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domingo, 21 de junho de 2020

Libertadores de 1981 foi ganha no tapetão, admite jornalista flamenguista


O jornalista André Rocha, torcedor confesso do Flamengo, admitiu esta semana, no Twitter, que a Copa Libertadores de 1981 só foi conquistada graças a uma manobra no tapetão da Conmebol, com o auxílio da TV Globo, eterna patrocinadora do clube rubro-negro.

Ao comentar manifestações de torcedores flamenguistas criticando a emissora, Rocha chamou a postura de "baita ingratidão" e relembrou o episódio da eliminação do Atlético Mineiro na Copa Libertadores de 1981. O jornalista escreveu: "Flamenguista nesse delírio anti-Globo é uma baita ingratidão. Cuspir no prato. Walter Clark deve estar se revirando no túmulo. Afinal, a emissora foi fundamental em 1981 na decisão a favor do time carioca na reunião em Assunção que eliminou o Atlético Mineiro da Libertadores".

O citado Walter Clark, diretor da TV Globo na época e torcedor apaixonado do Flamengo, foi um dos arquitetos da estratégia da emissora de dar destaque exagerado ao clube rubro-negro. Conforme André Rocha agora revela, Clark também teve influência decisiva na decisão da Conmebol de eliminar o Atlético Mineiro no tapetão em 1981.

Este blog Jornalheiros já havia explicado em detalhes a manobra de tapetão do Flamengo em 1981, no post Dossiê Urubu, de 2014: "No jogo-desempate da primeira fase da Copa Libertadores de 1981, Flamengo e Atlético Mineiro brigavam pela classificação no Serra Dourada. Entretanto, a partida não terminou: foi encerrada pelo árbitro carioca José Roberto Wright aos 37 minutos do primeiro tempo, após o Atlético Mineiro ter 3 jogadores expulsos, de forma um tanto esquisita. No tribunal, o Flamengo foi declarado classificado à segunda fase, e acabou se sagrando campeão meses depois".

PCFilho

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Efemérides tricolores - 11 de dezembro


1917: em jogo amistoso, disputado no campo da rua Guanabara (atual Estádio de Laranjeiras), o Fluminense ganhou por 3 a 0 do Andarahy, com três gols do centroavante inglês Welfare. O time tricolor se preparava para as duas partidas finais do Campeonato Carioca, nas quais confirmaria a conquista do título (vide 23 e 30 de dezembro).

1932: a Seleção Brasileira derrotou o Nacional do Uruguai por 2 a 1, em amistoso disputado no Estádio Centenário, em Montevideo. Ivan Mariz era o representante tricolor no escrete, que jogou assim: Victor [Botafogo]; Domingos da Guia [Vasco] e Itália [Vasco]; Canalli [Botafogo], Martim Silveira [Botafogo] e Ivan Mariz [Fluminense]; Walter [Sport Club Brasil], Paulinho [Botafogo], Gradim [Bonsucesso], Nélson [Flamengo] (Oscarino [America]) e Jarbas [Carioca]. Os gols brasileiros foram de Walter e Gradim.

1941: em amistoso disputado no Estádio de Laranjeiras, o Combinado Fluminense-Botafogo ganhou por 5 a 4 da Seleção Gaúcha, graças aos gols de Rongo, Hércules (três, um de pênalti) e Heleno de Freitas. O combinado carioca jogou com os seguintes atletas: Capuano [Flu]; Caieira [Bota] e Renganeschi [Flu]; Zezé Procópio [Bota], Carlos Santamaría [Bota] e Zarcy [Bota]; Rongo [Flu], Heleno de Freitas [Bota] (Pedro Nunes [Flu]), Russo [Flu], Romeu Pellicciari [Flu] e Hércules [Flu]. O "combinado vovô" atuou com camisas do Botafogo, por iniciativa do Fluminense em homenagem ao co-irmão.

1970: o Flamengo foi derrotado por 3 votos a 2 no tribunal especial da CBD, na sua tentativa de entrar no lugar do Fluminense no quadrangular final do Campeonato Brasileiro. Alegando que o Corinthians escalara Zé Maria irregularmente, o Flamengo tentava ganhar no tapetão os pontos de sua derrota por 1 a 0, na última rodada. Se o pleito rubro-negro fosse bem-sucedido, o clube se classificaria no lugar do Fluminense. Assim, foi confirmada a realização do primeiro jogo do quadrangular, entre Fluminense e Palmeiras, no Maracanã. O centroavante Flávio voltou a sentir a perna, e dificilmente teria condições de jogo - mas o Fluminense já preparava seu herói improvável (vide 13 de dezembro).
Jornal dos Sports noticia a derrota rubro-negra no tapetão.

1983: na segunda partida do triangular final do Campeonato Carioca, diante de 83.713 pagantes no Maracanã, o Fluminense derrotou o Flamengo por 1 a 0, graças a um gol salvador de Assis, com assistência de Deley, aos 45 minutos do segundo tempo. O resultado alçou o Fluminense à liderança, e eliminou as chances de título do rival rubro-negro. Três dias depois, Flamengo e Bangu fariam o terceiro e último jogo do triangular: se o Bangu vencesse, forçaria uma partida extra contra o Fluminense; caso contrário, a torcida tricolor enfim soltaria o grito de "é campeão!" (vide 14 de dezembro).

1985: na primeira partida do triangular final do Campeonato Carioca, perante 95.049 pagantes no Maracanã, Fluminense e Flamengo empataram em 1 a 1, num Fla-Flu eletrizante. Washington abriu o placar para os tricolores, aos 38 minutos do primeiro tempo, de cabeça, completando cruzamento de Branco; e Leandro empatou para os rubro-negros, aos 44 da etapa final, em chute de fora da área. Quatro dias depois, Flamengo e Bangu se enfrentariam na segunda partida, e os alvirrubros venceriam (vide 15 de dezembro). E então Fluminense e Bangu partiriam para a grande decisão, em que o Fluminense conquistaria o tri (vide 18 de dezembro).

2004: em partida válida pela penúltima rodada do Campeonato Brasileiro, no Pinheirão, em Curitiba, o Fluminense ganhou por 1 a 0 do Paraná Clube, gol do atacante Rodrigo Tiuí, aos 44 minutos do segundo tempo.

2016: em jogo válido pela última rodada do Campeonato Brasileiro, no Giulite Coutinho, em Mesquita, o Fluminense empatou em 1 a 1 com o Internacional, resultado que selou o rebaixamento do clube gaúcho para a Série B. O gol tricolor foi do meio-campista Douglas, e o colorado de Gustavo Ferrareis.

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Aniversariantes do dia:

Gilberto Nicolau de Faria (1930), centro-médio que integrou o plantel do Fluminense na temporada de 1954.

Vágner de Araújo Antunes (1954), zagueiro que fez parte do elenco do Fluminense na temporada de 1989.

Amauri Vieira (1955), meia-atacante gaúcho com 19 gols marcados em 70 jogos pelo Fluminense, entre as temporadas de 1982 e 1983.

Carlos Alberto Gomes de Jesus, o Carlos Alberto (1984), talentoso meio-campista revelado pelo Fluminense. No time profissional tricolor, marcou 18 gols em 102 jogos, em duas passagens (a primeira entre as temporadas de 2002 e 2003, e depois em 2007). Participou das conquistas do Campeonato Carioca de 2002 e da Copa do Brasil de 2007.
Carlos Alberto, revelação do Fluminense.

Luiz Felipe Outerelo (1991), atleta da equipe de Saltos Ornamentais do Fluminense, um dos representantes do clube nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

PCFilho

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Tapetão na Libertadores? Flamengo pode se classificar com erro do San Lorenzo


Sabemos que, na quarta-feira 17, o Flamengo foi eliminado da Copa Libertadores, ao ser derrotado pelo San Lorenzo por 2 a 1, no Estádio Nuevo Gasómetro, em Buenos Aires, capital da Argentina.

O doloroso gol que desclassificou o rubro-negro saiu aos 46 minutos do segundo tempo, através de Fernando Daniel Belluschi, que venceu o goleiro Alex Muralha com um chute cruzado, de canhota.

Numa reviravolta, porém, talvez nem tudo esteja perdido para o Flamengo. Segundo uma rádio da cidade de Avellaneda, na Argentina, o San Lorenzo teria relacionado um atleta suspenso em uma das partidas da fase de grupos da competição, e com isso estaria sujeito a uma punição de perda de pontos. O repórter não informou quem seria o atleta, nem qual seria o jogo. A Confederação Sul-Americana de Futebol, no entanto, já estaria ciente da situação, e já teria notificado o clube argentino, famoso por ser o preferido de Sua Santidade o Papa Francisco

Haverá mesmo esperança para os flamenguistas? O suposto caso de escalação irregular talvez seja semelhante à situação da Chapecoense, que relacionou Luiz Otávio no jogo contra o Lanús, na Argentina. O atleta estava suspenso devido a um cartão vermelho numa partida anterior, segundo a Confederação Sul-Americana. A Chapecoense alegou não ter recebido a comunicação oficial de tal suspensão, mas não adiantou nada: perdeu os pontos e foi desclassificada.

Em retrospectiva, vale lembrar que não seria a primeira vez que o Flamengo obteria uma classificação no tribunal na Copa Libertadores da América. Em 1981, após uma grande confusão no jogo-desempate contra o Atlético Mineiro, o Flamengo obteve sua vaga na fase semifinal no tapetão da Confederação Sul-Americana. E acabaria campeão da competição, após vencer Jorge Wilstermann e Deportivo Cali na semifinal e Cobreloa na decisão.

Mas será o Flamengo novamente beneficiado pelo tapetão da Conmebol? A conferir nos próximos dias.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Caso Petros: o Corinthians pode ser punido e perder a vaga na Copa Libertadores?


Com as vagas na Copa Libertadores já definidas no Brasileirão 2014, e os fatos de 2013 ainda frescos na memória de todos, o caso da escalação irregular do jogador Petros, do Corinthians, pode novamente ocasionar a disputa da famigerada 39ª rodada, nos tribunais?

Em resumo, o caso é o seguinte: Petros possivelmente atuou irregular no jogo do Corinthians contra o Coritiba, na 13ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2014, no domingo 3 de agosto. O nome de Petros estava no BID (Boletim Informativo Diário) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na sexta-feira, dia 1º, mas não poderia estar. Neste dia, o Corinthians encerrou seu contrato de empréstimo com o jogador (que pertencia ao Vitória de Hortolândia) e registrou um novo contrato, que passaria a ser válido apenas na segunda-feira 4. O clube paulista poderia, então, ser punido com a perda de 4 pontos no Campeonato Brasileiro.

O Corinthians se defendeu sustentando que fez tudo dentro dos devidos prazos, pelo sistema de registros da Federação Paulista de Futebol (FPF), que o atleta tinha condição de jogo, e que, mesmo que fosse comprovado algum erro no registro, tratar-se-ia de falha de procedimento da FPF e da CBF, não do clube.

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) absolveu o Corinthians nas duas instâncias. Internacional e Grêmio, de olho na possível perda de pontos do clube paulista, foram duramente criticados (e até gozados) por terem participado do julgamento como terceiros interessados. Na segunda instância, o Pleno, a absolvição do Corinthians se deu por 4 votos a 1. O voto pela perda dos pontos do Corinthians foi dado pelo auditor gaúcho Décio Neuhaus, que se justificou dizendo: "Fico muito preocupado, porque amanhã alguém poderá registrar contrato de fevereiro de 2015. Estamos aceitando BID futuro".

Vale ressaltar que a FPF, responsável pelo envio da documentação dos atletas à CBF, assumiu o erro. No julgamento em primeira instância no STJD, o Corinthians fora absolvido, enquanto as duas entidades foram condenadas ao pagamento de multa de dez mil reais cada uma. No Pleno, Corinthians e FPF foram absolvidos, restando apenas a condenação da CBF.

Nos blogs e nas redes sociais, muitos torcedores têm reclamado da suposta parcialidade do tribunal: "se fosse a Portuguesa, puniriam". Aqui, cabe deixar claras as diferenças do caso de Petros para os casos de Heverton e André Santos, no ano passado. Por que Flamengo e Portuguesa foram punidos, e o Corinthians não?

Respondo: Petros não poderia ter jogado por uma questão contratual, em que provavelmente não houve culpa por parte do Corinthians. Já Heverton e André Santos não poderiam ter jogado porque estavam suspensos, e os regulamentos do Campeonato deixam muito claro que a verificação das suspensões é uma obrigação dos clubes. Logo, Portuguesa e Flamengo tinham culpa incontestável na situação, no entendimento do STJD (que foi também o entendimento da comunidade jurídica como um todo - vide meu post Seleção de juristas a favor da decisão do STJD e, portanto, da manutenção do resultado legítimo do Campeonato Brasileiro de 2013).

Vejo, nas redes sociais, torcedores de Fluminense e Grêmio, interessados em herdar a vaga do Corinthians na Copa Libertadores, defendendo o recurso ao Tribunal Arbitral do Esporte, corte internacional. E me posiciono desde já contrário a esta manobra, pelo exposto nos parágrafos acima. 

No ano passado, Heverton e André Santos estavam suspensos, e Portuguesa e Flamengo tinham absoluta ciência destas suspensões. Neste ano, Petros estava irregular por mera questão contratual, provavelmente sem a ciência do Corinthians. As questões são bem diferentes. No ano passado, Flamengo e Portuguesa deliberadamente descumpriram as regras do jogo. Neste ano, o Corinthians foi, no máximo, imprudente com uma questão contratual. A analogia dos casos, forçada por alguns, é simplesmente esdrúxula, equivalente a comparar bananas com maçãs.

PCFilho

domingo, 23 de novembro de 2014

Observatório da imprensa esportiva #4 - Confusões do caso Heverton


Com o retorno do caso Heverton à superfície, pipocam na imprensa esportiva novas reportagens sobre os fatos daqueles primeiros dias de dezembro de 2013.

Uma notícia em particular causou rebuliço nos blogs e nas redes sociais: Da Lupa mandou ignorar o julgamento de Heverton, disse secretária da Lusa ao MP, publicada na sexta-feira 14, pelo blog Bastidores FC. Nela, se afirma que a citada secretária teria sido orientada por Manuel da Lupa (o presidente da Portuguesa) a ignorar um e-mail do STJD avisando sobre o julgamento de Heverton, antes da última rodada do Campeonato Brasileiro de 2013.

Torcedores flamenguistas se apressaram para afirmar: esta seria a prova definitiva que invalidaria a hipótese de que o Flamengo teria comprado a Portuguesa após o seu jogo, para se salvar do rebaixamento, após a inevitável punição pela escalação do suspenso André Santos. Afinal, a tramoia da escalação irregular de Heverton já havia começado durante a semana, antes do início da rodada (em algumas discussões, tentei alertá-los para o fato de que Heverton só passou a estar suspenso na noite de sexta-feira, quando o julgamento ocorreu - mas a miopia clubística nublava a visão dos meus interlocutores).

Porém, como dizem, apressado come cru. Uma semana depois, na sexta-feira 21, o mesmo blog Bastidores FC publicou uma retificação: Secretária da Portuguesa esclarece depoimento que deu ao MP. A secretária esclareceu que esse diálogo com Manuel da Lupa ocorreu após o jogo contra o Grêmio, e o e-mail em questão era na verdade o aviso do resultado do julgamento, não o aviso de seu agendamento. Portanto, não configura prova alguma de que a tramoia ocorreu antes do início da rodada.

Humildemente, então, faço dois pedidos: o primeiro, à imprensa esportiva, para que tenha mais cuidado na apuração dos fatos. A matéria do dia 14 continha um erro grosseiro de informação, que confundiu muita gente. O segundo, aos torcedores de todos os clubes, para que evitem tirar conclusões precipitadas. Por mais amor que vocês tenham por suas instituições, entendam que elas são feitas por pessoas, que podem cometer erros e crimes.

Enfim, tomara que as investigações avancem, que a história seja esclarecida, e que os envolvidos sejam exemplarmente punidos, neste evidente caso de corrupção.

PCFilho

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Botafoguenses revisam súmulas do Brasileirão atrás de um Heverton ou um André Santos


Com 81,4% de chances de rebaixamento, o Botafogo tem que vencer os seus últimos 4 jogos no Brasileirão 2014 se quiser continuar sonhando com a permanência na Série A. Já quase sem esperanças, um grupo de 17 torcedores botafoguenses está revisando todas as súmulas do Campeonato para ver se encontra casos de escalação de atletas suspensos, como os de André Santos e Heverton na última rodada de 2013. Estima-se que 85% da torcida do Botafogo está se dedicando à árdua tarefa, até agora sem sucesso.

Um dos torcedores envolvidos na pesquisa, que pediu para ter sua identidade preservada, relembrou o caso de Sandro Hiroshi, que salvou o Botafogo do descenso no Campeonato Brasileiro de 1999: "Perdemos aquele jogo por 6 a 1 no campo, mas ganhamos os pontos do São Paulo no tapetão, e conseguimos escapar do rebaixamento".

Caso algum atleta irregular tenha sido escalado em algum jogo, o clube envolvido perderá 3 pontos, além dos pontos eventualmente conquistados na partida em questão, como aconteceu com Flamengo e Portuguesa no ano passado. O presidente do Botafogo, Maurício Tiradentes, apoia o trabalho do grupo de torcedores, mas afirma que infelizmente não pode pagá-los pelo serviço.

Segundo alguns juristas, o Botafogo poderia tentar se aproveitar dos casos de Paulo Baier, Rogério Ceni e Léo Moura, cujas escalações configurariam desrespeito ao Estatuto do Idoso. A ideia está sendo estudada.

PCFilho

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O Fluminense comprou a Portuguesa? - O argumento da aposta


No dia 30 de janeiro, escrevi o post O Fluminense comprou a Portuguesa? (sugiro a leitura), no qual expus alguns argumentos a meu ver bastante convincentes, demonstrando que a hipótese não faz quase nenhum sentido. Mesmo assim, com o ressurgimento do caso, tenho escutado repetidas vezes a ladainha, de gente que ainda não se convenceu, de modo que acabei pensando em mais um argumento bastante forte.

Recordando a situação daquela semana: o Fluminense estava em uma situação delicadíssima, dependendo de uma combinação de três resultados, todos obrigatórios: o Fluminense precisava vencer o Bahia, e torcer para que o Vasco não vencesse o Atlético Paranaense e o Coritiba não vencesse o São Paulo. Tendo em vista o futebol ridículo demonstrado pelo time durante o ano, a dificuldade de jogar contra o Bahia na Fonte Nova, e o fato de o São Paulo não ter mais objetivos no Campeonato, parecia uma tarefa complicadíssima, ainda que possível.

Vamos nos colocar, então, no lugar dos dirigentes do Fluminense naquela semana. Com a história de superação do clube, com exemplos memoráveis como o da Grande Arrancada de 2009, todo tricolor tem a sensação de que o impossível não existe para nós, não importando o quão adversa seja a situação. Mas vamos supor que nossos cartolas tenham tido um ataque de pessimismo, e concluído que o rebaixamento era inevitável "pelos meios normais".

Então, um dos malvados mauricinhos de Laranjeiras dá a sugestão: "Que tal gastarmos uma grana? A gente pode pedir pro Celso". Eu, se estivesse nesta reunião, imediatamente sugeriria a mala branca: "Se arranjarmos esse dinheiro, a gente pode oferecer aos jogadores do São Paulo e do Atlético Paranaense, como um estímulo extra para que não percam para nossos rivais Coritiba e Vasco". A mala branca, afinal, é um artifício totalmente legal, e não fere princípios éticos (mais sobre isso: Sobre mala branca e entrega de jogos).

Entretanto, o Eduardo (nome fictício para outro dirigente) poderia me interpelar: "Mas a mala branca não garante nada!". E eu seria obrigado a concordar: afinal, é impossível garantir o resultado de um jogo, antes de ele acontecer. E então ele pergunta ao Michel, advogado presente no mafioso encontro: "Quantos pontos um time perde por escalar um jogador suspenso?". Michel responde na lata: "se um time escalar um jogador suspenso, perde 3 pontos além dos pontos conquistados na partida". E Eduardo enfim dá a sugestão fatal: "Sei que a Portuguesa está endividada até o pescoço. Podemos pagar para eles escalarem um jogador suspenso, eles perdem 3 pontos e aí nós ultrapassamos os caras!".

Neste momento, eu evidentemente abandonaria a reunião, porque jamais concordaria com sequer discutir um ato de corrupção. Mas esta é uma história de ficção, então vamos continuar. Olho a tabela e concluo que, de fato, se a Lusa perder 3 pontos, poderemos ultrapassá-los. Mas então lanço o argumento da aposta: "Há dois problemas, caros mafiosos. O primeiro é que vai sair muito, muito, muito mais caro que a mala branca. O segundo é que, mesmo assim, também não garante nada. O Fluminense está em 18º, e portanto precisa passar dois times. Mesmo que nosso bravo onze - sem Fred e fora de casa - vença o Bahia, ainda não teremos a garantia de escaparmos. Estaremos fazendo uma aposta, de que, além da nossa vitória, Vasco e Coritiba não vencerão seus jogos. Se os dois vencerem, teremos desembolsado uma fortuna à toa, pois cairemos da mesma forma. Vocês estão dispostos a gastar, sei lá, 4 milhões, sei-lá-quantos-milhões, numa aposta?".

Daqui para frente, a hipotética reunião maligna só poderia ter três desfechos possíveis. O primeiro seria seguir adiante com o plano: "Ah, quer saber? Que se dane! Vamos pegar os milhões com o Celso e apostar. Se não der, não deu!". Sinceramente, você colocaria grana alta numa aposta que, além de ilegal, é arriscadíssima, dependendo de dois resultados esportivos? Convenhamos, ninguém em sã consciência faria essa aposta. (Nem a equipe econômica da presidente Dilma!)

O segundo desfecho seria a sensata e racional desistência do maquiavélico e criminoso plano de Eduardo, analisando que os riscos seriam altos demais.

O terceiro desfecho viria com a ideia de subornar, além da Portuguesa, um outro time: "que tal o Flamengo? Acho que o Flamengo, esse clube amigo, nosso querido co-irmão, também se venderia para nós, e escalaria um jogador suspenso, correndo o risco de cair no nosso lugar", sugiro eu.


É... não, né?

PCFilho

Clubes envolvidos no caso André Santos-Heverton não serão punidos

Heverton (E) e André Santos (D): pivôs da polêmica.

Ao que tudo indica, os clubes envolvidos no caso André Santos-Heverton não serão punidos esportivamente. É o que diz o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Caio Rocha: - Do ponto de vista disciplinar, houve o julgamento ano passado. No que envolve os clubes, está absolutamente encerrado. Sobre as atitudes eventuais de dirigentes ou pessoas que tenham atuado cometendo alguma infração de corrupção, o próprio CBJD estabelece uma prescrição de 20 anos para esses casos. Se for comprovado que houve atitude dolosa por trás do caso, certamente o STJD irá instaurar inquérito. E aí, com o processo, os dirigentes envolvidos seriam punidos, não os clubes.

Não sou especialista na legislação do assunto, mas desde já me posiciono radicalmente contra a não-punição dos clubes envolvidos. Obviamente, os dirigentes corruptos têm que ser penalizados, inclusive judicialmente, já que incorreram até em crimes. Entretanto, penso que os clubes envolvidos também precisam ser punidos, sim, e de forma severa, sejam quais forem. Se ficar comprovado que houve mesmo manipulação do resultado final do Campeonato Brasileiro, como não punir os clubes? Afloraria na sociedade um sentimento de impunidade que coloca em risco a própria segurança jurídica dos próximos torneios. Os dirigentes de nossos clubes se sentiriam à vontade para realizar mais e mais maracutaias: no fim, basta arrumar uns laranjas para serem punidos, e está tudo certo.

Na Itália, a Juventus foi recentemente punida por negociação de resultados - os dirigentes e o clube, que perdeu dois títulos conquistados em campo, e ainda foi rebaixada administrativamente. Na Escócia, o Rangers teve que se refundar e recomeçar na quarta divisão, após infringir regulamentos financeiros. Por aqui, este evidente caso de suborno ficará impune? Isso não pode ser sério.

Caso apareçam provas concretas que impliquem dirigentes, funcionários ou representantes de clubes neste caso de manipulação do resultado do Campeonato Brasileiro, defendo desde já punições severas a todos os envolvidos. Os dirigentes, por mim, seriam banidos do esporte (e enfrentariam processos na Justiça Comum pelos crimes cometidos, claro). Os clubes, para começo de conversa, sofreriam um rebaixamento à Série D.

Precisamos deixar claro que casos de corrupção são intoleráveis e inaceitáveis, em todos os setores da sociedade. O mesmo STJD, que recentemente puniu o Grêmio com a eliminação da Copa do Brasil por causa de manifestações racistas de um grupo de torcedores, não punirá clubes cujos dirigentes manipularam o resultado final do Campeonato Brasileiro? Um clube pode responder pelos atos de meia-dúzia de torcedores, mas não pode ser punido pela corrupção de seus funcionários e mandatários? Haja hipocrisia.

PCFilho

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Ministério Público conclui o óbvio: Portuguesa recebeu dinheiro para escalar Heverton

Foto: Marcos Bezerra/Futurapress.

O jornal O Estado de S. Paulo revela: o Ministério Público de São Paulo concluiu em seu inquérito que a Portuguesa recebeu dinheiro para escalar Heverton contra o Grêmio, na fatídica última rodada do Campeonato Brasileiro de 2013.

A escalação do jogador, que estava suspenso, gerou a perda de 4 pontos para o clube paulista, punição que acabou resultando no seu rebaixamento à Série B. As investigações seguem em andamento, agora com o foco de descobrir quem exatamente pagou e quem exatamente recebeu dinheiro, neste caso evidente de corrupção.

De acordo com a reportagem, o Ministério Público agora tem certeza de que dirigentes e funcionários dos departamentos jurídico e de futebol da Lusa tinham ciência da suspensão de Heverton. Haveria pelo menos três provas para sustentar essa conclusão, em forma de e-mails e contatos telefônicos.

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO) já teria quebrado o sigilo bancário de funcionários da Portuguesa, a fim de descobrir as movimentações financeiras relativas à fraude. A expectativa é que finalmente se descubra a fonte pagadora - as pessoas e/ou instituições que teriam comprado o rebaixamento do clube paulista.

Vale sempre lembrar que o Fluminense não foi o único clube que saiu ganhando com o erro da Portuguesa - não foi nem mesmo o maior beneficiado, aliás. Uma simples análise da tabela de classificação final do Campeonato deixa evidente qual clube foi o maior beneficiado pela punição à Lusa: o Flamengo, 16º colocado, que cairia em seu lugar, naturalmente (para mais detalhes, vide post O Fluminense comprou a Portuguesa?, datado de 30/01/2014).

Este escriba sempre duvidou da tese da coincidência, argumentando que se tratava de um evidente caso de corrupção. Meu desejo é que as investigações continuem, e que todos os envolvidos sejam exemplarmente punidos, esportiva e judicialmente, sejam quem forem. Pelo bem do futebol brasileiro, e até da sociedade brasileira, que precisa exterminar esta mazela chamada corrupção, que tanto prejudica o país, nos mais diversos setores.

PCFilho

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Ilídio Lico: "escalação de Heverton foi coisa premeditada"


Amigos, o Campeonato Brasileiro de 2013 parece não acabar nunca. Ontem, fui alertado por um leitor sobre uma entrevista de Ilídio Lico - o presidente da Portuguesa - concedida semana passada, ao Blog do Jorge Nicola. Perguntado sobre se sabe por quê Héverton foi escalado irregularmente na última rodada do Brasileirão de 2013, ele respondeu: "Foi coisa premeditada. Não dá para falar muito, porque eu não tenho como provar e ainda vou acabar processado, mas sabemos da participação do departamento jurídico. E agora estamos tentando eliminar o Manuel da Lupa". A declaração do mandatário da Lusa contraria frontalmente a tese amplamente aceita de que foi tudo coincidência. Entretanto, estranhamente, a fala de Ilídio Lico não ecoou na imprensa esportiva brasileira...

Em janeiro, o Ministério Público de São Paulo já havia sugerido que a Portuguesa sabia da suspensão de seu atleta. O Flamengo, outro clube punido na ocasião, também sabidamente tinha conhecimento da suspensão de André Santos. Entretanto, estranhamente, as investigações do MP-SP não produziram desdobramentos nos meses seguintes...

Vale dizer que este blog sempre questionou a bizarra tese da coincidência (vide posts O erro da Portuguesa - uma abordagem estatística e Casos de perdas de pontos no Campeonato Brasileiro desde 2003). Em menos de 24 horas, dois clubes cometeram o mesmo primaríssimo erro - convenhamos, creditar essa situação ao mero acaso é de uma ingenuidade quase infantil.

PCFilho

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Portuguesa se defende: "não fomos avisados sobre a proibição dos cassinos"


Esta semana, pipocou na imprensa uma grave denúncia policial, de que há um cassino clandestino funcionando na sede da Associação Portuguesa de Desportos, no Canindé, em São Paulo.

Os jogos de azar estão proibidos no Brasil há 68 anos, desde 1946. A última partida oficial de roleta em território nacional foi disputada no cassino do hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, no dia 30 de abril daquele distante ano. Entretanto, os dirigentes da Portuguesa se defendem, alegando que não foram avisados sobre a proibição dos cassinos no Brasil: "não houve dolo de nossa parte, pois a proibição não está publicada no site da CBF, e portanto nós não tínhamos conhecimento dela", declarou o ex-presidente Manuel do Microscópio.

A reportagem encontrou dois jogadores que eram assíduos no Cassino Canindé. Solicitando anonimato, eles explicaram por quê gostavam do local. "O jogo de roleta lá era uma maravilha, porque eles pagavam 36 reais para cada aposta de 1, então eu colocava as fichas no vermelho, e sempre que saía um número vermelho eu ganhava muito dinheiro", explica Heverton, nome fictício. "Eu apreciava, porque era o único cassino em que eu tinha lucro todo dia, uma pena que tenham fechado", diz André Santos, nome também inventado.

A Portuguesa, que acumula uma imensa dívida, apesar dos futebolistas relativamente baratos que contrata, já demitiu seu advogado, e seus dirigentes garantem que irão até a última instância na Justiça para defender seu cassino. "Tem que valer o número onde a bolinha pára, senão é tapetão", garante o gerente da casa.

Alheio à confusão do cassino, o time de futebol da Lusa se prepara para a segunda rodada da Série B. O time receberá o Santa Cruz, no sábado 26, no Canindé, e planeja jogar mais do que os 15 minutos da primeira rodada. "Ah, dessa vez acho que vamos pelo menos até os 30", garante o treinador Argel.

PCFilho

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Flamengo escalará Amaral no próximo jogo da Copa Libertadores

O árbitro Rowan Atkinson expulsando o rubro-negro Amaral.
(Foto: AFP Jayme de Almeida)

Após ter Amaral expulso na estreia da Copa Libertadores, o Flamengo garante que o volante não está suspenso para a segunda partida, contra o Emelec, no próximo dia 26, no Maracanã. Procurado pela reportagem, o supervisor de futebol Serginho foi enfático: "ouvi nosso departamento jurídico, e fui informado que não existe suspensão automática nos torneios da Confederação Sul-Americana".

O rubro-negro carioca perdeu 4 pontos no Campeonato Brasileiro de 2013 por ter escalado André Santos na última rodada, em que ele estava suspenso. Derrotado nas duas instâncias do Superior Tribunal de Justiça Desportiva e também na Justiça Comum brasileira, o Flamengo ainda recorre da perda dos pontos na Corte Arbitral do Esporte, argumentando que seu atleta poderia ter atuado. Em caso de nova derrota, o clube já cogita novos recursos, à NASA, à CIA e ao FBI.

O clube da Gávea não teme uma nova punição na Copa Libertadores. O treinador Jayme de Almeida conta com o volante Amaral para conter os velozes atacantes do Emelec no dia 26, admitindo: "ele é peça fundamental do meu esquema tático".

O Flamengo também tomou ações contra o árbitro Rowan Atkinson, que, além de expulsar Amaral, assinalou dois pênaltis contra o clube, algo que não acontecia em um só jogo desde 1938. Serginho esbravejou: "Uma palhaçada esse juiz dar dois pênaltis contra nós. Quem ele pensa que é, o Mister Bean? Será que ele não sabe o que é o Flamengo?". O advogado rubro-negro Assefinho já impetrou ação contra o árbitro na ONU.

A Portuguesa recebeu ligações de dirigentes do Flamengo, sondando a possibilidade de, por via das dúvidas, também escalar um jogador suspenso na Copa Libertadores. Desta vez, entretanto, os dirigentes da Lusa frustraram os planos rubro-negros: "esqueceram que não jogamos este torneio, ó pá?".

PCFilho

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Seleção de juristas a favor da decisão do STJD e, portanto, da manutenção do resultado legítimo do Campeonato Brasileiro de 2013


Amigos, resolvi compilar neste post algumas opiniões de especialistas em Direito, favoráveis à decisão unânime do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, nos já históricos casos Heverton e André Santos. É uma autêntica "Seleção Brasileira" de juristas, que inclui até um ministro do Supremo Tribunal Federal.

O meu intuito aqui é defender a manutenção do resultado legítimo do Campeonato Brasileiro de 2013. Já me posicionei contra qualquer tipo de "virada de mesa", e é exatamente para inibir as torpes tentativas de "virada de mesa" que publico este post. Com as opiniões de juristas juntas num mesmo lugar, fica facilitada nossa defesa, nos debates nas redes sociais e sites. Sintam-se livres para divulgar e compartilhar este post. E também peço colaborações, para que eu possa ampliá-lo, se houver outras opiniões relevantes de especialistas.

Vamos lá. Começo por duas autoridades importantes no assunto - os próprios redatores do tão falado Estatuto do Torcedor, que garantem que a Lei que eles ajudaram a redigir não foi desrespeitada pela decisão do STJD.

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1) Heraldo Panhoca, redator da Lei Pelé, do Estatuto do Torcedor e do Código Brasileiro de Justiça Desportiva.

"Tem que prevalecer a Justiça Desportiva. O código é constitucional, não depende de nada. A Justiça Desportiva tem código individual. A Dilma regulamentou pela Lei Pelé e lá é claríssimo o que rege o código desportivo. Ela não inclui o Estatuto do Torcedor."

Entrevista ao canal de televisão Sportv:


Reportagem do portal Lancenet: Redator da Lei Pelé, CBJD e Estatuto do Torcedor não crê em nova 'Copa João Havelange'.

Reportagem do site do Sportv: Especialista em direito desportivo diz ter certeza de Brasileiro com 20 times.

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2) Carlos Miguel Aidar, advogado da CBF, ex-Presidente do São Paulo Futebol Clube, e redator do Estatuto do Torcedor.

"Temos a convicção que a decisão do STJD deve ser respeitada."

"O que não podemos confundir é o conhecimento do resultado com a sua publicidade. A intimação deu-se no ato do julgamento, o advogado que representou a Portuguesa no ato do julgamento ouviu a proclamação do resultado. Ali, o clube estava ciente da pena. Em todo o campeonato foi assim, com todos os clubes."

Matéria em Veja: CBF contrata escritório de Aidar para defender decisão do STJD.

Matéria na Rádio Difusora: Advogado da CBF admite que pode não ter Brasileirão ou haver mais de 20 times.

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3) Marco Aurélio Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal desde 1990, torcedor assumido do Flamengo (um dos clubes punidos pelo STJD).

"Essa decisão tem um simbolismo enorme para o Brasil, o da premissa de que uma regra estabelecida é para ser cumprida. Vamos respeitar a regra do jogo, e isso implica segurança para todos."

Matéria do blog Bastidores FC: Ministro do Supremo Tribunal Federal defende decisão do STJD.

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4) Daniel Cravo, advogado do Sport Club Internacional, Membro da Comissão de Estudos Jurídicos do Ministério do Esporte e Coordenador do Núcleo de Direito Desportivo da Escola Superior da Magistratura do Estado do Rio Grande do Sul.

Entrevista ao canal de televisão Sportv:


Reportagem do portal Lancenet: Especialista em direito desportivo contesta nova tese em favor da Lusa.

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5) Ana Rosa Amorim, doutoranda em Teoria do Direito.

"A Portuguesa foi avisada antes do jogo, ainda no dia do julgamento, ocorrido na sexta-feira, uma vez que seu advogado compareceu ao julgamento, tendo sido devidamente intimado da data da sessão. Se, por falha de comunicação, essa decisão não foi repassada ao técnico, tem-se erro da Portuguesa (e do Flamengo)."

Texto neste blog: O caso Lusa segundo a Teoria do Direito contemporânea: pequeno manual para jornalistas atrapalhados.

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6) Rafael T. Fachada, professor da Faculdade Nacional de Direito/UFRJ.

"Assim, vejo que o Estatuto visa regulamentar um ponto, enquanto o CBJD trata de outro, não há colisão. A questão toda do processo não é que a Portuguesa não teve direito ao acesso ao julgamento, mas de quando começaria a contar o prazo para cumprimento da pena, neste ponto é omisso o Estatuto do Torcedor, propositalmente no meu humilde entender."

Texto na página da FND/UFRJ no Facebook: Direito Desportivo.

"Na verdade CBJD e ET não se conflitam, uma vez que têm escopos diferentes, enquanto o ET regula a relação do torcedor com a JD, o CBJD e a Lei Pelé regulam a relação entre o denunciado e o tribunal."

Matéria no Blog do Tricolor Verdadeiro: O que realmente poderia estar por detrás dos ataques ensandecidos da ESPN ao Fluminense?.

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7) Michel Asseff Filho, advogado do Flamengo (clube punido pelo STJD!!).

"Sabemos, entre nós, que o Flamengo não deveria ter escalado o atleta André Santos na partida disputada contra o Cruzeiro. Qualquer especialista em direito desportivo, caso fosse consultado, por cautela, recomendaria deixar o atleta de fora, pois saberia informar sobre o entendimento da CBF e da Justiça Desportiva em situação como essa. As teses defensivas foram criadas em razão da necessidade e da oportunidade. [...] Ao longo de dez anos defendendo o nosso Flamengo nos tribunais desportivos, acredito que adquiri experiência para opinar sobre o assunto. Não podemos nos esquecer que se não fosse o descuido da Portuguesa, éramos nós na Série B."

Post neste blog: Voz de Michel Asseff Filho.

Matéria no portal Globoesporte.com: Troca de e-mails vaza e expõe discórdia no Fla sobre caso do STJD.

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8) Edio Leitão, advogado pós-graduado em Direito Desportivo.

"O torcedor tem direitos? Sim! Mas, quais direitos? Vários, mas não tem o direito de praticar atos na Justiça Desportiva. Ora, se o torcedor não tem legitimidade para atuar na Justiça Desportiva, a publicidade da decisão na internet como marco inicial para a produção de efeitos da decisão condenatória desportiva, como “direito” do torcedor não tem o menor sentido."

Textos no site do Instituto Brasileiro de Direito Desportivo:
O caso Portuguesa e o Estatuto do Torcedor.
- Caso Portuguesa: Kelsen?.

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9) Mário Bittencourt, advogado e diretor jurídico do Fluminense.

"É a décima quinta tese para tentar justificar a escalação de dois jogadores de forma irregular. Como advogado, devo respeitar a opinião dos colegas de profissão, mas a meu sentir a tese defendida confunde intimação com publicidade. Podemos quem sabe começar tudo do zero anulando todas as punições ocorridas desde 2003 e refazendo todos os campeonatos. Seria bem interessante. Não acha?

Mas entendo ser a construção da tese um direito de quem a escreveu, apesar de achar pouco ou nenhum fundamento nela. Aliás, quando o Estatuto do Torcedor fala em publicidade, não se refere a publicação e sim ao fato das sessões serem públicas sem segredo de justiça, e, vou além, mesmo que se entenda que ela fala de publicação, não se confunde com os efeitos da decisão porque o próprio artigo 133 [do CBJD] é expresso que a decisão produz efeitos independente de publicação."

Matéria no portal Lancenet: Advogado do Fluminense rebate nova tese em favor da Portuguesa.

Texto publicado no jornal O Globo: Trocando em miúdos.

Jornal O Globo, 16/01/2014. Clique no texto para ampliar.

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10) Leonardo Andreotti, Diretor do Instituto Brasileiro de Direito Desportivo, Mestre em Direito Desportivo e Especialista em Direito Contratual, e Professor de Direito Desportivo da ESA/SP, do Instituto Superior de Derecho y Economia (Madrid) e do Master in Diritto Sportivo do Sports Law and Policy Centre (Roma).

"É exagero pensar que um dispositivo do Estatuto do Torcedor possa interferir em aspectos processuais descritos no Código Brasileiro de Justiça Desportiva, documento que trata especificamente do Processo Disciplinar Desportivo. O Estatuto Federal exige referida publicação para que o Torcedor saiba o que está acontecendo no desenvolvimento da competição e o porquê de um atleta, às vezes o principal motivo de o torcedor estar no estádio, está suspenso. Lembrando que os resultados da Justiça Desportiva fazem parte da competição. Em outras palavras, o Estatuto garante ao Torcedor o acesso ao motivo de uma eventual suspensão, mas não influi no Processo Disciplinar, regido pelo CBJD."

"A solução é respeitar o sistema desportivo brasileiro e respeitar as decisões dos TJDs e STJDs das mais diversas modalidades."


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Enviem colaborações:
- nos comentários deste post, abaixo;
- via twitter ou facebook;
- via e-mail.

PCFilho

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O Fluminense comprou a Portuguesa?


Com a conclusão do Ministério Público de São Paulo, de que funcionários da Portuguesa foram subornados para que Heverton fosse escalado mesmo estando suspenso, ganharam corpo nas redes sociais acusações de que o corruptor da Lusa seria o Fluminense, ou sua patrocinadora Unimed.

O famoso Blog do Paulinho, um dos mais acessados da internet brasileira, dá força a essa teoria, com relatos de supostos encontros entre dirigentes da Portuguesa e da Unimed. Acontece que o meu xará paulista não tem lá muito cuidado para apurar os fatos antes de publicá-los (se o leitor duvida, é aconselhado a ler este hilário relato em que ele foi ridiculamente enganado por uma suposta fonte). Então, não dá para levar o sujeito a sério.

Antes de continuar, esclareço aos leitores que não me conhecem: sou ferrenho opositor à atual diretoria do Fluminense, diversas vezes criticada aqui no Jornalheiros, de forma veemente, como podem comprovar as postagens dos últimos três anos (exemplo). Então, acreditem: se houver evidências de que o meu Fluminense está envolvido em qualquer esquema de corrupção, serei um dos primeiros a atirar todas as pedras e exigir explicações. Não tenho absolutamente nenhum compromisso com os dirigentes do Fluminense, e não hesitaria em atacá-los ferozmente.

Acontece que esta tese de que "o Fluminense comprou a Portuguesa" simplesmente não sobrevive a uma análise racional da situação. Vamos aos fatos? Ao fim da 37ª e penúltima rodada, a classificação da parte de baixo do Campeonato Brasileiro era a seguinte (confiram aqui):
11º) Flamengo - 48.
12º) Bahia - 48.
13º) Portuguesa - 47.
14º) Internacional - 47.
15º) Criciúma - 46.
16º) Coritiba - 45.
17º) Vasco - 44.
18º) Fluminense - 43.
19º) Ponte Preta - 36.
20º) Náutico - 17.

Como quatro equipes são rebaixadas, vê-se que a situação do Fluminense era desesperadora. O Criciúma, 15º lugar com 46 pontos, já estava inalcançável, por ter mais vitórias que o Fluminense (o primeiro critério de desempate). Então, os torcedores tricolores agarravam-se a um fio de esperança, uma combinação de três resultados, todos obrigatórios: o Fluminense precisava vencer o Bahia, e torcer para que o Vasco não vencesse o Atlético Paranaense e o Coritiba não vencesse o São Paulo. Uma situação bastante complicada, tendo em vista o futebol ridículo demonstrado durante o ano, a dificuldade de jogar contra o Bahia na Fonte Nova, e o fato de o São Paulo não ter mais objetivos no Campeonato.

Neste cenário, não tenho dúvidas de que se cogitou mesmo gastar dinheiro pagando outros times, para aumentar a probabilidade de permanecer na Primeira Divisão. Mas pense bem: se você tivesse dinheiro à disposição para isso, preferiria usá-lo de que forma? Você - gastando mais e agindo de forma ilegal - subornaria a Portuguesa? Ou você - gastando menos e agindo de forma legal - pagaria um incentivo extra para o São Paulo contra o Coritiba, e para o Atlético Paranaense contra o Vasco? Nem preciso responder, preciso? (A propósito: a chamada "mala branca" é absolutamente legal, acontece todo ano, e eu não vejo nada de anti-ético nela - vide post meu de 2010 sobre o assunto.)

Analisemos outro aspecto da situação: a única forma de o Fluminense ultrapassar a Portuguesa seria esta escalar um atleta suspenso, e perder assim três pontos, além dos conquistados na rodada. (Isto, claro, contando com uma vitória do Fluminense sobre o Bahia, que não estava garantida.) Até a noite da sexta-feira 06/12, a Portuguesa só tinha um atleta suspenso: Bruno Henrique, por sequência de cartões amarelos. Somente na noite da sexta-feira 06/12, é que a polêmica suspensão de Heverton passou a existir, com o julgamento do STJD. Em suma: toda a operação de "compra" da escalação de Heverton teria que acontecer entre a noite de sexta-feira e a tarde de domingo. OK, o pouco tempo disponível talvez não impedisse a ação de malfeitores, mas é uma dificuldade a mais a ser superada.

Querem mais? Ora, o jogo do Flamengo aconteceu no sábado 07/12, e o rubro-negro escalou deliberadamente o também suspenso André Santos, fato que foi percebido por diversos torcedores nas redes sociais (embora tenha sido tristemente ignorado pela imprensa esportiva, mesmo pelos órgãos que publicaram a notícia da suspensão na véspera). Então pergunto: por quê o Fluminense pagaria a Lusa para escalar um jogador suspenso, se o Flamengo já havia feito a burrada no sábado, e seria igualmente ultrapassado em caso de vitória tricolor sobre o Bahia? Simplesmente não fazia mais sentido pagar a Portuguesa! (Pelo menos não para o Fluminense...)

Passemos à análise do comportamento dos dirigentes da Portuguesa após o estouro do escândalo, na terça-feira 10. O então presidente do clube paulista, Manuel da Lupa, partiu para ataques ferozes ao Fluminense, na mídia e no tribunal (exemplo). Ora, não é estranho que o "comprado" ataque tão veementemente o "comprador"? Com um agravante: em nenhum momento, os dirigentes da Lusa atacaram o Flamengo - clube que mais se beneficiou da punição à Lusa, conforme fica evidente na tabela de classificação corrigida após os julgamentos.

(Aliás, já que estamos aqui falando de relações escusas entre clubes adversários em um mesmo certame, acho que vale relembrar um episódio lamentável deste Campeonato Brasileiro de 2013. Na 31ª rodada, a Portuguesa tinha o mando de campo para enfrentar o Flamengo, mas o jogo não foi em São Paulo. Acreditem: mesmo brigando contra o descenso, a corajosa direção da Portuguesa decidiu mandar o jogo, contra um rival direto na mesma luta, na distante Fortaleza, com torcida quase exclusiva do adversário. Uma evidente inversão de mando de campo, que prejudica de forma escancarada o princípio da isonomia entre os 20 participantes do Campeonato.)

Ainda cabe lembrar mais duas "trocas de carinho" entre Portuguesa e Flamengo:
- a declaração do presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, de repúdio ao Fluminense e apoio à Portuguesa.

Resumindo: a tese de que o Fluminense "comprou" a Portuguesa não faz quase nenhum sentido, tendo em vista que:
1) havia uma alternativa mais barata e eficaz, e absolutamente legal - pagar "malas brancas" para os adversários de Coritiba e Vasco na rodada final;
2) houve pouco tempo para a suposta operação, entre a suspensão de Heverton (na sexta-feira à noite) e a rodada (no domingo à tarde);
3) depois de o Flamengo cometer o erro da escalação de André Santos no sábado, não havia mais a necessidade de "forçar" a Portuguesa a se auto-flagelar, uma vez que, se o Fluminense vencesse, já ultrapassaria o rival rubro-negro e escaparia do rebaixamento;
4) após o estouro do escândalo, os dirigentes da Portuguesa atacaram violentamente o Fluminense, em conduta que não se espera a respeito de um "parceiro de negócios"; e, além disso, pouparam o outro clube beneficiado por seu "descuido" - clube com o qual, aparentemente, a Lusa mantém excelente relação, tendo inclusive lhe vendido um mando de campo semanas antes.

Por fim, chamo a atenção para a enorme coincidência que é dois clubes cometerem o mesmo erro infantil na mesma rodada. A probabilidade de os dois casos serem independentes entre si é ínfima, para não dizer nula (vide post O erro da Portuguesa - Uma abordagem estatística).

Que o Ministério Público de São Paulo continue a investigação do caso. Que os clubes e dirigentes envolvidos na maracutaia sejam exemplarmente punidos. Que o Fluminense e a Unimed processem todos os que os caluniaram nas últimas semanas.

Por enquanto, é só.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

As frases de janeiro

Renato Gaúcho. Foto: Photocamera.

Seguem abaixo as melhores e mais impactantes frases do futebol brasileiro em janeiro de 2014, escolhidas pelo Comitê de Assuntos Especiais deste blog.

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"E acabou dando esse pequeno probleminha."
André Santos,
lateral-esquerdo do Flamengo, sobre as "pequenas" consequências de sua escalação irregular na última rodada do Brasileirão de 2013 (vide post André Santos sabia que estava suspenso).

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"O Botafogo é um clube vendedor."
Maurício Assumpção,
presidente do clube, admitindo que títulos não são exatamente a prioridade alvinegra.

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"Eu joguei mais que Cristiano Ronaldo."
Renato Gaúcho,
treinador do Fluminense, ex-jogador de Grêmio, Flamengo, Fluminense e Seleção Brasileira, comparando-se com o craque português, atual vencedor da Bola de Ouro da FIFA.

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"Vai caber o colete?"
Renato Gaúcho,
treinador do Fluminense, brincando com a forma física do "gordinho" Walter, em treino do time.

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"Vou parar de jogar futebol depois de 22 anos. Foi uma noite difícil, mas estou satisfeito com o que fiz na minha carreira, com o que fiz com o Botafogo."
Clarence Seedorf,
craque holandês, anunciando sua aposentadoria.

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"Eu vou fazer o que for melhor para a Portuguesa. Todos sabem da situação financeira que o clube passa, e pedimos um adiantamento à CBF. Precisamos de ajuda."
Ilídio Lico,
presidente da Portuguesa, explicando que a iniciativa das negociações pelo empréstimo partiu do clube paulista, e não da CBF, como deu a entender a matéria tendenciosa do canal ESPN (vide post Observatório da imprensa esportiva #1 - ESPN).

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"O torcedor do Flamengo, como diz o trecho do cronista tricolor, é um apaixonado e rebaixamentos eventuais não afetam paixões. Quem grava no braço o nome do time (ou no coração) não se abala por uma temporada na segunda divisão."
Maria Luiza Obino Niederauer,
juíza, que citou Nelson Rodrigues em sua decisão negando pedido de liminar a torcedor do Flamengo (vide post A melhor sentença dos casos Lusa e Flamengo).

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"Não sou juiz, não sou advogado, 'O Pequeno Príncipe' não é meu livro de cabeceira. Tudo isso é questão de vergonha na cara e vergonha na cara o Flamengo tem. A torcida do Flamengo jamais admitiria ficar na Primeira Divisão, ficar em um campeonato, se classificar para a Libertadores com qualquer tipo de manobra que prejudicasse um inocente."
Eduardo Bandeira de Mello,
presidente do Flamengo, alfinetando o Fluminense, mas convenientemente "esquecendo" as três investidas de seu próprio clube nos tribunais em 2013, uma delas tentando tirar pontos do inocente Duque de Caxias no Campeonato Carioca (vide post Qual clube foi três vezes ao tapetão em 2013?).

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"Pelo que significa para a história, ganhar uma Copa no Brasil atuando, como atleta do presente, de hoje em dia, certamente seria muito lindo. Mas não gosto de falar do que poderia acontecer. São sonhos que podemos ter. E os sonhos, como dizem, são gratuitos. São coisas que te estimulam para poder crescer."
Edinson Cavani,
atacante uruguaio, sonhando com um novo Maracanazo em julho.

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"Quando o mundo se prepara para a Copa de 2014, chegou o momento de reconhecer este jogador. Nenhum outro jogador teve tanta influência sobre o jogo, inspirou tantos outros a jogar. Seu legado nos inspira. Sua criatividade era sem limites, seu talento nato era sem limites, com mais de 1000 gols na carreira."
Joseph Blatter,
presidente da FIFA, exaltando Pelé, na cerimônia em que o Rei do Futebol recebeu uma merecida Bola de Ouro honorária.

PCFilho

domingo, 26 de janeiro de 2014

A melhor sentença dos casos Lusa e Flamengo


Nestas últimas semanas, tivemos notícias da chuva de ações de torcedores do Flamengo e da Portuguesa na Justiça Comum, tentando forçar uma virada de mesa no Campeonato Brasileiro. Com exceção de um magistrado paulista, até aqui todos os demais juízes negaram os pedidos de liminares favoráveis a Flamengo e Portuguesa, felizmente apoiando a legalíssima decisão do tribunal desportivo e dizendo não à virada de mesa.

Uma das sentenças - a da juíza Maria Luiza Obino Niederauer - me chamou a atenção, porque cita um texto do genial escritor Nelson Rodrigues, "o maior cronista de futebol que este país já teve", em suas palavras (com as quais concordo). Segue abaixo o teor da decisão da magistrada, que considero, desde já, a melhor sentença dos casos Lusa e Flamengo...

Trata-se de ação que objetiva a reversão de decisão proferida pelo STJD, no sentido de sancionar o Clube de Regatas do Flamengo, com perda de 4 pontos, por ter escalado o jogador ANDRÉ SANTOS, quando este não poderia ter jogado na partida contra o Cruzeiro;  O autor vem a Juízo na qualidade de TORCEDOR e requer a antecipação dos efeitos da tutela para que a decisão do STJD tenha seus efeitos suspensos. Sem razão a parte autora, contudo; Não estão presentes os requisitos ensejadores da concessão da medida antecipatória, que são a verossimilhança quanto aos fatos relatados e o risco de dano irreversível para o autor; Embora não tenha o Juízo a mesma opinião do maior cronista de futebol que este país já teve, vale a pena lembrar um trecho seu, justamente sobre o torcedor rubro-negro:

"Poucas instituições serão tão abrangentemente nacionais quanto o Flamengo - a Igreja Católica, sem dúvida, é uma delas, e, talvez o jogo do bicho. E olha que o Flamengo não promete a vida eterna e nem o enriquecimento fácil. Ao contrário, às vezes mata de enfarte e, quase sempre, só dá despesa. Mas uma coisa ele tem em comum com a religião e o bicho: a Fé! Por onde vai, o Rubro-Negro arrasta multidões fanatizadas. Há quem morra com o seu nome gravado no coração, a ponta de canivete. O Flamengo tornou-se uma força da natureza e, repito, o Flamengo venta, chove, troveja, relampeja. Cada brasileiro, vivo ou morto, já foi Flamengo por um instante ou por um dia."

Certo é que o torcedor do Flamengo, como o autor, não terá prejuízo irreversível acaso o risco de rebaixamento se torne realidade. O torcedor do Flamengo, como diz o trecho do cronista tricolor, é um apaixonado e rebaixamentos eventuais não afetam paixões. Quem grava no braço o nome do time (ou no coração) não se abala por uma temporada na segunda divisão; Já para o clube, a situação seria outra . Entretanto, o autor, mero torcedor, não é parte legítima para pleitear danos em face do clube, pelo que não se acolhe seu pedido de tutela antecipada.

PCFilho

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Portuguesa sabia que Heverton estava suspenso, garante MP-SP


O Ministério Público de São Paulo já concluiu em suas investigações que a Portuguesa sabia que não poderia escalar Heverton na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2013. A promotoria paulista contesta assim a versão oficial da Lusa, de que não foi devidamente avisada de que não poderia contar com o jogador. Nos julgamentos do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e em outras manifestações públicas, os advogados contratados pelo clube e os cartolas lusos justificaram a escalação do atleta sempre alegando desconhecimento da suspensão: uma hora, "a suspensão não constava no sistema informativo da CBF"; outra hora, "o advogado Osvaldo Sestário não comunicou a condenação à diretoria"; outra hora, "a CBF não publicou a decisão do STJD em seu site". A hipótese de a Portuguesa ter cometido o erro "sem querer" foi praticamente descartada pelo MP-SP. Pelo menos cinco pessoas ligadas ao clube do Canindé foram ouvidas até agora na investigação.

Como o Flamengo também sabia da suspensão de André Santos, fica evidente que ambos os clubes escalaram propositalmente os atletas, mesmo estando cientes da infração ao regulamento. Resta descobrir os motivos por trás destas atitudes - e o Ministério Público paulista garante que investigará os fatos.

Entretanto, contraditoriamente, o promotor do MP-SP Roberto Senise Lisboa insiste na tentativa de virada de mesa, e solicitará à CBF que devolva os pontos retirados de Portuguesa e Flamengo. Segundo ele, o Estatuto do Torcedor foi desrespeitado no julgamento do STJD, tese que não tem absolutamente nenhuma base jurídica, conforme já demonstrado aqui.

E fede cada vez mais...

PCFilho

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

CBF cassa liminar favorável ao Flamengo


Hoje, o Poder Judiciário brasileiro fez o que dele se espera: cassou a decisão liminar do juiz Marcello do Amaral Perino, que mandava a CBF devolver os pontos retirados do Flamengo no Campeonato Brasileiro, devido à suspensão não-cumprida do atleta André Santos. A liminar favorável à Portuguesa, do mesmo juiz, deve também ser cassada nos próximos dias, restabelecendo-se assim o resultado legítimo do Campeonato Brasileiro.

Este escriba mantém-se firme em sua posição contrária à virada de mesa do Campeonato Brasileiro. Os rebaixados de 2013 são Náutico, Ponte Preta, Vasco e Portuguesa, e a primeira divisão do Campeonato Brasileiro de 2014 terá a presença legítima e inquestionável do Fluminense, quatro vezes campeão do certame e 15º colocado da edição de 2013.

A aula do dia sobre o assunto é dada pelo respeitado jurista Heraldo Panhoca, simplesmente um dos redatores da Lei Pelé, do Estatuto do Torcedor e do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. Vale a pena conferir, principalmente se você ainda não estiver convencido do óbvio:


Depois desta aula magna, resta pouco a dizer. Parabéns à Justiça Comum pela acertada decisão.

PCFilho

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- FIFA excluirá Flamengo da Copa Libertadores.
- Se Fla e Lusa aceitarem os pontos devolvidos, serão excluídos do Campeonato Brasileiro.
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- Se tese pró-Lusa e Fla for aceita, pelo menos 3 atletas atuaram irregularmente no Brasileirão; Corinthians pode cair.
- André Santos sabia que estava suspenso.
- O erro da Portuguesa - uma abordagem estatística.
- Osvaldo Sestário se comunicou com dirigente da Portuguesa.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Osvaldo Sestário se comunicou com dirigente da Portuguesa


Segundo informação do jornalista Lauro Jardim, de Veja, o extrato da conta telefônica de Osvaldo Sestário, advogado que representou a Portuguesa no julgamento de Heverton, comprova que ele se comunicou com Valdir Rocha, diretor jurídico da Portuguesa, no dia da condenação do atleta.

O celular do advogado recebeu duas chamadas do dirigente na sexta-feira, 06/12: uma às 9:46 (antes do início do julgamento, que se deu às 11:00) e outra às 17:12 (após o fim do julgamento). Houve ainda uma ligação de Sestário para Rocha no dia seguinte, sábado, 07/12, às 18:52. O jogo em que Heverton foi escalado aconteceu no domingo, 08/12, às 17:00.

Assim, cai por terra de vez a primeira tese de defesa da Portuguesa, a de que não houve dolo do clube, pois ele não teria sido avisado da suspensão pelo advogado, o que agora está comprovado que aconteceu.

PCFilho