sikelele). Nelson Mandela, então, na condição de "terrorista número 1" da África do Sul, era o principal alvo do ódio branco. Eis o resumo do apartheid: duas nações vivendo em um mesmo espaço, odiando-se mutuamente.

Liderando uma das maiores revoluções da história da humanidade, cujos detalhes seria impossível descrever aqui, Nelson Mandela conseguiu estabelecer o regime democrático com que sonhara durante sua longa estadia na prisão. Em 1990, foi libertado, e em 1994, foi eleito presidente da África do Sul, nas primeiras eleições multirraciais da história do país. Mandela conseguiu não apenas convencer os brancos a aceitarem um governo de negros. Convenceu também os negros a aceitarem os brancos como parte da nova África do Sul. Uma das ferramentas utilizadas por Mandela foi exatamente o rúgbi. Com muita inteligência e muito carisma, ele conseguiu uma proeza. Convenceu os negros a não apenas deixar de odiar o Springboks. O mesmo uniforme verde-e-dourado, símbolo de tanta opressão para aquele povo, passou a ser amado por ele. Aquele primeiro sábado do inverno de 1995 testemunhou, pela primeira vez, a África do Sul verdadeiramente unida em torno de um mesmo objetivo.

Alguns símbolos do passado de dominação branca estavam extintos, como a bandeira nacional, que deu lugar a um belíssimo pavilhão multicolorido. Outros, como o hino nacional, haviam sido adaptados (o novo Hino Nacional, por insistência de Mandela, é um híbrido do Die Stem dos bôeres com o Nkosi Sikelele dos negros). Um símbolo do orgulho bôer havia sido mantido: o uniforme verde-e-dourado do Springboks. Com esse tipo de negociação, cedendo em alguns pontos, perdoando os erros do passado, é que Mandela conseguiu construir o país de seus sonhos.

A partida foi dramática. No rúgbi, a principal jogada é o try, que vale 5 pontos. Porém, as defesas de Springboks e All Blacks estavam tão bem dispostas que nenhuma das equipes conseguia um try. Assim, apenas chutes de pênaltis e dropkicks, valendo três pontos cada, fizeram girar o placar. Até o final do primeiro tempo, o sul-africano Joel Stransky tinha acertado três chutes no H, contra dois do neozelandês Andrew Mehrtens. Assim, o placar apontava: Springboks 9, All Blacks 6. No segundo tempo, Mehrtens conseguiu empatar, e o 9 a 9 levou a partida à prorrogação, pela primeira vez numa final de Copa do Mundo. Milhares sofriam atônitos nas arquibancadas. Milhões sofriam atônitos diante da TV.

O capitão sul-africano François Pienaar discursou para a sua tropa, no intervalo que antecedia o tempo extra: "Olhem em torno. Estão vendo aquelas bandeiras? Joguem para esse povo. É uma oportunidade única. Temos que fazer isso pela África do Sul. Vamos ser campeões do mundo!". Porém, a eloqüência de Pienaar não impediu que, no primeiro minuto da prorrogação, um chute de Mehrtens fizesse mais três pontos para o All Blacks: 12 a 9. O Springboks provavelmente teria que amargar o vice-campeonato.

Mas, no último minuto do primeiro tempo extra, Stransky cobrou outro pênalti alto, direto entre os postes: 12 a 12! E então veio o decisivo segundo tempo extra. A sete minutos do fim, Stransky deu o chute mais importante de sua vida. "Recebi a bola com precisão, e a chutei com muita suavidade. Ela estava mantendo a linha. Estava girando, mas sem se desviar nem um pouco. Nem olhei para ver se ela passaria por cima. Eu sabia, desde o momento em que saiu da ponta da minha bota, que não ia errar. E fiquei absolutamente extasiado!". Os seis minutos seguintes foram os mais longos da vida de cada sul-africano. Mas o Springboks conseguiu segurar o jogo, e soou o apito final. A África do Sul, pela primeira vez unida e multirracial, era mesmo a campeã mundial de rúgbi.

Um repórter se aproximou de François Pienaar no campo e perguntou: "Qual é a sensação de ter 62 mil torcedores apoiando vocês aqui no estádio?". O capitão do Springboks não poderia ter respondido melhor: "Não tivemos 62 mil torcedores nos apoiando. Tivemos 43 milhões de sul-africanos." A multidão aplaudiu feericamente.

Quando Nelson Mandela, vestido com o uniforme verde-e-dourado, e também com o boné do Springboks, subiu ao pódio para entregar a taça a François Pienaar, a África do Sul chorou. Não restou um rosto seco no Ellis Park. Não restou um rosto seco em todo o país.

"François, muito obrigado pelo que você fez por nosso país", disse Mandela, sua mão esquerda sobre o ombro direito de Pienaar, sua mão direita apertando a do capitão.

"Não, senhor Presidente. Eu que agradeço pelo que o senhor fez por nosso país", respondeu o capitão do Springboks.

O país irrompeu em comemorações, de norte a sul, de leste a oeste. Negros e brancos tomaram as ruas, e festejaram juntos. Celebraram o campeonato mundial, e celebraram o país unido. Comemoraram o heroísmo de Pienaar, e comemoraram o heroísmo de Mandela. Springboks, África do Sul. Um time, um país.

PC

(para ler a história completa desse jogo extraordinário, recomendo a leitura do livro "Conquistando o Inimigo - Nelson Mandela e o jogo que uniu a África do Sul", de John Carlin)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Competência, simplicidade e coragem

Amigos, a Seleção está na final da Copa das Confederações. O jogo de ontem contra a África do Sul foi muito difícil, mas assim é melhor. Prefiro os triunfos magros às goleadas deslumbrantes. Examinemos exemplos históricos: em 1950, enfiamos 6 a 1 na Espanha no penúltimo jogo, e perdemos para o Uruguai no último. Ao passo que, em 1994, batemos a Suécia por 1 a 0 na semifinal, e acabamos campeões. Explico: as goleadas escondem os defeitos do time, enquanto as vitórias magras os escancaram. E, com os erros expostos, fica mais fácil corrigi-los. Em 1950, a vitória de banho sobre os espanhóis nos cegou, e essa cegueira acabou nos liquidando diante dos uruguaios.

Voltemos ao presente, à belíssima e magérrima vitória por 1 a 0 do escrete sobre a África do Sul. A Seleção está cheia de defeitos: é só encarar um time que jogue fechado, na retranca, que nossos onze homens não conseguem produzir. É preciso utilizar mais as laterais. Somente jogando pelos lados do campo se furam bloqueios bem armados. Bom, Dunga é melhor técnico do que eu, e certamente está vendo e corrigindo os erros do escrete.

Vamos ao lance decisivo da partida: espetacular cobrança de falta de Daniel Alves, que acabara de entrar em campo! Que pintura, amigos, que pintura! Seu olhar compenetrado antes da batida é de impressionar qualquer um. E então ele corre, chuta, e as cornetas sul-africanas cessam. É gol do Brasil. É a vitória, é a classificação.

Mas Daniel Alves não é o meu personagem da partida. Havia outro brasileiro no estádio, mais merecedor da ilustre premiação.

Cabe exaltar Joel Natalino Santana, o treinador brasileiro da África do Sul. Joel é um dos maiores campeões do futebol brasileiro, mas não é respeitado por isso. Gosto de relembrar a década de 90 do Joel, pois é impressionante: em 1992 assume o Vasco e ganha dois campeonatos cariocas (92 e 93). Então, vai ao Bahia e levanta o campeonato baiano (94). Volta ao Rio de Janeiro, agora no Fluminense, e conquista seu mais dramático título (95). Em 96, vai para o Flamengo e, pasmem, é campeão de novo. Em 97, vai ao Botafogo e, novamente, levanta a taça. Seis campeonatos em seis anos: eis o milagre de Joel Santana.

Não admiro apenas a competência do Natalino: gosto mesmo é de sua simplicidade. É a sua humildade que me assombra. Joel é capaz de olhar qualquer um nos olhos, do Presidente da República ao porteiro do seu prédio, de Nelson Mandela a um mendigo na esquina. Trata a todos como iguais. E, com a vida ganha, ainda aceita desafios colossais, como assumir a futura anfitriã da Copa do Mundo. Com um agravante: sem saber uma palavrinha sequer de inglês. E, aos 60 anos, Joel pôs-se a aprender uma nova língua.

E até nisso ele dá exemplo: qual não foi a minha surpresa ao vê-lo dando entrevistas no idioma bretão, sem ajuda de intérprete! Muito bem, Joel! Parabéns pela coragem de dar entrevistas em uma língua que até ontem você não falava! Manifesto novamente meu repúdio à imprensa que fez chacota do esforço e da coragem de Joel. Pelo menos isso está melhorando: já vi aqui e ali elogios à coragem natalina.

Ontem, Joel deu mais uma prova de sua competência: por pouco não eliminou o glorioso e pentacampeão escrete canarinho. Armou uma África do Sul aguerrida, e taticamente obediente. É verdade que o time perdeu por 1 a 0. Mas Joel provou que é um vencedor.

Porque ele é competente, porque ele é simples, e porque ele é corajoso, Joel Natalino Santana é o meu personagem desta crônica.

PC