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terça-feira, 9 de maio de 2017

Comparativo de desempenho dos clubes no Carioca x Brasileiro (2000-2016)


Atendendo a pedidos, faço abaixo um comparativo do desempenho dos clubes do Rio de Janeiro nos Campeonatos Carioca e Brasileiro, ano a ano, desde a temporada de 2000. Ao fim do comparativo, listo algumas conclusões deduzidas logicamente dos dados.

2000:
Fluminense: 4º lugar no Carioca; 3º lugar na 1ª fase do Brasileiro; 9º lugar geral do Brasileiro.
Flamengo: Campeão Carioca; 15º lugar na 1ª fase do Brasileiro; 19º lugar geral do Brasileiro.
Vasco: 2º lugar no Carioca; 5º lugar na 1ª fase do Brasileiro; Campeão Brasileiro.
Botafogo: 3º lugar no Carioca; 16º lugar na 1ª fase do Brasileiro; 20º lugar geral do Brasileiro.

2001:
Fluminense: 4º lugar no Carioca; 3º lugar na 1ª fase e no geral do Brasileiro.
Flamengo: Campeão Carioca; 24º lugar na 1ª fase e no geral do Brasileiro.
Vasco: 2º lugar no Carioca; 11º lugar na 1ª fase e no geral do Brasileiro.
Botafogo: 5º lugar no Carioca; 23º lugar na 1ª fase e no geral do Brasileiro.

2002:
Fluminense: Campeão Carioca; 7º lugar na 1ª fase do Brasileiro; 4º lugar geral do Brasileiro.
Flamengo: 8º lugar no Carioca; 18º lugar na 1ª fase e no geral do Brasileiro.
Vasco: 5º lugar no Carioca; 15º lugar na 1ª fase e no geral do Brasileiro.
Botafogo: 7º lugar no Carioca; 26º lugar na 1ª fase e no geral do Brasileiro.

2003:
Fluminense: 2º lugar no Carioca; 19º lugar no Brasileiro.
Flamengo: 3º lugar no Carioca; 8º lugar no Brasileiro.
Vasco: Campeão Carioca; 17º lugar no Brasileiro.
Botafogo: 5º lugar no Carioca; não disputou o Brasileiro.

2004:
Fluminense: 3º lugar no Carioca; 9º lugar no Brasileiro.
Flamengo: Campeão Carioca; 17º lugar no Brasileiro.
Vasco: 2º lugar no Carioca; 16º lugar no Brasileiro.
Botafogo: 5º lugar no Carioca; 20º lugar no Brasileiro.

2005:
Fluminense: Campeão Carioca; 5º lugar no Brasileiro.
Flamengo: 8º lugar no Carioca; 15º lugar no Brasileiro.
Vasco: 5º lugar no Carioca; 12º lugar no Brasileiro.
Botafogo: 3º lugar no Carioca; 9º lugar no Brasileiro.

2006:
Fluminense: 8º lugar no Carioca; 15º lugar no Brasileiro.
Flamengo: 11º lugar no Carioca; 11º lugar no Brasileiro.
Vasco: 9º lugar no Carioca; 6º lugar no Brasileiro.
Botafogo: Campeão Carioca; 12º lugar no Brasileiro.

2007:
Fluminense: 9º lugar no Carioca; 4º lugar no Brasileiro (empatado em pontos com o Flamengo, com mais gols-pró e menos gols-contra, vencedor no confronto direto, perdendo o 3º lugar no bizarro critério do número de vitórias, adotado somente no Brasil).
Flamengo: Campeão Carioca; 3º lugar no Brasileiro.
Vasco: 4º lugar no Carioca; 10º lugar no Brasileiro.
Botafogo: 2º lugar no Carioca; 9º lugar no Brasileiro.

2008:
Fluminense: 3º lugar no Carioca; 14º lugar no Brasileiro.
Flamengo: Campeão Carioca; 5º lugar no Brasileiro.
Vasco: 4º lugar no Carioca; 18º lugar no Brasileiro.
Botafogo: 2º lugar no Carioca; 7º lugar no Brasileiro.

2009:
Fluminense: 4º lugar no Carioca; 16º lugar no Brasileiro.
Flamengo: Campeão Carioca; Campeão Brasileiro.
Vasco: 3º lugar no Carioca; não disputou o Brasileiro.
Botafogo: 2º lugar no Carioca; 15º lugar no Brasileiro.

2010:
Fluminense: 3º lugar no Carioca; Campeão Brasileiro.
Flamengo: 2º lugar no Carioca; 14º lugar no Brasileiro.
Vasco: 4º lugar no Carioca; 11º lugar no Brasileiro.
Botafogo: Campeão Carioca; 6º lugar no Brasileiro.

2011:
Fluminense: 2º lugar no Carioca; 3º lugar no Brasileiro.
Flamengo: Campeão Carioca; 4º lugar no Brasileiro.
Vasco: 6º lugar no Carioca; 2º lugar no Brasileiro.
Botafogo: 3º lugar no Carioca; 9º lugar no Brasileiro.

2012:
Fluminense: Campeão Carioca; Campeão Brasileiro.
Flamengo: 3º lugar no Carioca; 11º lugar no Brasileiro.
Vasco: 4º lugar no Carioca; 5º lugar no Brasileiro.
Botafogo: 2º lugar no Carioca; 7º lugar no Brasileiro.

2013:
Fluminense: 3º lugar no Carioca; 15º lugar no Brasileiro.
Flamengo: 2º lugar no Carioca; 16º lugar no Brasileiro.
Vasco: 4º lugar no Carioca; 18º lugar no Brasileiro.
Botafogo: Campeão Carioca; 4º lugar no Brasileiro.

2014:
Fluminense: 3º lugar no Carioca; 6º lugar no Brasileiro.
Flamengo: Campeão Carioca; 10º lugar no Brasileiro.
Vasco: 2º lugar no Carioca; não disputou o Brasileiro.
Botafogo: 9º lugar no Carioca; 19º lugar no Brasileiro.

2015:
Fluminense: 4º lugar no Carioca; 13º lugar no Brasileiro.
Flamengo: 3º lugar no Carioca; 12º lugar no Brasileiro.
Vasco: Campeão Carioca; 18º lugar no Brasileiro.
Botafogo: 2º lugar no Carioca; não disputou o Brasileiro.

2016:
Fluminense: 3º lugar no Carioca; 13º lugar no Brasileiro.
Flamengo: 4º lugar no Carioca; 3º lugar no Brasileiro.
Vasco: Campeão Carioca; não disputou o Brasileiro.
Botafogo: 2º lugar no Carioca; 5º lugar no Brasileiro.

Conclusões:

I) o ranking de Campeões Cariocas no período 2000-2016 é o seguinte: Flamengo com 8 títulos, o Fluminense com 3, o Vasco com 3, e o Botafogo com 3. Se o campeão carioca de cada ano fosse determinado pela colocação do Campeonato Brasileiro, o ranking seria o seguinte: Fluminense com 7 títulos (9 se considerarmos a classificação da 1ª fase de 2000 e a inusitada situação de 2007), Flamengo com 6, Vasco com 3 e Botafogo com 1. Vale ressaltar que somente Fluminense e Flamengo disputaram todas as 17 edições do Brasileirão de 2000 a 2016, pois o Vasco ficou 3 vezes de fora, e o Botafogo 2. O Flamengo parece ter um desempenho muito superior no Campeonato Carioca em relação ao Campeonato Brasileiro; já o Fluminense parece ter um desempenho muito superior no Campeonato Brasileiro em relação ao Campeonato Carioca. Curioso, não? Isso me faz lembrar do que aconteceu na recém-disputada final do Campeonato Carioca de 2017...

II) nas 8 temporadas em que o Flamengo foi o campeão carioca entre 2000 e 2016, só conseguiu ser o melhor do Rio no Brasileirão 3 vezes, em 2007, 2008 e 2009, sendo que em 2007 só ficou à frente do Fluminense devido a um critério de desempate inusitado. Em comparação, o Fluminense foi o melhor do Rio no Brasileirão nas 3 temporadas em que havia se sagrado campeão carioca (em 2002, 2005 e 2012).

III) terminar o Brasileirão entre os 4 primeiros lugares é uma façanha digna de aplausos, que só times notavelmente bons conseguiram alcançar ao longo da história. Porém, ser um dos 4 melhores times do Brasil não é garantia de sucesso no Campeonato Carioca, a menos que estejamos falando de um certo clube que veste preto e vermelho:
- entre 2000 e 2016, o Fluminense terminou 6 vezes no G4 do Brasileirão (2001, 2002, 2007, 2010, 2011 e 2012), mas nesses anos só foi campeão carioca duas vezes (em 2002 e 2012).
- entre 2000 e 2016, o Vasco terminou 2 vezes no G4 do Brasileirão (2000 e 2011), mas nesses anos não conseguiu ser campeão carioca.
- entre 2000 e 2016, o Botafogo terminou 1 vez no G4 do Brasileirão (2013), e foi o campeão carioca do ano, mas vale ressalvar que este foi um ano muito ruim para os outros 3 clubes, com o Fluminense, o Flamengo e o Vasco terminando o Brasileirão em 15º, 16º e 18º lugares, respectivamente.
- entre 2000 e 2016, o Flamengo terminou 4 vezes no G4 do Brasileirão (2007, 2009, 2011 e 2016). Nestes anos, foi campeão carioca 3 vezes (2007, 2009 e 2011). Em 2016, estava brigado com a Federação do Rio de Janeiro. Que coincidência, né?

Os dados e conclusões acima, por si só, naturalmente não constituem provas de que o Flamengo é favorecido no Campeonato Carioca. Porém, aliados às imagens de seguidos erros de arbitragem sempre favoráveis ao Flamengo, constituem no mínimo evidências bastante concretas da tese.

São fortes evidências de que a hegemonia recente do Flamengo no Campeonato Carioca é consequência de seguidas fraudes esportivas. Repito a pergunta que fiz em meu recente texto no NETFLU: eles veem mesmo graça em vencer assim?

PCFilho
(agradecimentos aos amigos Leandro Pontes e Leo João pela excelente sugestão do post)

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Afinal, o Fluminense deve a Série B?

Charge: Mario Alberto.

O Fluminense, todos deveriam saber, é o clube mais importante da história do futebol brasileiro, o pioneiro, o fundador da Seleção Brasileira, o inspirador das fundações dos próprios rivais, o dono do primeiro estádio do país, e um dos maiores colecionadores de troféus do mundo. Como se não bastasse, é ainda o maior exemplo de fair-play e fidalguia dentre as nossas agremiações: afinal, que outro clube pode dizer que devolveu voluntariamente uma taça conquistada em campo após descobrir que descumprira sem querer um item do regulamento?

Apesar de tudo isso, vez por outra os tricolores são obrigados a ler ou ouvir que "o Fluminense é o time do tapetão", que "o Fluminense é o clube mais sujo do Brasil", que "o Fluminense é o clube mais ajudado do país", que "o Fluminense deve a Série B". O objetivo deste post é demonstrar que não, o Fluminense não é sujo, não é ajudado, e não "deve" campeonato nenhum a ninguém; e que quem utiliza este tipo de argumento está apelando para falácias e mentiras, já totalmente desmascaradas.

A conversa fiada da suposta "dívida" do Fluminense começa em 1996, ano em que, pela primeira vez em sua história, o clube terminou o Campeonato Brasileiro entre os últimos colocados - o que resultaria no rebaixamento para a Série B. Entretanto, no ano seguinte, escutas telefônicas comprovaram que Ivens Mendes, então presidente da CONAF (Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol), combinou resultados com os dirigentes de Corinthians e Atlético Paranaense, no caso que ficou conhecido como "1-0-0". Escândalos parecidos em outros países do mundo resultaram em punições severas, inclusive rebaixamentos dos clubes envolvidos, mas aqui a impunidade venceu. O Atlético Paranaense recebeu a branda punição de 5 pontos descontados no Campeonato de 1997 - e o poderoso Corinthians, nem isso. Fluminense e Bragantino tiveram, natural e justamente, seus rebaixamentos cancelados - afinal, o Campeonato Brasileiro de 1996 estava comprometido. Não se pode, evidentemente, falar em "dívida" do Fluminense neste caso. Se há "devedores" aqui, são os clubes envolvidos nas manipulações de resultados, claro. (vide post A verdade sobre 1996)

Trechos dos diálogos de Ivens Mendes com dirigentes de Corinthians e Atlético Paranaense.

No Campeonato Brasileiro de 1997, o Fluminense voltou a ser rebaixado, em uma competição com diversas arbitragens prejudiciais ao clube. Ficou evidente o intuito de alguns árbitros de fazer "justiça" com o próprio apito, como se o Fluminense fosse culpado de alguma coisa. Ainda assim, o Fluminense aceitou o resultado do torneio, e foi disputar a Série B em 1998 - logo, novamente, não se pode falar em "dívida" alguma.

(uma observação relevante: se o Corinthians tivesse sofrido a mesma punição de 5 pontos que o Atlético Paranaense sofreu pelo caso Ivens Mendes, o clube paulista também teria sido rebaixado em 1997, como se pode verificar na tabela final do Campeonato. Ouvi algum corinthiano gritando "PAGUE A SÉRIE B"? Ah, tá!)

Em 1998, o Fluminense cumpriu o rebaixamento sofrido no ano anterior, e disputou, conforme o previsto, a Série B, um torneio com um regulamento bastante exótico, com apenas dez rodadas. Para o leitor ter uma ideia do absurdo: na última rodada, o Fluminense poderia tanto se classificar para a fase seguinte, quanto ser rebaixado para a Série C (!). O Tricolor acabou não conseguindo a vitória de que precisava, e assim sofreu o inimaginável descenso para a terceira divisão do futebol nacional. Então, o que fez o dito "clube do tapetão", "o mais ajudado", "o mais sujo do país"? Adivinhem: foi disputar a Série C, com a maior dignidade do mundo. E até no pior momento de sua história, demonstrou sua grandeza, ao contratar simplesmente Carlos Alberto Parreira - o treinador campeão da Copa do Mundo de 1994 - para dirigir o clube no fundo do poço.

Essa os detratores não explicam: como pode o Fluminense, este clube que "é o rei do tapetão", que "sempre vira a mesa", ter ido a campo jogar a terceira divisão do Campeonato Brasileiro de 1999? Como os "poderosos tricolores da CBF e do STJD" deixaram isso acontecer? Onde estava o Fluminense em 1999? Sim, estava disputando a Série C, cumprindo o rebaixamento sofrido, exatamente conforme o previsto nos regulamentos assinados - por mais estapafúrdios que estes fossem. Em dezembro, após a disputa do quadrangular final com Náutico, Serra e São Raimundo, o Fluminense, glorioso Campeão Brasileiro de 1970 e 1984, levantava a taça da Série C, e começava sua subida de volta à elite do futebol nacional, no campo. Sem "dívida" alguma, portanto.

Paralelamente, era disputada a Série A do Brasileirão, que teria o Corinthians como campeão e uma grande polêmica na briga contra o rebaixamento. O São Paulo escalara, em diversas partidas, o atacante Sandro Hiroshi, irregularmente. Então, Botafogo e Internacional, os clubes grandes que brigavam contra o descenso, conseguiram na Justiça Desportiva os pontos das partidas contra o time paulista. (No entanto, os outros clubes que jogaram contra Sandro Hiroshi não receberam os pontos de seus jogos.) O Botafogo, que perdera a partida contra o São Paulo por 6 a 1, escapou do rebaixamento exatamente graças aos pontos concedidos pelo tribunal. O modesto Gama, do Distrito Federal, cairia no lugar do Alvinegro, mas não aceitou a situação e ingressou com ação na Justiça Comum. Estava armada a confusão.

(Abro parênteses para uma observação relevante: em 1996, o Fluminense poderia ter conquistado na Justiça os pontos do jogo contra o Santos, que escalara o atleta colombiano Usuriaga de maneira irregular - pontos que, se computados, seriam suficientes para que o clube escapasse do rebaixamento - ainda assim, preferiu o fair-play e não recorreu ao tapetão, vejam só!, que "clube sujo" é esse tal de Fluminense! Duvidam dessa demonstração de fidalguia? Leiam na matéria do portal Globoesporte.com.)

Para evitar punições da FIFA devido à ação do Gama na Justiça Comum, a CBF abriu mão de organizar o Campeonato Brasileiro de 2000. Foi criada, então, pelo Clube dos 13, a Copa João Havelange, para substituir o Brasileirão, com mais de 100 clubes participantes, dentre os quais, naturalmente, o Fluminense. O Tricolor, que se preparava para disputar a Série B, simplesmente não pôde disputá-la, porque ela não aconteceu, devido a problemas totalmente alheios ao próprio Fluminense - a confusão causada pelo caso Sandro Hiroshi. Novamente, portanto, não se pode falar em "dívida" alguma nesse caso.

"Ahhh, mas o Fluminense foi colocado no módulo principal, e deveria estar no módulo equivalente à Série B!". Repito: não havia "módulo equivalente à Série B". Todos os módulos da Copa João Havelange faziam parte da primeira divisão! Tanto foi assim que, ora, o São Caetano, oriundo do módulo dito inferior, acabou como vice-campeão da competição, conquistando até uma vaga na Copa Libertadores de 2001, o que, evidentemente, não seria possível se houvesse um "módulo equivalente à Série B".

Os fatos: o Fluminense fez uma excelente campanha na Copa João Havelange, terminando a primeira fase em 3º lugar em seu módulo (à frente até mesmo do Vasco, que viria a ser o campeão). Após ser eliminado nas oitavas-de-final, pelo São Caetano, o Tricolor terminou a competição na 9ª colocação - como pode ser verificado na tabela final do Campeonato.

A CBF oficializou a Copa João Havelange como o Campeonato Brasileiro de 2000 - dando o título de campeão ao Vasco, o título de vice-campeão ao São Caetano, e as vagas na Copa Libertadores de 2001 aos dois clubes. Portanto, eis o fato incontestável: o Fluminense foi, em campo, e de maneira indiscutível, o 9º colocado do Campeonato Brasileiro de 2000. 

Em 2001, a CBF retomou a organização do Campeonato Brasileiro, e naturalmente utilizou a classificação do Campeonato do ano anterior para definir os clubes participantes. Obviamente, o Fluminense, 9º colocado de 2000, só poderia estar na Série A. Afinal, se até Santos (18º), Flamengo (19º), Botafogo (20º), Atlético Mineiro (24º) e Corinthians (28º) estariam, por que o Fluminense (9º) não estaria? Novamente, portanto, não se pode falar em "dívida" alguma aqui. Vale lembrar que o Fluminense novamente confirmou em campo que merecia estar na primeira divisão do Campeonato Brasileiro: chegou às semifinais, tanto em 2001, quanto em 2002. E, desde então, nunca mais foi rebaixado.

Nunca mais foi rebaixado, nem mesmo em 2013, ano da mais recente polêmica do Brasileirão, apesar de ter terminado o domingo da última rodada dentro da zona de rebaixamento. Afinal, ainda não eram conhecidas do público as escalações de atletas suspensos por parte de dois clubes concorrentes - o Flamengo e a Portuguesa. Conforme o regulamento da competição, as agremiações que infringiram as regras receberam as devidas punições - com unanimidade nas duas instâncias de julgamento, vale lembrar. As punições, naturalmente, fazem parte do resultado de campo da competição. Como se pode verificar facilmente na tabela final do Campeonato, o Fluminense terminou a competição em 15º lugar, com o Flamengo em 16º e a Portuguesa em 17º. Novamente, portanto, não se pode falar em "dívida" alguma nesse caso.

Nos parágrafos acima, fui o mais didático e detalhado possível. Acho que é o suficiente para demolir, de uma vez por todas, o bizarro argumento do "Pague a Série B". Por fim, vamos citar Nelson Rodrigues, que sempre faz bem: "A irritação que o Fluminense provoca é um sintoma nítido, inequívoco e taxativo de glória".

PCFilho

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Caiu em Itaquera, o juiz opera! Capítulo 3!

Craque corintiano cercado por quatro atletas tricolores.

Até hoje, o Fluminense atuou somente 3 vezes no Itaquerão, o novo estádio do Corinthians, na zona leste de São Paulo, capital.

No Campeonato Brasileiro de 2014, no dia 31 de agosto, o Tricolor estreou em Itaquera com um empate, em 1 a 1. O árbitro Paulo Henrique Godoy Bezerra teve atuação desastrosa, com influência decisiva no placar do jogo. Deixou de marcar um pênalti de almanaque em Fred, e anulou gol legal de Henrique, alegando um impedimento que não existiu. Em suma: a arbitragem impediu a vitória do Fluminense. Veja abaixo as provas do crime:

Brasileirão 2014: Fred agarrado dentro da área: nada a marcar?

Brasileirão 2014: Henrique estava em posição legal para marcar o gol, mal anulado.

No Campeonato Brasileiro de 2015, no dia 2 de setembro, o Fluminense esteve pela segunda vez na chamada Arena Odebrecht Corinthians, e saiu derrotado por 2 a 0. Quando o duelo ainda estava empatado em 0 a 0, Cícero marcou um gol, que foi anulado por um hipotético impedimento (bota hipotético nisso). O árbitro da ocasião foi Sandro Meira Ricci. Foi o lance da imagem abaixo:

Brasileirão 2015: Cícero só poderia estar impedido se a linha do impedimento fosse curva.

Na Copa do Brasil de 2016, nesta quarta-feira 21, o Fluminense viajou a Itaquera pela terceira vez. Nova derrota tricolor, por 1 a 0. E a arbitragem de Rodolpho Toski Marques foi o que todos nós vimos. Nas palavras do treinador tricolor Levir Culpi"Foram seis lances importantes de interpretação do árbitro. E o resultado foi 6 a 0 para o Corinthians. Difícil de acreditar!". Levir se referiu aos três gols anulados - todos do Fluminense, e aos três pênaltis não-marcados, todos para o Fluminense.

Os três gols do Fluminense anulados foram, de fato, bem anulados. Não que fossem lances fáceis, mas os atletas tricolores estavam impedidos nas jogadas, ainda que por poucos centímetros (nada parecido com a escandalosa jogada do ano passado). Tenho a séria desconfiança de que, se esses três gols tivessem sido contra o Fluminense, um ou dois acabariam sendo validados. A demora na anulação do gol de Richarlison foi, no mínimo, estranha. Mas OK, vamos aos outros três lances, os erros de verdade, os pênaltis grosseiros ignorados pela arbitragem.

Empurrão de Giovanni Augusto em Cícero, no primeiro tempo: pênalti claro.

O primeiro pênalti ignorado pode ser visto no vídeo acima: um empurrão claríssimo de Giovanni Augusto em Cícero, indiscutivelmente dentro da área. O segundo pênalti também foi em Cícero, agarrado dentro da área em cobrança de escanteio da esquerda (infelizmente não encontrei vídeo). O terceiro pênalti foi em Richarlison, nos minutos finais: um pontapé impossível de não ser visto, a poucos metros do árbitro. É o lance do vídeo abaixo:

Como não marcar esse pênalti??

Gosto muito de futebol, mas convenhamos: coisas assim desanimam qualquer um... Para piorar, no domingo 25 o Fluminense volta ao Itaquerão, para partida válida pelo Campeonato Brasileiro. Estamos de olho, senhor Anderson Daronco... (e não esquecemos o que você fez na semifinal da Copa do Brasil do ano passado, a favor do Palmeiras)

PCFilho

O desabafo de Gum, citando os três jogos relatados nesse post:

Melhores momentos do jogo, incluindo alguns dos lances polêmicos:

sábado, 20 de setembro de 2014

Dossiê Flamengo - Brasileirão 2014

A incrível reação do Flamengo no Campeonato Brasileiro de 2014, saindo da lanterna para disputar uma vaga na Copa Libertadores, tem causado muito barulho entre as torcidas nos botecos, nos blogs e nas redes sociais.

No início do Brasileirão, o Flamengo era motivo de piada.
Charge de Mário Alberto, no Lance!.

Na noite de 5 de agosto, ainda em meio à crise rubro-negra, o senhor Leonardo Ribeiro, conhecido como Capitão Léo, personagem influente na política do Flamengo, publicou a seguinte frase na rede social Facebook:
Post original AQUI.

O canal Fox Sports fez reportagem sobre o assunto na época, citando outra frase suspeita:


Seja lá o que ele queira ter dito com "estou articulando junto à FERJ", o fato é que, desde então, como que por milagre, o Flamengo deixou de praticar o pior futebol do Campeonato e passou a vencer jogo após jogo. Enquanto isso, seus rivais na luta contra o rebaixamento tropeçavam seguidamente (muitas vezes em jogos apitados por árbitros da FFERJ - vejam aqui e aqui).

Com 3 pênaltis marcados em 3 jogos seguidos a favor do Flamengo (nas rodadas 16, 17 e 18), um deles inexistente, as reclamações começaram a surgir nas redes sociais. As reações se amplificaram de vez com a bizarra arbitragem de Flamengo 3 x 0 Coritiba, pela Copa do Brasil, em que os três gols rubro-negros se originaram em erros grosseiros do árbitro (dois pênaltis inexistentes marcados para o Flamengo e uma falta não-marcada para os paranaenses).

Na minha avaliação, os pênaltis da 16ª rodada (Flamengo 2 x 1 Atlético Mineiro) e da 17ª rodada (Criciúma 0 x 2 Flamengo) foram bem marcados (me acusem de tudo, menos de parcialidade, hein?). Nas minhas contas, assim, por enquanto, o Flamengo deve 5 pontos aos erros de arbitragem neste Campeonato Brasileiro.

Dois pontos são pela 18ª rodada (Vitória 1 x 2 Flamengo), em que o árbitro marcou pênalti em lance de bola na mão. E antes que venham argumentar que o pênalti para o Vitória também foi inventado (não concordo), já adianto: mesmo que se considere que o pênalti para o Vitória também foi fabricado, o pênalti para o Flamengo foi inventado antes, e portanto teve uma influência inegavelmente maior no resultado do jogo. Portanto, por favor, nem venham com essa falácia.

Continuando, dois pontos são pela 21ª rodada (Flamengo 1 x 0 Corinthians), em que houve um gol irregular validado e um pênalti fabricado para o Flamengo. E mais um ponto é pela 22ª rodada (Palmeiras 2 x 2 Flamengo), em que houve um gol irregular validado e um pênalti não-marcado contra o rubro-negro. Na opinião deste escriba, foram estes os erros de arbitragem que influenciaram resultados de jogos do Flamengo no Campeonato Brasileiro de 2014:

18ª RODADA: VITÓRIA 1 x 2 FLAMENGO (+2 pontos)

- Pênalti inventado (convertido por Alecsandro):


21ª RODADA: FLAMENGO 1 x 0 CORINTHIANS (+2 pontos)

- Gol irregular validado (impedimento):

- Pênalti inventado (perdido por Eduardo da Silva):


- Opinião do Blog do Gustavo: "Não é uma questão clubística. É fato, e foi notícia em todos os meios de comunicação do Brasil. O Flamengo foi favorecido por erros da arbitragem contra o Coritiba, na Copa do Brasil, e contra o Corinthians, no Campeonato Brasileiro."

- Matéria do Globoesporte: "Com gol irregular e arbitragem polêmica, Fla bate Corinthians. Impedido, Eduardo participa do lance da vitória. Timão reclama também de pênalti."

22ª RODADA: PALMEIRAS 2 x 2 FLAMENGO (+1 ponto)

- Gol irregular validado (toque de mão):

- Pênalti não-marcado em Henrique:


PCFilho

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O mais ajudado?


Quando publiquei aqui os Dossiês Bacalhau, Cachorrada e Urubu, esclareci que erros de arbitragem não entrariam nas listas de falcatruas dos clubes, por não poderem ser necessariamente imputados aos seus dirigentes e torcedores. Então, um leitor me sugeriu que eu publicasse listas de erros de arbitragem. E já que o dossiê do Flamengo foi o último, resolvi começar a nova série pelo rubro-negro da Gávea. Novamente: o intuito aqui não é menosprezar o clube nem os craques que vestiram sua camisa. É apenas mostrar erros de arbitragem históricos, que, convenhamos, sempre fizeram parte do esporte. Fiz uma seleção apenas dos lances em que os erros foram mais claros, com comprovação em vídeo, e em partidas valiosas ou decisivas. Vamos aos vídeos.

Campeonato Brasileiro de 1980 - Decisão - Flamengo 3 x 2 Atlético Mineiro
Em jogo com arbitragem muito controversa de José Assis Aragão, que expulsou 3 jogadores do Atlético Mineiro, o Flamengo venceu por 3 a 2 e conquistou seu primeiro Campeonato Brasileiro.


Copa Libertadores de 1981 - Jogo-desempate - Flamengo 0 x 0 Atlético Mineiro
No jogo-desempate da primeira fase da Copa Libertadores de 1981, no Serra Dourada, o árbitro carioca José Roberto Wright expulsa "meio-time" do Atlético Mineiro ainda no primeiro tempo, numa absurda demonstração de descontrole. Nos tribunais, o Flamengo confirma sua classificação à fase semifinal, e meses depois acaba sagrando-se campeão da Copa Libertadores.


Campeonato Brasileiro de 1982 - Oitavas-de-final - Sport Recife 2 x 1 Flamengo
O árbitro Oscar Scolfaro anula o terceiro gol do Sport Recife, que eliminaria o Flamengo, alegando que a bola saíra pela linha de fundo, o que claramente não aconteceu. O clube carioca se classificou graças ao erro, e semanas depois estava na decisão, tema do próximo vídeo...


Campeonato Brasileiro de 1982 - Decisão - Grêmio 0 x 1 Flamengo
O Flamengo vencia o Grêmio por 1 a 0, quando Andrade salvou um gol certo do Grêmio, em cima da linha, esticando o braço. O árbitro, o mesmo Oscar Scolfaro que beneficiara o Flamengo contra o Sport Recife, mandou seguir, e o Flamengo acabou sagrando-se campeão. Este foi eleito o oitavo maior erro de arbitragem da história do futebol pela revista Mundo Estranho.


Campeonato Brasileiro de 1983 - Decisão - Flamengo 3 x 0 Santos
O Santos havia vencido o primeiro jogo da decisão, no Morumbi, por 2 a 1, e jogava pelo empate no Maracanã. O Flamengo vencia por 1 a 0, até que Pita invade a área e é derrubado. Pênalti? O árbitro Arnaldo César Coelho marca obstrução. O Flamengo acaba vencendo por 3 a 0 e se sagra campeão brasileiro pela terceira vez em sua história.

Campeonato Carioca de 2007 - Decisão - Flamengo 2 x 2 Botafogo
Faltando muito pouco para terminar o segundo tempo, o bandeirinha Hilton Moutinho marca impedimento inexistente de Dodô, em lance que provavelmente seria o gol do título do Botafogo. O árbitro Djalma Beltrami expulsa o atacante botafoguense, e o Flamengo se sagra campeão na definição por pênaltis.


Campeonato Brasileiro de 2011 - Vasco duas vezes roubado
Nos dois clássicos Flamengo x Vasco do Campeonato Brasileiro de 2011, o Flamengo foi beneficiado pela arbitragem de Péricles Bassols. Em cada um dos jogos, houve um pênalti de almanaque, mas ambos foram ignorados pelo juiz carioca.


Campeonato Brasileiro de 2011 - Fluminense 0 x 1 FlamengoFlamengo 3 x 2 Fluminense
No Fla-Flu do turno, o árbitro Rodrigo Nunes de Sá deixou de expulsar o rubro-negro Airton, que já tinha cartão amarelo, após uma agressão criminosa em Souza, executada bem diante de seu nariz.
No Fla-Flu do returno, o árbitro Felipe Gomes da Silva teve atuação desastrosa, favorecendo o Flamengo em pelo menos 4 lances capitais: agressão de Renato em Rafael Moura não-punida; falta inventada de Lanzini que resultou em gol; pênalti ignorado em Márcio Rosário; e expulsão absurda de Souza.





PCFilho

sábado, 4 de janeiro de 2014

Dossiê Urubu



Após os estrondosos sucessos do Dossiê Bacalhau e do Dossiê Cachorrada, e meses de pesquisa (com ajuda especialmente dos grandes amigos Alexandre e Ramón), está aqui o aguardadíssimo Dossiê Urubu! Lembro a todos que esta postagem não tem o intuito de menosprezar ou diminuir a gloriosa história do Flamengo, clube que respeito e admiro, um dos maiores do Brasil e do mundo. O único objetivo desta é mostrar atitudes incorretas tomadas por dirigentes e torcedores do clube ao longo da história, como um alerta para que nunca mais se repitam. Sintam-se livres para utilizar o espaço dos comentários para fazer as suas considerações sobre estes e outros casos. Um outro lembrete: aqui não foram considerados erros de arbitragem que tenham eventualmente beneficiado o Flamengo, pois estes não podem ser necessariamente imputados à má fé de dirigentes ou torcedores do clube.

1912 - Entrando pela janela na primeira divisão do Carioca
Já em seu primeiro ano no futebol profissional, o Flamengo cabulou a segunda divisão do Campeonato Carioca. Graças à intercessão do Fluminense em seu favor junto à Liga, o Flamengo pôde começar sua jornada já na primeira divisão. Após ler isto, muitos rubro-negros se sentirão constrangidos ao bradar "Pague a Série B" para os rivais, né?

1927 - Trapaceando para se tornar "o Mais Querido"
A marca de água mineral Salutaris e o Jornal do Brasil promoveram um concurso para descobrir qual era o clube mais popular do Rio de Janeiro. Em jogo, estava a bonita Taça Salutaris. O torcedor deveria escrever o nome de seu time favorito no rótulo da garrafa de água, ou no cupom impresso no jornal. Nunca se bebeu tanta água mineral no Rio, e duas torcidas se engajaram especialmente na disputa, as de Vasco e Flamengo. E a torcida rubro-negra trapaceou, inutilizando milhares de rótulos com votos para o Vasco. A história completa desta bizarra conquista do Flamengo já foi contada aqui, neste link.

1979 - Virada de mesa: transformando um turno em um Campeonato
Em 1978, a CBD determinou que os Campeonatos Carioca e Fluminense fossem unificados (para os leigos: até então, havia dois campeonatos: o Campeonato da Capital era o Carioca, e o Campeonato do Interior era o Fluminense). Como as tabelas dos Campeonatos de 1978 já estavam confeccionadas, convencionou-se que eles seriam as fases preliminares do primeiro Campeonato Carioca unificado, cuja fase final seria disputada no começo de 1979. O Flamengo venceu a fase classificatória, que terminou em 3 de dezembro de 1978, numa emocionante final contra o Vasco. Em 23 de janeiro de 1979, entretanto, o Flamengo convocou um Conselho Arbitral para propor uma "virada de mesa": seria coroado como Campeão Carioca de 1978, e a fase final a ser disputada nas semanas seguintes seria um "Campeonato Especial". A proposta foi derrotada por 9 votos a 8. Entretanto, no dia seguinte, houve nova votação, e o Madureira mudou seu voto, fazendo vencedora a proposta da virada de mesa rubro-negra. O Flamengo venceu o "Campeonato Especial de 1979" (que nada mais era que a fase final do Campeonato Carioca de 1978) e, como acabaria campeão também do real Campeonato de 1979, declarou-se de forma bizarra "tricampeão em 2 anos". A Federação do Rio de Janeiro considera oficiais os "três" Campeonatos, apesar de ter organizado diversos outros "Campeonatos Especiais" ao longo da história (Torneios Abertos, Torneios Municipais, Torneios Extras e Taças Guanabara [entre 1965 e 1971 e em 1980, a Taça Guanabara foi um torneio à parte do Campeonato Carioca]), sem considerar nenhum deles na contagem dos Campeonatos oficiais.

1981 - Tapetão na Copa Libertadores
No jogo-desempate da primeira fase da Copa Libertadores de 1981, Flamengo e Atlético Mineiro brigavam pela classificação no Serra Dourada. Entretanto, a partida não terminou: foi encerrada pelo árbitro carioca José Roberto Wright aos 37 minutos do primeiro tempo, após o Atlético Mineiro ter 3 jogadores expulsos, de forma um tanto esquisita. No tribunal, o Flamengo foi declarado classificado à segunda fase, e acabou se sagrando campeão meses depois. Até 2009, esta havia sido a única classificação fora de campo na história da Copa Libertadores.

1981 - O ladrilheiro invade o gramado e esfria o jogo
Na decisão do Campeonato Carioca de 1981, o Flamengo vencia o Vasco por 2 a 0, e ia conquistando o título com relativa tranquilidade. Mas, aos 38 do segundo tempo, Ticão diminuiu, ressuscitando as chances do Vasco. Entretanto, logo após o gol do Vasco, o ladrilheiro Roberto Passos Pereira, torcedor do Flamengo, invadiu o gramado, e foi agredido pelo lateral-esquerdo vascaíno Gilberto. Instalou-se então uma confusão generalizada no Maracanã. Algum tempo depois, a partida foi reiniciada, mas o ladrilheiro conseguiu atingir seu objetivo, o de esfriar o Vasco, que não teve forças para continuar a reação.

1986 - Papeletas amarelas
Um conflito político interno do Flamengo, por causa do "sumiço" da quantia de 300 mil cruzados, trouxe à tona um dos maiores escândalos da história do futebol brasileiro. Vazaram registros em papeletas amarelas, que indicavam que o destino do dinheiro havia sido o suborno de juízes do Campeonato Carioca (o Flamengo foi campeão carioca em 1986, interrompendo uma série de 3 títulos seguidos do rival Fluminense). Apesar das muitas evidências contra o Flamengo, o clube não recebeu punição alguma. Em muitos países, casos similares resultaram em rebaixamento dos clubes envolvidos (na Itália, até mesmo os poderosos Milan e Juventus foram rebaixados administrativamente, devido a escândalo similar, anos antes).

1987 - Tentativa de tapetão na famosa Copa União
Ao contrário do que muitos insistem em dizer, o regulamento do Campeonato Brasileiro de 1987 previa, sim, o quadrangular final da competição, com os dois finalistas de cada módulo (que viriam a ser Flamengo, Internacional, Sport Recife e Guarani). No dia 15 de janeiro de 1988, o Flamengo convocou o Conselho Arbitral para tentar modificar o regulamento com o Campeonato em andamento, e ser declarado campeão brasileiro. O clube obteve maioria dos votos, mas para modificar o regulamento era necessária a unanimidade, e cinco clubes votaram contra a mudança (Sport Recife, Guarani, Náutico, Fluminense e Vasco). Os jogos do quadrangular final aconteceram, com venda de ingressos e presença dos árbitros. Flamengo e Internacional não compareceram, perdendo suas partidas por W.O.. O Sport Recife venceu o Guarani e sagrou-se campeão brasileiro. Meses depois, Sport Recife e Guarani foram os representantes brasileiros na Copa Libertadores da América. O troféu do Campeonato Brasileiro de 1987 está, até hoje, na Ilha do Retiro. O Flamengo ainda se considera o campeão brasileiro daquele ano, a despeito do reconhecimento do Sport Recife pela CBF. A história está contada com detalhes e provas em A verdade sobre 1987. Dois anos depois, o Coritiba abandonou o Campeonato Brasileiro de 1989 e foi punido com uma suspensão de um ano e o rebaixamento para a segunda divisão.

1996 - Entregando um jogo para rebaixar o rival
Talvez o episódio mais triste da história do Flamengo se deu na tarde de 24 de novembro de 1996, quando o clube propositalmente entregou o jogo para o Bahia, que brigava com o Fluminense contra o rebaixamento. No jogo, disputado em São Januário, o Flamengo, já sem pretensões no Campeonato, escalou um time misto, com um goleiro juvenil, e teve dois jogadores expulsos. O Bahia venceu por 1 a 0 e terminou 1 ponto à frente do Fluminense. O ato imoral do Flamengo acabou não tendo resultado na prática: o Fluminense escaparia do rebaixamento meses depois, graças ao escândalo de manipulação de resultados por Corinthians e Atlético Paranaense (o caso Ivens Mendes).

2002 - O caso Wendell
Durante o Campeonato Brasileiro de 2002, o Flamengo escalou o volante Wendell de maneira irregular, em três partidas (contra Ponte Preta, Bahia e Grêmio) - o próprio Wendell admitiu que sua situação contratual estava irregular. De acordo com o regulamento daquele ano, o Flamengo deveria ter perdido 5 pontos por partida com escalação irregular - 15 pontos ao todo - o que provocaria o rebaixamento do clube à segunda divisão. Uma das rebaixadas daquele ano, a Portuguesa (ora, vejam que irônico, a Portuguesa!) entrou com uma ação no STJD para evitar seu descenso. O Flamengo acabou absolvido.

2011 - Não existe um rubro-negro maior do que ele
Caso que contei aqui em 2011: jogadores do Flamengo estavam sendo julgados no STJD, pelo mau comportamento após a eliminação para o Ceará, na Copa do Brasil. O julgamento absolveu o goleiro Felipe, o zagueiro Ronaldo Angelim, e o técnico Vanderlei Luxemburgo. Até aí, nada demais. Curiosa foi a fala do auditor José Teixeira Fernandes, ao justificar seu voto favorável aos flamenguistas. Sem nenhum pudor, ele declarou em alto e bom som: "Não existe um rubro-negro maior do que eu, pode existir até igual, mas maior não!". Conflito de interesses pouco é bobagem...

2013 - Tapetão no Campeonato Carioca
No Campeonato Carioca de 2013, o Flamengo empatou com o Duque de Caxias, mas foi ao TJD-RJ pedir a anulação da partida, alegando que foi prejudicado por um erro de arbitragem. Tapetão na acepção da palavra, mas acabou não adiantando nada: mesmo que ganhasse os três pontos do jogo com o Duque de Caxias, o Flamengo não conseguiria alcançar o Fluminense na tabela de classificação. O rubro-negro acabou desistindo do processo. Meses depois, na confusão do Campeonato Brasileiro, de maneira hipócrita, o presidente do clube Eduardo Bandeira de Mello ainda teve a cara-de-pau de declarar que, se estivesse no lugar do Fluminense, o Flamengo se recusaria a cumprir a decisão do tribunal e jogaria a Série B. Farinha pouca, meu pirão primeiro...

2013 - Uma impressionante coincidência no Campeonato Brasileiro. Ou algo mais?
Em um julgamento do STJD na sexta-feira, 6/12, o lateral-esquerdo André Santos foi suspenso, mas mesmo assim o Flamengo o escalou no dia seguinte, um erro grosseiro que o próprio advogado do clube condenou ("Qualquer especialista em direito desportivo, caso fosse consultado, por cautela, recomendaria deixar o atleta de fora, pois saberia informar sobre o entendimento da CBF e da Justiça Desportiva em situação como essa."). Punido com a perda de 4 pontos, o Flamengo foi ultrapassado pelo Fluminense, e seria rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro. Entretanto, numa coincidência impressionante, a Portuguesa cometeu o mesmo erro no dia seguinte, e caiu no lugar do Flamengo. "Não podemos nos esquecer que se não fosse o descuido da Portuguesa, éramos nós na Série B.", afirmou o sábio advogado rubro-negro. Vale ressaltar: dentre os 4606 jogos do Brasileirão desde 2003, apenas em cinco houve escalação de atletas suspensos. Dois casos acontecerem na mesma rodada é uma coincidência tão espetacular que dá margem a algumas teorias da conspiração...

PCFilho

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Dossiê Cachorrada


Ano passado, publiquei aqui o Dossiê Bacalhau, mostrando as transgressões cometidas por dirigentes do Vasco em benefício do clube ao longo dos anos. Após meses de pesquisa, com a ajuda de alguns amigos (notadamente os meus queridos Alexandre, Natália e Ramón), juntei material suficiente para o Dossiê Cachorrada, mostrando as falcatruas dos dirigentes do Botafogo ao longo dos anos.

Vale a mesma observação que fiz quanto ao Vasco: o intuito deste post não é, de maneira alguma, menosprezar o Botafogo de Futebol e Regatas, nem seus antecessores Clube de Regatas Botafogo e Botafogo Football Club (cuja fusão, em 1944, deu origem ao atual Botafogo). A história do Botafogo é recheada de exemplos belíssimos, com enormes contribuições para o futebol e a Seleção Brasileira. O único objetivo deste post é mostrar as viradas de mesa, as falcatruas, os golpes, para que estes não mais se repitam no futebol brasileiro.

1907 - Campeão em que critério?
A primeira polêmica do Campeonato Carioca aconteceu já na sua segunda edição, em 1907. Fluminense e Botafogo terminaram empatados em pontos, cada um com 5 vitórias e 1 derrota. Como o Fluminense tinha o melhor ataque, a melhor defesa, e vencia também no confronto direto, os tricolores se proclamaram campeões, com base em uma resolução da Liga que estabelecia a média de gols como critério de desempate. O Botafogo queria um jogo-desempate (!), que o Fluminense obviamente não aceitou. Quase noventa anos depois, o Botafogo conseguiu que a Federação reconhecesse o título como dividido. (os detalhes do Campeonato de 1907, incluindo a tabela completa de jogos e a resolução da Liga definindo o critério de desempate, podem ser conferidos aqui)

1929 - Chororô e anulação da derrota para o America
Derrotado pelo America por 1 a 0, no dia 11 de agosto, o Botafogo reclamou da arbitragem e conseguiu a anulação do jogo, que foi remarcado para 3 de novembro, uma semana após a última rodada. Faltando apenas a contabilização dos pontos do jogo adiado, o Botafogo já estava eliminado, mas o America precisava da vitória para forçar os jogos-desempate pelo Campeonato, contra o Vasco. E o America não se fez de rogado: venceu o Botafogo por acachapantes 11 a 2, e partiu para a decisão contra o Vasco.

1932-1935 - Tetracampeão?
Em 1933, o profissionalismo se instalou no futebol brasileiro, com os jogadores passando a receber dinheiro para atuar (o que, claro, melhorou enormemente a qualidade do espetáculo). Entretanto, um clube insistiu no amadorismo: o Botafogo, último campeão carioca da era amadora (em 1932). Com os outros clubes grandes disputando o Campeonato Carioca profissional, o Botafogo seguiu em um enfraquecido Campeonato amador, conquistando com facilidade os títulos de 1933, 1934 e 1935, se autoproclamando "tetracampeão carioca". Enquanto isso, no campeonato mais forte, o Bangu venceu em 1933, o Vasco em 1934 e o America em 1935. Somente em 1937 o Botafogo passou a disputar o Campeonato profissional, que viria a conquistar pela primeira vez em 1948.

1951 - Tentativa fracassada de tapetão
Derrotado em campo pelo Madureira por 2 a 1, o Botafogo alegou que o tricolor suburbano escalara dois atletas irregulares, para tentar ganhar os pontos no tapetão. Entretanto, não obteve sucesso nos tribunais, ficando assim 1 ponto atrás de Fluminense e Bangu, que partiram para decidir o Campeonato numa melhor-de-três.

1957 - Doping na decisão?
A decisão do Campeonato Carioca de 1957 entrou para a história, com a impiedosa goleada do Botafogo sobre o Fluminense, por 6 a 2, com 5 gols de Paulinho Valentim (confiram aqui a ficha técnica e o vídeo do Canal 100). O Botafogo não vencia seu rival Fluminense havia mais de 3 anos, em um jejum que já durava 12 partidas (confiram no histórico do confronto). O Fluminense tinha a melhor campanha e a vantagem do empate. Assim, ninguém esperava aquele massacre. Anos mais tarde, uma possível explicação para a incrível vitória alvinegra foi levantada por um personagem importante daquela decisão - o jornalista João Saldanha, treinador do Botafogo naquele Campeonato. Os jogadores do Botafogo teriam jogado aquela final dopados, sem saberem (!). Por instrução de dirigentes do Botafogo, a alimentação dos atletas alvinegros naquele dia teria sido inteiramente contaminada com drogas potencializadoras. Apenas três atletas não teriam sido dopados: Garrincha, Nilton Santos e Servílio, que teriam sido alertados da trapaça por um cupincha da cozinha. Seis anos depois, João Saldanha revelou que tomou o cafezinho do vestiário no intervalo, e ficou os dois dias e as duas noites seguintes sem conseguir dormir. Ele também afirmou que percebeu que havia jogadores do Botafogo "até espumando". Até 2013, esta havia sido a única vitória do Botafogo sobre o Fluminense em uma decisão de Campeonato.

1970 - Virada de mesa na Taça Guanabara
O Botafogo não obtivera uma das cinco vagas previstas no regulamento para o terceiro e decisivo turno da Taça Guanabara de 1970, mas conseguiu entrar, via canetada, no turno final, que passou a ter seis clubes.

1986 - Rebaixamento não cumprido, parte I
O confuso regulamento do Campeonato Brasileiro de 1986 previa que 32 clubes se classificariam à segunda fase. E mais: os clubes eliminados na primeira fase estariam rebaixados para a Segunda Divisão. Terminada a primeira fase, o Botafogo estava eliminado e, portanto, rebaixado. Entretanto, veio a famosa Copa União em 1987, e o Botafogo foi beneficiado pela virada de mesa, permanecendo na primeira divisão do Brasileirão.




1987-1992 - A era Emil Pinheiro
No final da década de 80, o Botafogo vivia uma enorme crise, completando 20 anos sem conquistar um título sequer. Foi nesse cenário de terra arrasada que começou a ganhar força no clube o milionário contraventor Emil Pacheco Pinheiro, famoso bicheiro do Rio de Janeiro. Com seu dinheiro de origens "controversas", Emil montou times fortíssimos para o Botafogo, como o de 1989, que finalmente encerrou o jejum alvinegro, com o gol de Maurício na decisão contra o Flamengo (Maurício, aliás, empurrou Leonardo no lance decisivo, assim juram os flamenguistas). Após a conquista do bi em 1990, Emil venceu as eleições e assumiu a presidência do Botafogo. Em 1992, com mais um time forte, o Botafogo chegou ao vice-campeonato brasileiro. Entretanto, a derrota para o Flamengo gerou uma crise enorme, que culminou no fim da era Emil Pinheiro. Em 1993, já sem o dinheiro do jogo do bicho, o Botafogo voltou a enfrentar uma severa crise: terminou o Campeonato Brasileiro com 2 vitórias, 2 empates e 10 derrotas, na 31ª posição entre 32 clubes (só não foi rebaixado porque os clubes grandes estavam protegidos pelo regulamento).

1999 - Rebaixamento não cumprido, parte II
O Botafogo cumpriu uma campanha medonha no Campeonato Brasileiro de 1999, incluindo humilhantes goleadas sofridas para Cruzeiro (4 a 1), São Paulo (6 a 1), Atlético Mineiro (5 a 1) e Palmeiras (6 a 0). Graças à campanha também ruim de 1998 (que contava para o rebaixamento naquela temporada), o Botafogo terminou rebaixado, com os resultados de campo. Entretanto, a CBF deu ao Botafogo os pontos do jogo contra o São Paulo (sim, aquele 6 a 1 citado acima!), sob a alegação de escalação de um jogador irregular (Sandro Hiroshi). E assim, no tapetão, a CBF livrou o Botafogo da degola, empurrando o "coitadinho" do Gama para a segunda divisão. O curioso é que o São Paulo só perdeu os pontos dos jogos contra Botafogo e Internacional, exatamente os dois clubes grandes que estavam ameaçados de rebaixamento (o Internacional acabou escapando do rebaixamento sem a necessidade desses "pontos extras"). O Gama se sentiu prejudicado, entrou na Justiça Comum, e a confusão resultante obrigou a CBF a abrir mão de organizar o Campeonato de 2000, que acabou sendo organizado pelo Clube dos 13 - foi a Copa João Havelange, com mais de 100 clubes participantes.

Espero que tenham apreciado o post. E aguardem, que vem aí o Dossiê Urubu! :)

PCFilho

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Dossiê Bacalhau


Antes de começar, aviso que esta postagem não tem o intuito de menosprezar ou diminuir a gloriosa história do Vasco da Gama, clube que respeito e admiro, um dos maiores do Brasil e do mundo. O único objetivo desta (e de outras que virão, sobre outros clubes) é mostrar atitudes incorretas tomadas por dirigentes do clube ao longo da história, como um alerta para que nunca mais se repitam. Sintam-se livres para utilizar o espaço dos comentários para fazer as suas considerações.

1923 - Luta pela inclusão? Ou vantagem desleal?
A versão que costumamos ouvir da história do primeiro título do Vasco é muito romantizada. Logo em seu ano de estreia no Campeonato Carioca, o clube levantou a taça de maneira espetacular, com um timaço avassalador. O domínio vascaíno foi tamanho que gerou suspeitas, de que o Vasco não estaria jogando de acordo com as regras. E não estava mesmo. Empresários portugueses pagavam os jogadores para que eles se dedicassem exclusivamente ao futebol - o que era proibido pelo regulamento da Liga. Como o futebol ainda vivia a fase do amadorismo por aqui, todos os jogadores eram obrigados a possuir uma profissão além do futebol. Os vascaínos podiam se preparar melhor e tinham, portanto, uma enorme vantagem competitiva em relação aos atletas dos outros clubes. Por isso, e por não querer se adequar às regras, o Vasco foi expulso da Liga, e não pôde defender seu título em 1924. A luta pela inclusão dos negros e dos pobres foi muito bonita, mas é utilizada para esconder o fato de que o Vasco não jogou de acordo com as regras estabelecidas na época.

1971 - A primeira maracutaia do Campeonato Brasileiro
No Campeonato Brasileiro de 1971, os dirigentes do nosso futebol deram uma enorme demonstração de criatividade: o regulamento previa que a classificação se daria não só pelos resultados de campo, mas também pelas rendas dos jogos (!!!). No intuito de obter a classificação pelo inovador critério, a direção do Vasco resolveu inflar a renda de um de seus jogos: comprou todos os 115.193 ingressos da partida contra o Palmeiras no Maracanã. O público presente, de cerca de 30.000 pessoas, demonstrava inequivocamente a fraude vascaína. A CBD se viu então obrigada a modificar o regulamento do Campeonato, acrescentando um segundo turno e eliminando o critério da renda. Eis a primeira "virada de mesa" do Campeonato Brasileiro.

1974 - O Cruzeiro teve a melhor campanha, mas...
No quadrangular final do Campeonato Brasileiro de 1974, Cruzeiro e Vasco terminaram empatados, e assim teriam que jogar uma partida extra para definir o grande campeão. Como a campanha geral do Cruzeiro era melhor (38 pontos contra 34), o jogo deveria ser disputado no Mineirão, em Belo Horizonte. No entanto, o Vasco conseguiu convencer a CBD a levar a partida para o Maracanã, alegando falta de segurança no outro estádio. O Bacalhau venceu por 2 a 1, e conquistou assim seu primeiro Campeonato Brasileiro. O Cruzeiro teve que esperar longos 29 anos para soltar o grito de campeão.

1981 - Suspensos? Nem tanto...
O lateral João Luís e o meia Marquinho estavam suspensos para o segundo jogo da decisão do Campeonato Carioca de 1981, contra o Flamengo. Entretanto, Eurico Miranda conseguiu na Justiça uma liminar para escalar os dois atletas. O Vasco venceria a partida por 1 a 0, forçando a realização de uma terceira partida (que acabaria vencida pelo Flamengo).

1984 - Entrando pela janela no Campeonato Brasileiro
As vagas para o Campeonato Brasileiro de 1984 foram definidas pelo desempenho dos clubes nos seus respectivos Campeonatos Estaduais do ano anterior. O Vasco, sétimo colocado no Rio de Janeiro em 1983, não conseguira obter sua vaga. Pressionada, a CBF resolveu colocar o Bacalhau no Campeonato, por convite (outro beneficiado foi o Grêmio). O Juventus de São Paulo, campeão da Segundona em 1983, acabou alijado do Campeonato. De qualquer forma, é bom que se diga que o "penetra" Vasco fez jus ao convite de última hora: chegou à grande final da competição, que perdeu para o Fluminense. Com o vice-campeonato, o Vasco conseguiu a vaga na Copa Libertadores do ano seguinte.

1986 - Classificação e fuga do rebaixamento no tapetão
O confuso regulamento do Campeonato Brasileiro de 1986 previa que 32 clubes se classificariam à segunda fase. E mais: os clubes eliminados na primeira fase estariam rebaixados para a Segunda Divisão. Terminada a primeira fase, o Vasco estava eliminado e, portanto, rebaixado. Entretanto, o clube sentiu-se prejudicado por uma decisão do STJD, que dera uma vitória ao Joinville contra o Sergipe, por caso comprovado de doping. Assim, a direção vascaína resolveu entrar com uma ação na Justiça Comum, na tentativa de anular a decisão do STJD. Para evitar a paralisação do Campeonato, a CBF resolveu classificar os dois clubes. A bagunça dessa temporada foi tamanha que causou a completa reformulação do Campeonato no ano seguinte.

1990 - O jogo anulado na Copa Libertadores
Após ter sido eliminado da Copa Libertadores de 1990, pelo Atlético Nacional de Medellín, o Vasco conseguiu a anulação da partida disputada na Colômbia, devido a ameaças telefônicas recebidas pelo árbitro uruguaio Juan Daniel Cardellino nas 24 horas que antecederam a partida. O jogo foi repetido duas semanas depois, em Santiago do Chile. Não adiantou nada: o Atlético Nacional derrotou novamente o Vasco, e avançou às semifinais.

1992 - Clássicos sempre em São Januário
Com o Maracanã em obras, os clássicos do Campeonato Carioca teriam que acontecer em outros estádios. A direção do Vasco mostrou toda a sua força nos bastidores: todos os clássicos envolvendo o cruzmaltino foram disputados em São Januário. O Vasco acabou conquistando o título.

1997 - O craque expulso joga a grande final
Edmundo, grande nome do Vasco naquele Campeonato Brasileiro, recebeu o terceiro cartão amarelo no primeiro jogo da final contra o Palmeiras, e assim estava suspenso da partida de volta. Orientado pelo banco de reservas, nos minutos derradeiros o craque ofendeu o árbitro, para ser expulso de propósito. Durante a semana, o Vasco conseguiu o "efeito suspensivo" para escalar Edmundo na grande final, contrariando as "Regras do Jogo" da FIFA, que determinam a suspensão automática de atletas expulsos. O Vasco conquistou o título.

1998 - O campeonato dos W.O.'s
Em 1998, o Vasco venceu o Carioca que ficou conhecido como "o campeonato dos W.O.'s". A Federação, comandada por "Caixa d'Água", notório amigo de Eurico Miranda, adiava jogos do Vasco a todo momento, alegando que o time disputava competições demais. Os três rivais do Vasco então uniram-se e decidiram não jogar mais partidas que tivessem sido adiadas. No dia 10 de maio, o Botafogo não compareceu ao Maracanã para enfrentar o Vasco, que venceu por W.O.. No dia 13 de maio, nem Flamengo nem Fluminense compareceram a Moça Bonita: W.O. duplo. No dia 14 de maio, o Vasco venceu o Bangu em Moça Bonita, com um gol nos acréscimos do segundo tempo, já sem a mínima condição de iluminação (o árbitro já havia paralisado a partida, tendo sido convencido por Eurico a continuá-la). Com o resultado, o Vasco conquistou o título. No dia 17 de maio, o Flamengo não compareceu ao Maracanã para enfrentar o Vasco, no jogo que seria o da entrega de faixas. Nada como mais um W.O. para encerrar aquele campeonato com chave de ouro...

1999 - O jogo interrompido
Em São Januário, o Vasco empatava com o Paraná pelo Campeonato Brasileiro. Após o árbitro Paulo César Oliveira expulsar três jogadores do Vasco (Mauro Galvão, Alex Oliveira e Juninho Pernambucano), o dirigente Eurico Miranda invadiu o gramado, e advertiu o sujeito: "Assim, eu não tenho como conter estas pessoas revoltadas com a sua atuação. Vai ser difícil garantir a sua integridade depois dessa. Você me expulsou três jogadores". A atitude de Eurico inflamou a arquibancada, e a partida acabou interrompida por falta de segurança. No tribunal, o placar de 1 a 1 foi mantido.

2000 - A escalação irregular de Jorginho Paulista
O Vasco escalou o lateral-esquerdo Jorginho Paulista de forma irregular em pelo menos quatro partidas do Campeonato Brasileiro de 2000 (a Copa João Havelange). Se o Código Brasileiro Disciplinar de Futebol, vigente na época, tivesse sido cumprido, o Vasco teria perdido 20 pontos, não se classificaria à segunda fase e não teria conquistado o título - teria terminado a primeira fase em 24º lugar, à frente apenas de Corinthians e Santa Cruz, e daria sua vaga no mata-mata ao Guarani, 13º colocado.

2000 - A decisão inacabada
A confusa Copa João Havelange tinha Vasco e São Caetano na grande final. O primeiro jogo foi disputado no Parque Antártica, em São Paulo, tendo o São Caetano desistido de atuar em seu campo, para dar maior segurança aos torcedores. Na segunda partida da final, a direção vascaína preferiu jogar em São Januário, a despeito da maior segurança que o Maracanã ofereceria. A superlotação no Estádio do Vasco era clara e evidente, e acabou causando uma tragédia com 168 feridos. O jogo foi interrompido, mas o dirigente Eurico Miranda fez de tudo para reiniciar a partida, até que uma ordem do governador suspendeu definitivamente o jogo. Três semanas depois, já em janeiro de 2001, a final foi disputada novamente, desta vez no Maracanã. Os minutos jogados em São Januário foram anulados, e o vascaíno Romário, que já havia sido substituído, pôde participar. O Vasco venceu por 3 a 1 e sagrou-se campeão brasileiro pela quarta vez em sua história.

PC

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

CONTRA O CORINTHIANS NINGUÉM ERRA


Outro dia, o Andrés Sanches, presidente do Corinthians, teve a cara-de-peroba, a cara-de-jacarandá, a cara-de-pau de reclamar que "contra o Fluminense ninguém erra". Ah, é, Andrés? E contra o Corinthians?

Vamos aos fatos.

Primeira rodada, Corinthians 2 x 1 Atlético PR
Marcelo de Lima Henrique inventa pênalti aos 39 do segundo tempo (ver vídeo abaixo). Ronaldo converte. Dois pontos mais para o Corinthians!

Terceira rodada, Corinthians 1 x 0 Fluminense
DOIS gols do Fluminense mal anulados. Além disso, o gol do Corinthians originou-se de falta inexistente. Que maravilha! Veja o vídeo abaixo, ou então VEJA AQUI as imagens congeladas, que não deixam dúvidas. Três pontos mais para o Corinthians!

Quinta rodada, Corinthians 4 x 2 Santos
Marquinhos recebe em posição legal e empata. Gol mal anulado, e dois pontos mais para o Corinthians:

11ª rodada, Corinthians 3 x 1 Guarani
Jogo empatado, já no segundo tempo, e Mano Menezes expulsa Ailson "no grito". Dois pontos mais para o Timão:

12ª rodada, Corinthians 1 x 1 Palmeiras
O gol do Corinthians é irregular: impedimento claro, mostrado pelo próprio corte do gramado. Além disso, o juiz ignora um pênalti para o Palmeiras. Um ponto mais para o Timão:

17ª rodada, Corinthians 2 x 1 Vitória BA
No final do primeiro tempo, Júnior é claramente derrubado na área. O árbitro Célio Amorim ignora o pênalti escandaloso (ver vídeo abaixo). Dois pontos mais para o Corinthians!

24ª rodada, Corinthians 3 x 2 Santos
Nesta quarta-feira, na Vila Belmiro, Danilo, em impedimento, cruza para Paulo André marcar o gol da vitória do Corinthians. Dois pontos mais para o Timão! Confiram:

Onde está a isonomia do Campeonato? Por que ninguém erra contra o Corinthians?

EDIÇÃO:
26ª rodada: Corinthians 1 x 1 Botafogo
Mais um ponto para o Corinthians: clique aqui para conferir.

EDIÇÃO:
Para ser justo, o Corinthians foi prejudicado pela arbitragem nessas duas partidas:
Jogo adiado: Vasco 2 x 0 Corinthians
O primeiro gol vascaíno foi assinalado em condição de impedimento. Menos um ponto na conta.
30ª rodada: Corinthians 0 x 0 Guarani
Gol mal anulado de Ronaldo. Menos dois pontos na conta.

EDIÇÃO:
35ª rodada: Corinthians 1 x 0 Cruzeiro
No primeiro tempo, um pênalti claríssimo de Júlio César em Thiago Ribeiro é ignorado pelo árbitro Sandro Meira Ricci. Aos 40 do segundo tempo, para completar o serviço, o juiz inventa pênalti em Ronaldo. Três pontos mais para o Corinthians! Clique aqui para conferir o vídeo!

TOTAL ATÉ AQUI:
- 18 pontos de benefício.
- 3 pontos de prejuízo.
- 15 pontos de "saldo".

PC
(baseado nos excelentes Dossiê Gambá 2010 e Flunáticas, e também nas reportagens do Globoesporte.com)