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sábado, 28 de julho de 2018

Flamengo, pague a Série B do Carioca!


Vez por outra, torcedores do Flamengo tentam zombar do Fluminense, bradando o famoso "Pague a Série B", em alusão a uma suposta dívida do Fluminense (que não existe, conforme já esclareci aqui). O mais curioso é que esse comportamento também revela um desconhecimento deles da história do próprio clube: há mais de 100 anos, o Flamengo "deve a Série B" do Campeonato Carioca, como demonstrarei abaixo.

O Campeonato Carioca de 1911 começou disputado por cinco clubes: America, Botafogo, Fluminense, Paysandu e Rio Cricket (o Flamengo era somente um clube de regatas, e ainda não tinha um time de futebol). No dia 25 de junho, uma briga generalizada interrompeu a partida entre Botafogo e America, no campo da rua Voluntários da Pátria. Abelardo Delamare deu um tapa na cara do americano Gabriel de Carvalho, e a Liga suspendeu o atleta alvinegro. Solidário com seu jogador, o Botafogo se retirou daquele Campeonato, ficando também de fora no ano seguinte.

Assim, o Campeonato de 1911 teve na verdade somente 4 clubes. A fórmula de disputa era de pontos corridos, em que o Fluminense venceu seus 6 jogos e sagrou-se campeão invicto. Porém, uma divergência sobre a escalação do time nos últimos jogos causou uma debandada: liderados por Alberto Borgerth, nove atletas tricolores resolveram se desligar do Fluminense - foram procurar o Flamengo, e convenceram o clube de regatas a ter uma seção terrestre (história que também já contei aqui - vide Os primórdios do Flamengo).

O Fluminense campeão de 1911: nove dos onze titulares debandaram.
Somente Oswaldo Gomes e James Calvert permaneceram no Fluminense

O Flamengo, na condição de clube novato no futebol, deveria iniciar sua trajetória, naturalmente, na segunda divisão do Campeonato Carioca de 1912. "Ora, a liga já tem compromissos com clubs antigos, que com a sua estadia na segunda divisão do campeonato passado adquiriram o direito incontestável de antiguidade para a promoção à primeira divisão, salvo se for modificado o regulamento dos campeonatos (...). Desse modo, se não houver alteração, a inclusão da 'équipe' do Flamengo será certamente na segunda divisão" - assim noticiou o prestigioso jornal "O Paiz", em sua edição de 15 de janeiro de 1912, cujo recorte pode ser conferido abaixo:
O Paiz, 15/01/1912.

Para agradar ao Flamengo, a Liga Metropolitana de Sports Athléticos resolveu então inchar a primeira divisão do Campeonato Carioca, dobrando seu tamanho para 8 clubes (os quatro da primeira divisão de 1911, os três primeiros colocados da segunda divisão de 1911 - Bangu, São Cristóvão e Mangueira - e o novato Flamengo, que acabara de se inscrever). Vale observar que nenhum dos outros clubes novatos naquela temporada teve o mesmo privilégio do Flamengo: o Esperança Football Club, por exemplo, disputou a segunda divisão, como o esperado. Em resumo: o Flamengo iniciou sua trajetória no futebol entrando pela janela na primeira divisão do Campeonato Carioca.

O Flamengo, com quase todo o timaço do Fluminense campeão de 1911, fez ótima campanha em sua estreia no Campeonato Carioca, somando 10 vitórias, 2 empates e 2 derrotas (uma delas para o Fluminense, que mesmo com os antigos reservas conseguiu vencer os desertores por 3 a 2, no primeiro Fla-Flu da história). O Flamengo acabou vice-campeão, dois pontos atrás do Paysandu, que teve 11 vitórias, 2 empates e 1 derrota, e sagrou-se campeão carioca de 1912.

Portanto, ao bradar "pague a Série B" para qualquer rival, o torcedor rubro-negro assina um atestado de que não conhece sequer a história de seu próprio clube, que começou sua jornada no futebol virando a mesa e cabulando a segunda divisão do Campeonato Carioca - esta, sim, uma dívida centenária, que jamais foi paga.

PCFilho

domingo, 6 de dezembro de 2015

Ranking dos rebaixamentos - Clubes grandes

Foto: Geraldo Bubniak/AGB/LANCE!Press.

Ao empatar com o Coritiba neste domingo 6, no Couto Pereira, em Curitiba, o Vasco terminou rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, pela terceira vez em sua história. O clube de Eurico Miranda tornou-se, assim, o time grande mais vezes rebaixado na história da competição nacional.

Segue abaixo o ranking atualizado de rebaixamentos dos clubes grandes ao longo da história do Campeonato Brasileiro. Considerei "clubes grandes" os quatro principais do Rio de Janeiro, os quatro principais de São Paulo, os dois principais de Minas Gerais, e os dois principais do Rio Grande do Sul.

1º. Vasco, 3 rebaixamentos (2008, 2013, 2015).
2º. Botafogo, 2 rebaixamentos* (2002, 2014).
2º. Grêmio, 2 rebaixamentos (1991, 2004).
2º. Palmeiras, 2 rebaixamentos (2002, 2012).
5º. Atlético Mineiro, 1 rebaixamento (2005).
5º. Corinthians, 1 rebaixamento** (2007).
5º. Fluminense, 1 rebaixamento*** (1997).
8º. Flamengo, 0 rebaixamento****.
8º. São Paulo, 0 rebaixamento.
8º. Santos, 0 rebaixamento.
8º. Internacional, 0 rebaixamento.
8º. Cruzeiro, 0 rebaixamento.

* O Botafogo também terminou rebaixado nos Campeonatos de 1986 e 1999, mas estes rebaixamentos foram cancelados pela Justiça Desportiva posteriormente, e o clube disputou a primeira divisão em 1987 e 2000.
** O Corinthians envolveu-se em um escândalo de manipulação de resultados no Campeonato de 1996, mas não foi punido com o rebaixamento, disputando a primeira divisão em 1997.
*** O Fluminense também terminou rebaixado no Campeonato de 1996, mas este rebaixamento foi cancelado devido a um escândalo de manipulação de resultados envolvendo Corinthians e Atlético Paranaense. Em 2013, o Fluminense salvou-se do rebaixamento devido a escalações irregulares do Flamengo e da Portuguesa na última rodada.
**** O Flamengo salvou-se do rebaixamento em 2013 devido a uma escalação irregular da Portuguesa na última rodada.

PCFilho

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Observatório da imprensa esportiva #5 - O Globo

Na sua edição desta segunda-feira 8, o caderno de esportes d'O Globo sepultou de vez a sua reputação, com a publicação de um infográfico com erros históricos grosseiros, referentes à história do Campeonato Brasileiro. É uma pena que o tradicional caderno, que já teve em suas páginas as geniais crônicas de Nelson Rodrigues, hoje esteja rebaixado à condição de fanzine do clube predileto de seus editores.

A primeira incorreção: Flamengo campeão de 1987. A informação "dividiu o título com Sport"
está equivocada - o clube pernambucano sempre foi e continua sendo o único campeão oficial.
Vide post A verdade sobre 1987.

OK, até compreendo que a questão de 1987 é polêmica, e que o jornal tenha seu posicionamento (que nada tem de imparcial, vale dizer, já que as Organizações Globo patrocinaram apenas o módulo que o Flamengo venceu). Mas reparem que 1987 não é a única manipulação do infográfico: ora, por que o início se dá em 1973 e não em 1967? Será que é para esconder o Campeonato de 1970, conquistado pelo Fluminense? (coisa que, aliás, o jornal sempre fez, ao longo de sua história, numa vergonhosa tentativa de apagar fatos do passado, à moda do ditador soviético Stalin)

Entretanto, o pior ainda viria: a parte mais equivocada do infográfico estava depois, na parte sobre os rebaixamentos...

"Homenagem" aos "gigantes rebaixados": recorde mundial de equívocos.

São tantos os erros que eu não sei por onde começar. O leitor desatento bate os olhos e logo conclui: dos gigantes, o Fluminense é o clube que mais caiu, o único rebaixado quatro vezes. Equívoco: os rebaixamentos de 1996 e 2013, embora tenham acontecido, foram cancelados, e portanto não deveriam constar de lista alguma. OK, é um direito do jornal fazer constar os tais rebaixamentos não-concretizados, desde que: 1) explique corretamente os fatos e 2) adote o mesmo tratamento para todos os clubes. O Globo, vergonhosamente, não cumpriu nenhuma destas duas condições.

Vejamos a explicação dada pelo jornal sobre 1996: "movimento dos clubes impediu que o tricolor jogasse a Série B em 1997". Equívoco: o Fluminense teve seu rebaixamento cancelado porque o Campeonato de 1996 estava comprometido, com resultados fabricados no escândalo 1-0-0 (os leitores que quiserem conhecer os detalhes, vide post A verdade sobre 1996). Os clubes que foram salvos do descenso foram, na verdade, Corinthians e Atlético Paranaense, envolvidos na manipulação dos resultados. Mas observem que, ali, no escudinho do Corinthians, não consta o ano de 1996...

Passemos agora à explicação dada pelo jornal sobre 2013: "com erro de escalação, a Portuguesa perdeu 3 pontos e caiu". Não foram 3 pontos, foram 4. Mas o pior é: cadê a citação ao Flamengo, cara pálida? Ora, o Flamengo terminou o Campeonato atrás do Fluminense (confiram aqui) - contar um rebaixamento para o Flu em 2013 e não contar um para o Fla é uma demonstração inequívoca de parcialidade. Uma análise crua da tabela revela que o erro da Portuguesa salvou o Flamengo do descenso, não o Fluminense (insisto, confiram aqui).

O exposto acima já seria suficiente para demonstrar a sanha mentirosa do caderno de esportes d'O Globo, pois fica evidenciada uma perseguição insana ao Fluminense. Os rebaixamentos "polêmicos" de outros clubes são varridos para debaixo do tapete. Cadê 1996 na lista de rebaixamentos do Corinthians, conforme a explicação acima? Cadê 2013 na lista de rebaixamentos do Flamengo, conforme a explicação acima? Cadê os rebaixamentos do Botafogo em 1986 e 1999?

Vídeo: jornalista Fernando Vanucci anunciando rebaixamento 
do Botafogo em 1986.

Por que só mostrar as "manobras" do Fluminense - e ainda de forma tão escandalosamente mentirosa? Qual é o interesse do jornal O Globo em diminuir tanto o Fluminense, incontestavelmente o clube mais importante da história do futebol brasileiro?

O jornal O Globo está convidado a publicar este meu texto em seu site e em sua seção de cartas. Já o Fluminense Football Club deveria, em minha opinião, exigir uma retratação por parte do veículo.

PCFilho

domingo, 30 de novembro de 2014

Brasileirão 2014 - Probabilidades de rebaixamento após a 37ª rodada


Com os resultados da 37ª rodada, já estão definidos os cinco classificados brasileiros para a Copa Libertadores 2015: Cruzeiro, São Paulo, Internacional e Corinthians pelo Campeonato Brasileiro, e Atlético Mineiro pela Copa do Brasil.

Na parte de baixo da tabela, o Criciúma já estava rebaixado, e o Botafogo carimbou seu passaporte para a Série B 2015. Na última rodada, três clubes lutam para não ocupar as duas vagas: Bahia, Vitória e Palmeiras.

De acordo com os cálculos do Departamento de Matemática da UFMG, o Bahia é o mais ameaçado dos três, com 93,9% de chances de ser rebaixado. O Vitória tem 83,4%, e o Palmeiras 22,6%.

O Bahia joga contra o Coritiba no Couto Pereira, o Vitória recebe o Santos no Barradão, e o Palmeiras recebe o Atlético Paranaense no Allianz Parque.

O Palmeiras depende apenas de si: se vencer o seu jogo, estará livre da degola. O Vitória tem que vencer e torcer por um tropeço do Palmeiras. O Bahia precisa vencer, e torcer por um tropeço do Vitória e uma derrota do Palmeiras.

PCFilho

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Sobre o drama do Botafogo


"Eu acho que o Botafogo vai cair. Infelizmente, é uma realidade. Estou cantando essa pedra desde o início do ano. Se cair, não vai ser por causa dessa arbitragem do jogo contra o Bahia. Vai cair porque você não encontra os membros da diretoria nem para dar um depoimento. O elenco foi mal montado, desequilibrado, inclusive psicologicamente. Um elenco que tem Sheik, Carlos Alberto, Jobson, Edílson, Aírton... Dizem que o time do Botafogo é o B do Bangu, é Bangu 2. Tem um bando de gente maluca ali, salário atrasado, estádio interditado em circunstâncias misteriosas e sob as quais a diretoria não fez nada. (...) Está tudo errado. Tem que ganhar oito das dezesseis partidas que faltam, e não tem aproveitamento para isso. Preciso me preparar para a queda, e ser agradavelmente surpreendido com uma reviravolta."

- Arthur Dapieve,
jornalista, torcedor do Botafogo.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Resenha - 40ª rodada do Brasileirão 2013


Na resenha da "rodada 39", já fiz aqui minhas considerações sobre a temporada ridícula do Fluminense em 2013. Vocês, meus leitores, sabem da minha opinião sobre a gestão amadora do Tricolor, e da minha luta para que o clube mude de verdade. E insisto: espero que o rebaixamento quase concretizado tenha sido um susto suficiente para acordar os sócios e torcedores do Fluminense.

Como o esperado, os julgamentos foram mera formalidade: tanto na Primeira Instância quanto no Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, Portuguesa e Flamengo foram punidos, de forma unânime, com a perda de 4 pontos cada, como consequência da escalação de jogadores suspensos. A legislação é claríssima, as infrações ao regulamento foram evidentes, e as punições foram obviamente impostas. Não poderia ser diferente.

*****

A se lamentar, o comportamento triste de boa parte dos jornalistas esportivos, que defenderam com incrível cinismo que o regulamento fosse rasgado, e imputaram ao Fluminense um papel que este nunca exerceu. Pessoalmente, eu não queria que o Fluminense tivesse sequer participado dos julgamentos, primeiro porque a participação foi irrelevante, já que Fla e Lusa seriam condenados de qualquer forma, dadas as clarezas das irregularidades, da legislação e da jurisprudência; e segundo porque eu já previa essa injusta execração popular, incentivada pela imprensa nazista. Entretanto, o fato de a presença do Fluminense ter sido desnecessária não significa que ela foi imoral ou anti-ética. O Fluminense estava em seu legítimo direito de, como terceiro interessado, defender o lado que lhe interessava. Não houve "tapetão", não houve "virada de mesa", e o Fluminense não atuou em momento algum fora da Lei ou da Ética.

Acima, chamei a imprensa de nazista, e repito: nazista, sim, porque quem repete mentiras na esperança de que estas se tornem verdades só pode ser chamado assim. A violência moral e física sofrida por tricolores nas ruas nos últimos dias é, em parte, culpa destes jornalistas irresponsáveis, que deveriam até ser processados por sua conduta indevida. Ao defender ideias estapafúrdias como "boicote ao Fluminense", estes imbecis estão incentivando a violência no futebol. Depois não vão querer pedir paz nos estádios, né?

*****

Mas e agora, dirigentes da Associação Portuguesa de Desportos? Os senhores vão continuar com o teatrinho, ou vão expor o que de fato ocorreu? Parece que, infelizmente, a Lusa vai mesmo à Justiça Comum. Então, só posso esperar que a Justiça Comum faça o que lhe cabe: ratificar as decisões unânimes da Justiça Desportiva.

O que eu queria ver mesmo era o fim do teatrinho da Portuguesa. Amigos, desde 2003 o Campeonato Brasileiro teve 4606 jogos. Destes, em só 5 (cinco) houve inscrição de jogadores suspensos, sendo 2 (dois) casos na mesma rodada. Coincidência? Não ofendam a nossa inteligência, por favor. O que está por trás deste "descuido", senhores dirigentes da Portuguesa? Pelo bem do futebol brasileiro, botem a boca no trombone, e falem a verdade!

PCFilho

Leituras sugeridas:

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Voz de Michel Asseff Filho


"Sabemos, entre nós, que o Flamengo não deveria ter escalado o atleta André Santos na partida disputada contra o Cruzeiro. Qualquer especialista em direito desportivo, caso fosse consultado, por cautela, recomendaria deixar o atleta de fora, pois saberia informar sobre o entendimento da CBF e da Justiça Desportiva em situação como essa. As teses defensivas foram criadas em razão da necessidade e da oportunidade."

(Michel Asseff Filho, advogado do Flamengo, em e-mail para dirigentes rubro-negros, exposto por reportagem do portal Globoesporte.com)

PCFilho

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Esclarecimentos

(por Maíra Rizzo e Paulo Cezar Filho)

1. Houve injustiça? Houve "tapetão"? Houve "virada de mesa"?
Amigos, há "tapetão" ou "virada de mesa" quando se muda a regra para beneficiar um ou mais times. O que aconteceu foi o contrário, ora: a regra foi cumprida. Caso não tivesse sido, se abriria um perigoso precedente para, nos próximos anos, em partidas decisivas, jogadores irregulares serem escalados. E o Campeonato viraria bagunça. Não punir a Portuguesa e o Flamengo seria um desrespeito com todos os times que deixaram de escalar jogadores suspensos, ou seja, com todos os outros times do Campeonato. Se o regulamento foi estritamente cumprido, como foi, então não há como falar em "tapetão" ou "virada de mesa".

2. "O Fluminense caiu em campo, não deveria permanecer na Série A..."
Sim, o Fluminense fez um péssimo Campeonato. Mas, se pudesse ter escalado jogadores suspensos ao longo do torneio, será que teria sido rebaixado? O meia Felipe não jogou o Fla-Flu porque foi suspenso num julgamento sexta-feira, e o Fluminense perdeu o clássico pelo placar mínimo... Mesmo punida, a Portuguesa poderia não ter caído, se tivesse feito um campeonato melhor. Entendam: a punição da Portuguesa não foi o rebaixamento, foi a perda de 4 pontos. Vejam o exemplo do São Caetano, que em 2004 perdeu 24 pontos por conta da morte do atleta Serginho, e ainda assim não caiu... (fonte)

3. "Daqui a pouco o Fluminense recorre ao STJD para ser campeão..."
A mentira é repetida tantas vezes, que daqui a pouco vira verdade, à moda nazista. Pela milésima vez: não foi o Fluminense que recorreu ao STJD - a denúncia partiu da CBF. O Tricolor acabou sendo beneficiado, sim, mas o amadorismo da Portuguesa e do Flamengo não é culpa do Fluminense, ora.

4. "Por que o Cruzeiro só foi multado, e a Portuguesa e o Flamengo perderam pontos?"
Para começo de conversa, os casos são diferentes: o jogador Elisson, do Cruzeiro, não estava suspenso, como Heverton e André Santos. Estava irregular, sim, mas por uma questão burocrática, de registro do contrato. Ademais, o Cruzeiro não foi multado, mas sim absolvido. Houve entendimento que o erro no registro foi da Federação Mineira e não do clube. Caso o clube tivesse sido condenado, provavelmente teria sido multado e perdido os pontos da mesma forma que a Portuguesa e o Flamengo. (fonte)

5. Os casos de 2010 foram idênticos aos atuais, e o tribunal agiu de maneira diferente?
Outra mentira repetida à exaustão nos últimos dias é a de que o Fluminense teria sido absolvido por escalar dois jogadores de maneira irregular em 2010. O jornalista Paulo Vinícius Coelho, referência, que não é torcedor do Fluminense, explica detalhadamente os fatos nesta matéria. Em suma: Tartá e Valencia não estavam suspensos quando o Fluminense os escalou em 2010. Este ano, Portuguesa e Flamengo escalaram, indubitavelmente, jogadores suspensos (para quem ainda duvida, aqui está uma cópia da decisão que suspendeu Heverton). A comparação entre os casos não tem o menor cabimento. Ela é tão esdrúxula que sequer houve julgamento em 2010, embora o Cruzeiro tenha estudado o assunto. O clube mineiro simplesmente verificou que a denúncia não era cabível, e não entrou com a ação. Palavras do chefe do departamento jurídico do Cruzeiro à época, Gilvan de Pinho Tavares: "O regulamento é muito claro. Tem de somar os cartões do primeiro e do segundo clube. O Fluminense não pode ser punido. O Cruzeiro não pode denunciar porque o Fluminense agiu corretamente. Iríamos passar o atestado de incompetência". (fonte)

6. O Fluminense teve papel ativo em alguma das ações de "viradas de mesa" (1996, 1999, 2013)?
Definitivamente não. Que tal ouvirmos a breve explicação de dois jornalistas que não torcem para o Fluminense sobre esse assunto? O vídeo da ESPN tem 5 minutinhos de duração, vale a pena: PVC e Mauro Cezar analisam casos de viradas de mesa.

7. A Lei e a jurisprudência estavam de que lado?
É uma situação cristalina: as punições de Portuguesa e Flamengo eram esperadíssimas, e praticamente incontestáveis. Era consenso entre os juristas que o julgamento seria mera formalidade, fossem os envolvidos o Fluminense, o Flamengo, a Portuguesa, o Friburguense, o Íbis, o Corinthians, não importa. A Lei e a jurisprudência, ao contrário do que fizeram muita gente acreditar, eram todas favoráveis às punições de ambos os clubes.

Sobre a Lei: o artigo do Código Brasileiro de Justiça Desportiva é claríssimo, e foi seguido à risca, como tinha que ser. "Artigo 214: Incluir na equipe, ou fazer constar da súmula ou documento equivalente, atleta em situação irregular para participar de partida, prova ou equivalente. Pena: perda do número máximo de pontos atribuídos a uma vitória no regulamento da competição, independentemente do resultado da partida, prova ou equivalente, e multa de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais). § 1º Para os fins deste artigo, não serão computados os pontos eventualmente obtidos pelo infrator." Impossível contestar.

Sobre a jurisprudência: o único caso igual ocorrido no Brasil recentemente foi o do Grêmio Prudente em 2010 - e este recebeu a mesmíssima punição de Portuguesa e Flamengo. Internacionalmente, idem: Guiné Equatorial foi punida pela FIFA nas eliminatórias da Copa do Mundo por escalar atleta em situação irregular (fonte). Neste Campeonato, Corinthians, Botafogo e o próprio Fluminense cumpriram no domingo as suspensões decretadas na sexta-feira (fonte). Por que a Lusa e o Flamengo não cumpririam? Daniel Cravo, advogado do Internacional há mais de 15 anos, que não tem nada a ver com os casos de Portuguesa e Flamengo, deu uma aula sobre o assunto neste vídeo:


Enfim, a regra é clara, e o choro é livre. Aos falsos moralistas de plantão, que têm defendido o absurdo de rasgar o regulamento do Campeonato, um recado: não venham depois reclamar da impunidade nos crimes dos políticos corruptos... Como bem escreveu a Ana Rosa Amorim no post de ontem, nunca houve  no Brasil tamanho ataque ao princípio da legalidade.

(texto original de Maira Rizzo, com adaptações e acréscimos meus)

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Resenha - 39ª rodada do Brasileirão 2013


Amigos, a 39ª rodada do Brasileirão 2013 trouxe a incompetência alheia, que salvou o Fluminense do vexame do rebaixamento. Nem fomos para a Segunda Divisão e já voltamos de lá.

Mas que fique claro: o Fluminense ainda precisa mudar, acordar para a vida. O destino do Tricolor não é ter glórias esporádicas, mas sim ser perenemente glorioso.

O fato de só termos escapado do descenso em decorrência de uma demonstração incrível de burrice de dois clubes adversários mostra de forma taxativa que algo está muito errado em Laranjeiras, principalmente quando levamos em conta que o Fluminense possui uma das maiores folhas salariais do Campeonato.

Nada muda o fato de que o Fluminense jogou, em 2013, um futebol de rebaixado, consequência direta de uma gestão amadora, que coloca o clube voluntariamente como refém das vontades de um patrocinador que mais parece proprietário do departamento de futebol.

Nada apaga a ridícula campanha que levou, pela primeira vez na história do Brasileirão, um time campeão a ser rebaixado à segunda divisão na temporada seguinte. O papelão cumprido em 2013 continua sendo, sem dúvidas, uma das maiores vergonhas da centenária história do Fluminense. Se não for a maior.

Que o "susto" tenha servido de lição para os torcedores e sócios da maior instituição esportiva da Terra. Vamos começar a pensar, de verdade, no futuro do Fluminense?

PCFilho

domingo, 15 de dezembro de 2013

Meus pensamentos sobre a 39ª rodada


Publiquei hoje, mais cedo, duas opiniões muito bem articuladas sobre a rodada extra do Campeonato Brasileiro de 2013 e suas consequências, ótimos textos dos amigos André Vaz (aqui) e Mario Vitor (aqui). Além destes, ao longo da semana, publiquei alguns outros posts sobre o assunto, que tomou conta do país.

Em resposta a muitos pedidos, seguem abaixo resumidos os meus próprios pensamentos sobre este pesadelo que tem sido a trigésima-nona rodada. Tentei ser sucinto em cada um dos tópicos, e espero que tenha conseguido expor com clareza o que penso.

I) Qual deveria ser a postura do Fluminense no caso?

Se eu fosse o presidente do Fluminense, o clube deixaria claro que não tem absolutamente nada a ver com as denúncias, declararia que está se preparando para disputar a Segunda Divisão em 2014, não entraria como "terceiro interessado" nos julgamentos de Portuguesa e Flamengo, e sequer cogitaria entrar com recurso em caso de vitória dos clubes citados na primeira instância. Em suma, por mim, o Fluminense seria mero espectador do processo, e só jogaria a Primeira Divisão em 2014 se for obrigado pela CBF a fazê-lo.

"Ah, isso é fidalguia, e fidalguia não leva a lugar algum...". É, pode ser que não leve mesmo, neste "país dos espertos". Mas a fidalguia é uma marca do Fluminense, o clube que devolveu a taça do Torneio Início de 1927, após descobrir uma falha própria, sem que nenhum adversário solicitasse. E eu me orgulho muito disso.

E não, minha preocupação não tem nada a ver com as supostas dívidas do Fluminense (até porque, na minha visão, é o país que deve ao Fluminense, e não o contrário - vide meu post Paguem o penta! e o vídeo de PVC e Mauro Cezar). Me preocupo, isto sim, com a imagem do clube, já injustamente arranhada no passado, e novamente em risco de ser jogada na lama. As consequências de uma imagem ruim são devastadoras para o futuro do clube, mesmo que esta imagem ruim seja injusta. (A criancinha que está para escolher o seu time não necessariamente ouvirá os nossos argumentos...)

II) Qual deveria ser a postura do STJD no caso?

Se eu fosse um juiz do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, me declararia incapaz de julgar a causa, como faria com qualquer matéria relativa ao clube do meu coração, direta ou indiretamente. Entendo alguns dos argumentos a favor da Portuguesa, de que a punição do rebaixamento acabaria sendo excessiva, para um erro não tão grave. Mas se eu tivesse que decidir, provavelmente votaria pela perda dos pontos da Portuguesa e do Flamengo, já que estes de fato infringiram o regulamento do Campeonato, desrespeitando uma decisão clara e unânime do citado tribunal (vide aqui). E neste país em que vivemos, se for aberto o precedente, sai de baixo...

III) Campanha sórdida contra o Fluminense

Jornalistas e torcedores de clubes rivais estão se aproveitando desta situação para denegrir a imagem do Fluminense, de forma nefasta, covarde e principalmente desonesta. O Fluminense já demonstrou que não articulou as manobras nos tribunais, nem em 2013, nem em 1996, nem em 1999, mas mesmo assim tentam colar em nós o rótulo de clube sujo, de "rei do tapetão", de clube que tem uma "dívida" com o país (insisto: vide meu post Paguem o penta!).

IV) O que de fato aconteceu?

Ainda não engoli esta historinha de que dois clubes, na mesma rodada, cometeram o mesmo erro grosseiro de escalar jogadores suspensos, e tudo foi apenas uma grande coincidência. Tem gato escondido com o rabo de fora nesta história. Pensem bem: após o erro do Flamengo no sábado, o maior beneficiado pelo "lusitanismo" da escalação de Héverton foi mesmo o Fluminense? Os que quiserem ler minha teoria, vide meu post De tribunais e outros demônios. Deveria haver uma investigação mais profunda sobre os fatos - me incomoda muito que quase ninguém levante esta pauta.

V) Para que lado você vai torcer nesta 39ª rodada?

Sinceramente, não sei. Não sei mesmo. Aguardemos, é o que nos resta. O que eu queria mesmo é que este pesadelo não estivesse acontecendo...

PCFilho

O Fluminense aos leões. Quem se importa?


A quem interessar possa, eu, presidente do Fluminense Football Club, declaro que:

1 - Somos o Fluminense Football Club. Não nos responsabilizamos pelas falhas alheias, mas honramos as nossas, assim como procuramos, desde nossa fundação, ser exemplo de competência, vanguarda, vitórias esportivas e valores para a sociedade.

2 - Em 1997, um presidente do Fluminense maculou a imagem do clube com um triste ato, compreensivelmente provocando a ira de muitos. Àquela época, é bom ressaltar, “viradas de mesa” ainda estavam em voga. Inúmeros foram os clubes que se beneficiaram desta forma. O Flu, porém, graças à explícita comemoração deste antidesportivo costume, foi tomado como pária pelo grande público e mídia especializada. Do dia para a noite, o bode expiatório.

3 - Em 1999 disputávamos a Terceira Divisão. Nada tivemos com Sandro Hiroshi, com o Botafogo tentar fugir do rebaixamento ganhando pontos que perdeu no campo, tampouco com o Gama recorrer à justiça comum. No ano seguinte, criaram um torneio nacional que substituísse o Brasileiro, desintegrando assim todas as divisões. O Flu, ainda assim, foi novamente tomado como o leproso máximo do desporto nacional. 

4 - Uma vez mais, o Tricolor nada tem a ver com o que hoje acontece envolvendo a Portuguesa de Desportos. Ainda assim, é alvo de críticas severas e injustas.

5 - O Fluminense conquistou, dentro de campo, 46 pontos. Com esta campanha, infelizmente, mas por sua única e exclusiva incompetência, foi rebaixado para a segunda divisão.

6 - O Fluminense está preparado para jogar a segunda divisão e não tentará qualquer artimanha jurídica para mudar esta realidade, pois entende que nada, nenhum fator extracampo, interferiu no seu desempenho.

7 - Sabidamente a Portuguesa de Desportos está sendo acusada de ter escalado indevidamente um jogador e corre risco de perder pontos que fatalmente a rebaixarão. Se assim for, o Tricolor entrará com um pedido para não jogar a primeira divisão em 2014. 

8 - O Fluminense é uma Instituição ciente de seus deveres, mas também de seus direitos. Se acaso precisar entrar na justiça, assim o fará, mas sempre quando se sentir legítima e legalmente lesado. Em qualquer outra situação, mesmo o ganho sendo legal, se não existir legitimidade que nos respalde, ignoraremos a possibilidade de recurso.

9 - Não estamos optando por pagar absolutamente nada. O Fluminense não é devedor. Somos, isto sim, co-fundadores do futebol no Brasil. Exigimos respeito de adversários e da mídia. Se assim não acontecer, se julgarmos que estamos sendo vítimas de uma campanha odiosa e injusta, aí sim, acionaremos nosso Departamento Jurídico para que seja preservada nossa imagem. Direito de expressão não garante ofensa à honra e imagem de uma Instituição centenária.

10 - A grandeza do Fluminense não se traduz apenas dentro de campo. Somos honrados, corretos, zeladores de conceitos aparentemente esquecidos por muitos. Assumimos nossos erros assim como pretendemos manter nossas virtudes. Assim foi no início, é agora e o será para sempre.


Caros, a última semana foi provavelmente a mais tétrica da centenária história tricolor. A mais tétrica, sem exageros.

Não me venham com queda para a “terceirona”, por favor. Não apenas o regulamento era esdrúxulo, como o momento, um clube absolutamente falido, sem jogadores nem dinheiro, apenas cumpria o que dele se esperava. Cair pelas tabelas era previsível. Ainda que nos machucasse, não nos surpreendia.

Desta vez foi diferente. Desta vez o Fluminense vinha de um título. Entrou em 2013 como atual campeão brasileiro, terminou como rebaixado para a segunda divisão. 

O modelo alardeado pelo presidente de pano como “vencedor”, novamente deixou escancaradas suas fétidas entranhas. Não é a toa que o Flu, entra ano, sai ano, briga para não cair. Dinheiro pode até comprar centroavante bichado e marqueteiro, mas não inteligência. Pode pagar pela consciência da massa, mas competência e profissionalismo, que é o que interessa, são outros quinhentos.

Não bastasse o rebaixamento, eis que veio a péssima notícia: a Portuguesa de Desportos escalou Héverton sem que pudesse tê-lo feito. 

O obscuro jogador entrou na última partida, contra o Grêmio, um jogo que não valia rigorosamente nada. Portanto, de acordo com o regulamento e a falta de bom senso, logo mais tem enormes chances de perder 4 pontos, sendo assim rebaixada para a segunda divisão. Quem sobreviverá na primeira? Nós.

Sobreviver é o termo exato. Quem viveu 1997 sabe do que estou falando.

Torci para que esta ou aquela atitude fosse tomada, mas Peter e Mario Bittencourt, dois advogados, infelizmente não me decepcionaram. Comportaram-se exatamente como imaginei.

Peter, não custa lembrar, presidente do Fluminense, ficou calado. Burrice? Covardia? Falta de preparo? Difícil dizer. Alguns poderão alegar que um pouco de cada. Eu, realmente, não sei dizer.

Já Mario Bittencourt ganhou seu momento de fama. Fez o que a maioria dos advogados adora fazer, que é professorar para ignorantes. Regurgitar técnicas e discursos como se fossem definitivos, ainda que, claro, estivessem defendendo a Lusa, tranquilamente poderiam inverter a lógica, cada palavra.

Peter e Mario, cada um a seu modo, demonstraram exatamente a distância que existe, hoje, entre o Fluminense e aqueles que o representam. 

Nada, nada mesmo será mais maléfico para o Tricolor que passar outro ano, e não só, mas décadas e décadas, sendo acusado de carregar um tapete debaixo do braço. E assusta constatar que a maioria não está nem aí. Como se a imagem da instituição, tão somente o que há de mais importante a ser preservado, não tivesse qualquer relevância. Como se, de fato, pudéssemos, todos nós, tricolores, ocupar cada mesa de bar na cidade e no Brasil, explicando o porquê de o Flu estar sendo injustiçado. Como se fosse razoável a ideia de que convenceríamos milhões, ou pelo menos grande parte das pessoas, de que o Flu nada tem a ver com incompetência lusitana, e que portanto temos mesmo que jogar na A após termos sido rebaixados para a B.

Uma hipótese absurda, que de todo modo foi soterrada quando Peter e Mario decidiram entrar no cenário como interessados no julgamento. Argumentar que o Flu não tem nada a ver com a questão já não é possível. 

Peter passou a semana inteira calado, permitindo que a grande mídia sapateasse em cima do Tricolor. Depois, resolveu abrir a boca para fazer um discurso tão pacato quanto burro, ao dizer que o Botafogo fez bem em 1999, quando foi atrás dos pontos que perdera no campo  para o São Paulo por 6 a 1, dado o imbróglio Sandro Hiroshi.

Ou seja, o Flu, acusado, até hoje e para todo o sempre, como o clube que precisa “pagar a série B” de 1999, uma virada de mesa provocada pelo Botafogo, já que o Tricolor jogava e ganhava a série C e jogaria a B, não tivesse o clube de General Severiano apelado ao tapetão, publicamente diz que a virada foi correta. 

O presidente deveria ter aproveitado o momento para esclarecer uma série de fatos e proteger a imagem do Tricolor, mas, bem ao contrário, elogiou o Botafogo, ignorando assim sua culpa. Um gênio.

Peter e Mario não devem saber, pois não vivem o mundo real, mas futebol se decide apenas, única e exclusivamente, em dois ambientes: no gramado e na mesa de bar. 

No campo, você ganha, empata ou perde, mas no boteco a partida continua. Não termina nunca. Os gols continuam a ser comemorados, os pênaltis não marcados são lamentados, os títulos festejados.

Peter e Mario não são torcedores de arquibancada. São, além de tudo, advogados, claramente daqueles que não se interessam pelo legítimo, mas apenas pela manipulação do legal.

Se Peter e Mario não me decepcionaram, pois agiram exatamente como esperava que fossem agir, o mesmo não posso dizer da torcida tricolor.

Entendo o torcedor do Fluminense. Claro que sim. Só de ler os inacreditavelmente bairristas discursos destilados pela ESPN, dá vontade mesmo de chutar tudo para o alto. O Fluminense, em parte justamente, paga o preço por uma série de comportamentos de fato lamentáveis, todos cristalizados na champagnota de Álvaro Barcellos. Mas isto não dá o direito a quem quer que seja, ainda mais em se tratando de um jornalista, formador de opinião, de sapatear em cima da honra de um clube centenário.

Ainda assim, por mais que nos irritem as injustas e por vezes absurdas palavras de parte da imprensa e torcedores adversários, não consigo compreender tamanha desfaçatez e cinismo de nossa parte.

Todos nós, de uma hora para outra, viramos advogados de porta de cadeia. Acreditamos piamente que a lei escrita é a que vale, que não são necessários julgamentos, que ponderações e nuances deste ou daquele caso, simplesmente não têm a menor importância.

Mas o principal, o que mais me incomoda, é a não-percepção do cenário que estamos desenhando para nós mesmos. 

Fomos rebaixados no campo, merecidamente rebaixados no campo, e possivelmente subiremos graças à escalação equivocada de um jogador desimportante, que teve atuação desimportante, em poucos minutos de um jogo desimportante. Pode ser legal a queda da Lusa? Sem dúvida que sim. Será legítima? Obviamente não.

Se o sujeito tiver um mínimo de honestidade intelectual e inverter a situação, colocando o Tricolor no lugar da Lusa, constatará o tamanho do absurdo.

O momento é desconfortável, mas o Fluminense e sua torcida estão fazendo de tudo para torná-lo insuportável.

Na série A, imerecidamente, ou na B, com louvor, o Tricolor mais uma vez terá seu nome jogado no lixo.

O presidente não se importa, o advogado não se importa, e, ao que parece, nem mesmo sua torcida.

Que pena.

(*) Este texto começa com uma carta que deveria ter sido divulgada para o grande público. Jamais foi redigida. Jamais seria redigida por quem hoje comanda o Fluminense.

(Mario Vitor Rodrigues, escritor e torcedor do Fluminense, já colaborou outras vezes com este blog.)

O Fluminense e a manteiga


(por André Vaz, Juiz de Direito e torcedor do Fluminense - texto publicado originalmente em seu blog Libertários da América)

Julgo bastante significativo que a primeira postagem deste blog tenha como assunto tanto o futebol quanto o direito. No meu entender, trata-se talvez dos temas mais importantes da contemporaneidade, e de cujas análises precisas dependem inexoravelmente o futuro da humanidade. Não por outra razão, este espaço pretende tratar especialmente de ambos, da maneira como descrito na apresentação do próprio blog, abaixo de seu título.

Pretende-se, nesse début, contribuir com o inflamado debate acerca das rodadas extras do Brasileirão 2013 – as que serão decididas na próxima segunda-feira, em plena Corte especializada.

Aos incautos, uma advertência preliminar, já salientada na descrição de meu perfil: sou tricolor. O genuíno, o torcedor do Fluminense, e não de qualquer outro time de três cores, como diria Nelson, um de nossos baluartes. Portanto, minha análise deve submeter-se a alguma crítica que leve em consideração tal circunstância.

E quanto a essa circunstância, esclareço que, segundo minha própria – e portanto suspeita – análise, ela não me leva, por um lado, à cegueira dos acometidos por lobotomizante paixão, nem, por outro, ao ceticismo dos que capitulam diante de qualquer qualquer chacota infundada, alienada e superficialmente reduzida a um baixo jargão publicitário conhecido como “pague a série B”.

Descabe, aqui, discorrer por que o Fluminense não deve nada. Há uma série de reportagens e publicações a evidenciar isso. Destaco, por ser mais recente, a divulgada pelo globoesporte.com. Ali se vê que todas as bandalheiras pretéritas foram exclusivamente ocasionadas por diversas outras agremiações, mas, por alguma razão inefável (ou nem tanto – embora este texto não pretenda explorar o ponto), toda a culpa, a tão grande culpa pelas imoralidades ou irregularidades do futebol tupiniquim tenha recaído historicamente somente sobre o tricolor das Laranjeiras. É, como tem se dito por aí, inegavelmente a Geni do esporte bretão praticado em solo nacional.

No que se refere ao último Campeonato Brasileiro, porém, tenho uma visão que, no cotejo com a percepção colhida das redes sociais, parece destoar da maioria dos tricolores.

Acredito não precisar, aqui, retomar o quadro fático do presente quiproquó para avançar em minhas análises. Nem link é necessário disponibilizar. Todos sabem o que está acontecendo.

A Portuguesa, em tese, está incursa no art. 214 do CBJD, que estabelece pena de perda de três pontos, além do quanto se conquistou na própria partida, para a conduta de “incluir na equipe, ou fazer constar na súmula ou documento equivalente, atleta em situação irregular para participar da partida”. Como se sabe, houve a tal escalação e efetiva utilização do suspenso meia-atacante Heverton, instado a atuar por substituição aos aproximados 30 minutos do segundo tempo da última partida do campeonato, disputada contra o Grêmio.

Grosso modo, vêm sendo ventiladas, a favor da Lusa, teses técnicas quanto à comunicação dos atos processuais (se o resultado do julgamento realizado na sexta-feira anterior à rodada de fim de semana teria realmente aplicabilidade imediata); contra ela, acumulam-se acusações referentes ao caráter cogente do regulamento, e à inescusabilidade do amador equívoco de indevidamente fazer atuar certo atleta naquela peleja – o que, traduzido do juridiquês, significa basicamente que vale o que está escrito, regra é regra, escreveu-não-leu-o-pau-comeu.

O que quero ressaltar, aqui, passa longe dessas linhas grosseiras de argumentação, e se aproxima da chamada mens legis, do espírito da norma.

Na qualidade de magistrado, se o Ministério Público ajuíza ação penal contra alguém que furta um pote de manteiga, ou alguns chocolates, ou algum bem de reduzido valor, ou alguma quantia insignificante em dinheiro, não hesito em rejeitar a denúncia. Em outras palavras, não autorizo nem o início do processo. Mas lá, no art. 155 do Código Penal, está escrito com todas as letras: “subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: Pena – reclusão, de um a quatro anos, e multa”. Isso significaria que, pela literalidade do dispositivo legal, não teria autorização para aquilo que declarei fazer sem pestanejar.

Por que o faço, então? Porque, apesar do artigo 155 do Código Penal, a conduta concreta do indivíduo, naquela hipótese, não é crime. O direito se realiza para muito além do que a lei friamente estabelece. Seguir bovinamente o quanto está escrito nos códigos significa, muita vez, assumir postura reacionária e desconectada da realidade social – sobre a qual, em nome do interesse público e positivamente, deve incidir a regulamentação.

O juiz oitocentista, aquele que se resumia a uma mecânica bouche de la loi, a um autômato porta-voz do legislador, felizmente desapareceu após 1945, quando se verificaram os horrores em que a acrítica e cega aplicação da lei formal poderia resultar.

No caso sob análise, é imperioso constatar que a Portuguesa valeu-se de atleta sem a menor relevância para com a partida da qual participou e, o que é principal, sem qualquer referência para com o desempenho do Fluminense ao longo da competição, na qual reuniu míseros e inadmissíveis 46 (quarenta e seis) pontos.

Não consigo, sinceramente, admitir que se teçam raciocínios ou comparações como (enumeradas em ordem talvez crescente de disparate): “a Portuguesa ainda tinha interesse no campeonato porque almejava a classificação para a Copa Sulamericana”, “o Criciúma beneficiou-se com um impedimento mal assinalado” ou “o Fluminense respeitou a suspensão de Fulano ou Beltrano na partida x ou y”.

A primeira hipótese é risível porque o interesse ou desinteresse da Portuguesa na Sulamericana não deveria, segundo a ordem natural do universo, ser objeto das preocupações de qualquer tricolor deste planeta, ainda que ameaçado de no ano seguinte jogar a segunda divisão (que aliás, por favor, não são exatamente os nove círculos infernais de Dante); a segunda, do impedimento, porque levaria à admissão de que preferimos torcer não por jogos de futebol reais com nossas cervejas em punho, mas por assépticas partidas de vídeo-game em que erros de arbitragem são eletronicamente inviáveis e esse tipo de polêmica (indissociável, desculpem-me, do próprio esporte) é abolida.

E o terceiro argumento, que a meu ver é o pior, consagra aquilo que há de mais reprovável: o sentimento de que, se eu posso me dar ao luxo de não furtar um pote de manteiga, quem eventualmente o faz (por necessidade ou, no caso da Portuguesa, provavelmente por incompetência) deve ser punido exemplar e (não importa quanto) desproporcionalmente, independente de daí ter resultado ou não algum prejuízo efetivo. As extensões do argumento – basicamente algo do tipo “então poderíamos ter usado o Fred no jogo tal e ganho alguns pontos na partida tal” ou “se a Portuguesa não for punida, todos estarão legitimados a entrar com doze em campo” - só fazem piorar: sugerem que a absolvição do furto da manteiga levaria a um tal sentimento de impunidade que, no dia seguinte, serão os supermercados terrivelmente acossados por uma horda bárbara, que lhes pilhará todo o estoque de mercadorias. A hipótese é, tendo em conta o caráter ilusório das funções da pena (prevenção geral e especial), criminologicamente indemonstrável, embora não seja possível aqui nos estendermos nessa seara, excessivamente técnica para este post com tema preponderantemente futebolístico.

E, agora já abandonando a metáfora, creio que o medo de que, uma vez relevada a irregularidade da Portuguesa, seria criado um precedente a ser usado maliciosamente por outros clubes futuramente, é fruto de covardia. Ora, o Tribunal (qualquer Tribunal, aliás) existe exatamente para isto: diferenciar casos e casos, identificar má-fé, analisar detidamente cada hipótese. Em suma, lidar com o incerto. Do contrário, seria bem mais fácil e econômico substituí-lo por algum tipo de mecanismo automático de verificação de súmulas, no estilo dessas máquinas leitoras de códigos de barra ou de provas de múltipla escolha – entrou jogador irregular, está punido o clube. Pronto. Evita-se o desgaste de ações, de argumentações, de sustentações orais, de todo esse trâmite e discussão que se reduziriam a puro lero-lero processual.

É claro que nas estreitas linhas acima não exauri toda a complexidade do tema, nem rebati todos os argumentos dos que defendem uma postura ativa do Fluminense na busca judicial pela perda de pontos da Portuguesa. Mas acredito ter exposto, bem sucintamente, as razões pelas quais entendo devermos jogar a série A de 2014 somente no caso de sermos obrigados a tanto. Preferiria ter ouvido isso de nosso presidente a vê-lo habilitando-se como terceiro interessado no processo contra a Lusa.

Esclareço por fim que, embora discorde de que nosso clube tente as vias judiciais para buscar aquilo que entende ser direito seu, reprovo qualquer tentativa de rotular tal conduta como “virada de mesa”, “tapetão” ou “golpe” – especialmente se oriunda de mandatário de certo clube de regatas, cujo departamento de futebol é dissidente nosso, e cuja história não é exata e exclusivamente permeada de episódios retos e honrados. Embora controversa – como denotado pelo próprio contraponto apresentado neste texto –, a atuação judicial do Fluminense no episódio em questão ainda se reveste de algum fundamento legal, o que afasta qualquer possibilidade de “golpe”, que se constataria somente em caso de obtenção de benefícios por meio de flagrante violação a regulamentos.

Também me vejo na obrigação de ressaltar, tendo em conta que o assunto é suscetível aos sabores das mais violentas paixões, que respeito todas as opiniões em contrário. Entre estas, caso sejam mais afins ao gosto dos leitores, sugiro com entusiasmo a do Gustavo Albuquerque, mestre das letras e da argumentação e que, até por ser advogado, certamente consegue com muito mais êxito que eu demonstrar sua parcialidade de maneira mais efusiva e convincente.

Abraços e beijos a todas e todos.

P.S.: não poderia tocar, ainda que superficialmente, no assunto da insignificância no direito penal, sem sugerir o excelente documentário de Clara Ramos, denominado “Bagatela”. É recomendado também para o público leigo, e conta com a participação do colega e amigo Marcelo Semer, do blog Sem Juízo. Está disponível, além de em outros lugares, aqui

(André Vaz)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

PVC e Mauro Cezar analisam casos de "viradas de mesa"

Em meu antigo texto sobre a "virada de mesa" de 1996, sempre fui acusado de escrever mentiras, "por ser apaixonado pelo Fluminense".

Pois bem, eis que, em 2013, os jornalistas Paulo Vinícius Coelho e Mauro Cezar Pereira (ambos torcedores de outros clubes) dão uma aula sobre o assunto, em cerca de seis minutos. O vídeo é da ESPN:



E confirmam absolutamente tudo que escrevi, deixando claro que o Fluminense nunca teve papel de articulador das "viradas de mesa". Nem em 1996, nem em 1999, nem agora.

Como bem me disse meu amigo Rafael Amaro (outro não-tricolor): a sina do Fluminense é ser beneficiado pela virada de mesa alheia.

PCFilho

De tribunais e outros demônios


Atenção: a história a seguir é uma obra inteiramente fictícia, fruto exclusivo de minha fértil imaginação. Qualquer remota semelhança com a realidade é mera e absoluta coincidência.

O Campeonato Nacional de Pindorama, o Pindoramão 2013, chegara à sua derradeira rodada. No sábado, aconteceria uma partida que não valia mais nada, envolvendo um time já livre do rebaixamento (o Clube de Regatas Lagoa, campeão da Taça Pindorama) e o campeão antecipado do Pindoramão (o Cisne Esporte Clube). Foi um jogo em clima de festa: 40 mil pessoas compareceram para presenciar a troca de faixas. O prélio terminou empatado em 1 a 1.

Horas após o apito final do cotejo, o telefone celular do presidente do Lagoa tocou. Do outro lado da linha, um amigo preocupado bradou: "O que cês fizeram? Tão malucos? Esqueceram que o Júnior tava suspenso? Cês tão de sacanagem?". E aquele seria apenas o primeiro de muitos telefonemas naquela noite...

O amigo do presidente estava certo: no julgamento da véspera, Júnior havia sido suspenso, e portanto não poderia ter atuado contra o Cisne. Se alguém descobrisse, o Lagoa perderia quatro pontos na tabela de classificação, e dependendo dos resultados do domingo, terminaria o Pindoramão rebaixado à segunda divisão (um vexame inimaginável, já que o Lagoa se orgulha de nunca ter sido rebaixado em sua história).

A situação só se resolveu na tarde do domingo, duas horas antes do início da rodada final, numa tensa reunião na sede da Associação Italiana de Desportos, à beira do límpido Rio Tietê.

No domingo, aconteceram os oito jogos restantes. Após muita tensão, que incluiu uma triste pancadaria generalizada na arquibancada do jogo Curitibano x Cabral, foram definidos os dois últimos rebaixados, que se juntaram ao Viaduto Branco e ao Náutico Beberibe: o próprio Club de Regatas Cabral e o Geni Football Club.

Assim que a bola parou de rolar no último jogo, o da pancadaria, o amigo do presidente do Lagoa voltou a telefoná-lo: "Se algum filho-da-puta denunciar vocês, fodeu. Já viu como ficou a tabela? Agora tira 4 pontos do Lagoa. Vamos cair!". O presidente só respondeu: "Fica tranquilo. O problema já está resolvido".

E vejam só que coincidência: a Italiana acabou cometendo o mesmo erro que o Lagoa cometera na véspera: escalou um jogador suspenso em uma partida que não valia mais nada (terminou empatando em 1 a 1 com o Gaúcho). Um evento raro: dois clubes, na mesma rodada, escalaram atletas suspensos.

Os dois clubes - o Lagoa e a Italiana - foram naturalmente denunciados, julgados e condenados. Cada um perdeu 4 pontos na tabela de classificação, sendo assim ambos ultrapassados pelo Geni. A Italiana, com um ponto a menos que o Lagoa, acabou rebaixada para a segunda divisão.

Ao ler um jornal do dia seguinte ao julgamento, o presidente do Lagoa comentou com um amigo, apontando uma das manchetes: "e a culpa caiu no Geni, como sempre". Os dois soltaram uma sonora gargalhada.

PCFilho

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O Fluminense jogará a Série B de 2014?

Com os resultados de campo do Campeonato Brasileiro de 2013, o Fluminense terminou na 17ª colocação, com 46 pontos em 38 jogos, e foi um dos quatro clubes rebaixados à Série B de 2014.

Entretanto, o STJD ainda avaliará três denúncias que podem alterar os clubes rebaixados. O Vasco pediu os pontos da partida contra o Atlético Paranaense, e a CBF acusou Portuguesa e Flamengo de escalarem atletas suspensos na última rodada.

O Vasco alega que o jogo contra o Atlético Paranaense não deveria ter continuado, após a interrupção de mais de uma hora, acima do limite estabelecido no Regulamento Geral de Competições da CBF, e solicita que o placar da partida seja revertido de derrota por 5 a 1 para vitória por 3 a 0. Caso vença no tribunal, o Vasco passaria de 44 para 47 pontos.

O Flamengo escalou André Santos contra o Cruzeiro, mas a CBF alega que o lateral estava suspenso, como consequência de sua expulsão na final da Copa do Brasil. Já a Portuguesa escalou Heverton contra o Grêmio, embora ele ainda tivesse que cumprir um jogo de suspensão. Tanto Flamengo quanto Portuguesa podem perder 4 pontos (3 pela irregularidade, e 1 dos resultados dos jogos - ambos terminaram empatados). Curiosamente, tanto Flamengo quanto Portuguesa já estavam livres do rebaixamento, e apenas cumpriam tabela na última rodada. Naturalmente, se um for punido, o outro também será.

Considero realmente estranho que Portuguesa e Flamengo tenham cometido, na mesma rodada, o mesmo erro tão grosseiro. Porém, a ata do julgamento deixa muito clara a suspensão dos atletas.

Reprodução da ata do julgamento do jogador Heverton.

Se Flamengo e Portuguesa forem punidos, o Fluminense escapará do rebaixamento. A diretoria tricolor ainda não se pronunciou sobre o assunto. Na minha opinião, o Fluminense deveria deixar claro que não tem absolutamente nada a ver com as denúncias, que não participará dos julgamentos, que está se planejando para disputar a Série B de 2014, e que só jogará a Série A se for obrigado pela CBF ou pelo STJD a fazê-lo.

A confusão está armada, e o futebol brasileiro pode reviver os velhos tempos de virada de mesa. Tomara que não...

Tabela com os resultados de campo:
11) Flamengo, 49.
12) Portuguesa, 48.
13) Coritiba, 48.
14) Bahia, 48.
15) Internacional, 48.
16) Criciúma, 46.
17) Fluminense, 46.
18) Vasco, 44.
19) Ponte Preta, 37.
20) Náutico, 20.

Tabela caso o Vasco consiga a vitória no tribunal, e Flamengo e Portuguesa sejam punidos:
11) Coritiba, 48.
12) Bahia, 48.
13) Internacional, 48.
14) Vasco, 47.
15) Criciúma, 46.
16) Fluminense, 46.
17) Flamengo, 45.
18) Portuguesa, 44.
19) Ponte Preta, 37.
20) Náutico, 20.

Tabela caso o Vasco consiga a vitória no tribunal, e Flamengo e Portuguesa não sejam punidos:
11) Flamengo, 49.
12) Portuguesa, 48.
13) Coritiba, 48.
14) Bahia, 48.
15) Internacional, 48.
16) Vasco, 47.
17) Criciúma, 46.
18) Fluminense, 46.
19) Ponte Preta, 37.
20) Náutico, 20.

Tabela caso o Vasco não consiga a vitória no tribunal, e Flamengo e Portuguesa sejam punidos:
11) Coritiba, 48.
12) Bahia, 48.
13) Internacional, 48.
14) Criciúma, 46.
15) Fluminense, 46.
16) Flamengo, 45.
17) Portuguesa, 44.
18) Vasco, 44.
19) Ponte Preta, 37.
20) Náutico, 20.

PCFilho

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Inveja de quem chora

(por Mario Vitor Rodrigues)

Eis que aconteceu o esperado. O esperado, repito. Ninguém, honestamente, desconsiderava a chance de mais um rebaixamento tricolor, o quarto e mais vergonhoso de sua história. Bem ao contrário, aliás, o torcedor do Fluminense acordou, neste último domingo, como que se preparando para o pior. Torcendo, esperançoso, claro que sim, afinal é de sua natureza, mas era pesado o fardo de um ano inteiro, inteirinho, repleto de motivos que o fizessem colocar os pés no duro e frio chão.

O Tricolor, liderado por uma miríade de amadores, acima de todos seu insensatamente incensado Presidente, desde dezembro do ano passado anunciava vocação para escolher caminhos equivocados.

Primeiro, quando, ao invés de fazer a leitura correta, ou seja, de que o time precisava de reforços, pois conquistara o Brasileiro apresentando futebol sofrível, além disto para aumentar a competitividade dentro do elenco, jamais demonstrar-se satisfeito com o título nacional, mas faminto, pela América e pelo Mundo (raciocínio obrigatório em qualquer clube que se diz grande), optou por cristalizar a “família Abel”.

Depois, já explícita esta cretina e fracassada política, fazendo jogos e campanhas ridículas, principalmente na Libertadores, ainda assim ter chafurdado na soberba de não mudar o curso das coisas. 

É sintomático, típico de quem, insisto, não pensa grande. Tiveram pudores para admitir o absoluto e colossal erro de planejamento. No fundo, devem ter pensado “tudo bem, ganhamos o Brasileiro no ano passado, este ano a gente leva na maciota, quem sabe beliscamos uma vaga na Libertadores, vida que segue”.

A arrogância do amador sempre é seu maior pecado. Mais até que sua incapacidade. O incapaz, se tiver caráter, saberá reconhecer suas limitações. O arrogante, não. O limitado, quando se acha o tal, teima, insiste e, pior, às vezes, para não deixar dúvidas de que está no comando, aprofunda suas más escolhas.

Assim, por quê não vender Wellington Nem? Não era necessário, ninguém pagou multa rescisória e o jogador não queria sair, mas e daí? 

Por quê não vender Thiago Neves? Já não é aquele de 2008, a torcida reclama bastante dele e ainda vale uma grana. 

Deco decidiu se aposentar? Talvez ele já estivesse aposentado desde o meio do ano passado, mas, vá lá, preciso colocar alguém no seu lugar. Quem? Felipe. Afinal, se Deco tem 36 e encerrou a carreira, nada como trazer alguém de 36 que ainda não o fez.

Porém, ironias à parte, futebolisticamente nada foi pior, mais criminoso e sentenciador, que, ao demitirem Abel Braga, não terem imediatamente reconduzido Muricy ao comando da equipe. Nada. O Fluminense começou a construir seu descenso ali.

Muricy, me lembro bem, à época, perguntando se voltaria ao Flu, respondeu de maneira cristalina “Por quê não?”. Seria uma medida tranquila, não traria maiores traumas internos, um técnico vitorioso que já conhecia bem o elenco. Era acertar sua volta e começar a remodelar o elenco para 2014.

Mas não. Muricy não foi opção. Muricy, afinal, falou sobre ratos. Está aí, meus caros, que fique de lição para todos nós: ratos alimentam um rancor danado. Ratos preferem afundar o barco a perdoar uma verdade dita.

Teria uma dificuldade enorme e seria extremamente doloroso elencar todas as cretinices cuidadosamente lapidadas por Peter Siemsen, Celso Barros, Rodrigo Caetano, Marcelo Teixeira, Sandrão, Flusócio e seus aliados políticos, dentre os quais Ideal Tricolor e Tricolor de Coração, mas que não reste dúvida: são estes os donos do tetra-rebaixamento.

Ainda ontem, assisti a cenas de torcedores chorando por nossa derrocada. Choravam copiosamente, demonstravam dor e sofrimento.

Senti inveja.

Inveja, este sentimento tido como repulsivo, mas no fundo tão puro quanto o próprio amor. Sim, quanto o próprio. Da mesma forma que não somos capazes de decidir por quem vamos nos apaixonar, também não podemos pré-determinar o desejo de ser o outro. Simplesmente acontece.

Ontem, comigo, foi assim.

Ao ver tricolores chorando, lamentei por mim.

Já não consigo mais.

Tenho muito nítido, cada vez mais e de forma especialmente dolorosa, o quão malfadado está o Fluminense sob o comando destes que acabaram de se reeleger para mais três anos. Chorar, portanto, é impossível.

O choro não é prerrogativa apenas de quem ama. Amor ao Tricolor jamais me faltou nem faltará enquanto ainda estiver por aqui.

O choro é de quem acredita.

E eu não acredito.

Ou o Fluminense é assumido com coragem, por gente que encare de vez as mudanças fundamentais que precisam ser feitas, ou não acredito.

E não acredito.

(Mario Vitor Rodrigues já colaborou outras vezes com este blog)

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Observações sobre o rebaixamento

Desde que a fórmula de pontos corridos foi adotada no Campeonato Brasileiro, em 2003, apenas seis clubes disputaram todas as edições na Primeira Divisão: Fluminense, Flamengo, Cruzeiro, Internacional, Santos e São Paulo. Com o rebaixamento confirmado neste domingo, o Fluminense deixará esse seleto grupo em 2014.

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O Fluminense não teria sido rebaixado caso os critérios de desempate dos outros principais campeonatos do mundo fossem adotados também no Brasileirão. Com os mesmos 46 pontos do Criciúma, o Fluminense caiu porque obteve menos vitórias que o clube catarinense. Na Liga Espanhola, o primeiro critério de desempate é o confronto direto, em que o Fluminense venceu o Criciúma. Nos outros campeonatos europeus, o primeiro critério de desempate é o saldo de gols, em que o Fluminense também venceu o Criciúma. No Campeonato Argentino, os desempenhos das últimas temporadas são considerados para o cálculo do rebaixamento, o que também salvaria o Fluminense do vexame.

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Na minha humilde opinião, empates em número de pontos deveriam ser resolvidos em um jogo extra, em campo neutro, quando houvesse alguma definição importante em jogo (título, vaga na Libertadores ou rebaixamento). O regulamento do Brasileirão até prevê este jogo extra, mas apenas no improvável cenário de empate em todos os critérios (pontos, número de vitórias, saldo de gols, gols-pró e confronto direto).

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Peter e sua turma, responsáveis diretos pelo ultrajante rebaixamento do Fluminense, deveriam reconhecer sua monstruosa incompetência, entregar suas renúncias, e convocar novas eleições no Fluminense. Ao invés disso, provavelmente culparão "as gestões passadas", como sempre fazem.

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Até quando?

PCFilho