quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Algum campeão já foi rebaixado no ano seguinte ao título?


Faltando 6 rodadas para o encerramento do Campeonato Brasileiro de 2013, o Fluminense, campeão do ano passado, corre sério risco de rebaixamento, estando em 16º lugar na tabela de classificação, apenas uma posição acima da zona de descenso.

O rebaixamento do campeão do ano anterior seria um fato inédito na história do Campeonato Brasileiro. Até hoje, o máximo que aconteceu foi um campeão cumprir campanha ruim em uma temporada sem rebaixamento: por exemplo, o Corinthians, campeão em 1999, terminou a edição de 2000 em penúltimo lugar, com apenas 16 pontos ganhos em 24 jogos. O Campeonato Brasileiro de 2000, entretanto, não previa o rebaixamento de nenhum clube, e portanto o Corinthians escapou do vexame.

Nos Campeonatos Estaduais, já houve casos de campeões rebaixados ou mesmo ausentes no ano seguinte. No Rio de Janeiro, o Botafogo foi campeão em 1910 e abandonou o Campeonato de 1911 em solidariedade a um atleta suspenso pela Liga, só retornando ao certame em 1913, quando terminou vice-campeão. Também no Rio, o Vasco da Gama, campeão em 1923, foi excluído do Campeonato de 1924, porque não se adequou ao regulamento que proibia jogadores profissionais. Ainda no Rio, o Botafogo, campeão de 1932, não quis disputar o Campeonato de 1933, primeiro da era profissional.

O Sport Recife, campeão pernambucano de 1977, não participou do torneio de 1978, devido a divergências com a Federação. Campeão alagoano de 2008, o CSA foi rebaixado em 2009. Campeão amazonense de 2008, o Holanda foi rebaixado em 2009. Campeão tocantinense de 2008, o Tocantins foi rebaixado em 2009. Campeão rondoniense de 2012, o Ji-Paraná foi rebaixado em 2013 (e a má fase extrapolou as quatro linhas: o mascote vivo Tissoka, galo que acompanhava todos os jogos do clube, acabou morto tragicamente, engolido por uma sucuri).

Em outros países do mundo, já houve vários casos de campeões nacionais rebaixados no ano seguinte. No Equador, nossa hoje conhecida LDU Quito foi bicampeã nacional em 1998 e 1999, e rebaixada em 2000, após terminar na penúltima colocação na tabela agregada.

Na Bolívia, houve dois casos: o Universitario de La Paz, campeão em 1969, rebaixado em 1970; e o Jorge Wilstermann, campeão do Apertura 2010, rebaixado no Clausura 2010. No Chile, a Universidad Católica foi campeã em 1954 e rebaixada em 1955.

No México, o Marte foi campeão em 1954 e rebaixado em 1955. Na Costa Rica, o El Carmen FC venceu um dos dois Campeonatos paralelos de 1961, mas mesmo assim foi obrigado a disputar um play-off para entrar no Campeonato Unificado de 1962, e não conseguiu se classificar, tendo que jogar a segunda divisão.

Em Aruba, o San Luis Deportivo levantou a taça em 1984 e caiu em 1985. Na Jamaica, o Violet Kickers levantou a taça em 1996 e caiu em 1997. Na República Dominicana, aconteceu com dois clubes: o Deportivo Pantoja (campeão em 2001, rebaixado em 2002) e o Baninter/Jarabacoa (campeão em 2003, rebaixado em 2005 - não houve torneio em 2004). Na pequena ilha caribenha Santa Lúcia, o Roots Alley Ballers levantou a taça em 2009 e sofreu o descenso em 2010.

Um dos casos mais bizarros da história é o do EP Sétif, campeão argelino de 1987 e rebaixado em 1988. Isto porque o clube venceu a Copa dos Campeões Africanos em 1988, se tornando assim campeão continental mesmo tendo sido rebaixado para a segunda divisão de seu país (!). Também na Argélia, o USM El Harrach foi campeão em 1998 e rebaixado em 1999.

Em Camarões, o Aigle Nkongsamba foi campeão em 1994 e rebaixado em 1995. No Congo, o Saint Michel de Ouenzé levantou a taça em 2010 e caiu em 2011. Na Nigéria, houve três casos: Stationery Stores (campeão em 1992, rebaixado em 1993 por não comparecer a alguns jogos), Shooting Stars (campeão em 1998, rebaixado em 1999) e Bayelsa United (campeão em 2009, rebaixado em 2010). Na Guiné, o AS Kaloum Star foi campeão em 2007, e rebaixado em 2008 (por não comparecer a 2 jogos). Na Guiné-Bissau, o UDIB foi campeão em 2003 e rebaixado em 2004 (por não comparecer a 2 partidas); e o Atlético Bissorã foi campeão em 2011 e rebaixado em 2013 (não houve torneio em 2012).

Na Dinamarca, o pequeno clube Herfølge BK surpreendeu o país ao vencer o Campeonato de 2000, sua única conquista na história. Mas em 2001, o Herfølge BK voltou ao desempenho esperado: terminou em penúltimo e foi rebaixado. Outros dois clubes dinamarqueses já haviam passado também por esta situação constrangedora. O Hvidovre foi campeão em 1973 e rebaixado em 1974. O KB, tricampeão em 1948, 1949 e 1950, foi surpreendentemente rebaixado em 1951 - mas sua volta por cima merece registro: subiu em 1952 e foi novamente campeão em 1953.

Na Inglaterra, o hoje poderoso Manchester City já passou por este drama: campeão inglês em 1937, o clube foi rebaixado em 1938, e demorou para voltar: não conseguiu o acesso em 1939, e as temporadas seguintes não aconteceram devido à entrada da Inglaterra na II Guerra Mundial. O futebol inglês só teve o calendário restabelecido em 1947, quando o City pôde finalmente vencer a segunda divisão e retornar à elite.

Na Irlanda, o Shelbourne foi campeão em 2006, e meses depois foi rebaixado administrativamente, por causa de problemas financeiros. Já no País de Gales, o Barry Town foi campeão em 2003 e rebaixado em 2004, e um caso curioso aconteceu em 2010: o Rhyl, campeão de 2009, terminou o Campeonato em 6º lugar (entre 18 participantes), e mesmo assim foi rebaixado, numa virada de mesa de fazer corar os especialistas brasileiros no assunto (em 2011, jogaram a Primeira Divisão os 5 primeiros lugares de 2010, e do 7º ao 13º lugares - além do Rhyl, os 2 primeiros da Segundona, que tinham direito à vaga na Primeira, também foram ceifados).

Na Alemanha, o único caso até hoje de campeão rebaixado no ano seguinte até hoje foi o do 1.FC Nürnberg, campeão em 1968 e rebaixado em 1969. Em Luxemburgo, o Union levantou a taça em 1927 e caiu em 1928. Em Andorra, a Constel-lació Esportiva venceu o Campeonato de 2000 com 12 vitórias em 12 jogos, e a Copa de 2000 com 7 vitórias e 1 empate em 8 jogos, mas meses depois foi banida por 7 anos pela Federação, por supostas irregularidades financeiras.

Na Áustria, um caso impressionante: o FC Tirol Innsbruck, clube fundado em 1993, venceu o Campeonato Nacional 3 vezes seguidas, em 2000, 2001 e 2002, mas logo após a conquista do tri foi dissolvido pela Federação, por não cumprir as regras financeiras da entidade.

Na França e na Itália, houve casos de rebaixamentos de campeões, mas não por desempenhos ruins em campo, e sim por causa de escândalos de corrupção e manipulação de resultados. São os casos do Olympique Marseille, campeão francês em 1992, campeão desqualificado em 1993 e rebaixado administrativamente em 1994, e do Milan, campeão italiano em 1979 e rebaixado administrativamente em 1980.

Na Finlândia, três clubes já passaram pelo vexame: Ilves-Kissat (campeão em 1950, rebaixado em 1951), TPV (campeão em 1994, rebaixado em 1995) e Haka Valkeakoski (campeão em 1995, rebaixado em 1996). Nas Ilhas Faroe, o B71 foi campeão em 1989 e rebaixado em 1990.

Na Noruega, já aconteceu quatro vezes: o Freidig (Trondheim) foi campeão em 1948 e rebaixado em 1949; o Fram (Larvik) foi campeão em 1950 e rebaixado em 1951; o SK Brann foi bicampeão em 1962 e 1963 e rebaixado em 1964; e o Lyn (Oslo) foi campeão em 1968 e rebaixado em 1969.

Na Suécia, também 4 times campeões já sofreram rebaixamento no ano seguinte ao título: Helsingborgs IF (bicampeão em 1933 e 1934, rebaixado em 1935); GAIS (campeão em 1954, rebaixado em 1955); Djurgårdens IF (campeão em 1959, rebaixado em 1960) e IFK Göteborg (campeão em 1969, rebaixado em 1970).

Na Holanda, houve um caso: o RCH foi campeão em 1953 e rebaixado em 1954. Israel tem dois: o Hapoel Kfar-Saba, campeão em 1982, rebaixado em 1983; e o Hapoel Tel-Aviv, campeão em 1988, rebaixado em 1989.

Na Polônia, aconteceu com o Ogniwo Bytom (campeão em 1954, rebaixado em 1955). Em Malta, o Rabat Ajax foi campeão em 1986 e rebaixado em 1987. Na ilha de Gozo (território de Malta com uma Federação independente), o Zebbug Rovers foi campeão em 2004 e rebaixado em 2005. Em San Marino, aconteceu com o La Fiorita (campeão em 1990, rebaixado em 1991).

No Uzbequistão, o MHSK Tashkent foi campeão em 1997 e caiu em 1998. No Vietnã, o Cang Saigon foi campeão em 2002 e caiu em 2003. Na Indonésia, o PSIS (Semarang) foi campeão em 1999 e rebaixado em 2000; o Petrokimia Putra (Gresik) foi campeão em 2002 e rebaixado em 2003; e o Persebaya foi campeão em 2004 e rebaixado em 2005 (por se recusar a jogar a última partida do play-off).

Para finalizar o post, uma história curiosa do CSKA Moscou, campeão soviético em 1946, 1947, 1948, 1950 e 1951. Após começar o Campeonato de 1952 com 3 vitórias, o clube foi simplesmente banido do torneio, por ordem direta do ditador Josef Stalin, como punição pelo desempenho ruim da Seleção da União Soviética nos Jogos Olímpicos de Helsinki (!!!) - o time era a base da seleção, com 5 jogadores. O clube só foi readmitido na primeira divisão soviética em 1954, após a morte de Stalin.

Se o leitor conhecer mais algum caso de campeão rebaixado no ano seguinte, em qualquer campeonato do mundo, por favor entre em contato nos comentários.

PCFilho
(fontes: arquivo pessoal, RSSSF, Wikipedia)

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