Amigos, chego em casa do Maracanã, após a vitória de 3 a 0 do Fluminense sobre o Resende, e já me ligam perguntando quem terá sido o personagem do jogo. "Foi o Tartá", vocifera um grande amigo. "Entrou para mudar o jogo!". Ele tem toda a razão: o Tricolor deve a vitória ao Tartá, que mais uma vez jogou muito bem. Já outro exige que seja René Simões, o técnico pó-de-arroz. "Ele acertou nas substituições!". Verdade, acertou. Porém, acertar nas substituições significa errar na escalação. As entradas de Tartá e Maicon foram acertadíssimas, sim. Mas René teria muito mais mérito se os tivesse escalado como titulares. Caro treinador do mais amado do Brasil: errar é humano, mas persistir no erro é burrice. Se o menino Tartá não começar jogando contra o Duque de Caxias, me sentirei na obrigação de questionar o seu trabalho. Uma amiga me escreve dizendo que o personagem do sábado foi ela mesma. Argumenta que não foi aos primeiros jogos, e que seu pé quente foi o responsável pelo triunfo de hoje. Pode ser, mas isso não a eleva à categoria de personagem da partida. "Então quem é o ilustre?", perguntam vocês.
O meu ilustre personagem se chama Luiz Antônio. Nome completo, para não deixar dúvidas: Luiz Antônio Silva dos Santos. Foi só recomeçar o futebol tupiniquim, e já apareceu de novo o juiz-ladrão. Amigos, o que esse soprador de apito fez no primeiro tempo foi inacreditável. A primeira trapalhada foi em lance do atacante Roger, camisa 9 tricolor. Ele chegou à bola antes de zagueiro e goleiro, e foi claramente derrubado dentro da área. E o juiz deu escanteio. Ah, Luiz Antônio...
Porém, a chance de Luiz Antônio se redimir do erro veio logo em seguida. O zagueiro tricolor Edcarlos cabeceia, e um jogador do Resende corta a bola com a mão. Pênalti? Não para o Luiz Antônio. A jogada segue, e o volante tricolor Fabinho faz uma falta que passaria despercebida, se o Luiz Antônio não tivesse expulsado o camisa 8 pó-de-arroz. Sim, após deixar de marcar dois pênaltis clamorosos a favor do Fluminense, ele ainda expulsou injustamente um dos onze tricolores. Tudo isso em apenas quarenta e cinco minutos.
Abre parêntese para uma observação. Juízes são seres humanos, passíveis de errar, como eu e você erramos de vez em quando. O que me estranha nesses jogos do Campeonato Carioca é que os erros são repetidos, e sempre contra o mesmo time durante um jogo. Juízes normais erram para os dois lados. Os do Carioca, não. Na primeira rodada, o Friburguense foi prejudicado diante do Flamengo. Escandalosamente prejudicado, diga-se de passagem. Na segunda rodada, o mesmo Flamengo teve dois pênaltis inexistentes assinalados a seu favor, contra o Bangu. Já no primeiro tempo de Fluminense x Resende, o senhor Luiz Antônio parecia estar em uma cruzada contra o Fluminense e a favor do Resende... Fecha parêntese.
A torcida tricolor presente no Maracanã, então, se fez ouvir. Gritos unânimes de "ladrão", "vai morrer" e "Márcio Braga deu dinheiro pra você" ecoaram no Maior do Mundo. Luiz Antônio, ilustre personagem do sábado, teve que pedir escolta policial para descer aos vestiários. As ameaças da torcida tricolor fizeram efeito na mente de Luiz Antônio. Parecia até outro juiz o do segundo tempo! Aos 20 minutos, Bruno Leite, do Resende, fez falta dura no tricolor Jailton. Lance para cartão amarelo. E não é que Luiz Antônio tentou compensar seus erros do primeiro tempo, expulsando o pobre coitado do Bruno Leite?
Dez contra dez, pesou a maior experiência do Fluminense, além das já citadas substituições de René. Com gols de Luiz Alberto, Maicon e Leandro Bonfim, veio a primeira vitória do Fluminense. Que fique bem claro: a vitória veio, apesar da arbitragem ridícula do Luiz Antônio. Dois gritos dominaram a saída do Maracanã. O primeiro deles, de "ladrão", direcionado ao meu personagem do sábado. O segundo deles, eu explico no último parágrafo.
Antes disso, preciso deixar bem claro que as arbitragens tendenciosas dessa primeira semana me levam a começar a acreditar que o campeonato está sendo manipulado para que o Flamengo se sagre campeão. Aguardemos mais um pouco antes de acusações formais. Mas não posso negar que minha mente de apostador está exigindo que eu aposte alto no tri rubro-negro. E infelizmente isso não se deve a méritos em campo.
Agora, sim, posso explicar o segundo grito que dominou a saída dos torcedores do Fluminense do Estádio Mário Filho. "Thiago vai voltar!". Sim, amigos, o melhor camisa 10 dos últimos tempos vestirá novamente tricolor. Thiago Neves vem aí, e o bicho vai pegar! Se cuidem, adversários!
PC
sábado, 31 de janeiro de 2009
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Empate insosso
Amigos, foi um jogo horrendo. Com menos fôlego que a Cabofriense, o Madureira não soube se aproveitar da falta de preparo físico do Fluminense. O tricolor suburbano preferiu garantir o empate a tentar a vitória. E assim empatou mesmo.
Meu Fluminense poderia ter vencido, apesar do cansaço evidente. Porém, os atacantes não souberam aproveitar as chances criadas. Roger, nosso novo camisa 9, até fez boas jogadas, mas não parece ter faro de gol. Enquanto isso, nosso ex-centroavante vai estufando redes paulistas...
Que decepção ver um empate. Já dizia o profeta que o empate nada mais é que a derrota dupla. Pior ainda é o empate sem gols: o zero-a-zero deixa a impressão de que o jogo terminou sem ter começado. Dá vontade de pedir meus quinze reais da meia-entrada de volta.
Nas arquibancadas, o ora endeusado técnico René Simões já é bastante criticado. A torcida tricolor está mesmo decepcionada, mas talvez seja cedo demais para vaias e críticas. Vale o puxão de orelha: René, o Tartá não pode ficar no banco. Ele ainda não é um craque, mas muda o jogo quando entra.
Que o empate de ontem tenha sido a moldura para a vitória de sábado. Se o Resende não for derrotado no Maracanã, a Taça Guanabara já terá ido para o brejo. Aguardemos.
PC
Meu Fluminense poderia ter vencido, apesar do cansaço evidente. Porém, os atacantes não souberam aproveitar as chances criadas. Roger, nosso novo camisa 9, até fez boas jogadas, mas não parece ter faro de gol. Enquanto isso, nosso ex-centroavante vai estufando redes paulistas...
Que decepção ver um empate. Já dizia o profeta que o empate nada mais é que a derrota dupla. Pior ainda é o empate sem gols: o zero-a-zero deixa a impressão de que o jogo terminou sem ter começado. Dá vontade de pedir meus quinze reais da meia-entrada de volta.
Nas arquibancadas, o ora endeusado técnico René Simões já é bastante criticado. A torcida tricolor está mesmo decepcionada, mas talvez seja cedo demais para vaias e críticas. Vale o puxão de orelha: René, o Tartá não pode ficar no banco. Ele ainda não é um craque, mas muda o jogo quando entra.
Que o empate de ontem tenha sido a moldura para a vitória de sábado. Se o Resende não for derrotado no Maracanã, a Taça Guanabara já terá ido para o brejo. Aguardemos.
PC
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
A invenção do fair-play
Estive no Correão, em Cabo Frio, onde presenciei a derrota do Fluminense para a equipe local, na primeira rodada do Campeonato Carioca de 2009. Poderia escrever um texto sobre o jogo, mas este não merece mais que uma linha. A Cabofriense ganhou porque está mais bem preparada fisicamente. Estão treinando desde dezembro, enquanto os jogadores tricolores começaram sua preparação há quinze dias. Isso justifica os 3 a 1.
Vou falar de algo mais interessante: um relato precioso sobre um episódio da história do futebol, que foi enviado pelo Minoru, um dos sete leitores fiéis deste escriba. Trata-se da invenção do fair-play, o famoso "jogo limpo" pregado pela FIFA e pelos apreciadores do bom futebol ao redor do mundo. O jogo limpo foi inventado no Brasil, amigos! Melhor que isso: no Maracanã.
Transcorria um disputado Fluminense x Botafogo, pelo Torneio Rio-São Paulo, em 27 de março de 1960. Alguns dos maiores ídolos da história tricolor estavam em campo: Castilho, Pinheiro, Altair, Waldo e Telê, entre outros. O pó-de-arroz acabaria sendo o campeão do torneio. No lado do Botafogo, estava Garrincha, e somente isso já justificaria a presença dos 32.653 pagantes daquele jogo. Os dribles do Mané arrebatavam de emoção as multidões. Até os torcedores adversários se rendiam em aplausos.
Porém, nesse clássico-vovô de 1960, foi uma atitude louvável do Anjo das Pernas Tortas que chamou a atenção de todos. No início do segundo tempo, Pinheiro (do Fluminense) disputou uma bola com Quarentinha (do Botafogo), e caiu com distensão muscular. A bola sobrou limpa para Garrincha, que tinha o caminho livre para o gol. O que fez Garrincha, nesse momento sublime? Chutou a bola, de forma proposital, para a lateral, para que o zagueiro tricolor fosse atendido. O jornalista Mário Filho, nas tribunas, se empolgou: "é o Gandhi do futebol", exclamou ele.
O lance já teria sido belo e eterno se parasse por aqui. Porém, houve uma continuação épica, que mudaria para sempre o destino do futebol mundial. O tricolor Altair, encarregado da cobrança do lateral, simplesmente deixou a bola quicar. Ele percebeu que aquela posse de bola pertencia ao Botafogo, e não ao Fluminense. Assim, com esse gesto nobre, fez justiça com as próprias mãos. Todos no estádio entenderam a mensagem, e aplaudiram o lance.
Dessa forma, Garrincha e Altair inventaram o fair-play. O jogo terminou 2 a 2. "Tal partida não merecia produzir um perdedor", diz Ruy Castro, em seu livro 'Estrela Solitária - Um brasileiro chamado Garrincha'.
PC
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
2009 - o ano do tri
Amigos, estava escrito desde 40 minutos antes do nada: 2009 é o ano do nosso tri!
Explico minha visão: em 1970, Carlos Alberto Parreira era nosso preparador físico, e nós conquistamos nosso primeiro caneco nacional. Em 1984, com Parreira de técnico, veio o bi. Em 2009, o pé-de-uva está de volta, agora no cargo de consultor da Traffic, agindo como ponte entre a empresa e o Fluminense. E o óbvio ululante é que nós conquistaremos o tricampeonato.
Vale lembrar que, em 1999, na Série C, Parreira reapareceu, do alto da sua posição de campeão mundial, para nos conduzir de volta à elite.
O Tricolor estava apenas esperando o retorno triunfal do pé-de-uva, para novamente gritar "é campeão". Podem me cobrar no fim do ano: o pó-de-arroz será tricampeão.
PC
Explico minha visão: em 1970, Carlos Alberto Parreira era nosso preparador físico, e nós conquistamos nosso primeiro caneco nacional. Em 1984, com Parreira de técnico, veio o bi. Em 2009, o pé-de-uva está de volta, agora no cargo de consultor da Traffic, agindo como ponte entre a empresa e o Fluminense. E o óbvio ululante é que nós conquistaremos o tricampeonato.
Vale lembrar que, em 1999, na Série C, Parreira reapareceu, do alto da sua posição de campeão mundial, para nos conduzir de volta à elite.
O Tricolor estava apenas esperando o retorno triunfal do pé-de-uva, para novamente gritar "é campeão". Podem me cobrar no fim do ano: o pó-de-arroz será tricampeão.
PC
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Fluminense x Bangu de 1985
Amigos, ao Bangu bastava o empate. Ao Tricolor, somente interessava a vitória. Este era o panorama da finalíssima do Campeonato Carioca de 1985. 88172 pagantes se espremiam nas arquibancadas, cadeiras e gerais do Estádio Mario Filho, naquela noite de dezoito de dezembro de 1985.
O alvi-rubro comandado pelo técnico Moisés havia perdido, meses antes, a final do Campeonato Brasileiro, para o Coritiba, nos pênaltis. Era, portanto, um dos melhores times do país. Infelizmente, a decadência bangüense fez com que as equipes atuais não sejam nem sombra daquela da década de 80. O principal destaque do Bangu era o ponta-direita Marinho. Dono de um futebol moleque, cheio de dribles e com muita visão de jogo e espírito criativo, o camisa 7 desmontava qualquer esquema tático adversário.
E o que dizer do Pó-de-arroz? O Fluminense tentava o seu terceiro tricampeonato. Em 1919, Bacchi trouxe o primeiro tri, decidindo o Fla-Flu no campo do Flamengo, na Rua Paissandu. Em 1938, o Tricolor somou mais pontos que o Flamengo de Leônidas da Silva, e veio o segundo tri. Em 1983 e 1984, os dois gols de Assis nos Fla-Flu's decisivos abriram o caminho para o terceiro tri. Faltava apenas a vitória sobre o Bangu.
O Flu de Nelsinho começou escalado com Paulo Victor; Beto, Vica, Ricardo e Renato; Jandir, Renê e Delei; Romerito, Washington e Tato. Os desfalques de Aldo, Branco e Assis davam ainda mais dramaticidade ao desafio do Flu. Na reserva, havia Paulinho. O camisa 16, que tinha o apoio da torcida pó-de-arroz, já declarara que sairia do Flu no ano seguinte, porque queria ser titular.
O Bangu do técnico Moisés, por sua vez, estava completo: Gilmar; Perivaldo, Jair, Oliveira e Baby; Israel, Airton e Mário; Marinho, Fernando Macaé e Ado. O alvi-rubro tinha que aproveitar a vantagem do empate, para acabar de vez com a história de que nadava, nadava e morria na praia.
O árbitro José Roberto Wright deu início à batalha, e aos quatro minutos aconteceu um duro golpe para o Fluminense. Em falta pela direita, Perivaldo cruzou na medida e Marinho acertou a cabeçada certeira: 1 a 0 Bangu. O Tricolor, que antes precisava de um gol, agora precisaria de dois. Para piorar as coisas no quadro pó-de-arroz, Tato sentiu lesão, e precisou ser substituído ainda no primeiro tempo. Paulinho, o camisa 16 festejado pelas arquibancadas, entrou em seu lugar.
No início do segundo tempo, o Bangu assustava com seus contra-ataques, puxados pelo talento de Marinho. Mas o arqueiro tricolor Paulo Victor saía bem do gol, e evitava os gols bangüenses. O Flu continuava atacando, empurrado pelos gritos de "Nense" que vinham das arquibancadas. Num lance duvidoso, um zagueiro do Bangu cortou um chute do tricolor Renê com o braço. O juiz Wright não deu o pênalti, para desespero de Romerito, que levou cartão amarelo por reclamação. A torcida invocava o Papa João Paulo II, já começando a ficar desesperada. "A bênção, João de Deus..." Deu certo, porque veio o gol de empate. Paulinho achou Romerito no meio da área, e o paraguaio mandou pras redes, aos 18 minutos do segundo tempo. Com o empate, faltava apenas um gol para o tri do Fluminense. Mas a meia-hora seguinte seria dramática...
A torcida tricolor continuava a incentivar, mas o embate estava difícil. Os gritos de "Nense" não pareciam suficientes para derrotar o Bangu de Castor de Andrade. "A bênção, João de Deus...", Washington chuta, mas Gilmar defende! O técnico Nelsinho e o médico Arnaldo Santiago rezavam no banco tricolor. Das arquibancadas vinha o constante "Nense, Nense, Nense"! E o ataque pela direita acaba na trave! Dividida pelo alto na entrada na área, e falta de Jair em Washington. Pronto, ali estava a grande chance do tri! 31 do segundo tempo, Paulinho na bola. "A bênção, João de Deus...". Esse é o momento da foto que ilustra este texto.
A trajetória da bola foi perfeita: o destino foi o ângulo direito de Gilmar, que nem se mexeu. Nem adiantaria se mexer, aquele chute era indefensável. Foi o gol do tri! O terceiro tri! Foi de Paulinho, o herói que veio do banco, justo ele que sairia do clube por estar insatisfeito na reserva!

No fim, Cláudio Adão, que entrara no Bangu, com uma folhinha de arruda sobre a orelha, invadiu a área e caiu. Os bangüenses cercaram José Roberto Wright, esquecendo-se que ele já não marcara um pênalti para o Flu. Não houve alternativa: o juiz teve que encerrar o jogo. Explosão de alegria nas arquibancadas, gerais e cadeiras!
Essa foi a história de como o Fluminense se sagrou, pela terceira vez, tricampeão estadual. O personagem do jogo? Poderia destacar todos os tricolores, do goleiro ao ponta-esquerda. Mas é claro que o grande nome foi Paulinho. Do banco para a glória, esta foi a trajetória de Paulinho no Fluminense x Bangu de 1985.
Saudações Tricolores!
PC
Matéria do Globo Esporte:
Os melhores momentos do segundo tempo, incluindo os dois gols do Fluminense e os dois lances polêmicos:
domingo, 4 de janeiro de 2009
O estádio das Laranjeiras
Amigos, feliz ano novo! Que 2009 seja um ótimo ano para vocês, caros leitores! Meu primeiro texto do ano se refere a futebol, Fluminense, Seleção Brasileira e história. Se esses assuntos chamam a sua atenção, siga em frente, por favor.
A primeira notícia impactante do ano, para nós tricolores, tem um lado bom e um lado ruim. Parece que o presidente do clube, senhor Roberto Horcades, finalmente enxergou que o futebol profissional precisa de estrutura. Assim sendo, tomou a sábia decisão de transferir os treinamentos do Fluminense para o CT de Xerém. O recente sucesso do São Paulo FC, dono do melhor centro de treinamento entre os grandes clubes brasileiros, mostra que "estrutura" é a palavra-chave para quem quiser ser bem sucedido no futebol de hoje. E estrutura é coisa que a aristocrática sede das Laranjeiras não tem como fornecer. Portanto, nesse aspecto, o presidente merece aplausos, pois tomou uma decisão corretíssima.
Porém, a boa notícia traz junto de si um anúncio desagradável. O plano de Horcades é demolir o estádio das Laranjeiras, construindo no lugar uma área de lazer e estacionamento. Concordo que a área pode ser bastante útil para esses fins. Porém, sou obrigado a defender a história do futebol brasileiro. Aquele estádio, amigos, foi o primeiro do Brasil. Foi ali que a hoje consagrada Seleção Brasileira conquistou seu primeiro título - o Sul-Americano de 1919. Esse exemplo de pioneirismo do Fluminense não pode ser simplesmente demolido, dando lugar a "uma área de lazer e estacionamento". Na minha humilde opinião, o estádio ficaria lá. Com uma boa reforma (ela é necessária, conforme mostram as recentes fotos que ilustram esse post), ele poderia inclusive sediar jogos de menor importância e treinos recreativos dos profissionais.
OK, talvez não valha a pena manter o estádio. Talvez seja caro demais. Nesse caso, por que não construir no local o Museu do Fluminense? Esta é a humilde sugestão deste tricolor nato, confesso e hereditário. O que eu não consigo aceitar é a destruição de parte da história para a mera construção de uma área de lazer e estacionamento.
PC
A primeira notícia impactante do ano, para nós tricolores, tem um lado bom e um lado ruim. Parece que o presidente do clube, senhor Roberto Horcades, finalmente enxergou que o futebol profissional precisa de estrutura. Assim sendo, tomou a sábia decisão de transferir os treinamentos do Fluminense para o CT de Xerém. O recente sucesso do São Paulo FC, dono do melhor centro de treinamento entre os grandes clubes brasileiros, mostra que "estrutura" é a palavra-chave para quem quiser ser bem sucedido no futebol de hoje. E estrutura é coisa que a aristocrática sede das Laranjeiras não tem como fornecer. Portanto, nesse aspecto, o presidente merece aplausos, pois tomou uma decisão corretíssima.
Porém, a boa notícia traz junto de si um anúncio desagradável. O plano de Horcades é demolir o estádio das Laranjeiras, construindo no lugar uma área de lazer e estacionamento. Concordo que a área pode ser bastante útil para esses fins. Porém, sou obrigado a defender a história do futebol brasileiro. Aquele estádio, amigos, foi o primeiro do Brasil. Foi ali que a hoje consagrada Seleção Brasileira conquistou seu primeiro título - o Sul-Americano de 1919. Esse exemplo de pioneirismo do Fluminense não pode ser simplesmente demolido, dando lugar a "uma área de lazer e estacionamento". Na minha humilde opinião, o estádio ficaria lá. Com uma boa reforma (ela é necessária, conforme mostram as recentes fotos que ilustram esse post), ele poderia inclusive sediar jogos de menor importância e treinos recreativos dos profissionais.
OK, talvez não valha a pena manter o estádio. Talvez seja caro demais. Nesse caso, por que não construir no local o Museu do Fluminense? Esta é a humilde sugestão deste tricolor nato, confesso e hereditário. O que eu não consigo aceitar é a destruição de parte da história para a mera construção de uma área de lazer e estacionamento.
PC
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Meu personagem do ano
Amigos, neste meu último texto de 2008 escolherei o meu personagem do ano. Há muitas opções, claro. Afinal, 365 dias são suficientes para consagrar dezenas de personagens. Poderiam ser eleitos Hamilton ou Massa, que disputaram o campeonato da Fórmula 1 até a última curva da última corrida. Os nossos medalhistas de ouro - César Cielo, Maurren Maggi e seleção feminina de vôlei - também fizeram por merecer a honra. O americano Michael Phelps, o jamaicano Usain Bolt e a bela russa Yelena Isinbayeva também tiveram um ano espetacular. No futebol, tivemos Cristiano Ronaldo, Rooney, Lampard, Messi, Thiago Silva, Thiago Neves, Guerrón, Cevallos. Mas não, meu personagem do ano ainda não foi citado.
Meu personagem de 2008 sorriu e chorou. Acima de tudo, ele sonhou. Trata-se da torcida tricolor. Há os que me chamarão de parcial. Para respondê-los, cito o profeta Nelson: "O ser humano é capaz de tudo, até de uma boa ação. Não é, porém, capaz da imparcialidade. Só acredito na isenção do sujeito que declarar que a própria mãe é vigarista". Sou parcial, sim: despudoradamente parcial. Eu sou, e vocês também são.
Amigos, o que a torcida tricolor fez esse ano foi demais. Há 23 anos, aguardávamos nossa volta à Libertadores. Melhor, a Libertadores aguardava a nossa volta. E que retorno épico e glorioso! No dia em que o pó-de-arroz - nosso símbolo máximo - voltou às arquibancadas, a festa foi perfeita: 6 a 0 no Arsenal de Sarandí. Toda aquela espera valeu a pena: show no campo e show na arquibancada! Os espetáculos proporcionados pela torcida tricolor continuaram, conforme passavam os jogos do Campeonato Carioca e da própria Libertadores.
Até que chegou o grande dia da torcida tricolor: 21 de maio de 2008. Pela Libertadores, Fluminense e São Paulo digladiavam em campo, num daqueles jogos eternos. Os paulistas tinham a vantagem do resultado, pois haviam vencido no Morumbi por 1 a 0. Mas o Fluminense tinha a vantagem numérica! Éramos 70 mil fanáticos, dispostos a vencer ou perecer! Naquele dia, ou melhor, naquela noite, nós não saímos do Maracanã apenas roucos. Nós saímos roucos e surdos. Jamais na história uma torcida teve tamanha influência no destino da batalha. O poderoso São Paulo, tricampeão e tudo, não suportou a pressão e sucumbiu aos 47 do segundo tempo. Foi inesquecível.
Houve ainda os espetáculos contra Boca Juniors e LDU, com demonstrações de amor e fé inabaláveis. O troféu não veio, mas não há dúvidas de que a torcida tricolor o merecia. E ainda há de conquistá-lo. Pois, citando novamente o profeta: "Uma torcida não vale a pena pela sua expressão numérica. Ela vive e influi no destino das batalhas pela força do sentimento. E a torcida tricolor leva um imperecível estandarte de paixão".
Para completar a justificativa de minha escolha do personagem do ano, apresento dados numéricos. A média de público do Fluminense na Libertadores foi de 49.011 pagantes por jogo. Amigos, trata-se da maior média da história do torneio. Os idiotas da objetividade ainda me dizem: mas torcida não ganha jogo. Saibam eles que o Tricolor venceu todos os seus sete jogos no Maracanã. As outras torcidas podem não ganhar. Mas nós, amigos... nós ganhamos! E é por isso que eu escolhi a torcida tricolor como o meu personagem do ano de 2008.
PC
Meu personagem de 2008 sorriu e chorou. Acima de tudo, ele sonhou. Trata-se da torcida tricolor. Há os que me chamarão de parcial. Para respondê-los, cito o profeta Nelson: "O ser humano é capaz de tudo, até de uma boa ação. Não é, porém, capaz da imparcialidade. Só acredito na isenção do sujeito que declarar que a própria mãe é vigarista". Sou parcial, sim: despudoradamente parcial. Eu sou, e vocês também são.
Amigos, o que a torcida tricolor fez esse ano foi demais. Há 23 anos, aguardávamos nossa volta à Libertadores. Melhor, a Libertadores aguardava a nossa volta. E que retorno épico e glorioso! No dia em que o pó-de-arroz - nosso símbolo máximo - voltou às arquibancadas, a festa foi perfeita: 6 a 0 no Arsenal de Sarandí. Toda aquela espera valeu a pena: show no campo e show na arquibancada! Os espetáculos proporcionados pela torcida tricolor continuaram, conforme passavam os jogos do Campeonato Carioca e da própria Libertadores.
Até que chegou o grande dia da torcida tricolor: 21 de maio de 2008. Pela Libertadores, Fluminense e São Paulo digladiavam em campo, num daqueles jogos eternos. Os paulistas tinham a vantagem do resultado, pois haviam vencido no Morumbi por 1 a 0. Mas o Fluminense tinha a vantagem numérica! Éramos 70 mil fanáticos, dispostos a vencer ou perecer! Naquele dia, ou melhor, naquela noite, nós não saímos do Maracanã apenas roucos. Nós saímos roucos e surdos. Jamais na história uma torcida teve tamanha influência no destino da batalha. O poderoso São Paulo, tricampeão e tudo, não suportou a pressão e sucumbiu aos 47 do segundo tempo. Foi inesquecível.
Houve ainda os espetáculos contra Boca Juniors e LDU, com demonstrações de amor e fé inabaláveis. O troféu não veio, mas não há dúvidas de que a torcida tricolor o merecia. E ainda há de conquistá-lo. Pois, citando novamente o profeta: "Uma torcida não vale a pena pela sua expressão numérica. Ela vive e influi no destino das batalhas pela força do sentimento. E a torcida tricolor leva um imperecível estandarte de paixão".
Para completar a justificativa de minha escolha do personagem do ano, apresento dados numéricos. A média de público do Fluminense na Libertadores foi de 49.011 pagantes por jogo. Amigos, trata-se da maior média da história do torneio. Os idiotas da objetividade ainda me dizem: mas torcida não ganha jogo. Saibam eles que o Tricolor venceu todos os seus sete jogos no Maracanã. As outras torcidas podem não ganhar. Mas nós, amigos... nós ganhamos! E é por isso que eu escolhi a torcida tricolor como o meu personagem do ano de 2008.
PC
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Retrospectiva Esportiva 2008 - parte II
Continuando a retrospectiva esportiva de 2008, ainda falando dos Jogos Olímpicos de Pequim, vou agora comentar os destaques (positivos e negativos) entre os atletas brasileiros. Nosso país conseguiu um número recorde de medalhas, alguns tabus foram quebrados, mas também houve decepção. Vamos começar pelas coisas boas.
Como destaques positivos podemos destacar as inéditas medalhas individuais femininas, começando com o bronze da judoca Ketleyn Quadros, passando pelo bronze de Natália Falavigna no Tae-Kwon-Do, e chegando finalmente no ouro de Maurren Maggi no salto em distância. Esse ouro, aliás, veio como redenção após um período de trevas na vida da atleta, acusada de doping e afastada das pistas por dois anos, ficando ausente dos Jogos anteriores. Quem também se redimiu foram as meninas do vôlei feminino, após uma derrota impressionante nos Jogos de Atenas, elas deram a volta por cima e faturaram a medalha de ouro desta vez.
Outro destaque positivo foi a prata obtida pela seleção feminina de futebol. Tudo bem, vai, podia ter sido melhor, mas as meninas lutaram muito até o fim, e no seu único vacilo, as americanas transformaram o sonho em pesadelo. Mas como reclamar de um time que lutou, brigou, e cujo esporte não tem nenhum apoio? Essa prata teve gosto de ouro, tanto que, finalmente, foi criado um campeonato decente de futebol feminino no Brasil. Plagiando o Profeta Tricolor, “o Brasil foi o melhor time; se os fatos dizem o contrário, pior para os fatos”.
Mais destaques positivos: a medalha inédita das belas Fernanda Oliveira e Isabel Swann na vela. Pioneirismo total. E por falar em vela, outro destaque foi Robert Scheidt (junto com Bruno Prada). Ok, ok, também não foi ouro. Mas o cara mudou de categoria e continua entre os primeiros! É um gênio do esporte. E o que falar da atuação de César Cielo? Uma medalha de bronze e uma espetacular medalha de ouro, a primeira da natação nas Olimpíadas. Nem os monstros Fernando Scherer e Gustavo Borges alcançaram o feito. Sensacional!
Chegou a hora então de falar o que decepcionou nos Jogos. E olha que a lista é grande... vou começar pelo futebol masculino. Não posso dizer que a medalha de bronze é decepção total, ainda mais depois da entrevista que vi do grande Carlos Alberto Parreira, onde afirmou que a preparação do Brasil para a disputa das Olimpíadas foi nenhuma. Verdade pura. Como pode um time que não se preparou aspirar à medalha de ouro? Não pode. A decepção, portanto, foi a preparação do time para os Jogos de Pequim. Se continuarmos nesse rumo, o Ouro Olímpico continuará fora das prateleiras da CBF...
E o basquete? Feminino, é claro, porque o masculino não sabe o que é ir às Olimpíadas faz tempo... pior desempenho da história!
Outra decepção foi o vôlei de praia. No feminino, nem fomos ao pódio. Fato inédito desde a introdução do esporte nos Jogos Olímpicos. No masculino, éramos os maiores favoritos ao ouro, mas acabamos ficando com prata e bronze. Decepção total? Claro que não! Mas era um daqueles ouros certos, e que acabou escapando. E por falar em ouro certo, outra decepção foi a seleção masculina de vôlei, que dominou tudo durante os últimos anos e acabou ficando apenas com a prata. Apenas... pois é, a gente acaba ficando mal-acostumado, né? O samba em Pequim (ainda bem que não apostei!) ficou mesmo por conta das meninas.
Outra grande decepção brazuca nos Jogos foi o atletismo. Tirando o ouro da Maurreen, nenhuma outra medalha! Impressionante! Duas grandes promessas decepcionaram bastante: Fabiana Murer, no salto com vara foi prejudicada pela organização e não conseguiu sua medalha. Lamentável a organização do Maior Evento do Esporte Mundial simplesmente perder o material de uma atleta!
E no salto triplo? Jadel Gregório era franco-favorito ao ouro, mas nem ao pódio ele foi. Neste caso, problemas extra-pista, brigas com técnicos, preparação abaixo do esperado, tudo isso fez com que nosso atleta fosse uma das grandes “medalhas garantidas que não vieram”.
Pra terminar esse assunto desagradável, falta a ginástica. Nenhuma medalha. No feminino, Jade Barbosa não conseguiu bons resultados e isso acabou culminando em acusações de que a federação não dá o devido tratamento às lesões das atletas. Mas a grande decepção foi a queda de Diego Hypólito.
De todas as medalhas de ouro que dávamos como certas, essa era a mais certa de todas. Mas aqui vale destacar algo muito importante: Em momento algum a imprensa ou torcida brasileira massacrou o atleta com críticas quanto ao seu desempenho. Talvez tenham sido comovidos pelas lágrimas dele em rede nacional, se desculpando com o povo brasileiro; ou então por entender que foi uma fatalidade, que pode ocorrer com qualquer um a qualquer momento, e que escolheu justamente o momento mais importante para acontecer; ou ainda por reconhecer que a série que ele apresentava era, de longe, a melhor dentre todas as outras e que, se não fosse aquela queda, ele ganharia fácil, fácil. Mas está aí, então, um destaque positivo: a reação popular, ao contrário do que aconteceu, por exemplo, com a seleção masculina de futebol.
Espero não ter esquecido de nada. Ainda vou falar mais das Olimpíadas e dos demais fatos esportivos de 2008 que merecem destaque, mas isso deve ficar só para o ano que vem. Mas podem relaxar, que isso é só daqui a alguns dias. E podem ficar tranqüilos, que o post sobre as musas está a caminho.
Feliz 2009
rafs
Como destaques positivos podemos destacar as inéditas medalhas individuais femininas, começando com o bronze da judoca Ketleyn Quadros, passando pelo bronze de Natália Falavigna no Tae-Kwon-Do, e chegando finalmente no ouro de Maurren Maggi no salto em distância. Esse ouro, aliás, veio como redenção após um período de trevas na vida da atleta, acusada de doping e afastada das pistas por dois anos, ficando ausente dos Jogos anteriores. Quem também se redimiu foram as meninas do vôlei feminino, após uma derrota impressionante nos Jogos de Atenas, elas deram a volta por cima e faturaram a medalha de ouro desta vez.
Outro destaque positivo foi a prata obtida pela seleção feminina de futebol. Tudo bem, vai, podia ter sido melhor, mas as meninas lutaram muito até o fim, e no seu único vacilo, as americanas transformaram o sonho em pesadelo. Mas como reclamar de um time que lutou, brigou, e cujo esporte não tem nenhum apoio? Essa prata teve gosto de ouro, tanto que, finalmente, foi criado um campeonato decente de futebol feminino no Brasil. Plagiando o Profeta Tricolor, “o Brasil foi o melhor time; se os fatos dizem o contrário, pior para os fatos”.
Mais destaques positivos: a medalha inédita das belas Fernanda Oliveira e Isabel Swann na vela. Pioneirismo total. E por falar em vela, outro destaque foi Robert Scheidt (junto com Bruno Prada). Ok, ok, também não foi ouro. Mas o cara mudou de categoria e continua entre os primeiros! É um gênio do esporte. E o que falar da atuação de César Cielo? Uma medalha de bronze e uma espetacular medalha de ouro, a primeira da natação nas Olimpíadas. Nem os monstros Fernando Scherer e Gustavo Borges alcançaram o feito. Sensacional!
Chegou a hora então de falar o que decepcionou nos Jogos. E olha que a lista é grande... vou começar pelo futebol masculino. Não posso dizer que a medalha de bronze é decepção total, ainda mais depois da entrevista que vi do grande Carlos Alberto Parreira, onde afirmou que a preparação do Brasil para a disputa das Olimpíadas foi nenhuma. Verdade pura. Como pode um time que não se preparou aspirar à medalha de ouro? Não pode. A decepção, portanto, foi a preparação do time para os Jogos de Pequim. Se continuarmos nesse rumo, o Ouro Olímpico continuará fora das prateleiras da CBF...
E o basquete? Feminino, é claro, porque o masculino não sabe o que é ir às Olimpíadas faz tempo... pior desempenho da história!
Outra decepção foi o vôlei de praia. No feminino, nem fomos ao pódio. Fato inédito desde a introdução do esporte nos Jogos Olímpicos. No masculino, éramos os maiores favoritos ao ouro, mas acabamos ficando com prata e bronze. Decepção total? Claro que não! Mas era um daqueles ouros certos, e que acabou escapando. E por falar em ouro certo, outra decepção foi a seleção masculina de vôlei, que dominou tudo durante os últimos anos e acabou ficando apenas com a prata. Apenas... pois é, a gente acaba ficando mal-acostumado, né? O samba em Pequim (ainda bem que não apostei!) ficou mesmo por conta das meninas.
Outra grande decepção brazuca nos Jogos foi o atletismo. Tirando o ouro da Maurreen, nenhuma outra medalha! Impressionante! Duas grandes promessas decepcionaram bastante: Fabiana Murer, no salto com vara foi prejudicada pela organização e não conseguiu sua medalha. Lamentável a organização do Maior Evento do Esporte Mundial simplesmente perder o material de uma atleta!
E no salto triplo? Jadel Gregório era franco-favorito ao ouro, mas nem ao pódio ele foi. Neste caso, problemas extra-pista, brigas com técnicos, preparação abaixo do esperado, tudo isso fez com que nosso atleta fosse uma das grandes “medalhas garantidas que não vieram”.
Pra terminar esse assunto desagradável, falta a ginástica. Nenhuma medalha. No feminino, Jade Barbosa não conseguiu bons resultados e isso acabou culminando em acusações de que a federação não dá o devido tratamento às lesões das atletas. Mas a grande decepção foi a queda de Diego Hypólito.
De todas as medalhas de ouro que dávamos como certas, essa era a mais certa de todas. Mas aqui vale destacar algo muito importante: Em momento algum a imprensa ou torcida brasileira massacrou o atleta com críticas quanto ao seu desempenho. Talvez tenham sido comovidos pelas lágrimas dele em rede nacional, se desculpando com o povo brasileiro; ou então por entender que foi uma fatalidade, que pode ocorrer com qualquer um a qualquer momento, e que escolheu justamente o momento mais importante para acontecer; ou ainda por reconhecer que a série que ele apresentava era, de longe, a melhor dentre todas as outras e que, se não fosse aquela queda, ele ganharia fácil, fácil. Mas está aí, então, um destaque positivo: a reação popular, ao contrário do que aconteceu, por exemplo, com a seleção masculina de futebol.
Espero não ter esquecido de nada. Ainda vou falar mais das Olimpíadas e dos demais fatos esportivos de 2008 que merecem destaque, mas isso deve ficar só para o ano que vem. Mas podem relaxar, que isso é só daqui a alguns dias. E podem ficar tranqüilos, que o post sobre as musas está a caminho.
Feliz 2009
rafs
Retrospectiva Esportiva 2008 - parte I

O final do ano é uma época repleta de tradições. Uma delas é a retrospectiva. Para não fugir do tradicional, vou, então, fazer uma série de posts-retrospectiva, voltados para o que aconteceu no mundo do esporte durante o ano de 2008. Bom, o mais importante fato esportivo do ano foram os Jogos Olímpicos de Pequim. Começarei por aqui então.
O primeiro post sobre esse tópico será dedicado aos grandes destaques dos Jogos Olímpicos, em âmbito internacional. Pretendo falar exclusivamente dos brazucas posteriormente.
Vamos começar pelo começo, ou melhor, pela abertura dos Jogos. Foi simplesmente fenomenal. Fenomenal, não, essa palavra traz más lembranças. Foi impressionante. A mistura de uma tradição e uma cultura milenares com a mais alta tecnologia fizeram um espetáculo belíssimo, que mostrou também a incrível capacidade do povo chinês de se organizar e realizar movimentos extremamente harmoniosos e precisos, tão precisos que poderiam ser atribuídos a máquinas. Mas o que importa mesmo são os esportes. Vamos a eles então.
Para mim, os Jogos de Pequim foram divididos em duas etapas, lideradas por dois grandes nomes, como dois impérios distintos, comandados por dois grandes reis. O primeiro império foi o das águas. O rei Micheal Phelps dominou a primeira semana dos Jogos, na sua luta para conquistar o maior número de medalhas de ouro em uma só edição das Olimpíadas. E os deuses do Olimpo o abençoaram com os louros dessa magnífica conquista. E como uma andorinha só não faz verão, Phelps teve ajuda preciosa de seus companheiros. Como não lembrar a épica prova do revezamento 4X100 livre, quando França e Estados Unidos disputavam braçada a braçada a prova? Como não lembrar o desempenho histórico de Jason Lezak, que conseguiu se recuperar e deixou Alain Bernard na segunda posição, desolado após uma não menos brilhante prova? E como não lembrar a reação mais do que eufórica do fenômeno, ou melhor, gênio das piscinas ao constatar a vitória de sua equipe, e sua própria, mantendo vivo o sonho dos oito ouros. Na verdade esse foi o único momento em que a conquista esteve ameaçada, já que as outras medalhas foram bem mais fáceis de serem conquistadas.
O segundo império foi o das pistas. Seu rei: o jamaicano Usain Bolt. O homem mais rápido da Terra. Ganhou também tudo o que podia nesses Jogos, e sem muito esforço! Foi impressionante sua chegada nos 100 metros, praticamente brincando para as câmeras. E batendo o recorde mundial!!! Aliás, se um dos deuses do Olimpo o representa com precisão, este deve ser Baco, o mais fanfarrão dos deuses, o Bolt sabe muito bem como chamar atenção para si. Cheio de marra e carisma, o jamaicano dominou a segunda metade dos Jogos Olímpicos de Pequim.
Ainda nas pistas, não posso deixar de citar a musa russa Yelena Isinbayeva. Não só pelo seu desempenho extraordinário, mas também pela sua estonteante beleza.
Mas muito mais aconteceu nessas Olimpíadas. Não só tivemos reis, mas muitas rainhas. E que rainhas... Em um dos posts futuros, recheado de fotos, pretendo escrever sobre todas seguidoras de Afrodite que participaram dos Jogos.
Abraços e Feliz 2009!
rafs
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
O Fla-Flu de 1983
Disputavam o triangular final do Campeonato Carioca Fluminense, Flamengo e Bangu. O Tricolor empatara com o Bangu no primeiro jogo, uma semana antes: 1 a 1. Uma vitória praticamente levaria o troféu para Álvaro Chaves. Um empate ou uma derrota deixariam a decisão do título para Flamengo e Bangu.
83.713 fanáticos escorriam pelas paredes do Estádio Mário Filho. Os vivos, os doentes e os mortos subiram as rampas. Os vivos saíram de suas casas, os doentes de suas camas, e os mortos de suas tumbas. Porque Flamengo e Fluminense precisavam de número, e protagonizariam o maior espetáculo da Terra.
O zero a zero persistia teimosamente no placar, eliminando o pó-de-arroz. Tricolores já choravam nas arquibancadas. Alguns até já desciam as rampas. Até que, aos 45 minutos do segundo tempo, a bola sobrou com Delei no meio-de-campo, pelo lado direito. Ele executou o lançamento primoroso, e o tempo parou. Sim, amigos, o tempo parou. As 84 mil testemunhas, os 22 jogadores, o juiz Arnaldo César Coelho, os bandeirinhas e a bola, todos eles, pararam.
Quando o tempo voltou a transcorrer, Assis dominou a bola e partiu em direção aos arcos rubro-negros, defendidos por Raul Plasmann. Amigos, aquela era mais que a bola do jogo: era a bola de todo um campeonato! E o atacante tricolor soube aproveitá-la: um leve toque de canhota, rasteiro, e a pelota estufou o canto direito das redes flamengas. Era o gol do título! Explosão de alegria nas três cores que traduzem tradição! Festa tricolor no Maracanã!
E quem poderia ser o personagem do jogo, senão Assis? Benedito de Assis da Silva, atacante de recém-completados 31 anos, entrou, naquele instante mágico, para a vasta galeria de ídolos do Fluminense Football Club. Porém, todo o time, comandado por Carbone, merece ser lembrado: Paulo Victor; Aldo, Duílio, Ricardo Gomes e Branco; Jandir, Delei, Leomir e Assis; Washington e Paulinho.
No jogo seguinte, o Flamengo venceu o Bangu, e a torcida tricolor pôde finalmente comemorar o título. Um ano depois, Assis novamente faria história no Fla-Flu. Mas isso é assunto para outro texto. Até lá!
PCFilho
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Anapolina, do Serrano
Em 1980, o Fluminense havia vencido a Taça Guanabara, e encararia o vencedor do segundo turno na finalíssima do Campeonato Carioca. Tudo indicava que o Flamengo faria a final com o Tricolor. O rubro-negro possuía um grande time, que incluía Júnior e Zico, entre outros, e era o campeão brasileiro do ano. Faltando três rodadas, o Flamengo tinha um ponto a mais que o Vasco. Assim, só dependia de seus próprios esforços para ir à final. Nessas condições, o rubro-negro foi a Petrópolis encarar o Serrano, no Estádio Atilio Marotti. Quinze mil flamenguistas estavam presentes, empurrando o mais querido contra aquele quadro de jogadores desconhecidos. Eis que, aos 19 minutos do primeiro tempo, um desses jogadores desconhecidos fez 1 a 0 para o Serrano. O ponta-esquerda Anapolina era o segundo reserva, e só estava jogando por causa da venda do titular e da lesão do primeiro reserva.
No intervalo, a massa rubro-negra acreditava na virada. Afinal, Zico & Cia não perderiam para aqueles semi-amadores nem se quisessem! Começou o segundo tempo e, amigos, o que se viu foi o maior bombardeio da história do futebol. A cada minuto, o Flamengo chutava pelo menos uma bola ao gol. Porém, a pelota sempre voltava. O goleiro do Leão da Serra fechou o gol. "Não entrava nem pensamento", dizem as testemunhas da partida, mordidas de nostalgia. E, para incredulidade geral, o placar final foi esse mesmo: Serrano 1, Flamengo 0.
E quais foram os destinos dos personagens dessa batalha épica? O herói Anapolina, posteriormente, declarou que é rubro-negro. Sua carreira nunca decolou, apesar da fama que obteve na época. E o goleiro? Quem era aquele ilustre desconhecido debaixo das traves do Serrano?
Amigos, o nome do goleiro é Acácio. Dois anos depois, ele se transferiria para o Vasco da Gama, onde faria uma brilhante carreira. Chegou à Seleção Brasileira, sendo reserva na Copa do Mundo da Itália, em 1990. Em 1988, Acácio ficou 879 minutos consecutivos sem sofrer um gol, no Campeonato Brasileiro - um recorde que apenas três goleiros já superaram. Em 1989, foi o goleiro titular do Vasco na conquista do Campeonato Brasileiro.
A derrota acabou com o sonho do tetra-campeonato do Flamengo (o clube se considera tri-campeão de 1978 e 1979, alegando que em 1979 foram disputados dois campeonatos). O Vasco foi à final, e acabou perdendo para o Fluminense: gol de Edinho, de falta, com a colaboração de João de Deus. Mas isto já é assunto para outro texto...
No intervalo, a massa rubro-negra acreditava na virada. Afinal, Zico & Cia não perderiam para aqueles semi-amadores nem se quisessem! Começou o segundo tempo e, amigos, o que se viu foi o maior bombardeio da história do futebol. A cada minuto, o Flamengo chutava pelo menos uma bola ao gol. Porém, a pelota sempre voltava. O goleiro do Leão da Serra fechou o gol. "Não entrava nem pensamento", dizem as testemunhas da partida, mordidas de nostalgia. E, para incredulidade geral, o placar final foi esse mesmo: Serrano 1, Flamengo 0.
E quais foram os destinos dos personagens dessa batalha épica? O herói Anapolina, posteriormente, declarou que é rubro-negro. Sua carreira nunca decolou, apesar da fama que obteve na época. E o goleiro? Quem era aquele ilustre desconhecido debaixo das traves do Serrano?
Amigos, o nome do goleiro é Acácio. Dois anos depois, ele se transferiria para o Vasco da Gama, onde faria uma brilhante carreira. Chegou à Seleção Brasileira, sendo reserva na Copa do Mundo da Itália, em 1990. Em 1988, Acácio ficou 879 minutos consecutivos sem sofrer um gol, no Campeonato Brasileiro - um recorde que apenas três goleiros já superaram. Em 1989, foi o goleiro titular do Vasco na conquista do Campeonato Brasileiro.
A derrota acabou com o sonho do tetra-campeonato do Flamengo (o clube se considera tri-campeão de 1978 e 1979, alegando que em 1979 foram disputados dois campeonatos). O Vasco foi à final, e acabou perdendo para o Fluminense: gol de Edinho, de falta, com a colaboração de João de Deus. Mas isto já é assunto para outro texto...
sábado, 13 de dezembro de 2008
O quinto dos infernos rubro-negro
Amigos, estava escrito desde o dia três de julho de dois mil e oito: o Flamengo terminaria o Campeonato Brasileiro de 2008 em quinto, uma posição abaixo da zona da classificação à Libertadores de 2009. Nesse dia, o seguinte à final da Libertadores, eu vi um mar de camisas rubro-negras invadir as ruas do Rio de Janeiro. Eram os flamenguistas comemorando a derrota do Fluminense para a LDU. Eu particularmente não entendi tanta alegria estampada nos rostos da urubuzada. Que tempos tenebrosos vive o clube da Gávea. Antigamente, sua enorme torcida se alegrava com as próprias glórias. Hoje, se apequena, transformando o Flamengo numa filial de clube equatoriano.
Observando os sorrisos dos flamenguistas naquele dia, eu tive a visão: o Flamengo terminaria em quinto lugar, o quinto dos infernos rubro-negro. Os deuses do futebol não gostam do espírito anti-esportivo. Acontecesse o que acontecesse, o rubro-negro terminaria em quinto, e perderia a vaga na Libertadores por um triz. Escrevi isso aqui na época, porque eu tinha certeza. E aconteceu exatamente conforme o previsto. Por um ponto, o Flamengo está fora. Agora, terão que amargar um 2009 sem jogar a principal competição do continente. Justo eles que sonhavam com a terceira participação seguida!
Para piorar o dissabor flamengo, o Fluminense terminou o Brasileirão exatamente na última vaga para a Sul-Americana. Assim, mesmo com uma campanha pior, o Fluminense teve exatamente a mesma recompensa do Flamengo. Ouvi de um amigo urubu: "melhor assim que se vocês tivessem vencido a Libertadores". Pelo visto, o pobre coitado não aprendeu a lição.
A única felicidade dos flamenguistas nesse fim de ano foi o rebaixamento do Vasco. Para uma torcida que vive da desgraça alheia, está de bom tamanho.
Feliz 2009, nação rubro-negra! (Rezem para o Fla não enfrentar o Tricolor nas competições de mata-mata. Assis, Renato Gaúcho e companhia mandam lembranças!)
Observando os sorrisos dos flamenguistas naquele dia, eu tive a visão: o Flamengo terminaria em quinto lugar, o quinto dos infernos rubro-negro. Os deuses do futebol não gostam do espírito anti-esportivo. Acontecesse o que acontecesse, o rubro-negro terminaria em quinto, e perderia a vaga na Libertadores por um triz. Escrevi isso aqui na época, porque eu tinha certeza. E aconteceu exatamente conforme o previsto. Por um ponto, o Flamengo está fora. Agora, terão que amargar um 2009 sem jogar a principal competição do continente. Justo eles que sonhavam com a terceira participação seguida!
Para piorar o dissabor flamengo, o Fluminense terminou o Brasileirão exatamente na última vaga para a Sul-Americana. Assim, mesmo com uma campanha pior, o Fluminense teve exatamente a mesma recompensa do Flamengo. Ouvi de um amigo urubu: "melhor assim que se vocês tivessem vencido a Libertadores". Pelo visto, o pobre coitado não aprendeu a lição.
A única felicidade dos flamenguistas nesse fim de ano foi o rebaixamento do Vasco. Para uma torcida que vive da desgraça alheia, está de bom tamanho.
Feliz 2009, nação rubro-negra! (Rezem para o Fla não enfrentar o Tricolor nas competições de mata-mata. Assis, Renato Gaúcho e companhia mandam lembranças!)
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