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quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Resultados das eleições do Fluminense no século XXI



No dia 29 de novembro de 2025, José Ademar Arrais Rosal FilhoMattheus Reis e Montenegro disputaram a presidência do Fluminense, em assembleia geral realizada na sede do clube, em Laranjeiras, com vitória do segundo.

Seguem abaixo os resultados detalhados de todas as eleições para a presidência do Fluminense realizadas neste século XXI.

2001 (total de 700 votos):
David Fischel (candidato único, eleito, 688 votos)
9 votos nulos
3 votos em branco

2004 (total de 1.843 votos):
Roberto Horcades Figueira (eleito, 660 votos)
Paulo Mozart (468 votos)
José de Sousa e Silva (371 votos)
Augusto Ramos (325 votos)
15 votos nulos
4 votos em branco

2007 (total de 1.759 votos):
Roberto Horcades Figueira (eleito, 901 votos)
Peter Eduardo Siemsen (631 votos)
Paulo Mozart (215 votos)
11 votos nulos
1 voto em branco

2010 (total de 2.598 votos):
Peter Eduardo Siemsen (eleito, 1.726 votos)
Júlio Bueno (831 votos)
37 votos nulos
4 votos em branco
(artigo deste blog, detalhando os movimentos das eleições acima: A história recente da política tricolor)

2013 (total de 2.452 votos):
Peter Eduardo Siemsen (eleito, 1.939 votos)
Wanderley Alves de Oliveira "Deley" (489 votos)
21 votos nulos
3 votos em branco

2016 (total de 4.219 votos):
Pedro Eduardo Silva Abad (eleito,  2.126 votos)
Mário Henrique Guimarães Bittencourt (1.442 votos)
Celso Corrêa de Barros (651 votos)
(não foram divulgados os números de votos nulos e em branco)

2019 (total de 3.286 votos):
Mário Henrique Guimarães Bittencourt (eleito, 2.225 votos)
Ricardo Tenório (1.032 votos)
24 votos nulos
5 votos em branco

2022 (total de 3.661 votos):
Mário Henrique Guimarães Bittencourt (eleito, 2.623 votos)
Rafael Rolim (799 votos)
Marcelo Souto (228 votos)
8 votos nulos
3 votos em branco

2025 (total de 4.619 votos):
Mattheus Reis e Montenegro (3.282 votos)
José Ademar Arrais Rosal Filho (1.295 votos)
30 votos nulos
12 votos em branco

PCFilho

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Em 6 anos de Peter Siemsen, Fluminense teve 11 trocas de treinadores

Foto: Cezar Loureiro.

O advogado Peter Siemsen assumiu a presidência do Fluminense em dezembro de 2010, alguns dias após a histórica conquista do tricampeonato brasileiro. Recebeu, pois, o clube em seu melhor momento nos últimos tempos, com um elenco recheado de craques, sob o comando técnico do melhor treinador brasileiro na época, Muricy Ramalho. A conjuntura parecia apontar para o início de um período de estabilidade, quebrando a sequência que fazia do Fluminense o clube que mais trocava de treinadores no mundo.

Não foi o que aconteceu: durante os seis anos da gestão de Peter Siemsen, o Fluminense teve 12 treinadores no futebol profissional. Na média, o Tricolor teve um técnico a cada seis meses. Muricy Ramalho só durou até março de 2011, quando foi trocado por Enderson Moreira, que já chegou com prazo de validade, pois Abel Braga assumiria a partir de junho. Abel foi o único que gozou de certa estabilidade no cargo, graças às boas campanhas nos Campeonatos Brasileiros de 2011 (terceiro lugar) e 2012 (campeão).

Em julho de 2013, porém, Abel não resistiu à pressão de uma sequência de maus resultados, e foi substituído por Vanderlei Luxemburgo. Não adiantou muito: o Fluminense manteve uma campanha ruim no Brasileirão, e na tentativa de evitar o rebaixamento nas rodadas finais, trocou Luxa por Dorival Júnior. Apesar do bom desempenho, com 3 vitórias, 1 empate e 1 derrota em 5 jogos, cumprindo o objetivo de escapar do descenso, Dorival não teve seu contrato renovado, e o Fluminense iniciou 2014 com uma velha solução: Renato Gaúcho.

A sexta passagem de Renato no comando técnico tricolor não durou muito: em abril, ele foi dispensado, e então chegou Cristóvão Borges, que quase completou um ano como treinador do Fluminense. Não conseguiu porque, em março de 2015, foi trocado por Ricardo Drubscky, uma aposta inusitada da diretoria tricolor. Aposta que, adivinhem, não deu certo: após menos de dois meses e somente oito partidas, Drubscky assinou o distrato com o Fluminense.

Drubscky foi substituído por Enderson Moreira (o mesmo de 2011), que não completou quatro meses no cargo, sendo trocado pelo promissor Eduardo Baptista, que terminou a temporada de 2015 e iniciou 2016 no cargo. Só iniciou mesmo, porque foi demitido ainda em fevereiro. Em março, chegou Levir Culpi, que ganhou fôlego com a conquista da Primeira Liga, mas não resistiu à sequência de resultados ruins no Brasileirão, e foi demitido no domingo, 6 de novembro. Para as quatro rodadas derradeiras do Campeonato Brasileiro, Marcão assumirá o comando técnico, sendo assim o décimo-segundo e último treinador da gestão de Peter Siemsen.

Abaixo, a lista de treinadores do Fluminense durante a período de Peter Siemsen na presidência do clube, sem contar os interinos Leomir (junho de 2011) e Marcão (março de 2016):
- Muricy Ramalho (29/04/2010 até 13/03/2011)
- Enderson Moreira (23/03/2011 até 29/05/2011)
- Abel Braga (12/06/2011 até 28/07/2013)
- Vanderlei Luxemburgo (30/07/2013 até 11/11/2013)
- Dorival Júnior (14/11/2013 até 08/12/2013)
- Renato Gaúcho (01/01/2014 até 02/04/2014)
- Cristóvão Borges (10/04/2014 até 23/03/2015)
- Ricardo Drubscky (26/03/2015 até 17/05/2015)
- Enderson Moreira (21/05/2015 até 16/09/2015)
- Eduardo Baptista (18/09/2015 até 25/02/2016)
- Levir Culpi (10/03/2016 até 06/11/2016)
- Marcão (07/11/2016 até o fim do ano)

Se tirarmos da conta a exceção de Abel Braga, que, favorecido pelas boas circunstâncias, permaneceu mais de dois anos no cargo, o Fluminense teve onze treinadores em menos de quatro anos. Fazendo a conta: um treinador a cada quatro meses e dez dias.

Ao trocar de comando técnico com tão assustadora frequência, o Fluminense evidencia a absoluta falta de planejamento do seu futebol profissional. Não tem como dar certo.

PCFilho

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Cotado para assumir o Flu, Levir Culpi criticou presença tricolor no Brasileirão em 2000


Com a demissão de Eduardo Baptista, o Fluminense procura um novo treinador para seu time profissional de futebol, e o nome mais cotado para assumir o comando técnico do Tricolor é o do experiente Levir Culpi, que treinou o Atlético Mineiro entre 2014 e 2015, tendo conquistado a Copa do Brasil de 2014.

Levir Culpi é o nome predileto do presidente tricolor Peter Siemsen, que já tentou contratá-lo em 2011, após a saída de Muricy Ramalho. Na época, ele treinava o Cerezo Osaka, do Japão, e recusou a proposta do Fluminense, alegando que não poderia abandonar o Japão no momento delicado que o país asiático vivia, após o terremoto, a tsunami e a crise nuclear de Fukushima.

Em 2000, quando treinava o São Paulo, Levir deu uma declaração polêmica, que desagradou os torcedores do Fluminense. Às vésperas do jogo São Paulo x Fluminense, pelo Campeonato Brasileiro (que o Fluminense liderava), ele foi questionado sobre a presença do Tricolor na competição, e respondeu: "Não fico revoltado, mas acho que a inclusão do Fluminense foi injusta. Outros times trabalharam para estar na primeira divisão e foram prejudicados".


Trecho do caderno de esportes da Folha de S. Paulo, edição de 09/09/2000.

Para entender o caso, é necessário voltar até 1999, ano em que o Fluminense disputou e conquistou a terceira divisão do Campeonato Brasileiro. Assim, na ordem natural das coisas, o Fluminense disputaria a segunda divisão do Campeonato Brasileiro em 2000. Entretanto, por problemas alheios ao Fluminense, ocorridos durante a disputa da primeira divisão de 1999, não houve segunda divisão no ano 2000. A CBF entregou a organização do Campeonato Brasileiro ao Clube dos Treze, que então implementou a chamada Copa João Havelange, com 116 participantes (o Fluminense entre eles, naturalmente). Então, a pergunta que os críticos nunca respondem é: como o Fluminense poderia ter disputado uma segunda divisão que não aconteceu?

O curioso é que um dos pivôs dos problemas de 1999 foi o próprio São Paulo, que escalou o atleta Sandro Hiroshi de maneira irregular em algumas partidas, o que acabou gerando transferência de pontos na tabela de classificação para Botafogo e Internacional (mas não para outros clubes, que também enfrentaram o São Paulo com Hiroshi). O Botafogo, que havia perdido por 6 a 1 para o São Paulo, ganhou os pontos do jogo na justiça desportiva, e graças a eles escapou do rebaixamento, ultrapassando o Gama, do Distrito Federal. O clube candango sentiu-se prejudicado e ingressou com uma ação na justiça comum, iniciando assim a confusão que originou a Copa João Havelange (sem nenhuma participação do Fluminense no processo).

Os 116 clubes do Campeonato Brasileiro de 2000 foram divididos em três módulos: 25 no módulo azul (considerado "de elite", com todos os integrantes do Clube dos Treze, incluindo o Fluminense), 36 no módulo amarelo e 55 no módulo verde-e-branco. Todos os clubes eram integrantes da primeira divisão do Campeonato Brasileiro, com chances de se sagrar campeão e de obter uma vaga na Copa Libertadores da América (feito que o São Caetano, integrante do módulo amarelo, acabou conseguindo, ao ser vice-campeão).

O Fluminense perdeu aquela partida para o São Paulo por 2 a 0, mas provou, em campo, de maneira incontestável, que merecia voltar à primeira divisão: terminou o módulo azul na terceira posição, atrás apenas de Cruzeiro e Sport Recife, e à frente do próprio São Paulo, que terminou em sexto. Na fase de mata-mata, o Tricolor seria eliminado pelo São Caetano, que fora o segundo colocado do módulo amarelo e terminaria sendo o vice-campeão do Campeonato Brasileiro de 2000.

Para o Campeonato Brasileiro de 2001, a CBF retomou a organização, e naturalmente se baseou nos resultados do ano anterior para a escolha dos participantes, incluindo o Fluminense, que novamente demonstrou sua força e seu mérito, chegando à semifinal tanto em 2001 quanto em 2002. Desde então, o Fluminense nunca mais foi rebaixado, tendo conquistado o título de Campeão Brasileiro duas vezes, nos anos de 2010 e 2012.

Portanto, essa estória de que "o Fluminense deve a Série B" não passa de conversa para boi dormir. Caso Levir Culpi venha mesmo a assumir o comando técnico tricolor, poderia começar com um pedido de desculpas pelas declarações infelizes de 2000. De qualquer forma, que tenha sorte e que devolva o Fluminense ao topo das tabelas das competições, lugar a que pertence desde 1902 e para sempre.

PCFilho

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Peter Siemsen confirma demissão de Eduardo Baptista


O presidente do Fluminense Football Club, Peter Siemsen, acabou de confirmar, em coletiva na histórica sede do clube, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro, a demissão do treinador Eduardo Baptista.

Esta será a 9ª troca de treinador do Fluminense durante o mandato de Peter Siemsen na presidência. Quando ele assumiu, em dezembro de 2010, o treinador era Muricy Ramalho, que permaneceu até março de 2011. Entre março a maio de 2011, o elenco tricolor foi comandado por Enderson Moreira. Em junho de 2011, Abel Braga assumiu o comando técnico, permanecendo por pouco mais que dois anos no cargo, até julho de 2013. Entre julho e novembro de 2013, o Fluminense foi treinado por Vanderlei Luxemburgo. No final da temporada de 2013, o técnico foi Dorival Júnior. Entre janeiro e abril de 2014, Renato Gaúcho teve sua sexta passagem como treinador do Fluminense. De abril de 2014 e março de 2015, Peter deu chance a Cristóvão Borges. Entre março e maio de 2015, foi a vez de Ricardo Drubscky. De maio a setembro de 2015, Enderson Moreira teve nova oportunidade. Ele foi substituído por Eduardo Baptista, que permaneceu no comando técnico tricolor de setembro de 2015 a fevereiro de 2016.

Em 26 partidas no banco do Fluminense, Eduardo Baptista obteve 8 vitórias, 5 empates e 13 derrotas, com 36 gols-pró e 37 gols-contra. O aproveitamento do treinador no Fluminense foi de 37,18% dos pontos disputados. De acordo com enquete que realizei no Twitter, 90% dos torcedores tricolores são favoráveis à demissão do treinador.

Com 67 trocas de técnico desde 1986, aproximadamente uma a cada cinco meses, o Fluminense é o clube de futebol profissional que mais demite treinadores no mundo.

A escolha do novo treinador do Fluminense ainda não foi anunciada. Os nomes especulados na imprensa são os de Cuca, Abel Braga e Levir Culpi.

PCFilho

O Fluminense deveria demitir Eduardo Baptista?

Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo.

Há dez dias, logo antes de o Fluminense iniciar a sequência de clássicos contra Cruzeiro, Flamengo e Botafogo, perguntei no Twitter se o treinador Eduardo Baptista deveria ser demitido. Mesmo com 63% dos tricolores já apoiando a dispensa na ocasião, escrevi aqui o post 5 razões pelas quais o Fluminense NÃO deveria demitir Eduardo Baptista (opinião que ainda mantenho - caso o leitor queira entender meu posicionamento, clique e leia o post).

Após os clássicos, com uma vitória por 4 a 3 sobre o Cruzeiro no Mineirão, uma derrota por 2 a 1 para o Flamengo no Mané Garrincha e uma derrota por 2 a 0 para o Botafogo no Kléber Andrade, repeti a enquete no Twitter, e o apoio à demissão já beira os 90%:

Bom, além das cinco razões que já expus na semana passada, acrescentarei mais uma agora: mesmo que o treinador do Fluminense fosse um esquimó que nunca viu uma partida de futebol na vida, este não seria o principal problema tricolor hoje.

O Fluminense precisa de uma mudança generalizada de pensamento. E eu não escrevo isso me aproveitando dos últimos três anos de insucessos: já defendo a refundação do Fluminense desde o período em que estávamos no topo do futebol nacional, quando levantamos dois Campeonatos Brasileiros em três anos. Já ali, quando tínhamos o melhor time do país, eu alertava para a necessidade de o Tricolor se reinventar. Então, não posso, de forma alguma, ser acusado de oportunista.

Vejam só: nosso time profissional treina em um local cuja última reforma de fato aconteceu há 94 anos; nossa dívida total é estimada em meio bilhão de reais; nosso contrato de televisão nos relega ao terceiro escalão do futebol brasileiro, a despeito de sermos indiscutivelmente uma das cinco maiores potências dos últimos anos; trocamos de treinador a cada cinco meses; nossos elencos são montados sem critério, de modo que já em fevereiro a improvisação de nosso melhor apoiador na lateral nos parece uma opção defensável; não sabemos sequer em que estádio atuaremos como mandantes nos próximos sete meses, apesar de esta situação ter sido absolutamente previsível; não temos um patrocinador para o espaço mais valioso da camisa; enfim, eu poderia continuar listando nossos dramas por páginas e mais páginas.

Algum tricolor em sã consciência realmente acredita que nosso problema é somente Eduardo Baptista? Que a troca do treinador nos fará favoritos a alguma coisa? Que este time passará a jogar por música? Nem com Guardiola, amigos, nem com Guardiola em carne, osso e cérebro no comando técnico do plantel.

Querem uma mudança que seria 10 vezes mais efetiva que a demissão de Eduardo Baptista? As cartas de renúncia dos principais responsáveis pelo caos tricolor, a começar por Peter Siemsen, o presidente reeleito em meio a uma campanha de rebaixamento em 2013, a terminar por Mário Bittencourt, o advogado que também faz as vezes de vice-presidente de futebol, em um evidente conflito de interesses. Infelizmente, não vai acontecer.

Querem pedir a demissão de Eduardo Baptista, incentivando esta bizarra ciranda de treinadores do Fluminense, o clube que mais troca de técnico no mundo? Peçam, é direito inalienável de todo torcedor, e não serei eu a impedi-los.

Só não me peçam para acreditar que isto melhorará o Fluminense de alguma forma, porque estou convicto de que isto não ocorrerá. E o mais provável é que, daqui a cinco meses, estaremos aqui novamente discutindo se o sucessor de Eduardo Baptista deveria ou não ser demitido.

PCFilho

quinta-feira, 23 de julho de 2015

O elogiável trabalho do Flu-Memória

A capa do mais recente livro produzido pelo Flu-Memória.

Amigos, vocês sabem que eu sou um crítico ferrenho da atual diretoria do Fluminense, capitaneada pelo presidente Peter Siemsen. A meu ver, a gestão não implanta o prometido profissionalismo no clube, e não promove o necessário saneamento das suas finanças (se não fosse a venda de Wellington Nem, o Fluminense teria fechado todos os anos da gestão Siemsen no vermelho). Entretanto, neste texto, farei elogios explícitos a um setor específico que melhorou muito no Fluminense recentemente: o Flu-Memória.

A antes bagunçada, desarrumada e caótica sala de troféus do Fluminense deu lugar a um belo mini-museu, muito bem organizado, em que as principais taças tricolores são expostas ao público, junto com painéis, fotos, uniformes utilizados pelo clube e recursos interativos. Apesar do espaço relativamente reduzido, consegue-se contar parte da história do Fluminense e do futebol carioca, com precisão e bom gosto. Eu recomendo a visita a tricolores e a torcedores de outros clubes. Para quem gosta de futebol e quer conhecer a história do esporte no Rio de Janeiro e no Brasil, se trata de um programa obrigatório.

Vale ressaltar que o trabalho do Flu-Memória não se restringe à reforma da sala de troféus. Utilizando ferramentas inovadoras, como o crowdfunding (financiamento de projetos pelos torcedores), a equipe de profissionais já produziu alguns livros de notável qualidade, tanto no conteúdo quanto na forma. Os livros dos "110 anos", do "Casal 20" e da "camisa mais bonita do mundo" (este recém-lançado) são verdadeiros primores, peças de colecionador mesmo.

O Flu-Memória poderia inclusive servir de exemplo para os outros clubes brasileiros. Histórias tão belas quanto as de nossas agremiações merecem ser contadas com a qualidade que temos visto acontecer no Fluminense. Com a mistura de paixão e esforço de seus integrantes, o trabalho do Flu-Memória tem resultado extraordinário. Estão mesmo de parabéns Carlos Santoro, Heitor D'Alincourt, Dhaniel Cohen e os demais profissionais envolvidos com o Flu-Memória.

Antes de finalizar o meu texto, para não ficar apenas nos rasgados e merecidos elogios, deixo uma sugestão, como conhecedor do enorme acervo físico que o Fluminense possui (no qual realizei boa parte de minhas pesquisas sobre a história do Fluminense, do futebol carioca e do futebol brasileiro, com o auxílio do sempre prestativo Luizinho). Se vocês conseguirem digitalizar e disponibilizar para o mundo o acervo do Flu-Memória, terão prestado um serviço extraordinário aos tricolores e aos amantes da história do futebol. Seria a cereja no bolo do já bastante elogiável trabalho do Flu-Memória.

PCFilho

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Fluminense é o clube que mais troca de treinador no mundo


Após o desastre de Brasília, Fluminense e Ricardo Drubscky assinaram a rescisão de contrato. A passagem do treinador pelo comando técnico do clube durou menos de dois meses: foram apenas 8 jogos (5 vitórias e 3 derrotas).

Amigos, o Fluminense é, simplesmente, o clube de futebol que mais troca de treinador no mundo. Desde 1986, ocorreram impressionantes 65 trocas de técnico em Laranjeiras! SESSENTA E CINCO!

Como há alguns treinadores com mais de uma passagem, 45 treinadores diferentes assumiram o comando técnico do Tricolor no período (isso sem contar os interinos). Confiram a lista:
- Nelsinho (07-07-1985 até 30-07-1986) - DUROU MAIS QUE UM ANO!!!
- Antônio Lopes (31-08-1986 até 08-04-1987)
- Everaldo Antônio (12-04-1987 até 06-05-1987)
- Carbone (10-05-1987 até 21-11-1987)
- Sebastião Araújo (29-11-1987 até 27-03-1988)
- Ismael Kurtz (02-04-1988 até 10-07-1988)
- Sérgio Cosme (30-07-1988 até 25-02-1989)
- Othon Valentin (05-03-1989 até 21-05-1989)
- Procópio (06-05-1989 até 14-10-1989)
- Telê Santana (29-10-1989 até 09-12-1989)
- Evaristo de Macedo (28-01-1990 até 03-03-1990)
- Paulo Emílio (07-03-1990 até 07-10-1990)
- Gilson Nunes (10-10-1990 até 29-06-1991)
- Edinho (17-07-1991 até 19-12-1991)
- Artur Bernardes (27-01-1992 até 02-08-1992)
- Sérgio Cosme (22-08-1992 até 13-12-1992) - segunda passagem
- Edinho (07-02-1993 até 16-06-1993) - segunda passagem
- Nelsinho (23-06-1993 até 10-10-1993) - segunda passagem
- Edu (17-10-1993 até 14-11-1993)
- Carlos Alberto Torres (29-01-1994 até 18-02-1994)
- Delei (20-02-1994 até 02-06-1994)
- Pinheiro (15-06-1994 até 27-11-1994)
- Joel Santana (28-01-1995 até 10-12-1995) - DUROU A TEMPORADA TODA!!!
- Jair Pereira (28-01-1996 até 04-08-1996)
- Jorge Vieira (11-08-1996 até 05-09-1996)
- Renato Gaúcho (08-09-1996 até 24-11-1996)
- Cláudio Duarte (18-09-1996 até 03-11-1996)
- Júlio César Leal (18-01-1997 até 26-03-1997)
- Valdir Espinosa (03-04-1997 até 24-05-1997)
- Hugo de León (02-07-1997 até 09-07-1997) - UMA SEMANA!!!
- Carbone (13-07-1997 até 21-09-1997) - segunda passagem
- Arturzinho (24-09-1997 até 01-12-1997)
- Edinho (20-01-1998 até 06-05-1998) - terceira passagem
- Delei (25-07-1998 até 29-08-1998) - segunda passagem
- Sérgio Cosme (06-09-1998 até 06-10-1998) - terceira passagem
- Carlos Alberto Parreira (13-01-1999 até 13-02-2000) - DUROU MAIS QUE UM ANO!!!
- Valdir Espinosa (17-02-2000 até 09-05-2001) - segunda passagem, DUROU MAIS QUE UM ANO!!!
- Oswaldo de Oliveira (14-07-2001 até 17-04-2002)
- Robertinho (28-04-2002 até 31-08-2002)
- Renato Gaúcho (04-09-2002 até 10-07-2003) - segunda passagem
- Joel Santana (19-07-2003 até 01-10-2003) - segunda passagem
- Renato Gaúcho (04-10-2003 até 14-12-2003) - terceira passagem, no mesmo campeonato da segunda passagem!!!
- Valdir Espinosa (17-01-2004 até 29-02-2004) - terceira passagem
- Ricardo Gomes (07-03-2004 até 15-08-2004)
- Alexandre Gama (19-08-2004 até 19-12-2004)
- Abel Braga (23-01-2005 até 04-12-2005) - DUROU A TEMPORADA TODA!!!
- Ivo Wortmann (15-01-2006 até 18-02-2006)
- Paulo Campos (25-02-2006 até 12-03-2006)
- Oswaldo de Oliveira (12-04-2006 até 06-08-2006) - segunda passagem
- Antônio Lopes (26-08-2006 até 28-09-2006) - segunda passagem
- Paulo César Gusmão (04-10-2006 até 09-02-2007)
- Joel Santana (28-02-2007 até 19-04-2007) - terceira passagem
- Renato Gaúcho (02-05-2007 até 10-08-2008) - quarta passagem, DUROU MAIS QUE UM ANO!!!
- Cuca (17-08-2008 até 01-10-2008)
- René Simões (11-10-2008 até 05-03-2009)
- Carlos Alberto Parreira (11-03-2009 até 12-07-2009) - segunda passagem
- Renato Gaúcho (20-07-2009 até 01-09-2009) - quinta passagem
- Cuca (02-09-2009 até 14-04-2010) - segunda passagem
- Muricy Ramalho (29-04-2010 até 13-03-2011)
- Enderson Moreira (23-03-2011 até 29-05-2011)
- Abel Braga (12-06-2011 até 28-07-2013) - segunda passagem, DUROU MAIS QUE DOIS ANOS!!!
- Vanderlei Luxemburgo (30-07-2013 até 11-11-2013)
- Dorival Júnior (14-11-2013 até 08-12-2013)
- Renato Gaúcho (01-01-2014 até 02-04-2014) - sexta passagem
- Cristóvão Borges (10-04-2014 até 23-03-2015)
- Ricardo Drubscky (26-03-2015 até 17-05-2015)

Ainda houve os interinos:
- Lucio Novelli (01-05-1986 até 11-05-1986)
- Vanderlei Luxemburgo (02-08-1986 até 28-01-1987)
- Rubens Galaxie (18-10-1989 até 22-10-1989)
- Mauro Rosa Martins (13-10-1993)
- Altair (08-08-1992 até 13-06-1998)
- Rivelino Serpa (22-10-2000 até 19-11-2000)
- Duílio (10-10-1998 até 12-05-2001)
- Waldemar Lemos (01-02-2002 até 21-03-2002)
- Gilson Gênio (13-07-2003 até hoje)
- Josué Teixeira (22-02-2006 até 23-08-2006)
- Jorginho (08-07-2006)
- Alexandre Mendes (18-06-2003 até 21-06-2008)
- Vinicius Eutrópio (14-02-2007 até 18-07-2009)
- Leomir (04-06-2011)

Se considerarmos apenas de 2000 até hoje, foram trinta e uma trocas de técnico. TRINTA E UMA trocas em QUINZE anos. Em outras palavras: em média, neste século XXI, cada treinador durou menos de seis meses no comando técnico do Fluminense.

Pergunto: tem como dar certo?

PCFilho

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Flamengo e Fluminense estão infringindo o Regulamento Geral de Competições da CBF

Mapa dos setores do Maracanã: os setores Sul e Norte estão marcados em amarelo e verde.

Amigos, o atento colaborador deste blog Bruno Vargas observou uma grave infração de Flamengo e Fluminense ao Regulamento Geral de Competições da CBF, a qual relato abaixo, após apurá-la.

Na partida contra o Sport Recife, disputada no último domingo, 17, no Maracanã, o Flamengo praticou preços diferentes para os ingressos de setores equivalentes do estádio (valores das entradas inteiras): R$ 50,00 para o Norte e R$ 60,00 para o Sul (setor parcialmente destinado à torcida visitante). (fonte)

A prática é claramente proibida pelo Regulamento Geral de Competições, no artigo 79, parágrafo 4º, copiado a seguir: "Os preços dos ingressos para a torcida visitante deverão ter necessariamente, nos respectivos setores do estádio ou equivalente, os mesmos valores dos ingressos cobrados da torcida local". (fonte)

O Fluminense está cometendo o mesmo equívoco do co-irmão, na venda de ingressos da partida contra o Corinthians, que acontecerá no próximo domingo, 24, também no Maracanã. O clube Tricolor está cobrando R$ 50,00 por um ingresso inteiro do Sul e R$ 80,00 por uma entrada inteira do Norte (setor parcialmente destinado à torcida visitante). (fonte)

Os setores Sul e Norte do Estádio do Maracanã são absolutamente equivalentes, atrás dos respectivos gols do estádio, se estendendo até as alturas das bandeirinhas de escanteio, como se pode observar na figura com o mapa dos assentos, que ilustra este post, acima.

Além da infração ao documento que rege o Campeonato Brasileiro, cabe observar que Flamengo e Fluminense estão sendo deselegantes com os torcedores dos clubes visitantes, ao cobrar um preço excessivo pelos ingressos a eles destinados. O procedimento descortês não condiz com as gloriosas histórias dos dois centenários clubes, marcadas pela fidalguia, pela gentileza e pelo respeito aos adversários.

Este blog está aberto às diretorias do Clube de Regatas do Flamengo e do Fluminense Football Club, caso desejem prestar os devidos esclarecimentos.

PCFilho

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Conca: "não vou só pelo dinheiro, não"

Reprodução do canal Sportv.

Em entrevista ao Sportv nesta segunda-feira 26, o craque do Fluminense Darío Conca explicou que sua ida para o Shanghai Dongya, da China, não se deu apenas por questões financeiras: "Com certeza, os problemas internos, algumas coisas que acontecem dentro do clube, te levam a pensar que é o melhor caminho. Se tivesse um planejamento melhor, seria mais difícil pra mim aceitar (a proposta dos chineses). Não quero falar mal de ninguém, sou grato ao Fluminense e às pessoas que estão ali, mas não vou só pelo dinheiro, não".

Em suma: graças à incompetência de seus dirigentes, o Fluminense deixa escapar, pela segunda vez, um jogador do calibre de Darío Conca, uma pérola rara, um atleta super-produtivo, que se entrega de corpo e alma, que nunca se lesiona, e não à toa é o ídolo maior de uma geração inteira de tricolores.

Uma pena.

Vá, Darío Conca, e faça muito sucesso na China. O Fluminense não tem feito por merecer você.

Um dia, quem sabe, você volta. Obrigado por tudo.

PCFilho

domingo, 14 de dezembro de 2014

Dedetização em Laranjeiras


Em março de 2011, o treinador Muricy Ramalho, consagrado campeão brasileiro meses antes, foi embora do Fluminense, alegando falta de comprometimento da diretoria do clube com mudanças estruturais importantes. Sua frase que ficou famosa na época foi "tem até rato em Laranjeiras", ou algo assim.

Boa parte da torcida tricolor ficou chateada com ele, por ter largado o barco no meio da travessia, e/ou por ter esculhambado publicamente o clube. Alguns destes torcedores já o perdoaram, outros ainda não. Eu, particularmente, nunca fiquei magoado com Muricy - muito pelo contrário, sou e sempre serei grato pela imensa alegria que tivemos na chuvosa tarde-noite de 5 de dezembro de 2010, quando teve fim aquela insuportável espera de vinte e seis anos. Com direito até a uma esnobada na Seleção Brasileira, vale recordar - poucas vezes na vida eu vi um profissional do futebol dar tamanha demonstração de comprometimento com uma instituição.

Pois bem. Quase quatro anos completos já se passaram desde a saída de Muricy, e Laranjeiras não passou pela necessária dedetização. Não me refiro aos ratos e insetos pequenos - esses eventualmente são combatidos através daquelas firmas dedetizadoras com musiquinhas que grudam na cabeça e telefones fáceis de decorar. Essa dedetização é simples, é fácil de se fazer. Bastam um telefonema e um cheque.

A dedetização complicada é a dos ratos grandes, aqueles roedores com mais de um metro e meio de altura, cujo queijo é feito de níquel ao invés de leite, e pesado em cifrões ao invés de quilogramas.

O Fluminense teve, durante os últimos dezesseis anos, aquele que é tido como o melhor patrocínio do futebol brasileiro. A Unimed, principalmente de 2007 em diante, entrou com quantias elevadas de dinheiro, montando times caríssimos e sendo fator fundamental nas conquistas de títulos relevantes, entre eles o já citado Campeonato Brasileiro de 2010, e também a Copa do Brasil de 2007 e o Campeonato Brasileiro de 2012.

Que bom que as taças vieram - muito embora, diante das vultosas quantias despejadas, tenham sido até certo ponto escassas. Entretanto, a rara oportunidade de promover o saneamento financeiro do clube foi desperdiçada. Ao invés de aproveitar o fato de que o futebol estava sendo bancado por um mecenas, e assim gastar menos, o presidente Peter Siemsen fez o oposto: aumentou os gastos do clube voluptuosamente, empregando uma penca de correligionários de suas campanhas, e contratando empresas com sobreposição de funções. O aumento da dívida do clube só foi aliviado por eventuais transações de atletas - se não fosse a venda de Wellington Nem, o Fluminense teria fechado todos os anos da gestão Siemsen no vermelho.

A auditoria das contas do clube - promessa das campanhas de Peter em 2010 e 2013 - nunca aconteceu. O Centro de Treinamento - também promessa das duas campanhas - segue sendo uma utopia, mesmo com um terreno cedido pela Prefeitura - e o Fluminense continua treinando em um local cuja última reforma relevante aconteceu em 1922. O torcedor segue sendo tratado como gado - as filas intermináveis até em jogos de pouco apelo provam isso. O profissionalismo só é visto em pequenas ilhas no arquipélago de Álvaro Chaves. As dívidas continuam se acumulando umas sobre as outras (só para Fred, são mais de quatro milhões de reais devidos).

Até imaginei um versinho, baseado em um daqueles comerciais grudentos das firmas dedetizadoras: "Dedetização, PJ's e ratinhos...". O problema é que, aqui, não bastam um telefonema e um cheque. É necessário ter vontade de mudar de verdade...

PCFilho

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Fluminense deve mais de R$ 4 milhões a Fred

Foto: Photocamera.

Após o desabafo de Fred no último domingo, começam a aparecer os números que mostram a causa da insatisfação do craque tricolor.

O salário mensal de Fred é de R$ 950.000,00, dos quais R$ 650.000,00 são pagos pela Unimed em direitos de imagem. Os R$ 300.000,00 restantes são pagos pelo Fluminense, R$ 100.000,00 de salário na carteira de trabalho e R$ 200.000,00 de direitos de imagem. É esta parcela de direitos de imagem paga pelo clube que está atrasada há mais de vinte meses (!!), totalizando uma dívida superior a R$ 4.000.000,00 - equivalente a mais de quatro meses de salário do atleta.

Outros jogadores do plantel tricolor também têm essa parcela de direitos de imagem paga pelo clube atrasada há meses, dentre eles Darío Conca, Cícero, Diguinho, Jean e Walter.

Perguntar não ofende: esta é a "boa gestão" do presidente Peter Siemsen? É esta gestão que está saneando as finanças e diminuindo a dívida do clube? Alguém aí ainda acredita nisso?

PCFilho

Entrevista de Deco a Rica Perrone

Interessante a entrevista realizada pelo blogueiro Rica Perrone com o ex-craque tricolor Deco. Entre outros assuntos, o camisa 20 fala sobre o patrocínio da Unimed ao Fluminense, responde qual torcida é a melhor entre as de Fluminense e Barcelona, e dá uma nota ao presidente tricolor Peter Siemsen. Confiram:

PCFilho

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Os quatro grandes do Rio seriam rebaixados pela Lei de Responsabilidade Fiscal


A nova Lei de Responsabilidade Fiscal, que está para ser votada na Câmara dos Deputados, prevê rebaixamento para os clubes que não apresentarem as Certidões Negativas de Débito, documentos emitidos pelo Governo para atestar que pessoas jurídicas não lhe devem impostos.

Fiz consultas ao site da Receita Federal e, surpresa!, as certidões relativas a contribuições previdenciárias dos quatro grandes clubes do Rio (Fluminense, Botafogo, Flamengo e Vasco) não puderam ser emitidas, pela existência de pendências.

Print screen do site da Receita Federal.

Para quem quiser repetir as consultas, eis os números dos CNPJ's dos quatro clubes citados:
- CNPJ do Fluminense: 33.647.553/0001-90.
- CNPJ do Botafogo: 34.029.587/0001-83.
- CNPJ do Flamengo: 33.649.575/0001-99.
- CNPJ do Vasco: 33.617.465/0001-45.

Caso a Lei já estivesse em vigor, e fosse de fato cumprida, Fluminense, Botafogo e Flamengo seriam administrativamente rebaixados para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro (e o Vasco, que já está na segunda, para a terceira).

De acordo com os balanços financeiros dos clubes, divulgados em dezembro de 2013, os quatro grandes do Rio de Janeiro estão no topo da lista de maiores devedores do futebol brasileiro, cada um deles devendo centenas de milhões de reais, entre dívidas fiscais, trabalhistas e bancárias.

PCFilho

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Sobre a falência do Botafogo


Amigos, nesta semana uma tristíssima realidade ficou clara: o glorioso Botafogo vive um estágio avançado de falência. No último domingo de julho, os jogadores alvinegros escancararam para o mundo a grave crise financeira do clube, ao entrarem no gramado do Maracanã com aquela faixa de protesto: atrasos de três meses nos salários, mais cinco meses nos direitos de imagem. Em tese, após os três meses de atraso, o atleta pode simplesmente pedir as contas na Justiça e ir embora. Com dívida total estimada em R$ 700 milhões, pelo menos cinco vezes sua arrecadação anual, o Botafogo está, sim, vivendo um processo de falência.

Vale sublinhar que o buraco financeiro em que o Botafogo se encontra foi cavado por seus próprios dirigentes irresponsáveis, que ao longo dos últimos anos trataram de gastar muito mais que o arrecadado, temporada após temporada. Uma dívida de centenas de milhões não nasce do nada, não cai dos céus como um raio inesperado. Ela é o resultado de um trabalho contínuo, de um esforço perseverante. Estas gestões desastrosas é que, uma após a outra, contribuíram para a falência do Botafogo.

Agora, chego ao ponto principal deste meu texto, um alerta: o Botafogo não está sozinho nesta canoa furada.

Pelo menos os outros três grandes clubes cariocas estão, cada um, em seu próprio estágio no processo falimentar: Flamengo, Vasco e Fluminense. Não tentemos tapar o sol com a peneira: todos os três vivem o mesmo problema de seu co-irmão Botafogo, após gestões irresponsáveis, com gastos estratosféricos e arrecadações menos gordas.

Sobre o caso particular do meu Fluminense, eu já venho alertando aqui nos últimos anos. Como escrevi em novembro de 2013, a dívida do outrora rico Tricolor das Laranjeiras evolui de forma assustadora: R$ 382 milhões em 2010, R$ 405 milhões em 2011, R$ 445 milhões em 2012, R$ 500 milhões em 2013*... A seguir nesse ritmo, em 2016 a dívida passará dos R$ 620 milhões. A bolha tricolor uma hora estourará, como a alvinegra está estourando agora. É só questão de tempo.

Tenho visto muitos fazendo graça e caçoando da situação do Botafogo, mas é bom abrirmos nossos olhos, e começarmos a cobrar de nossos próprios dirigentes. O presidente tricolor Peter Siemsen, responsável por boa parte da dívida tricolor, foi reeleito quase por aclamação no ano passado. O Fluminense, surfando no tapete mágico da Unimed, ainda consegue manter um elenco milionário com salários em dia, é verdade. E por isso foi campeão em 2010, foi campeão em 2012, e disputa o título em 2014. Mas o sonho um dia vai acabar.

O Fluminense tem a vocação da eternidade, como escreveu certa vez o monumental Nelson Rodrigues. Mas eu realmente espero que nossos torcedores e sócios saibam que precisam agir para que esta vocação da eternidade seja real. Para continuar glorioso, o Fluminense precisa, urgentemente, acordar para a realidade. Que o triste caso do Botafogo sirva de exemplo, enquanto ainda há tempo.

PCFilho

* observação: o número de 2013 era uma estimativa - o balanço oficial do clube apontou que a dívida total do Fluminense em 31 de dezembro de 2013 estava em R$ 422,7 milhões, uma leve redução em relação a 2012 - devida, basicamente, à venda de Wellington Nem para o Shakhtar Donetsk, por R$ 25,4 milhões.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Fluminense rasga compromisso com sua torcida e dobra preços dos ingressos



Há pouco mais de dois meses, o Fluminense publicou em seu site uma tabela com os preços dos ingressos para todos os jogos do Campeonato Brasileiro de 2014. Entretanto, os dirigentes parecem não dar muito valor à própria palavra.

Hoje, serão anunciados os novos preços dos ingressos, com um inacreditável reajuste de 100% em relação à tabela divulgada anteriormente. Isto é: o Fluminense simplesmente dobrará os preços dos ingressos de seus jogos, rasgando o compromisso assumido com sua torcida.

Justo no momento em que o Fluminense precisa de sua torcida, para continuar a perseguição ao líder Cruzeiro na tabela do Brasileirão, os dirigentes tricolores jogam contra, esvaziando as próximas partidas no Maracanã.

Apresentaram uma justificativa de que os preços baixos inviabilizam o crescimento da base de sócios, os quais não estão tendo vantagem financeira com relação aos torcedores comuns. Ora, então por que esta conta simples não foi feita antes do compromisso feito com a torcida, publicado no site oficial? Eis mais uma prova concreta de como o planejamento do Fluminense é feito em papel de embrulhar pão.

O discursinho "contrário à elitização do futebol brasileiro" cai por terra como mais uma mentira dos cartolas tricolores. Convenhamos, já desconfiávamos que era mesmo falso, vindo da diretoria que, quando assumiu em 2011, cobrou obscenos 80 reais por cada jogo da primeira fase da Copa Libertadores, no Engenhão.

Vale lembrar também que o presidente Peter Siemsen tinha como promessa de campanha o saneamento financeiro do clube, outra falácia, visto que a dívida do clube segue crescendo em ritmo galopante, já tendo ultrapassado a surreal marca de meio bilhão de reais.

PCFilho

sábado, 26 de julho de 2014

Fluminense estuda aumentar preços dos ingressos

Tabela de preços divulgada em 16 de maio de 2014.
Foto: Divulgação / FFC.

Pouco mais de dois meses após o Fluminense divulgar em seu site a tabela acima, com os preços dos ingressos para todos os jogos do Campeonato Brasileiro de 2014, os dirigentes tricolores já estudam descumprir o prometido (!!!). Dá para acreditar??

Se este absurdo de fato acontecer, será (mais) uma demonstração inequívoca da falta de competência e de caráter desta gestão, que afunda o Fluminense em dívidas e ainda consegue proezas como brigar contra o rebaixamento com um dos elencos mais caros do país.

Vale ressaltar que a política de preços dos ingressos obteve sucesso estrondoso nos jogos anteriores à Copa do Mundo. Na partida contra o Vitória, por exemplo, 50 mil torcedores estiveram no Maracanã, o maior público deste Campeonato Brasileiro até aqui.

Sou favorável à manutenção dos preços divulgados, porque considero que eles são, de fato, os valores justos para o espetáculo oferecido. (Exceção para os jogos finais do Campeonato, que podem valer muito mais, caso o Fluminense esteja disputando o título.) Ou alguém acredita que com ingressos a, digamos, 50 reais, o Maracanã encherá? É evidente que não.

Além do mais, há, desde a divulgação da tabela, um claríssimo compromisso com o cliente, que não pode ser rasgado em hipótese alguma. Como bem disse meu amigo Thiago Rachid, se o Fluminense decidisse vender os ingressos a um real a partir de agora, não teria o prejuízo que terá por não cumprir sua palavra.

Estamos de olho.

PCFilho

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Voz de Celso Barros



"Situação diferente. Tenho respeito pelo Horcades e tenho pelo Peter. Mas é um relacionamento difícil às vezes. Não posso mudar isso. Estamos há 15 anos no Fluminense, vivemos o Fluminense. Na verdade, o presidente Peter tem um comportamento que é incompatível. Demitiu Muricy, brigou com Alcides, com Sandrão, agora quer reaproximar o Sandrão… Pegamos o Fluminense na Série C, colocamos na Série A. Vencemos duas vezes o Brasileiro, fizemos final de Libertadores. O saldo com a Unimed é extremamente positivo. Mas há a vaidade de que é com o doutor Celso. Acho isso uma bobagem. Até o momento, não vamos discutir rescisão de contrato. Mas no fim ano ano, podemos pensar na saída. Acho o Cristóvão um nome interessante para dirigir o clube. É o Fluminense viver o seu momento e a direção assumir uma posição de uma certa falta de respeito com um patrocinador de 15 anos com o clube. Existe essa relação, somos clientes do escritório do Peter Siemsen. Ele é muito pressionado e se mostra fraco em algum momento. Isso desestimula. A Unimed vai passar e o Fluminense vai ficar. O Fluminense é maior que tudo, que o Peter, que eu… Vou torcer enquanto durar o patrocínio e também quando acabar. Sou tricolor e não vou mudar a minha torcida pelo Fluminense."

"Na verdade fui surpreendido com a conversa à noite com Peter e Tenório, colocando a insatisfação com o Renato, e ambos achavam que deveria demitir. Eu fui contrário. Achei que era importante esperar o jogo com o Horizonte. Fomos discutindo e ele saiu da reunião sem ter uma decisão, pelo menos passando para mim, que iria demitir o técnico. Cabe a ele essa decisão. Se ele perguntasse e eu sou contra, eu falaria. Mas sou a favor se o presidente quiser demitir. Esse tipo de relação com o Peter é complicada. Já passamos por outras situações, mas desestimula a Unimed a continuar no fim do ano. Não tinha o menor problema ele me dizer na reunião que demitiria o técnico. Não gostei apenas como foi. Um desrespeito ao patrocinador."

Celso Barros, presidente da Unimed-Rio, em entrevista à Rádio Brasil.

PCFilho

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Cristóvão Borges é o novo treinador do Fluminense

Foto: Cristóvão Borges ouve as instruções do treinador Zagallo, no Fluminense (1980).

O Fluminense anunciou, nesta quarta-feira 2, a demissão de Renato Gaúcho e a contratação de Cristóvão Borges para assumir o comando técnico do time profissional. O novo treinador tem 54 anos.

Cristóvão foi jogador do Fluminense, entre 1979 e 1983, tendo atuado em cerca de 100 partidas, nas quais marcou 26 gols. O primeiro deles foi um golaço na vitória por 3 a 0 contra o Flamengo em 1979 (confiram aqui, vale a pena). Conquistou como atleta do Fluminense o Campeonato Carioca de 1980.

O Fluminense será o terceiro clube comandado por Cristóvão, que já treinou Vasco e Bahia. Mesmo iniciante na carreira de treinador, Cristóvão já tem um Vice-Campeonato Brasileiro no currículo, pelo Vasco, em 2011. Ele comandou o Vasco em 78 jogos, com 41 vitórias, 18 empates e 19 derrotas (60,3% de aproveitamento), e também alcançou a fase semifinal da Copa Sul-Americana de 2011. No Bahia, foram 42 jogos, com 14 vitórias, 13 empates e 15 derrotas (43,7% de aproveitamento).

Cristóvão será o sétimo treinador da gestão do presidente Peter Siemsen no Fluminense, sucedendo Muricy Ramalho, Enderson Moreira, Abel Braga, Vanderlei Luxemburgo, Dorival Júnior e Renato Gaúcho. A média é de um técnico a cada cinco meses.

Certamente, Cristóvão ainda não tem a bagagem de Cuca, Tite e Muricy, os três que considero os melhores treinadores brasileiros do momento. No entanto, vejo com bons olhos a contratação. O bom trabalho de Cristóvão no Vasco o credencia para o desafio de treinar o Fluminense.

Só espero que a diretoria do Fluminense reforce substancialmente o elenco tricolor, necessidade que ficou evidente nos últimos meses. Cristóvão é um bom treinador, mas não faz milagre.

PCFilho

Cuca e Cristóvão, na época jogadores do Grêmio.

Cristóvão Borges, na época treinador do Vasco.

O último clube treinado por Cristóvão Borges foi o Bahia.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Peter Siemsen renunciará à presidência do Fluminense

Peter Siemsen. Foto: Celso Barros.

Amigos, uma bomba de proporções cataclísmicas está prestes a explodir na Rua Álvaro Chaves: o presidente do Fluminense Peter Siemsen renunciará ao cargo nos próximos dias. Os principais diretores da gestão também devem acompanhar a decisão do mandatário.

Reeleito em novembro do ano passado praticamente por aclamação, Peter Siemsen parecia ter muita moral entre os associados do clube mais tradicional do futebol brasileiro. Entretanto, a crise que o Tricolor atravessa chegou ao time de futebol, não dá pistas de terminar, e o gestor passou a ser questionado até mesmo por seus fieis aliados.

Vale ressaltar que o Fluminense atravessa uma crise financeira sem precedentes na história do clube - estima-se que a dívida total já tenha ultrapassado os 500 milhões de reais, e o orçamento para 2014 prevê um déficit superior a 30 milhões de reais. O discurso de austeridade financeira, promessa das duas campanhas de Peter Siemsen, não saiu do papel. A gastança desenfreada parece não ter limites, com amigos e correligionários políticos do presidente sendo regiamente remunerados, mesmo sem experiência profissional prévia no futebol.

Com os títulos conquistados em 2012, no Campeonato Carioca e no Campeonato Brasileiro, o Tricolor se acomodou, não renovou o elenco, e tem tido desempenho pífio em campo. Nos últimos 16 meses, venceu apenas 3 dos 34 jogos contra outros clubes grandes brasileiros. Em 2013, foi eliminado pelo Olimpia na Copa Libertadores e pelo Goiás na Copa do Brasil. Além disso, cumpriu campanha fraquíssima no Campeonato Brasileiro, só se salvando do rebaixamento graças aos erros primários cometidos por Flamengo e Portuguesa, que escalaram jogadores suspensos na última rodada.

Seguiu-se ao imbróglio do Brasileirão uma grave crise de imagem, com a imprensa e os rivais colocando no clube a injusta pecha de "time do tapetão", e inclusive torcedores sendo agredidos nas ruas. A gestão desta crise foi desastrosa - e até mesmo os aliados políticos de Peter Siemsen admitem que a participação do Tricolor nos julgamentos era desnecessária e só colaborou para aumentar o dano à imagem do Fluminense. "Um tiro no próprio pé", afirma um dirigente que não quis se identificar.

A eliminação para o Vasco (que jogará a segunda divisão do Brasileirão) no Campeonato Carioca de 2014 parece ter sido a gota d'água que faltava para transbordar o copo da crise em Laranjeiras. Há forte pressão interna pela demissão do treinador Renato Gaúcho, o que desagradaria o mecenas Celso Barros, presidente da Unimed-Rio, que é quem manda de fato no futebol do Fluminense.

Pressionado por todos os lados, Peter Siemsen se vê incapaz de contornar a crise, e por isso teria decidido renunciar. Caso toda a cúpula tricolor siga a decisão do mandatário, o presidente do Conselho Deliberativo assumirá o comando do clube e convocará novas eleições em até três meses.

A crise do futebol carioca ainda poderá atingir outro clube em breve: caso o Flamengo seja eliminado da Copa Libertadores ainda na primeira fase, o presidente rubro-negro Eduardo Bandeira de Mello é outro que provavelmente entregará o cargo, como já confidenciou a amigos.

PCFilho

Fluminense só venceu 3 times grandes nos últimos 16 meses


Não é novidade para ninguém que o Fluminense vive uma colossal crise no futebol há mais de um ano. Mas a análise dos números dos confrontos do Tricolor contra seus principais adversários no país nos últimos meses é assustadora.

Considerando os jogos contra os outros 11 grandes do futebol brasileiro, nos últimos 16 meses e meio, o retrospecto do Fluminense é simplesmente ridículo. Em 34 jogos, foram apenas 3 vitórias (contra o Cruzeiro, o São Paulo e o Flamengo), 10 empates e 21 derrotas. A vitória contra o São Paulo, que escalou reservas naquele dia, só foi consumada com um gol aos 43 minutos do segundo tempo.


Segue a lista com os últimos jogos do Fluminense contra os outros clubes grandes brasileiros, desde 11/11/2012, quando o Tricolor venceu o Palmeiras e sagrou-se campeão brasileiro daquela temporada:
11/11/2012 - Palmeiras 2 x 3 Fluminense - Prudentão (Presidente Prudente)
18/11/2012 - Fluminense 0 x 2 Cruzeiro - Engenhão (Rio de Janeiro)
02/12/2012 - Fluminense 1 x 2 Vasco - Engenhão (Rio de Janeiro)
28/07/2013 - Grêmio 2 x 0 Fluminense - Arena do Grêmio (Porto Alegre)
31/07/2013 - Fluminense 1 x 0 Cruzeiro - Maracanã (Rio de Janeiro)
11/08/2013 - Fluminense 2 x 3 Flamengo - Maracanã (Rio de Janeiro)
14/08/2013 - Fluminense 0 x 0 Corinthians - Maracanã (Rio de Janeiro)
25/08/2013 - São Paulo 2 x 1 Fluminense - Morumbi (São Paulo)
31/08/2013 - Fluminense 0 x 2 Santos - Maracanã (Rio de Janeiro)
04/09/2013 - Atlético Mineiro 2 x 2 Fluminense - Independência (Belo Horizonte)
02/10/2013 - Fluminense 1 x 1 Botafogo - Maracanã (Rio de Janeiro)
06/10/2013 - Internacional 1 x 0 Fluminense - Centenário (Caxias do Sul)
09/10/2013 - Vasco 1 x 0 Fluminense - Ressacada (Florianópolis)
12/10/2013 - Fluminense 1 x 1 Grêmio - Maracanã (Rio de Janeiro)
16/10/2013 - Cruzeiro 1 x 0 Fluminense - Mineirão (Belo Horizonte)
03/11/2013 - Flamengo 1 x 0 Fluminense - Maracanã (Rio de Janeiro)
10/11/2013 - Corinthians 1 x 0 Fluminense - Fonte Luminosa (Araraquara)
17/11/2013 - Fluminense 2 x 1 São Paulo - Maracanã (Rio de Janeiro)
24/11/2013 - Santos 1 x 0 Fluminense - Prudentão (Presidente Prudente)
30/11/2013 - Fluminense 2 x 2 Atlético Mineiro - Maracanã (Rio de Janeiro)
08/02/2014 - Flamengo 0 x 3 Fluminense - Maracanã (Rio de Janeiro)
23/02/2014 - Fluminense 0 x 3 Botafogo - Maracanã (Rio de Janeiro)
16/03/2014 - Fluminense 1 x 1 Vasco - Maracanã (Rio de Janeiro)
27/03/2014 - Vasco 1 x 1 Fluminense - Maracanã (Rio de Janeiro)
30/03/2014 - Fluminense 0 x 1 Vasco - Maracanã (Rio de Janeiro)


Neste período, o Fluminense teve 4 treinadores: Abel Braga, Vanderlei Luxemburgo, Dorival Júnior e Renato Gaúcho. A média é de 4 meses de trabalho para cada um.

Planejamento é isso aí. Parabéns aos envolvidos.

PCFilho