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sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

A ideia de cortar o tempo em fatias


"Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante vai ser diferente."

Sempre vi este parágrafo ser atribuído ao escritor Carlos Drummond de Andrade, que estudou no mesmo Colégio Anchieta que eu, com o mérito adicional de ter sido expulso de lá. Após eu mesmo ter cometido o erro algumas vezes, faço aqui a correção: o texto não é de Drummond, mas sim de Roberto Pompeu de Toledo. Que não deve se incomodar com isso - afinal, convenhamos, é certamente uma honra ver um texto seu atribuído a um gênio.

Drummond, vale dizer, também escreveu sobre o tema: transcrevo abaixo o seu poema "Receita de Ano Novo":

"Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre."

(Carlos Drummond de Andrade,
Discurso de primavera e algumas sombras. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1979, p. 115)

Não consigo escrever nada melhor que estas duas pérolas, mas desejo que o Ano Novo seja um tempo de saúde, coragem, realizações e felicidades para vocês, que me dão alguma atenção aqui no blog e nas redes sociais.

PCFilho

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Há necessidade de se preocupar?


W.E. Johns, Spitfire Parade, 1941: "When you are flying, everything is all right or it is not all right. If it is all right there is no need to worry. If it is not all right one of two things will happen. Either you will crash or you will not crash. If you do not crash there is no need to worry. If you do crash one of two things is certain. Either you will be injured or you will not be injured. If you are not injured there is no need to worry. If you are injured one of two things is certain. Either you will recover or you will not recover. If you recover there is no need to worry. If you don’t recover you can’t worry."

Em tradução minha: "Quando você está voando, ou está tudo bem ou não está tudo bem. Se estiver tudo bem, não há necessidade de se preocupar. Se não estiver tudo bem, uma de duas coisas acontecerá. Ou você vai sofrer um acidente ou você não vai sofrer um acidente. Se você não sofrer um acidente, não há necessidade de se preocupar. Se você sofrer um acidente, uma de duas coisas é certa. Ou você vai se machucar ou você não vai se machucar. Se você não se machucar, não há necessidade de se preocupar. Se você se machucar, uma de duas coisas é certa. Ou você vai se recuperar ou você não vai se recuperar. Se você se recuperar, não há necessidade de se preocupar. Se você não se recuperar, você nem poderá se preocupar."

PCFilho
(pescado no sempre ótimo Futility Closet)

segunda-feira, 2 de abril de 2018

"Fake news": o Ministério da Verdade de '1984' virá ao mundo real?


Amigos, eu era adolescente quando li '1984', a obra-prima de George Orwell, que imediatamente entrou para a minha lista de melhores livros, em que segue ocupando uma das cinco primeiras posições até hoje. Não pretendo fazer aqui uma resenha do livro, que dispensa comentários e é uma daquelas leituras obrigatórias. Se você ainda não se dedicou àquelas páginas, sugiro que o faça o quanto antes. Afinal, os clássicos nunca são perda de tempo.

No mundo distópico de '1984', o personagem principal Winston Smith trabalha no Ministério da Verdade, cujo objetivo é justamente falsificar a história, reescrevendo-a sempre que o Partido desejar estabelecer uma nova versão dos fatos (qualquer semelhança com certas "comissões da verdade" vistas por aí não é mera coincidência). Por exemplo, se o Grande Irmão errou em alguma previsão feita, os funcionários do Ministério da Verdade deverão promover a adequação da história, apagando e reescrevendo registros e notícias do passado, de modo a tornar a previsão do Grande Irmão absolutamente precisa. Até mesmo pessoas podem ter suas existências canceladas, evaporando da história e tornando-se "impessoas" (a coleção de termos da "novilíngua" é um dos baratos do magnífico texto de George Orwell). O objetivo primordial do Ministério da Verdade é criar a certeza de que o Partido é infalível, eternamente correto em todas as suas diretrizes e ações.

No mundo real, em 2018, somos diariamente submetidos a discussões sobre as chamadas "fake news", notícias falsas fabricadas por pessoas e grupos mal-intencionados, que seriam capazes de construir e destruir reputações, de ganhar ou perder eleições, enfim, de enganar pessoas e modificar perturbadoramente a realidade. Que as "fake news" existem e são maléficas para a sociedade, é um fato, que não está em discussão aqui. No entanto, as soluções que se propõem para combatê-las podem ser um problema ainda maior. É este o tema destas linhas.

A responsabilização dos produtores e dos divulgadores das "fake news", a tipificação destes crimes na legislação e a criação de instituições de averiguação são exemplos de propostas que surgem nos debates. Algumas ações concretas já estão sendo tomadas: o Facebook, diante de acusações de que a rede social teria sido utilizada para propagar "fake news", anunciou obscuras mudanças em seus algoritmos - muito provavelmente, estas alterações foram as responsáveis pelo recente sumiço, na rede, de duas páginas de apoio a um candidato relevante à Presidência da República, com alcance estimado em vinte milhões de leitores diários.

E aqui aparecem os questionamentos éticos que quero fazer: quem estabelece o que é verdade e o que é mentira? Quem decide sobre a veracidade das notícias? Quem garante que as pessoas e instituições responsáveis por essa decisão agirão de maneira imparcial? Quem assegura que não haverá censura deliberada contra determinadas correntes de pensamento? Será instituído um Ministério da Verdade, nos moldes do imaginado por George Orwell em '1984'? Ou já foi, Facebook?

Os grandes veículos da imprensa brasileira propõem a conveniente solução "só acreditem em nós". Querem ser, eles próprios, os patrões de Winston Smith, a manipular os fatos de acordo com seus interesses. Em resumo: não só não desejam solucionar o problema da sociedade, como também pretendem recuperar o controle da informação, monopólio que detinham até a popularização da internet. O curioso é que, na ótica de muita gente, os campeões das "fake news" são justamente os grandes veículos (eu mesmo desmascarei aqui uma notícia mentirosa repercutida por vários deles, no ano passado).

O século XX nos providenciou dezenas de exemplos dos males causados por governos totalitários e empresas monopolistas. O próprio George Orwell escreveu '1984' para nos alertar sobre perigos desta natureza. Caminharemos mesmo para o caminho do Ministério da Verdade? Não seria melhor garantirmos a liberdade de expressão, prevista nas leis nacionais e internacionais como um direito humano sagrado e inalienável? A liberdade, em sua superioridade teórica e prática, inevitavelmente triunfará sobre a mentira. Sou da crença de que a verdade sempre vencerá, sem a necessidade de ser imposta à força por mentes supostamente superiores.

PCFilho

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Xadrez - Mate em 2! (Vladimir Nabokov)

Vladimir Vladimirovich Nabokov, The Problemist, 1970-01.
Código FEN: RB5R/1p1kpbN1/8/1P1N4/2K5/8/8/3Q4 w - - 0 1.

As Brancas jogam e dão xeque-mate em 2 lances!

(White to play and give checkmate in 2 moves!)

PCFilho

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Leo Tolstoy - Frases

Leo Tolstoy.

O Google homenageia hoje em seu doodle o escritor russo Leo Tolstoy, nascido em 9 de setembro de 1828, autor dos clássicos Guerra e Paz, Anna Karenina e A Morte de Ivan Ilitch, entre outros. Seguem abaixo algumas frases que demonstram toda a sabedoria do grande escritor:

"A alegria de fazer o bem é a única felicidade verdadeira."

"O único sentido da vida é servir a humanidade."

"Toda a gente pensa em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar-se a si próprio."

"Cada um vive tanto quanto ama."

"Tudo que entendo, só entendo porque amo."

"Aquele que conheceu apenas a sua mulher, e a amou, sabe mais de mulheres do que aquele que conheceu mil."

"As famílias felizes parecem-se todas; as famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira."

"Os dois guerreiros mais poderosos são a paciência e o tempo."

"Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência."

"Há quem passe por um bosque e só veja lenha para a fogueira."

"Um homem é uma fração cujo numerador corresponde ao que ele é, enquanto o denominador é o que ele acredita ser."

"O dinheiro representa uma nova forma de escravidão impessoal, em lugar da antiga escravidão pessoal."

"O amor começa quando uma pessoa se sente só e termina quando uma pessoa deseja estar só."

"O homem ama porque o amor é a essência da sua alma. Por isso, não pode deixar de amar."

"Não é possível ser bom pela metade."

Se o leitor conhecer alguma outra frase interessante de Leo Tolstoy, está convidado a compartilhar nos comentários.

PCFilho

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Xadrez - Mate em 3! (Vladimir Nabokov)

Vladimir Vladimirovich Nabokov, The Sunday Times, 05/11/1967.
Codigo FEN: R7/8/2p5/p1p5/K1Pk4/2NP4/7Q/8 w - - 0 1.

Aqui está um problema interessante: as Brancas jogam e dão xeque-mate em 3 lances!

(Here's an interesting problem: White to play and give checkmate in 3 moves!)

Vladimir Vladimirovich Nabokov (São Petersburgo, Rússia, 22 de abril de 1899 — Montreux, Suíça, 2 de julho de 1977) foi um dos mais proeminentes escritores do século XX. Nabokov escreveu seus primeiros nove romances em russo, e depois chegou à fama internacional como um mestre da prosa em língua inglesa. Sua obra mais conhecida é Lolita (1955). Ele tinha muito interesse por problemas de xadrez, e chegou a publicar um livro com enigmas: Poemas e Problemas (1970).

(Vladimir Vladimirovich Nabokov (Saint Petersburg, Russia, 22 April 1899 — Montreux, Switzerland, 2 July 1977) was one of the most prominent writers in the 20th century. Nabokov wrote his first nine novels in Russian, and then became internationally famous as a master of English prose. His most known work is Lolita (1955). He was very interested in chess problems, and even published a book with puzzles: Poems and Problems (1970).)

Foto: Vladimir Nabokov (1969).

Outro escritor brilhante que compunha problemas de xadrez é o gênio brasileiro Machado de Assis. Veja mais em Xadrez - Mate em 2! (Machado de Assis).

(Another brilliant writer who used to compose chess problems is Brazilian genius Machado de Assis. See more in Chess - Mate in 2! (Machado de Assis).)

PCFilho

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Frases de Ariano Suassuna


No último dia 23, o genial Ariano Suassuna, um dos mitos da Literatura brasileira, sucumbiu à cruel imposição da natureza humana, e nos deixou.

Desde então, andei lendo alguns de seus escritos, vendo algumas de suas entrevistas, e compartilho abaixo uma coleção de frases tão criativas, tão inteligentes, tão bem-humoradas, que só poderiam mesmo ter nascido em uma mente fértil como a de Suassuna.

Deleitem-se!

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"Tenho vontade de conhecer Portugal, França e o norte da África. Mas é como eu disse, só se fosse ali em Alagoas."
(em seus 87 anos de vida, Ariano Suassuna nunca viajou para fora do Brasil: "Nunca saí do Brasil e não sinto a menor necessidade de fazê-lo. Sei de tudo utilizando a televisão e o computador.")

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"Arte para mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte para mim é missão, vocação e festa."

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"O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso."

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"Os otimistas costumam ser ingênuos e os pessimistas, amargos. Sou um homem da esperança. Sonho com o dia em que o sol de Deus dará justiça para todos."

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"A massificação procura baixar a qualidade artística para a altura do gosto médio. Em arte, o gosto médio é mais prejudicial do que o mau gosto... Nunca vi um gênio com gosto médio."

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"É muito difícil você vencer a injustiça secular, que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos."

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"Que eu não perca a vontade de ter grandes amigos, mesmo sabendo que, com as voltas do mundo, eles acabam indo embora de nossas vidas."

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"Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo e o galope do sonho. É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver."

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"Matar padre dá um azar danado. Sobretudo para o padre."
(em "O Auto da Compadecida", sua obra-prima)

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"Jesus às vezes se disfarça de mendigo, para testar a bondade dos homens."
(em "O Auto da Compadecida")

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"Disseram que eu sou inimigo do computador. Não é bem isso. O computador é que é meu inimigo. Bati o meu nome no computador: 'Ariano'. Veio 'Ariano'. Coloquei o nome do meio, 'Vilar': veio 'Vilão'. Não entendi. E fiquei indignado mesmo quando bati 'Suassuna'. Com tantos esses, o computador, no corretor ortográfico, colocou 'Assassino'. Então, em vez de ser 'Ariano Vilar Suassuna', virei 'Ariano Vilão Assassino'. Não é para virar inimigo dele?"

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"Já fui chamado de 'Dom Quixote arcaico', por viver, segundo diziam, esgrimindo contra os moinhos de vento da globalização. Não me incomodo."

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"No convite estava escrito que era para vir de Sport fino."
(ao justificar sua chegada a uma festa vestido de vermelho e preto, as cores do Sport Recife, clube de seu coração)

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"Não sei, só sei que foi assim!"
(bordão de Chicó, o personagem contador de histórias em "O Auto da Compadecida")

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"Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre."
(em "O Auto da Compadecida")

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"A literatura é uma forma de protestar contra a morte. Em minha visão, a literatura - e a arte, de modo geral - é uma forma precária, mas, ainda assim, poderosa de afirmar a imortalidade. O homem não nasceu para a morte: o homem nasceu para a vida e para a imortalidade."

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Descanse em paz, Ariano Suassuna!
(16/06/1927 - 23/07/2014)


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Gabriel García Márquez


Morreu hoje, na Cidade do México, aos 87 anos, o genial escritor colombiano Gabriel García Márquez, uma de minhas maiores inspirações para escrever, se não for a maior.

García Márquez foi tão craque com as palavras que, mesmo tendo pensamentos políticos bem diferentes dos meus, conseguiu ser meu escritor favorito. Escrevia em um espanhol tão claro, que foi em suas páginas que aprendi de fato a língua do país do meu avô, sem nem mesmo precisar consultar o dicionário.

Suas histórias são fantásticas, cheias de personagens irreais, mas baseadas na realidade, como ele fazia questão de ressaltar. E de fato, eu nunca encontrei um escritor que conseguisse mostrar tão bem as bizarrices de nossa América Latina.

Leiam Gabriel García Márquez. Leiam a obra-prima Cem Anos de Solidão, mas leiam também o menos famoso Do Amor e Outros Demônios. Leiam tudo que veio daquela mente brilhante. Vale muito a pena.

"Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde em que o seu pai o levou para conhecer o gelo." Assim começa Cem Anos de Solidão, meu romance preferido, que conta a saga da família Buendía em Macondo. Uma história que se desenrola de maneira apaixonante, e termina da forma mais espetacular possível (quem leu, sabe).

Como a vida real passa longe de ser tão espetacular quanto a obra de García Márquez, ele passou os últimos anos lutando contra problemas de memória e um câncer. Uma pena. A segunda parte de Viver para contar, nós nunca poderemos ler. Ele não pôde escrevê-la...

Obrigado por tudo, mestre. Obrigado por cada linha escrita. Você continuará vivo para sempre, através dos Aurelianos, dos Josés Arcadios, das Úrsulas, de Florentino, de Firmina, e de todos os seus eternos e fantásticos personagens...

“Lo único malo de la muerte es que es para siempre. Todo lo demás es manejable, pero la muerte…. ¡Esa sí que es la gran trampa!”

PCFilho

Gabriel García Márquez (direita) com seu amigo Álvaro Cepeda Samudio em Barranquilla.
(Foto: Álvaro Ojeda, 1971).

Gabriel García Márquez (direita) com o escritor brasileiro Jorge Amado.



quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Livro sobre Preguinho agora em formato e-book

A era digital chegou à literatura tricolor: o livro "Preguinho - Confissões de um Gigante", lançado em versão impressa em julho, virou e-book.

A decisão dos autores Waldir Barbosa Junior e Waleria Barbosa foi motivada pelos muitos pedidos, pois os internautas alegaram a comodidade de ler o livro nas telas dos e-readers (leitores de e-books), tablets e smartphones em geral, proporcionando facilidade de acesso e transporte, além do preço mais baixo (R$ 12,99), em parceria com o site PagSeguro, o que tornou possível o pagamento parcelado no cartão de crédito, ou através de outras modalidades de compra (boleto bancário, débito online, transferência e saldo PagSeguro).

A aquisição do e-book pode ser feita neste link. A liberação do download ocorrerá depois da confirmação da compra, que levará em princípio 1 (um) dia útil, e o arquivo não terá travas tipo DRM, e assim poderá ser lido em qualquer plataforma digital. O comprador apenas assumirá um termo de compromisso se responsabilizando por não vender ou emprestar seu arquivo, concordando com as restrições de cópia e modificação.

Desde o lançamento oficial, ontem, dia 12 de novembro, os internautas tricolores têm acesso a uma história emocionante, que fala do maior desportista brasileiro de todos os tempos, que dedicou praticamente toda a vida esportiva ao Fluminense, e disse quando recebeu o título de Grande Benemérito do Clube, em 1952:

"Eu nem sabia falar direito e o Fluminense já estava em minha alma, em meu coração e em meu corpo".
João Coelho Netto, o Preguinho


PCFilho

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Xadrez - Mate em 2! (Machado de Assis)

Machado de Assis, Caissana Brasileira, 1898.
Código FEN: 4B1KQ/1p2k2N/1P2p3/2Pp1p2/3P1P2/8/1n6/8 w - - 0 1.

Um problema composto por Machado de Assis: as Brancas jogam e dão xeque-mate em 2 lances!
(A problem composed by Machado de Assis: White to play and give checkmate in 2 moves!)


Machado de Assis, gênio de literatura brasileira.

O famoso escritor Joaquim Maria Machado de Assis é provavelmente o maior nome da história da Literatura Brasileira, autor dos livros clássicos Memórias Póstumas de Brás Cubas, O AlienistaDom Casmurro, Quincas Borba e Memorial de Aires, entre outros. Suas obras foram traduzidas para diversos idiomas, e possuem admiradores em todo o mundo. O xadrez era uma de suas diversões prediletas: além de jogar, ele também compunha problemas, como o enigma acima.

(Famous writer Joaquim Maria Machado de Assis is probably the greatest name in history of Brazilian Literature, author of the classic books Posthumous Memoirs of Brás Cubas [also known in English as Epitaph for a Small Winner], The Alienist [also known in English as The Psychiatrist], Sir Dour, Philosopher or Dog?, and Counselor Aires's Memoirs, among others. His works were translated into many languages, and have admirers all over the world. Chess was one of his favorite amusements: besides playing, he also used to compose problems, such as the puzzle above.)


PCFilho