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segunda-feira, 11 de maio de 2020

Sobre a suposta foto de jogo do Fluminense na pandemia de 1918


A foto acima tem circulado nas redes sociais nos últimos dias: seria um registro de torcedores do Fluminense usando máscaras, durante a pandemia de gripe espanhola, em 1918, no campo da rua Guanabara, atual Estádio de Laranjeiras.

Neste domingo 10, o jornalista Ancelmo Gois repercutiu a foto em seu blog no site do jornal "O Globo", com o título "O jogo de futebol no campo do Fluminense em meio ao surto da gripe espanhola". No texto, Gois escreve: "A foto é de um jogo no campo do Fluminense, com os torcedores de máscara durante a gripe espanhola, que matou só no Rio 15 mil pessoas". Porém, o jornalista não verificou a história como deveria, pois a foto não é de um jogo do Fluminense, que sequer estava atuando em seu campo na época.

A gripe espanhola chegou ao Rio de Janeiro em 14 de setembro de 1918, através de passageiros do navio Demerara, que veio da Europa e aportou na então capital federal após escalas em Recife e Salvador. A doença inclusive levou a vida do jovem meia-atacante tricolor Archibald French, cuja história já contei aqui. Porém, o Fluminense não estava mandando os jogos do Campeonato Carioca em seu campo na rua Guanabara - justamente porque estava construindo o seu majestoso Estádio de Laranjeiras, que viria a ser a sede do Campeonato Sul-Americano de 1919.

Após a chegada da doença, o Fluminense fez somente mais quatro jogos antes de o Campeonato ser paralisado, nenhum em seu campo: 4 a 0 no America (em 15 de setembro, na rua Campos Sales), 2 a 2 com o São Cristóvão (em 20 de setembro, na rua Paysandu), 2 a 1 no Botafogo (em 29 de setembro, na rua General Severiano), e 2 a 2 com o Flamengo (em 6 de outubro, na rua General Severiano).

A epidemia transformou o Rio de Janeiro em um cenário de apocalipse, o que forçou a proibição de aglomerações de pessoas e a paralisação de dois meses no Campeonato. Em 29 de outubro, French não resistiu às complicações da gripe e faleceu, num dos momentos mais tristes da história tricolor. Em 8 de dezembro, o Campeonato foi retomado, e o Fluminense confirmou matematicamente o título, com uma vitória de 2 a 0 sobre o Mangueira, na rua Paysandu. O bicampeonato foi dedicado a French.

Oficialmente, a gripe espanhola causou 14.348 mortes na cidade do Rio de Janeiro. Em 1919, a vida voltaria ao normal. O Fluminense concluiria a construção do Estádio de Laranjeiras, onde sediaria o Campeonato Sul-Americano, primeiro torneio conquistado pela Seleção Brasileira. Com o ponta Bacchi no lugar de French no time titular de 1919, o Tricolor consolidaria sua hegemonia no Rio de Janeiro, com a conquista do tricampeonato e da posse definitiva da Taça Colombo.

E a foto? Segundo o jornalista Tony Barnhart, é de um jogo no campo do Georgia Institute of Technology, em Atlanta, durante a pandemia de 1918 (que também atingiu os Estados Unidos). Ela teria sido tirada pelo estudante da universidade Thomas Carter. Nada a ver, portanto, com o Fluminense ou o Rio de Janeiro.

O Fluminense deveria se posicionar desmentindo o jornalista Ancelmo Gois e restabelecendo a verdade dos fatos. Já o jornal "O Globo" deveria retirar a matéria do ar e publicar uma retratação - além de me contratar como ombudsman, é claro. ;)

PCFilho

segunda-feira, 2 de abril de 2018

"Fake news": o Ministério da Verdade de '1984' virá ao mundo real?


Amigos, eu era adolescente quando li '1984', a obra-prima de George Orwell, que imediatamente entrou para a minha lista de melhores livros, em que segue ocupando uma das cinco primeiras posições até hoje. Não pretendo fazer aqui uma resenha do livro, que dispensa comentários e é uma daquelas leituras obrigatórias. Se você ainda não se dedicou àquelas páginas, sugiro que o faça o quanto antes. Afinal, os clássicos nunca são perda de tempo.

No mundo distópico de '1984', o personagem principal Winston Smith trabalha no Ministério da Verdade, cujo objetivo é justamente falsificar a história, reescrevendo-a sempre que o Partido desejar estabelecer uma nova versão dos fatos (qualquer semelhança com certas "comissões da verdade" vistas por aí não é mera coincidência). Por exemplo, se o Grande Irmão errou em alguma previsão feita, os funcionários do Ministério da Verdade deverão promover a adequação da história, apagando e reescrevendo registros e notícias do passado, de modo a tornar a previsão do Grande Irmão absolutamente precisa. Até mesmo pessoas podem ter suas existências canceladas, evaporando da história e tornando-se "impessoas" (a coleção de termos da "novilíngua" é um dos baratos do magnífico texto de George Orwell). O objetivo primordial do Ministério da Verdade é criar a certeza de que o Partido é infalível, eternamente correto em todas as suas diretrizes e ações.

No mundo real, em 2018, somos diariamente submetidos a discussões sobre as chamadas "fake news", notícias falsas fabricadas por pessoas e grupos mal-intencionados, que seriam capazes de construir e destruir reputações, de ganhar ou perder eleições, enfim, de enganar pessoas e modificar perturbadoramente a realidade. Que as "fake news" existem e são maléficas para a sociedade, é um fato, que não está em discussão aqui. No entanto, as soluções que se propõem para combatê-las podem ser um problema ainda maior. É este o tema destas linhas.

A responsabilização dos produtores e dos divulgadores das "fake news", a tipificação destes crimes na legislação e a criação de instituições de averiguação são exemplos de propostas que surgem nos debates. Algumas ações concretas já estão sendo tomadas: o Facebook, diante de acusações de que a rede social teria sido utilizada para propagar "fake news", anunciou obscuras mudanças em seus algoritmos - muito provavelmente, estas alterações foram as responsáveis pelo recente sumiço, na rede, de duas páginas de apoio a um candidato relevante à Presidência da República, com alcance estimado em vinte milhões de leitores diários.

E aqui aparecem os questionamentos éticos que quero fazer: quem estabelece o que é verdade e o que é mentira? Quem decide sobre a veracidade das notícias? Quem garante que as pessoas e instituições responsáveis por essa decisão agirão de maneira imparcial? Quem assegura que não haverá censura deliberada contra determinadas correntes de pensamento? Será instituído um Ministério da Verdade, nos moldes do imaginado por George Orwell em '1984'? Ou já foi, Facebook?

Os grandes veículos da imprensa brasileira propõem a conveniente solução "só acreditem em nós". Querem ser, eles próprios, os patrões de Winston Smith, a manipular os fatos de acordo com seus interesses. Em resumo: não só não desejam solucionar o problema da sociedade, como também pretendem recuperar o controle da informação, monopólio que detinham até a popularização da internet. O curioso é que, na ótica de muita gente, os campeões das "fake news" são justamente os grandes veículos (eu mesmo desmascarei aqui uma notícia mentirosa repercutida por vários deles, no ano passado).

O século XX nos providenciou dezenas de exemplos dos males causados por governos totalitários e empresas monopolistas. O próprio George Orwell escreveu '1984' para nos alertar sobre perigos desta natureza. Caminharemos mesmo para o caminho do Ministério da Verdade? Não seria melhor garantirmos a liberdade de expressão, prevista nas leis nacionais e internacionais como um direito humano sagrado e inalienável? A liberdade, em sua superioridade teórica e prática, inevitavelmente triunfará sobre a mentira. Sou da crença de que a verdade sempre vencerá, sem a necessidade de ser imposta à força por mentes supostamente superiores.

PCFilho

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Voz de Cristóvão Borges

Foto: Fluminense FC.

"Olha, no Vasco, em todas as coletivas, eu tinha que responder se o Juninho e o Felipe podiam jogar juntos. Aquilo me dava uma tristeza, pois parecia o assunto mais relevante, mesmo nas vezes em que o Vasco fez partidas maravilhosas. Agora, eu pensei que tinha me livrado disso, mas em todas as coletivas são seis ou sete perguntas sobre o Fred. Ele é o grande ídolo, mas as perguntas são de uma pobreza absurda. O Fred não jogou porque precisava se condicionar, ora. Mas quem fomenta isso? Quem faz isso virar notícia? Quem faz enquete instigando a torcida? Metem o pau, dizem que estamos atrasados, mas a imprensa também precisa se preparar. Se a discussão não mudar, a gente vai continuar tomando de sete. No futebol, discutem-se pouco as coisas essenciais. As não-relevantes ocupam mais espaço. A gente só discute quando há uma tragédia como a da Copa do Mundo. Aí, todo mundo quer revolucionar tudo, e nada presta. A discussão é que está errada."

- Cristóvão Borges,
treinador do Fluminense, vice-líder do Campeonato Brasileiro, em entrevista ao Jornal Extra.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Observatório da imprensa esportiva #3 - UOL


Amigos, eu vinha resistindo a fazer o terceiro post da série "Observatório da imprensa esportiva" aqui no blog, por ser o tipo que me dá mais trabalho, mas a notícia que li ontem no site do UOL me obrigou a fazê-lo. Já na manchete, o jornalista deve ter feito Goebbels - o ministro da propaganda nazista - corar de vergonha alheia: "Em meio a onda de racismo, Fluminense cogita ressuscitar pó de arroz" (sic).

A vergonhosa manchete do site UOL.

Para quem não conhece a história do pó-de-arroz, faço aqui um breve resumo. Em 1914, alguns jogadores do America se desligaram do clube da Tijuca e foram para o Fluminense (dentre eles, o lendário Marcos Carneiro de Mendonça, primeiro goleiro da Seleção Brasileira e posteriormente presidente do Fluminense). Um dos atletas transferidos foi o mulato Carlos Alberto (sim, um mulato no "racista" Fluminense, antes ainda de o Vasco começar a jogar futebol, vejam só!). Carlos Alberto trouxe do America um costume curioso: passava pó-de-arroz no rosto antes das partidas. O motivo real não é consenso: a versão mais aceita é a de que ele tentava disfarçar a cor de sua pele, para se parecer mais com os outros futebolistas da época (quase todos, em todos os clubes, eram brancos). O amigo Marcos Carneiro de Mendonça conta outra história (vídeo abaixo):

Marcos Carneiro de Mendonça explicando a origem do "pó-de-arroz".

Em 13 de maio de 1914, no campo do Fluminense, jogavam o Tricolor e o America, e a torcida visitante provocou seu ex-atleta, gritando "pó-de-arroz" para ele. (O jogo terminou 1 a 1.) Com o passar dos anos, a torcida do Fluminense adotou o apelido, e o transformou em um dos símbolos do clube. Nos grandes jogos no Maracanã, nas décadas de 60 a 90, a recepção do time com o pó-de-arroz jogado nas arquibancadas sempre foi uma marca registrada da torcida tricolor. Após um período de proibição, o pó-de-arroz voltou em 2008, com notáveis aparições especialmente nos jogos da Copa Libertadores daquele ano.

Pó-de-arroz no Maracanã: um espetáculo lindo de se ver.

No Novo Maracanã, a festa do pó-de-arroz ainda não aconteceu, mas já há movimentações a respeito, por parte da torcida tricolor, com as aprovações do clube e do consórcio que administra o estádio. Provavelmente, voltará a ocorrer após a Copa do Mundo.

De forma covarde e mentirosa, o site UOL publicou a matéria associando o costume da torcida tricolor às recentes manifestações explícitas de racismo no futebol brasileiro. Uma comparação sem nenhum cabimento, já que nem mesmo a suposta "origem racista" do termo tem fundamento real, e a celebração do pó-de-arroz sempre foi festejada por todos os tricolores - brancos, pretos, mulatos, índios, amarelos, laranjas, verdes e grenás - nada tendo de racista ou preconceituosa.

O texto da matéria no UOL, que não é assinada, até cita a "versão tricolor" da história, mas ainda assim é um evidente exemplo de mau jornalismo. Até o momento da confecção deste post, ainda não havia sido publicado um pedido de desculpas ou uma retratação por parte do site.

Estamos de olho.

PCFilho

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Observatório da imprensa esportiva #2 - O apagão geral de 7 de dezembro


No Observatório da imprensa esportiva #1, há duas semanas, critiquei a descarada distorção de uma notícia pela ESPN. Hoje, no segundo post da série, voltarei no túnel do tempo até o fatídico fim de semana final do Campeonato Brasileiro de 2013. No sábado 7, o Flamengo jogou contra o Cruzeiro no Maracanã, e deliberadamente escalou o atleta suspenso André Santos. Nas horas seguintes, um inacreditável apagão coletivo acometeu toda a imprensa esportiva brasileira, e ninguém publicou a matéria que seria o furo do ano.

Na sexta-feira 6, o STJD decidira que André Santos não poderia atuar na rodada final do Campeonato Brasileiro, cumprindo a suspensão pelo cartão vermelho recebido na decisão da Copa do Brasil. E este fato foi amplamente divulgado, apesar de o noticiário esportivo do dia ter sido quase inteiramente tomado pelo sorteio dos grupos da Copa do Mundo. O primeiro jornalista a divulgar a suspensão do atleta rubro-negro foi o ótimo Wellington Campos, que eu sigo no twitter e quase sempre chega na frente da concorrência nos bastidores do futebol carioca. Veja seu post no twitter, precisamente às 13:39 da sexta-feira 6:

Na sexta-feira à noite, passado o frenesi do sorteio das chaves do Mundial, os sites esportivos publicaram a notícia. O primeiro foi o Lancenet, às 19:39: Suspenso, André Santos não enfrenta o Cruzeiro pelo Brasileirão. Na sequência, vieram O Globo, Extra, e sites menos famosos, como Futnet e ESP BR. Em resumo: a suspensão de André Santos era um fato público, amplamente noticiado. (Lembrem-se que, no dia 27/12, o próprio André Santos confessou que sabia de sua suspensão, tendo alertado um funcionário do Flamengo a respeito, quando soube que seria escalado.)

Print screen da notícia do Lancenet.

No sábado 7, o Flamengo estranhamente escala André Santos em seu time titular, no jogo "para cumprir tabela" contra o Cruzeiro, que se iniciaria às 19:00. Assim que o Flamengo divulgou sua escalação, diversos torcedores atentos notaram que algo estava errado e se manifestaram nas redes sociais. Só no twitter, pelo menos três torcedores perceberam o equívoco antes ainda de a bola rolar no Maracanã:




Quando o jogo começou, os relatos naturalmente se multiplicaram. Muitos torcedores se lembraram da notícia da véspera e estranharam a escalação irregular de André Santos. É neste ponto que entra minha crítica à imprensa esportiva: onde estavam vocês? Até meros torcedores são mais vigilantes que vocês?

Incrivelmente, não houve uma única e escassa notícia, ou um singelo relato do jogo que fosse, na imprensa esportiva inteira, que citasse a escalação do atleta rubro-negro suspenso. Um apagão geral que só pode ser justificado de duas maneiras: ou houve um surto contagioso de incompetência, ou foi omissão.

O furo era enorme: com a escalação irregular, o Flamengo se auto-flagelara, desobedecera o Código Brasileiro de Justiça Desportiva, fatalmente seria punido com a perda de 3 pontos - além do conquistado no empate - e assim passava a estar na alça de mira dos clubes que lutariam pela permanência na Série A no domingo 8. Com 45 pontos na classificação corrigida, o Rubro-Negro seria, por exemplo, ultrapassado pelo rival Fluminense, caso este vencesse o Bahia no domingo.

A briga contra o rebaixamento era o grande foco de todos, uma vez que o título já estava definido, e as vagas na Copa Libertadores quase certas. E no entanto, mesmo com uma matéria desta proporção escancarada diante de seus olhos, toda a imprensa esportiva brasileira incrivelmente ignorou o acontecido. Eu mesmo, se tivesse percebido o fato, certamente o teria publicado aqui, pelas drásticas consequências que ele poderia ocasionar na classificação final do Campeonato. (Mas nem assisti ao jogo, mais preocupado em celebrar o transcurso de meu aniversário.)

E entretanto, repito: não houve uma única e escassa notícia, ou um singelo relato do jogo que fosse, na imprensa esportiva inteira, que citasse a escalação irregular de André Santos e suas consequências. No domingo 8, a Portuguesa insanamente cometeu o mesmo erro do Flamengo, e acabou salvando o Rubro-Negro da degola. Somente na terça-feira 10, com a denúncia da CBF ao STJD, é que os casos André Santos e Heverton vieram à tona.

Incompetência ou omissão?

PCFilho

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Observatório da imprensa esportiva #1 - ESPN


Estreio a coluna "Observatório da imprensa esportiva" para mostrar coberturas enviesadas da imprensa esportiva acerca de determinados eventos. Jogo rápido: descrição sucinta e realista do fato, seguida da forma como o fato foi noticiado. Começo por um caso escandaloso desta semana, da ESPN. Por favor, me digam nos comentários se a ideia agrada, e sintam-se à vontade para sugerir novas pautas.

FATO
A nova gestão da Portuguesa, alegando dívidas acumuladas pela diretoria anterior, solicita à CBF um adiantamento de cotas referentes ao próximo Campeonato Brasileiro. A entidade aceita o pedido, com a condição de que a Lusa desista dos processos na Justiça Comum, que ameaçam a realização do próximo Campeonato Brasileiro.

NOTÍCIA (ESPN)
Exclusiva: CBF propõe adiantamento financeiro para Portuguesa aceitar Série B.

Como se vê, a notícia distorcida dá a entender que a iniciativa de oferecer o empréstimo foi da CBF, quando na verdade houve um pedido da Portuguesa. E isto faz muita diferença, pois se a iniciativa tivesse sido da CBF, com essa exigência, estaria configurada uma espécie de tentativa de suborno.

Nestes tempos em que a informação se espalha com a velocidade da luz, a irresponsabilidade na veiculação da notícia traz danos catastróficos. Pelo menos um jornal estrangeiro, baseado nesta matéria, publicou a manchete Brazilian team offered money to stay in lower tier, que pode ser traduzida como "Confederação oferece dinheiro a time brasileiro para este permanecer em divisão inferior".

Que papelão, dona ESPN... Assim sou obrigado a dar razão a um amigo, que me disse que a sigla significa "Escola Superior de Propaganda Nazista"... Por que tanta vontade de melar e desestabilizar o futebol brasileiro? É para tentar atrair a audiência para os campeonatos europeus, que você transmite? Há meios mais eficazes - e honestos - de se fazer isso...

PCFilho

Leitura sugerida: A "Al Qaeda" do futebol (Blog do Rica Perrone).

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A imprensa não tem culpa?

Dados o linchamento público do Fluminense nas últimas semanas, e os atos violentos contra torcedores tricolores, nós apontamos os óbvios culpados indiretos pela situação - a parte da imprensa que incentivou a campanha de ódio contra nós (vide aqui exemplo claro). Não estamos bolando nenhuma teoria conspiratória: esta relação de causa e consequência é um fato que qualquer ser dotado de um mínimo de capacidade intelectual consegue perceber ou deduzir.

Eis que, nesta semana, na Espanha, aconteceu um episódio de violência com contornos similares aos que estamos sofrendo. O Atlético de Madrid foi a Valencia enfrentar a equipe local em jogo da Copa do Rei, e o atacante brasileiro naturalizado espanhol Diego Costa foi alvo de xenofobia por parte dos torcedores anfitriões. Aos gritos de "Costa, cabrón, no eres español", somaram-se vaias e outros insultos impublicáveis.

A imprensa esportiva espanhola comentou o caso, naturalmente condenando a agressividade dos torcedores. Mas não apenas isso: também reconhecendo ter parcela de culpa na situação. Confiram no vídeo:

Traduzindo para o português as frases finais do jornalista espanhol: "Terrível, não? Às vezes penso que parte da culpa pertence à imprensa, que alguma culpa temos nós".

Enquanto isso, aqui em Terra Brasilis, os jornalistas se apressam em dizer que "não têm nada a ver com a violência alheia". Será que não sabem que até guerras já foram iniciadas por campanhas na imprensa, como bem escreveu o amigo Douglas em excelente artigo no Bicuda FC?

Falta coragem para assumir a culpa? Sou ferrenho defensor da liberdade de expressão. Por mim, o sujeito deve ter o direito de defender a tese que for. Entretanto, que saiba lidar com as consequências do que diz, principalmente sendo jornalista de uma grande rede, com alcance muito grande. Liberdade, sim, mas com responsabilidade.

PCFilho

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Sobre a violência contra tricolores

Agora há pouco, recebi um relato de violência contra tricolores nas ruas do Rio de Janeiro, que me atingiu especialmente, por ter sido contra dois amigos meus (Vândalos hostilizam e jogam bomba em dois tricolores na Zona Sul do Rio - Globoesporte). E o pior é que não foi a primeira notícia de agressão física gratuita contra torcedores e profissionais do Fluminense (vide Torcedores do Flu relatam casos de hostilidade após julgamento no STJD - Globoesporte e Horas depois do julgamento, atacante do Fluminense é hostilizado no Galeão - Blog Bastidores FC). Além disso tudo, ainda há a "batalha virtual", travada na internet, nas redes sociais, com campanhas do tipo "dezenove contra um".

Três amigos já vieram me pedir um conselho sobre sair à rua com a camisa do Fluminense. A eles, dei uma resposta que me enoja, e me faz pensar se vivemos mesmo em uma democracia: "melhor não". Vejam a que ponto chegamos: para garantirmos nossa integridade física, não podemos vestir nossa camisa preferida, aquela que é praticamente nossa segunda pele. Fomos proibidos por uma ditadura velada: ostentar as nossas três lindas cores hoje em dia equivale, sem exagero e de forma absolutamente injusta, a andar por aí com uma suástica tatuada na testa.

Por que este absurdo está acontecendo? Por que estão hostilizando inocentes nas ruas, como se nós fôssemos os responsáveis por alguma horrível barbárie?

Ainda que o Fluminense tivesse tido alguma participação em "viradas de mesa" do futebol brasileiro (o que definitivamente nunca aconteceu, conforme já esclareci aqui), que culpa os torcedores do clube teriam nisso? A resposta é, obviamente, nenhuma.

É importante ressaltar que estas ações violentas contra os tricolores nas ruas não são culpa apenas dos imbecis que as perpetram. Estes são apenas a ponta do iceberg. A verdadeira causa deste sentimento generalizado de ódio contra inocentes está no comportamento nazista da imprensa. Jornalistas irresponsáveis, como os senhores Renato Maurício Prado e Mauro Cezar Pereira, entre outros, incentivaram e alimentaram este sentimento, e têm em suas mãos o sangue das vítimas atuais e futuras. Sem noção do alcance que têm, estes idiotas que povoam a mídia esportiva conseguiram criar a maior campanha de ódio da história do Brasil.

O dano causado ao nosso Fluminense, patrimônio do esporte brasileiro, exemplo histórico de fidalguia, já é incomensurável. Mas ainda há tempo de agir. À diretoria do Fluminense, da qual sou ferrenho crítico, eu imploro: tomem providências sérias. Esta é a maior crise de nossa história. Estamos sofrendo agressões gratuitas apenas porque somos tricolores, um absurdo, repito, análogo ao ódio nazista aos judeus. Na condição de torcedor do Fluminense, exijo que o clube tome ações concretas contra estes senhores e estas instituições responsáveis pela campanha de ódio contra o maior clube do país.

Às autoridades da Polícia e da Justiça, rogo que façam cumprir a Lei deste país, que é uma democracia e deveria garantir aos seus cidadãos a plena liberdade de expressão e o direito inalienável de ir e vir. Estas ações violentas contra os torcedores do Fluminense precisam ser severamente punidas. Sem desculpas, sem relativismos. A situação que estamos vivendo é inadmissível em qualquer circunstância, e está se tornando insustentável. As consequências da escalada de violência contra os tricolores são óbvias. Se os crimes já cometidos passarem impunes, mais cedo ou mais tarde, alguém será gravemente ferido ou, Deus nos livre, coisa pior.

Aos jornalistas canalhas que difamaram e denegriram o Fluminense nas últimas semanas, e são, repito, os grandes responsáveis por esta situação de calamidade, espero que um dia paguem na Justiça pelo que fizeram. Mas se quiserem mesmo se redimir, poderiam começar por uma retratação, com um pedido público de desculpas. É o mínimo que poderiam fazer neste momento de tensão, se tiverem um mínimo resquício de caráter.

Aos torcedores do Fluminense, peço paciência. Pela integridade física, repito o conselho dado acima: melhor, por ora, evitar usar na rua as mais belas camisas do planeta. Mas não fujamos à luta. Eu sei que está difícil, mas não se calem. Defendam o Fluminense com unhas e dentes, nas ruas e aqui na web (e futuramente na Justiça). Os canalhas não vão nos vencer.

PCFilho

domingo, 5 de maio de 2013

#TalibãTricolor - Repercussão pelo mundo

A torcida do Fluminense, esbanjando criatividade, deu um show, e levou o nome do clube aos jornais de todo o mundo com a campanha #TalibãTricolor. O Fluminense FC, em nota oficial, desencorajou a campanha, o que só fez aumentar o interesse no assunto. Vejam abaixo a repercussão em diversos países:

BBC (Grã-Bretanha)

Le Monde (França)


Khaama Press (Afeganistão)

Augsburger Allgemeine (Alemanha)

Eurosport (Grã-Bretanha)

Voetbalzone (Holanda)

Gazete Haberci (Turquia)

The Times (Grã-Bretanha)

The Australian (Austrália)

The National (Emirados Árabes Unidos)


The Independent (Grã-Bretanha)

Todas estas repercussões, principalmente as negativas, são consequência de o próprio clube e a imprensa brasileira esbanjarem hipocrisia na defesa do "politicamente correto"... E o mais engraçado é que só alimentaram a campanha...

PCFilho

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A prova inequívoca da existência da Flapress


Amigos, examinem a figura acima. Alerto logo: não se trata de ilustração de um blog flamenguista, ou do "Jornal da Nação". Trata-se da capa do caderno de esportes d'O Globo da última quarta-feira.

Cabe a descrição detalhada do cartaz quase hollywoodiano, para que os leitores percebam cada detalhe da obra. O nome da saga é "A Era Zico - Parte II". O personagem principal é Arthur Antunes Coimbra, o Zico, semi-deus banhado em ouro que surge imponente acima de todos. Atrás da figura dourada, aparece a massa de fanáticos, empunhando bandeiras estampadas com o rosto de seu líder supremo. Abaixo, encontram-se o próprio Partenon grego (!!!!!!!), e duas figuras com rostos abobalhados, como que babando de admiração pelo ser superior (a presidente Patrícia Amorim e o treinador Rogério Lourenço).

Entendo o entusiasmo dos flamenguistas com a contratação de Zico para o cargo de diretor executivo de futebol (apesar de o Galinho nunca ter exercido tal função, nem possuir formação acadêmica compatível). A empolgação da massa rubro-negra tem motivos óbvios: Zico é o maior ídolo da história do Flamengo, marcou centenas de gols com a camisa preta e vermelha, e deu ao clube três Campeonatos Brasileiros e uma Libertadores, entre outros títulos. O torcedor, do alto de sua paixão, tem o direito de sofrer seus delírios de grandeza, de achar que Zico pode solucionar os gravíssimos problemas estruturais do clube. Os jornais também possuem o direito de considerar a notícia da assunção de Zico digna de suas manchetes.

Os jornais só não têm um direito: distorcer as coisas. Esta capa d'O Globo é tão surreal, tão bizarra, tão inacreditável, que ainda acho que ela de fato não existiu.

Eu lia este caderno de esportes desde minha infância, praticamente todos os dias. Deixei de lê-lo no primeiro semestre do ano passado, quando percebi que a intenção do espaço era aumentar o Flamengo e diminuir os outros clubes do Rio de Janeiro. O estopim foi uma coluna de Renato Maurício Prado, intitulada "Tri-Vice", às vésperas da final do Campeonato Carioca, entre o então bicampeão Flamengo e o então "bi-vice" Botafogo. Na condição de tricolor nato e confesso, eu não tinha nada a ver com aquela final. Mas a empáfia, a soberba e a arrogância daquela coluna rubro-negra me fizeram desistir daquelas páginas para sempre.

Não sei por que eu ainda me surpreendia. Em 2008, o mesmíssimo caderno já publicara que "o Fluminense é um clube com a vocação para ser regional no nome" (sic). Isso mesmo, em 2008, poucas semanas após o Fluminense ter chegado à maior final continental, tendo perdido a batalha apenas nos pênaltis!

Lembro a todos que, em 2008, chegou à presidência do Vasco da Gama Roberto Dinamite, tido por muitos como o maior ídolo da história do clube. Pergunto: por que Dinamite não mereceu uma capinha com ares épicos n'O Globo? Ora, ele foi levado ao cargo pelos sócios vascaínos, eleito democraticamente, e não recebe um centavo para exercer a função. Sinceramente, a chegada de Dinamite à presidência do Vasco merecia muito mais cartaz que esta nova empreitada de Zico.

Até anteontem, eu ainda escutava uns poucos sujeitos duvidando da existência da imprensa rubro-negra. Depois desta capa, não podem restar dúvidas: a Flapress existe, e atua incessantemente em favor do rubro-negro. Que vendam seus jornais para os alienados. A cor do meu dinheiro, não verão, nunca mais.

PC

PS: se a coisa desandar na Gávea, a capa épica poderá virar motivo de piada. Só faltarão um J e um acento agudo...