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| Foto: Alexandre Cassiano/AG. |
Amigos, nunca foi tão fácil ser tricolor. Nós, fluminenses desde o berço e para toda a vida, não estamos acostumados a tanta moleza. Outro dia, vi um pó-de-arroz andando pela calçada aqui no Leme, na Gustavo Sampaio. Ele parou na banca, pegou um jornal qualquer, olhou a tabela. E aí sentou no meio-fio e começou a gargalhar histericamente. O sujeito não conseguia parar de rir. É isso: nós, tricolores, não estamos conseguindo tirar o sorriso do rosto e principalmente o sorriso da alma.
Trinta e cinco mil foram ao Engenhão na noite desta quarta-feira. O jogo era importante, contra o Grêmio de Porto Alegre, um dos dois times que ainda sonham em nos roubar a taça do Campeonato Brasileiro. Para manterem viva a já fraca chama de sua utopia, os gaúchos precisavam vencer a qualquer custo. Caso conseguissem, diminuiriam a diferença de pontos de 11 para 8. E eles começaram melhor, chegaram perto de abrir o placar em duas ocasiões. Na primeira, o Fluminense foi salvo pela trave (time de sorte esse tal de Fluminense). Na segunda, Diego Cavalieri fez boa defesa. Depois, o Fluminense conseguiu equilibrar as ações. E o primeiro tempo terminou com o placar em branco.
Os gols ficaram para a segunda etapa. Primeiro, Gum cometeu falta na entrada da área, e Elano cobrou com categoria, por baixo da barreira: Grêmio 1 a 0. Pouco depois, Digão chutou para o gol após cobrança de escanteio e empatou: 1 a 1. E Rafael Sobis acertou um foguete de fora da área para virar a partida: Fluminense 2 a 1. Eufórica, mas ainda calçando as sandálias da humildade, a torcida tricolor cantava "seremos campeões". Mas o Grêmio, mesmo com um a menos, foi aguerrido e acabou premiado com o empate, com Zé Roberto aproveitando rebote de cobrança de falta: 2 a 2.
O outro concorrente do Fluminense - o Atlético Mineiro - também empatou em 2 a 2, com o Santos, na Vila Belmiro (onde Neymar fez mais um daqueles golaços - alguém ainda acha que este sujeito paranormal não é um cracaço?). E assim a distância do líder para o vice-líder continua em 9 pontos, faltando agora 7 jornadas para o fim do Campeonato. Na próxima rodada, no domingo, ocorrerá o grande jogo: Atlético Mineiro x Fluminense, no Estádio Independência, em Belo Horizonte. Matematicamente, o título continuará em aberto, independentemente do resultado. Porém, todos sabem o que significará uma vitória tricolor.
Na distante caverna que habita, o Profeta coça sua longa barba branca e sorri. Observando as três faixas penduradas nas úmidas pedras à sua frente, o sábio homem calmamente repete seu vaticínio: "Fluminense campeão! Fluminense campeão! Fluminense campeão! Fluminense campeão!".
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