sábado, 11 de abril de 2009

Botafogo 4, Vasco 0

Amigos, foi brilhante a vitória do Botafogo nesse sábado de Páscoa. Brilhante não apenas pelo placar: um estrondoso quatro a zero. Brilhante também por causa do adversário derrotado: o Vasco.

Sim, amigos, o Gigante da Colina merece ser exaltado. Não houve, em todo o campeonato, um time mais constante, com uma batida mais harmoniosa, que o Vasco. Na Taça Guanabara, nosso primeiro turno, o clube cruzmaltino foi eliminado nos tribunais. Na Taça Rio, nosso returno, havia vencido todos os seus oito jogos. Uma equipe com uma campanha tão avassaladora simplesmente não merece cair em um único jogo. Portanto, deixo os meus parabéns ao quadro de São Januário, porque sua campanha foi quase irretocável. Deixo também meu sincero desejo de boa sorte, na dura jornada que o aguarda na Segunda Divisão. Espero que o Vasco volte mais forte de lá, assim como voltaram primeiro o Fluminense e depois o Botafogo.

Um amigo botafoguense faz a piada cruel, com um sádico sorriso no rosto: "A padaria do Vasco informa: o sonho acabou. Agora só na segunda!". Os alvinegros têm mais é que comemorar mesmo, pois a vitória foi mesmo espetacular, foi mesmo linda. Porém, ressalto que a humildade é necessária, se o Alvinegro quiser levantar a taça. Vejo todos falando que o Botafogo está a um jogo do título. Sim, é verdade, mas eu faria uma ressalva: pode estar a três jogos do vice.

Falemos agora do jogo: que exibição do Botafogo, amigos! O técnico Ney Franco está de parabéns: provou que o time pode ser ofensivo, mesmo com três zagueiros e não-sei-quantos volantes. O trio ofensivo é algo de mágico: Victor Simões, Reinaldo e Maicosuel se entendem, se encaixam, se completam! Também a defesa mostrou que é sólida, pois durante todo o jogo quase não houve chances cruzmaltinas. Os onze jogadores molharam a camisa, com uma garra, um ímpeto e uma vontade inexcedíveis.

Os alvinegros me telefonam desesperados, e perguntam: "quem será o personagem do sábado?". Imagino que está pendendo dos lábios de cada um a baba grossa, elástica e bovina que caracteriza os ansiosos. O meu personagem do sábado é Maicosuel, só pode ser Maicosuel. O mago de General Severiano acabou com o jogo, desde o primeiro até o último gol. Ele é, disparado, o melhor jogador deste Campeonato Carioca. Se a taça for mesmo para o Botafogo, o nome de Maicosuel haverá de ser nela gravado, a ferro e fogo. Bota Fogo nisso!

PC

Esquenta - Vasco x Botafogo

Hoje, às 18:30, vascaínos e botafoguenses mais uma vez pintarão o Maracanã de preto e branco. O Vasco tenta confirmar a boa fase, e o Botafogo tenta antecipar o aguardado título. As semelhanças entre os dois times não residem apenas nas cores: ambos têm problemas no setor defensivo, e ambos contam com o poderio de seus respectivos trios ofensivos.

O Vasco não conta com o zagueiro Fernando, um dos principais líderes do time. Seu substituto será Leonardo. O meia Carlos Alberto não jogou os últimos três jogos, mas retorna à equipe. No último Vasco x Botafogo (4 x 1 Vasco, pela fase inicial da Taça Rio), o craque teve uma atuação fenomenal. Junto com Elton e Rodrigo Pimpão, Casalbé forma o trio ofensivo que pretende marcar os gols necessários para levar o Vasco ao fim do jejum de títulos, que já dura mais de seis anos.

No Botafogo, o único desfalque é o zagueiro Emerson. Leandro Guerreiro recua para a zaga, e deixa um lugar vago no meio-campo. Ney Franco faz mistério quanto a quem ocupará a vaga. Se for Thiaguinho, Batista tem chance de entrar na lateral esquerda, com Gabriel correndo por fora. Mas se Thiaguinho atuar como ala, Léo Silva pode ganhar uma oportunidade.

O Gigante da Colina deve ir a campo com: Tiago, Paulo Sérgio, Leonardo, Titi e Ramon; Amaral, Nilton, Jeferson e Carlos Alberto; Elton e Rodrigo Pimpão. O técnico cruzmaltino é Dorival Júnior.

Já o clube da Estrela Solitária deve ser escalado assim: Renan, Leandro Guerreiro, Juninho e Wellington; Alessandro, Fahel, Léo Silva (Batista ou Gabriel), Maicosuel e Thiaguinho; Reinaldo e Victor Simões. O técnico alvinegro é Ney Franco.

O árbitro será João Batista de Arruda, e ele será auxiliado por Claudio José de  Oliveira Soares e Ricardo Maurício Ferreira de Almeida. A transmissão do clássico se dará pelo PFC (pay-per-view), e pelas rádios Globo e Tupi. Ainda há ingressos à venda, nas bilheterias do Maracanã.

PC

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Adriano

Amigos, ontem o centroavante Adriano anunciou uma surpreendente interrupção em sua carreira de jogador de futebol. Alguns leitores me cobraram uma opinião a respeito do caso, e assim vou escrever brevemente sobre isso.

Mais uma vez, não gosto do comportamento da imprensa, que maltrata o jogador como se ele não fosse um ser humano. Sim, amigos, atrás do "Imperador de Milão", existe uma pessoa. Não podemos nos esquecer disso. Nós, meros mortais, temos os nossos problemas no dia-a-dia, e acabamos nos esquecendo que eles, os artistas do espetáculo, também podem ter os seus problemas.

Escuto que Adriano "desperdiça seu talento", leio que Adriano "se envolve com gente que não devia", ouço que Adriano "desrespeita a Internazionale". O óbvio ululante é que o craque passa por um momento muito difícil de sua vida: isso, nem os lorpas e pascácios negam. Repito: um momento muito difícil. E o que faz a nossa torpe imprensa? Continua batendo no craque. Será que não veem que essa mesquinharia toda somente piora a situação de Adriano? 

Provavelmente, o centroavante não lerá este humilde depoimento, mas caso isso ocorra: "Adriano, boa sorte na sua vida! Espero que, jogando futebol ou em outra atividade, você consiga encontrar a doce felicidade que todos nós procuramos."

Com a palavra, o único cidadão da face da Terra que merece ser ouvido nessa situação: o próprio craque do escrete.



Abaixo, um dos grandes momentos da carreira do craque: o gol na final da Copa América de 2004, contra a Argentina.



PC

Futebol para Escanteio: Superliga Feminina de Vôlei

Quer esporte com emoção? Mas com emoção de verdade? Então comece a acompanhar as partidas decisivas da Superliga Feminina de Vôlei.

As semifinais estão rolando, em sistema melhor-de-três. De um lado, o Rio de Janeiro encara o Brusque, e do outro, o Osasco enfrenta o São Caetano. Os quatro melhores times da liga se enfrentam para saber quem manda no voleibol feminino.


No confronto paulista, tivemos apenas um jogo, em Osasco, e o time da casa levou a melhor. Mas acham que foi fácil? Muito pelo contrário. A vitória foi de virada! O São Caetano levou o primeiro set (18/25), só para dar emoção ao confronto. Em seguida, levou um chocolate no segundo (25/14) e o time vermelho conseguiu a virada no terceiro (25/21). No quarto set, a disputa foi intensa; as equipes mantiveram-se empatadas o tempo todo, e, no finzinho, o Osasco conseguiu a vantagem de dois pontos (29/27) que sacramentou a vitória. O próximo jogo entre as equipes será no domingo (12/04), às 09:45, com transmissão da TV Globo.

Já no outro confronto, a emoção atingiu níveis ainda mais altos. Atual pentacampeão, o Rio de Janeiro veio com status de favorito, enquanto o Brusque pode estar dando adeus à Superliga, já que a Brasil Telecom não está mais interessada em patrocinar o time. Com isso, as equipes jogaram em altíssimo nível os dois jogos realizados até agora, e o confronto só será decidido na partida derradeira a ser realizada no próximo sábado (11/04), às 21:45 (com transmissão do Sportv), no Tijuca Tênis Clube.


O primeiro jogo, em Brusque, foi sensacional. O time da casa abriu dois sets de vantagem (28/26 e 25/21), e tudo dava a crer que estava com a vitória garantida. Mas, no terceiro set, as meninas de Bernardinho entraram em quadra como que possuídas, e arrasaram o time da casa (10/25). Sentindo o golpe, o time catarinense também perdeu o quarto set (23/25), e a partida foi para o desempate. Aí as meninas da casa colocaram a cabeça no lugar e conseguiram se acertar, vencendo o tie-break (15/7) e, consequentemente, a partida. Sensacionais 3 sets a 2. Mas a emoção não parava por aí.

O segundo jogo, realizado no Rio, era decisivo para o time da casa. Se perdesse, era adeus Superliga, adeus sonho do hexa. Assim como na partida anterior, as cariocas perderam os dois primeiros sets, que foram muito disputados (29/31 e 24/26). As catarinenses queriam encerrar o confronto de qualquer maneira. E foi assim, a um set da eliminação, que o Rio de Janeiro reuniu suas forças para reagir. De forma incontestável, venceu os dois sets seguintes, sem tomar conhecimento da equipe adversária (25/18 e 25/15) e novamente levou a partida para o tie-break. Se o Galvão Bueno estivesse narrando a partida, já teria exclamado uma centena de vezes: "Haaaaaaja coração, amigo!".


O fantasma do jogo anterior ameaçou pairar sobre as jogadoras do Rio, e uma certa apreensão estampava os rostos da torcida que lotava o ginásio do Tijuca. Mas dessa vez as comandadas de Bernardinho não deram chance para o azar (15/9) e garantiram o próximo jogo, também no Tijuca TC. Inacreditáveis 3 sets a 2.


Se tiver que arriscar um palpite para o confronto derradeiro, aposto em 3 a 2. Difícil é dizer quem ficará com a vaga na final.

rafs

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Recordar é viver - A bomba de Dallas

Dallas, 9 de julho de 1994.

Vinte anos após 1974, Brasil e Holanda voltaram a se encontrar em uma Copa do Mundo. E que jogo foi a batalha de Dallas, amigos! Que jogo! A Seleção estava jogando de azul, o Carrossel vestia branco. Tudo remetia ao trágico 2 a 0 de 20 anos atrás.

A tensão dominou o primeiro tempo, com muitas chances desperdiçadas tanto pelo escrete brasileiro quanto pelo carrossel holandês. Fomos para o intervalo com um 0 a 0 que mantinha toda a adrenalina em nossas veias. No 4 de julho, a Seleção havia passado um sufoco épico para eliminar os donos da casa. A expulsão de Leonardo, por agressão, dificultou enormemente o caminho do escrete. Mas aquela cotovelada foi necessária, amigos, e hoje descobrimos por quê.

Voltemos à batalha de Dallas. Ah, que segundo tempo! Os melhores 45 minutos de todo o campeonato mundial, ou talvez os melhores 45 minutos de todos os tempos! Aldair lança Bebeto com uma folha seca de príncipe etíope de rancho. O camisa 7 domina com uma facilidade esplêndida, e toca para o meio. Quem está lá, amigos, quem? Romário, sempre ele! De primeira, sem pensar, ele chuta a pelota para as redes holandesas: 1 a 0 para o escrete!

Depois, foi a vez de Bebeto: ganhou a disputa com o zagueiro, e apareceu cara a cara com o goleiro Ed de Goeij. Com um drible mágico, nosso camisa 7 tirou o arqueiro do lance. Depois, foi só empurrar para o arco escancarado: 2 a 0 para o escrete! Na comemoração, a bela homenagem ao filho Matheus.

"Estamos vingados de 1974", pensamos, possuídos por uma ingenuidade burra e total. Nos acalmamos demais, amigos. O jogo só acaba quando termina, e uma calma exagerada sempre precede uma catástrofe. Naquela manhã dominical de Hiroshima, em 1945, estavam os habitantes imbuídos da maior tranqüilidade, e a bomba hedionda explodiu, aniquilando a tudo e a todos. Falei em bomba, e voltarei ao assunto daqui a dois parágrafos.

Dizia eu que estávamos calmos demais: o 2 a 0 nos dava o direito de tomar um gol. E foi o que aconteceu: Dennis Bergkamp se aproveitou da desatenção brazuca, e descontou: 2 a 1. Agora, o escrete não tinha mais o direito de ser vazado. Se sofrêssemos mais um golpe, iríamos para a cruel prorrogação.

Então, surge o escanteio pela esquerda. Jogada mais previsível não há: os europeus sempre utilizaram a bola na área, o famoso chuveirinho. A bola é lançada na área, e Aron Winter cabeceia para o gol de Taffarel. Gol de empate da Holanda. Minha vontade era ir para a rua, sentar no meio-fio, e chorar lágrimas de esguicho. Vejam que patético: o Carrossel Holandês mais uma vez eliminaria o escrete da Copa. Seríamos, com razão, chamados de fregueses.

E então surge Branco, o lateral do Fluminense. Os desatentos logo perguntam: "opa, o que o Branco faz em campo? Ele está mal, o Leonardo é o titular!". Acontece, amigos, que Leonardo não podia mais jogar, porque agrediu um americano em pleno 4 de julho. A façanha do Léo merece uma crônica inteira: dar uma cotovelada em um estadunidense, em território norte-americano, em pleno 4 de julho, diante dos olhos de toda a nação, é de uma coragem inexcedível. Mas Leonardo estava iluminado, e mal sabia que aquele ato era necessário.

Leonardo foi expulso contra os EUA para que Branco pudesse entrar contra a Holanda. O lateral tricolor foi buscar uma bola perdida, e conseguiu cavar uma falta na sua distância preferida. O país inteiro parou: fomos todos tomados pela angústia que antecede os momentos apoteóticos. Chegou a hora da bomba! Mas não era uma bomba cruel e horrenda como a de Hiroshima: era a bomba santa! A bomba santa de Dallas!

O poderoso chute de canhota tinha destino certo, mas também possuía um obstáculo. Por acaso do destino, Romário estava entre a bola e o gol. Exibindo um contorcionismo espetacular, o Baixinho conseguiu desviar-se da trajetória da pelota. Após passar pelo camisa 11, aquele objeto esférico não pararia mais. Nunca mais! Rede estufada, gol do Brasil! Escrete 3, Carrossel 2. Assim terminou a histórica batalha de Dallas.

E o meu personagem do jogo? Só pode ser Branco, o lateral-esquerdo do Fluminense. Sim, amigos, Cláudio Ibrahim Vaz Leal saiu do banco para a glória: entrou para fazer o derradeiro e decisivo gol. Branco soltou a bomba que explodiu em Dallas, mas destruiu a Holanda. Depois dessa vitória fantástica, não tenho mais dúvidas: o tetra será nosso.

PC

Mengão nas oitavas

Pois é, meus amigos, o Flamengo passou sem dificuldades pelo Remo e está nas oitavas-de-final da Copa do Brasil, esperando o vencedor do confronto entre Paraná e Fortaleza.

O time Rubro-Negro fez um primeiro tempo sonolento, e o Azulino esbarrou nas suas limitações. Talvez o Mengão estivesse mesmo com a cabeça nas semifinais do Carioca, e o Leão mostrava porque está na situação atual.

Veio o segundo tempo, e Fierro entrou no lugar de Erick Flores. E entrou com muita vontade. O relógio não marcava nem dez minutos quando o chileno ganhou um escanteio na raça. Bola desviada duas vezes no meio do caminho, e Willians marcou seu primeiro gol usando o Manto Sagrado. Pouco mais tarde, o chileno puxou o contra-ataque que terminou com um toque de categoria do herói do Fla-Flu, Emerson. Dois a zero, e o Flamengo garantia a eliminação do Remo.

Aliás, é muito triste a situação do clube paraense: não está garantido nem na Série D, podendo encerrar a temporada 2009 no fim de semana, se perder para o Paysandu. A torcida azul, que dividiu o estádio com a torcida flamenguista, fez uma belíssima festa, e não merece estar nessa situação. Tomara que o Jairzinho (sim, o Furacão da Copa de 70) dê jeito no clube.

Como eu já previra, o time da Gávea jogou para o gasto, e a partida não teve mais nada de interesse. Talvez uma cabeçada explodindo na trave do goleiro Bruno. Interessante mesmo foi ver o golaço do Diego Souza na Ilha do Retiro, sacramentando a primeira derrota do Sport na temporada. Fogo de palha esse tal de Sport... chutou um monte de cachorros mortos, até venceu jogos importantes na própria Libertadores, mas eu já suspeitava que ia amarelar quando enfrentasse um grande clube brasileiro. O lance do Boi Bandido foi tão bonito que até postarei o vídeo aqui, quando conseguir.

Agora sim, foco total na primeira decisão em busca do tri. Que o presidente tricolor possa engolir suas palavras, assim como sofremos com as besterias proferidas pelo nosso ex-mandatário. E que a Nação invada o Mário Filho!

Saudações Rubro-Negras!

Gol do Willians:


Gol do Emerson:


Como prometido, os lances de Sport 0x2 Palmeiras:


rafs

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Pior do que xingar a mãe

Amigos, interrompi meu trabalho hoje à tarde para assistir à transmissão do Barcelona x Bayern, pelas quartas-de-final da Liga dos Campeões da UEFA. Valeu a pena, e como valeu a pena! O trio de ataque do Barcelona é assustador, convenhamos: Eto'o, Messi e Henry. Um time que pode contar com esses três atacantes já entra em campo numa tremenda vantagem psicológica. Um zagueiro que vai enfrentar tal linha de frente não consegue dormir na noite anterior: deve ter pesadelos constantes.

Examinemos o que aconteceu hoje no Camp Nou: Eto'o para Messi: 1 a 0 Barcelona. Messi para Eto'o: 2 a 0 Barcelona. Henry para Messi: 3 a 0 Barcelona. Messi para Henry: 4 a 0 Barcelona. Isso tudo apenas no primeiro tempo, tudo isso antes do intervalo! O que esse trio de ouro fez com a zaga do Bayern é pior do que xingar a mãe, amigos. Pior do que xingar a mãe!

O técnico Josep Guardiola também tem seus méritos. Um bom treinador precisa adaptar o seu esquema tático, de modo a poder escalar todos os craques possíveis. Um comandante covarde escalaria apenas dois dos três. Guardiola não: ele tem coragem, tem ousadia, e escala Henry, Messi e Eto'o, os três, juntos.

"E o personagem da quarta-feira?", me perguntam os ávidos leitores. Amigos, o personagem do jogo só pode ser o Lionel Messi, pois participou diretamente dos quatro gols. O craque argentino nasceu em Buenos Aires, mas é como o chinês da anedota: precisa de vinte para segurar. Como o Bayern só possuía onze, Messi deu show, e levou o Barça aos incríveis 4 a 0.

PC

Semana de Fla-Flu

Amigos, de vez em quando eu esbarro num rubro-negro desvairado. Ainda ontem, encontrei, no posto 6, o Walter Clark. Nunca vi ninguém tão Flamengo! Entre parênteses, Walter Clark é um homem que vive tropeçando em milhões. Tem um ar típico do garoto do Pedro II fazendo gazeta na Quinta da Boa Vista. Conta-se que ele arranca contratos de publicidade até em velórios, até em cemitérios. Pois bem: e o Walter Clark só pensa no Fla-Flu.

Assim que me viu, ele me arrastou para um canto. Conversamos na varanda da TV Rio, diante do mar. Um cálido sopro marinho devastou-lhe o chuca-chuca de menino prodígio. Simplesmente, ele queria falar da batalha das batalhas. Em cima dos seus sapatos, pôs-se a exaltar o Flamengo. E eu senti, desde o primeiro momento, que a sua euforia é inteiramente errada, inteiramente imprópria. Falta-lhe o sentimento trágico do Fla-Flu.
 
Com sua cara de garoto, cara de Mozart aos sete anos, ele faz-me a seguinte inconfidência: vai comemorar a vitória com busca-pé, desfile, bombinhas, fogos diversos. Comprou um automóvel branco, nupcial, imaculado, forrado de arminho. E esse carro de noiva vai puxar a passeata. Pensa, também, numa charanga wagneriana para dar o tom alto à comemoração. Eu ouço o Walter Clark e calo. Mas há qualquer coisa de suicida nessa alegria prévia. Amigos, sempre que vai estourar uma catástrofe, o ser humano cai num otimismo obtuso, pétreo e córneo. Foi assim, em Hiroshima, na manhã dominical da bomba. Nenhum presságio, nenhuma tensão, nada que turvasse a ternura da cidade. Pastores, senhoras, crianças e babás tinham a mesma inconsciência de um bodinho de charrete. E, de repente, há o clarão hediondo. 

Eis o que me pergunto: com as suas comemorações antecipadas, o Walter Clark não estará arranjando a sua Hiroshima particular? Todavia, esse estado de tensão dionisíaca não é apenas do jovem tubarão da publicidade. As reportagens descrevem a mesma euforia em todo o mundo rubro-negro. O treinador Flávio Costa está calmo, e repito: é a tal calma da catástrofe. Ao passo que todo o Fluminense sente, na carne e na alma, a angústia que anuncia as vitórias deslumbrantes.

Mas vejam a dupla experiência que está reservada ao Walter Clark: ele hoje canta a vitória rubro-negra, para domingo chorar a vitória tricolor. Foi assim também em 1919. Naquela ocasião, os eternos rivais quebraram lanças numa batalha gigantesca. Quarenta e quatro anos já rolaram depois disso. A cidade estava, como agora, cálida de Fla-Flu. Lembro que, no dia do jogo, alguém morreu na minha rua. E, no caixão, o defunto estava de cara amarrada, porque não ia ver o clássico eterno. Mas como eu ia dizendo: com o mesmo otimismo trágico do Walter Clark, o Flamengo preparou a apoteose. Quatro corneteiros, de casaca e esporas, esperavam, com os respectivos cavalos, o final do match.

E venceu o Fluminense. Creio que não existe, na história de um clube, nada que se compare ao nosso triunfo naquele Fla-Flu. Quatro a zero. Pode-se ter uma idéia da ira e frustração dos corneteiros. Os cavalos baixaram as orelhas desoladas, e mais pareciam tristíssimos jumentos. Assim aconteceu há 44 anos. E agora?

O profeta já anunciou: "Fluminense, campeão de 63!". Desta coluna, eu já fiz um apelo aos tricolores, vivos ou mortos. Ninguém pode faltar ao Maracanã domingo. Incluí os fantasmas na convocação, e explico: a morte não exime ninguém de seus deveres clubísticos. Em certos clássicos, cada adversário arrisca o passado, o presente e o futuro. Precisamos pensar nos títulos já possuídos. Ai do clube que não cultiva santas nostalgias. Com os torcedores de hoje e os fantasmas de velhíssimos triunfos: ganharemos o mais dramático Fla-Flu de todos os tempos.

Nelson Rodrigues, em O Globo de 13/12/1963. Os destaques em negrito são responsabilidade do blogueiro.

Comentário: impressionante a atualidade das crônicas do Profeta. Elas descrevem melhor os jogos atuais que os próprios cronistas de hoje. Impossível não se arrepiar ao ler o texto postado. Reforço a convocação: tricolores vivos e mortos, subam as rampas do Maracanã domingo!

PC

terça-feira, 7 de abril de 2009

Pré-Jogo - Remo x Flamengo


Alô, Nação Rubro-Negra! Amanhã o Flamengo viaja até Belém do Pará para enfrentar o Remo, no Estádio Mangueirão, pela segunda fase da Copa do Brasil. Vitória flamenga por dois ou mais gols de diferença garantem a vaga na próxima fase, sem a necessidade do jogo de volta.

Por falar em jogo de volta, este será, se preciso, realizado no Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, por conta de uma punição sofrida quando o Mengão disputou a Copa pela última vez.

Escalação

O Leão do Norte vem preocupado com os ataques rubro-negros pelas laterais; por isso, o técnico Artur Oliveira, o Rei Artur, deve optar pela entrada do volante Renan no lugar do lateral direito Levy. O time azulino deverá entrar em campo da seguinte maneira: Adriano, Ramon, San, Rogério Corrêa e Edinaldo; Beto, Marlon, Jaime e Toninho; Marcelo Maciel e Helinho. Técnico: Artur Oliveira.

Com a cabeça na semifinal do carioca, o time da Gávea poupará Léo Moura, Fábio Luciano, Ronaldo Angelim, Zé Roberto e Josiel. Jônatas se contundiu no último Fla-Flu e também não viajou para Belém. O time que o Mestre Cuquinha deve comandar é o seguinte: Bruno (Diego); Everton Silva, Welinton, Thiago Sales e Juan; Toró, Williams, Ibson e Kleberson; Erick Flores e Emerson (Obina). Técnico Dirceo Stival.

- Arbitragem:
Apita o jogo José Henrique de Carvalho (SP), auxiliado por Emerson Augusto de Carvalho (SP) e Dante Mesquita Júnior (SP).

- Transmissão:
O jogo será transmitido na TV aberta pela Globo e pela Band, e também pelas rádios Globo e Tupi.

- Ingressos:

Arquibancada: R$ 20,00 (R$ 10,00 a meia-entrada)
Cadeira lateral: R$ 40,00
Cadeira central: R$ 50,00

- Como chegar:

Se dirija ao Aeroporto Santos Dumont. O resto é contigo.

- Palpite:
Mengão joga paro o gasto; ganha por 2 a 0.

Esquenta - UEFA Champions' League

Amigos, essa semana temos novo assunto no blog: futebol europeu. Nessa semana, se iniciam os confrontos das quartas-de-final da Liga dos Campeões da Europa, o principal torneio de clubes do Velho Continente. E aqui neste post você encontrará as informações sobre os quatro confrontos que chamarão a atenção do planeta. A emoção começa na terça-feira. Os jogos serão às 15:45, horário de Brasília. Confira:

Manchester United x Porto
O atual campeão recebe o vencedor de 2004, no lendário Old Trafford, em Manchester. O treinador escocês Alex Ferguson conta com o talento do português Cristiano Ronaldo para manter a série invicta do Manchester United no torneio europeu, que já dura incríveis 21 jogos. Já o técnico português Jesualdo Ferreira promete manter o ousado esquema 4-3-3, mesmo jogando fora de casa. O meia brasileiro Anderson, que voltou lesionado do jogo da Seleção, desfalca o clube inglês. Com a camisa do clube português, dois brasileiros entram em campo: o goleiro Helton e o atacante Hulk. Em 2004, houve confronto entre os clubes, pelas oitavas-de-final. O Porto, que acabaria campeão, conquistou a vaga com um empate na Inglaterra.

Times prováveis:
Manchester United - Van der Sar; O'Shea, Vidic, Evans e Evra; Fletcher, Carrick, Cristiano Ronaldo e Giggs; Rooney e Tevez. Técnico: Alex Ferguson.
Porto - Helton; Sapunaru, Bruno Alves, Rolando e Cissokho; Fernando, Raul Meireles e Lucho González; Cristian Rodríguez, Lisandro López e Hulk. Técnico: Jesualdo Ferreira.
Trio de arbitragem (da Áustria) - Konrad Plautz, auxiliado por Bernhard Zauner e Armin Eder.

Villarreal x Arsenal
As duas equipes revivem a inesquecível semifinal de 2006, quando o Arsenal passou à final. O jogo será no estádio El Madrigal, campo do clube espanhol. Na equipe de Londres, o destaque é a presença do craque espanhol Cesc Fábregas, que está voltando de longo período lesionado. No lado do Submarino Amarelo, o brasileiro Marcos Senna volta à equipe, mas o meia Santi Cazorla, fraturado, será desfalque. Cani e Ibagaza brigam pela vaga aberta no time titular.

Times prováveis:
Villarreal - Diego López; Venta, Gonzalo, Godín e Capdevilla; Eguren, Marcos Senna, Ibagaza (Cani) e Pires; Nihat e Rossi. Técnico: Manuel Pellegrini.
Arsenal - Almunia; Sagna, Touré, Gallas e Clichy; Song, Denílson, Fábregas e Walcott; Adebayor e Bendtner. Técnico: Arsene Wenger.
Trio de arbitragem (da Noruega) - Tom Henning Ovrebo, auxiliado por Geir Age Holen e Dag-Roger Nebben.

A emoção continua na quarta-feira, também com jogos às 15:45 de Brasília. Confira:

Barcelona x Bayern München
O jogo ocorrerá no Camp Nou, em Barcelona. O principal desfalque da equipe alemã é o zagueiro brasileiro Lúcio, lesionado. O atacante Miroslav Klose segue fora da equipe, mas Luca Toni voltou na última rodada da Bundesliga, e estará à disposição do técnico Jürgen Klinsmann. O diretor do Bayern, Karl-Heinz Rummenigge, disse que o clube tem que se recuperar rapidamente da humilhante derrota sofrida diante do Wolfsburg, por 5 a 1. Já o Barça joga completo diante da sua torcida, que já esgotou os ingressos.

Times prováveis:
Barcelona - Valdés; Daniel Alves, Piqué, Rafa Márquez e Puyol; Xavi Hernández, Iniesta e Touré; Messi, Eto'o e Henry. Técnico: Josep Guardiola.
Bayern München - Butt; Lell (Oddo), Demichelis, Breno (Van Buyten) e Philipp Lahm; Schweinsteiger, Altintop, Van Bommel, Zé Roberto e Ribery (Podolski); Luca Toni. Técnico: Jürgen Klinsmann.
Trio de arbitragem (da Inglaterra) - Howard Webb, auxiliado por Darren Cann e Philip Sharp.

Liverpool x Chelsea
O clássico inglês será jogado em Anfield Road, estádio do Liverpool. É a reedição da semifinal do ano passado, vencida pelo Chelsea. Os azuis demitiram Felipão porque ele não venceu nenhum clássico. Vamos ver se agora, sem ele, conseguem triunfar contra um grande rival. No Liverpool, que persegue também o título inglês, destaque para o capitão Steven Gerrard, que lidera a equipe mais copeira da Europa.

Times prováveis:
Liverpool - Reina; Arbeloa, Carragher, Skrtel e Dossena; Gerrard, Lucas, Xabi Alonso e Riera; Fernando Torres e Kuyt. Técnico: Rafa Benítez.
Chelsea - Cech; Bosingwa, Ricardo Carvalho, Terry e Ashley Cole; Essien, Ballack, Lampard e Malouda; Drogba e Anelka. Técnico: Guus Hiddink.
Trio de arbitragem (da Dinamarca) - Claus Bo Larsen, auxiliado por Henrik Sonderby e Andres Norrestrand.

As partidas de volta das quartas-de-final serão realizadas na semana que vem. A finalíssima da Liga dos Campeões será no dia 27 de maio de 2009, em partida única, no Stadio Olimpico, em Roma.

PC

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Venda de ingressos para o Fla-Flu


Amigos, começa nesta terça-feira a venda de ingressos para o Fla-Flu de domingo (16h), válido pela semifinal da Taça Rio. A carga posta à venda é de 67.709 bilhetes. O ingresso mais barato é para a cadeira comum: R$ 20,00 (inteira) ou R$ 10 (meia-entrada). A arquibancada (verde, amarela ou branca) custa R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). Uma cadeira especial sai por R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia).

O horário de venda em todos os dias é entre 9h e 17h. No sábado, as bilheterias do Maracanã não venderão bilhetes para o Fla-Flu, por causa da outra semifinal (Vasco x Botafogo).

Pontos de venda:
- Bilheteria de Laranjeiras (sede do Fluminense FC).
- Bilheteria da Gávea (sede do CR Flamengo).
- Bilheteria 8 do Maracanã (exceto no sábado).
- Bilheteria do São Cristóvão FR.
- Parque Terra Encantada (Av. Ayrton Senna, 2800 - Barra da Tijuca - horários: de segunda a quinta de 11h às 17h; sexta de 9h às 13h; e sábado das 10h às 13h).

PC

Golaço - Ibrahimgrafite


O brasileiro Grafite, do Wolfsburg, fez um golaço ao estilo do sueco Ibrahimovic, na goleada sobre o Bayern de Munique (5 a 1), nesse fim de semana. Assista ao show:





Com a palavra, o artista Grafite, que "rabiscou" a defesa bávara: